Guerra do Irã

Em carta ao povo norte-americano, Irã convoca a população à luta contra o imperialismo

Adriana Machado

Enquanto os EUA tentam subjugar o Irã com golpes, terrorismo e guerras, a Guarda Revolucionária expõe as derrotas do imperialismo e se dirige ao povo americano com a força revolucionária da verdade

Desde o golpe de Estado de 1953, organizado pela CIA em colaboração com o serviço secreto britânico para derrubar o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, os Estados Unidos procuram exercer influência decisiva sobre os rumos políticos do Irã. A Revolução Islâmica de 1979 rompeu com a dominação norte-americana, derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi, sustentada por Washington durante mais de duas décadas, e marcou um novo capítulo na história das revoluções populares e da luta anti-imperialista mundial. Desde então, o país tem sido alvo de uma ofensiva implacável, mas a organização revolucionária de seu povo em armas lhe permite preservar seu sistema político, sua dignidade e sua soberania.

São 73 anos de golpes e tentativas de golpe de Estado, sustentação da ditadura do xá, tortura, espionagem, campanhas de desinformação, operações de desestabilização, incentivo e apoio a movimentos separatistas, sanções econômicas, terrorismo e agressões militares destinados a impor os interesses norte-americanos ao Irã. Apesar dessa sucessão de ataques e da enorme desigualdade de poder entre os dois países, o Irã resiste, mantém sua independência política, fortalece sua capacidade de defesa e desenvolve sua economia, frustrando as tentativas de Washington de submetê-lo.

Em 29 de setembro de 2026, sete meses após o início da nova ofensiva militar norte-americana e israelense contra o Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) divulgou uma carta aberta dirigida ao povo dos Estados Unidos. Nela, convida os norte-americanos a conhecer a maneira como os iranianos compreendem o mundo e a religião, organizam sua sociedade e constroem sua resistência.

A fé islâmica é apresentada não apenas como uma convicção religiosa, mas como um elemento fundamental da identidade nacional, da organização social e da disposição do povo iraniano para resistir às agressões estrangeiras. A carta também explica os princípios políticos e constitucionais da República Islâmica, destacando a participação popular, a formação intelectual e moral de seus dirigentes e a defesa da independência nacional.

A Guarda Revolucionária apresenta uma análise histórica detalhada das sucessivas agressões imperialistas contra o Irã, desde o golpe de 1953 e o apoio à ditadura do xá até a guerra entre Irã e Iraque, as sanções econômicas, o incentivo a movimentos separatistas, o apoio a grupos armados, a criação e o financiamento do Estado Islâmico, as operações de desestabilização, o terrorismo e as ofensivas militares mais recentes. Examina também os fracassos estratégicos das intervenções norte-americanas no Iraque e no Afeganistão, destacando a destruição provocada por essas guerras, o sofrimento imposto às populações e a incapacidade de Washington de consolidar seu domínio sobre esses países.

A violência militar, a guerra psicológica, a desinformação e a manipulação dos conceitos de “democracia”, “liberdade” e “combate ao terrorismo” são denunciadas como instrumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar suas intervenções. A carta expõe as consequências dessas políticas não apenas para os povos submetidos às guerras e à ingerência estrangeira, mas também para a própria população norte-americana, que paga por essas aventuras militares com seus impostos, com a vida de seus soldados e com a deterioração de suas condições de vida, enquanto uma pequena elite política e econômica se beneficia da política de guerra.

A recente vitória da resistência iraniana sobre o imperialismo norte-americano e o sionismo é apresentada como um acontecimento histórico cujas consequências ultrapassam o campo militar. A derrota dos Estados Unidos e de “Israel” é examinada em seus aspectos militares, políticos e estratégicos, a partir do fracasso de seus objetivos de guerra e das transformações que esse revés pode produzir na correlação de forças mundial.

Ao demonstrar que uma nação pode resistir à agressão de uma potência militarmente superior e impedir que sua vontade lhe seja imposta, a experiência iraniana fortalece a confiança dos povos em sua própria capacidade de enfrentar a dominação estrangeira. A carta identifica nessa vitória um impulso à consciência política e à luta pela autodeterminação, com consequências que ultrapassam as fronteiras do Irã.

O documento também examina a decadência dos Estados Unidos, relacionando seu enfraquecimento às contradições do capitalismo, à política de guerras, à submissão de seus governantes aos interesses sionistas e ao abandono do desenvolvimento de sua própria economia. Enquanto bilhões de dólares são destinados a intervenções militares e ao financiamento de “Israel”, a população enfrenta desigualdade social, dificuldades econômicas e deterioração das condições de vida.

Longe de responsabilizar o povo norte-americano pelas agressões imperialistas, a Guarda Revolucionária estabelece uma distinção fundamental entre a população dos Estados Unidos e seus governantes. Os trabalhadores dos Estados Unidos também são vítimas da política imperialista, obrigados a arcar com os custos de guerras que não atendem aos seus interesses. A continuidade dessa política aprofunda a crise interna do país e acelera o declínio de sua hegemonia internacional.

Aproveitando o momento de profunda crise política norte-americana, o Irã procura contribuir também para a elevação da consciência política da população dos Estados Unidos. A resistência iraniana e sua vitória na guerra são explicadas pela organização política do país, pela fé de seu povo e por um sistema constitucional que favorece a escolha de dirigentes honestos, intelectualmente preparados e corajosos. Em contraposição, a carta descreve a decadência da classe dirigente norte-americana, marcada pela submissão aos interesses de uma elite econômica e pela deterioração dos critérios de escolha de seus governantes, processo que considera ter alcançado sua expressão mais extrema na figura de Donald Trump.

Ao contrapor os princípios políticos, religiosos e constitucionais da República Islâmica à atuação das elites dirigentes dos Estados Unidos, a carta procura demonstrar que a força de uma nação não depende apenas de sua superioridade militar ou econômica, mas também da legitimidade de suas instituições, da qualidade de suas lideranças e da disposição de seu povo para defender a própria soberania.

O genocídio na Palestina e a guerra contra o Irã são apresentados como acontecimentos decisivos para o despertar político dos povos, inclusive nos Estados Unidos. A brutalidade das agressões e a capacidade de resistência dos países atacados contribuem para desmascarar a política imperialista e fortalecer a oposição internacional à dominação estrangeira.

A Guarda Revolucionária vai além da denúncia e conclama os norte-americanos a romper com a política de seus governantes e a se unir ao Irã, ao povo palestino e aos demais povos oprimidos na luta contra o imperialismo. A população dos Estados Unidos é apresentada não como inimiga, mas como uma força capaz de transformar seu próprio futuro e contribuir para uma mudança histórica nas relações internacionais.

Ao mesmo tempo que reafirma sua disposição de resistir militarmente a qualquer agressão, o Irã apresenta a dissuasão como instrumento de defesa de sua soberania. A coexistência pacífica entre as nações é considerada possível desde que fundamentada no respeito à independência, na justiça, na autodeterminação e no fim das intervenções estrangeiras.

A iniciativa iraniana encontra precedentes na história das revoluções e da luta de classes. Em 1917, Lênin conclamou os trabalhadores e soldados dos países envolvidos na Primeira Guerra Mundial a se voltarem contra as classes dirigentes responsáveis pelo conflito. Em 1966, durante a Guerra do Vietnã, Ho Chi Minh dirigiu uma mensagem ao povo norte-americano, denunciando a agressão dos Estados Unidos e defendendo a solidariedade entre os dois povos. A carta iraniana retoma essa tradição de dirigir-se à população da potência adversária, reconhecendo nela a possibilidade de uma força política contrária aos interesses de seus próprios governantes.

O documento, portanto, não constitui apenas uma declaração militar ou diplomática, mas uma intervenção política dirigida à sociedade da potência adversária. Para justificar suas guerras de dominação e conquistar o apoio popular, o imperialismo recorre à mentira, à manipulação e à distorção dos ideais de “democracia” e “liberdade”. Em contraste, a iniciativa iraniana coloca a razão e a verdade no centro da luta política, como instrumentos capazes de despertar a consciência dos norte-americanos e levá-los a questionar o poder de seus governantes.

A importância revolucionária da verdade foi destacada por Lênin em Um documento infeliz, escrito em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Ao denunciar as mentiras utilizadas para encobrir o caráter imperialista do conflito, afirmou: “É uma verdade amarga. Mas é a verdade. É preciso dizer a verdade ao povo. Só então seus olhos se abrirão e ele aprenderá a combater a mentira.”

É precisamente essa a dimensão política da iniciativa iraniana: levar ao povo norte-americano a verdade que seus governantes procuram ocultar, revelar os interesses por trás das guerras imperialistas e demonstrar que os trabalhadores dos Estados Unidos e os povos submetidos à dominação estrangeira não precisam estar em lados opostos.

Confira, a seguir, a íntegra da histórica carta da Guarda Revolucionária do Irã ao povo norte-americano, traduzida para o português.

Em nome de Deus, o Todo-Misericordioso, o Sempre-Misericordioso

Uma carta aberta ao honrado povo dos Estados Unidos da América                

“De fato, Deus não altera a situação de um povo até que esse povo altere sua própria situação.”

– O Alcorão Sagrado, 13:11

Ao honrado povo dos Estados Unidos da América — aos estudiosos, aos estudantes e aos profissionais da imprensa:                                    

Iniciamos esta carta saudando as nobres almas dos maiores profetas de Deus — Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. Que Sua paz e Suas bênçãos estejam sobre todos eles.                

Há sete meses, as Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram uma guerra contra o Irã, em violação do direito internacional, atacando uma escola de ensino fundamental em Minab e assassinando 168 crianças inocentes, juntamente com seus professores. Simultaneamente, atacaram os escritórios do Líder Supremo da República Islâmica do Irã, o imã Saied Ali Khamenei, martirizando Sua Eminência e vários membros de sua família, inclusive sua neta de 14 meses.                                                      

Até o momento, a guerra tirou a vida de mais de 3.600 iranianos, a imensa maioria civis, incluindo 400 crianças. Oito universidades, três hospitais e oito escolas foram bombardeados. Contudo, apesar dos atos sem precedentes de crueldade e violência sofridos pela nação iraniana durante esta guerra, os Estados Unidos e Israel sofreram uma derrota esmagadora, enquanto a República Islâmica do Irã alcançou uma vitória decisiva.                                     

Como a primeira vítima das guerras intermináveis travadas pelo governo dos Estados Unidos tem sido, sem exceção, a verdade, e como o povo norte-americano sofre continuamente os maiores danos decorrentes da campanha de engano de seu governo, desejamos destacar alguns dos fatos que estão sendo ocultados da população norte-americana. Afinal, são os contribuintes norte-americanos que terão de arcar com os custos das guerras injustas dos Estados Unidos e, portanto, merecem conhecer a verdade.                                                   

Comecemos considerando algumas perguntas. Por que o Irã prevaleceu em seu conflito com os Estados Unidos, cujas Forças Armadas dispõem de um orçamento anual cem vezes maior que o das forças iranianas e possuem um estoque de armas e munições que supera enormemente o que está disponível para os militares iranianos, numa proporção extremamente desigual?

Por que os iranianos gritam “Morte à América”? São hostis ao povo norte-americano?

O governo dos Estados Unidos afirma que o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) é uma organização terrorista. Isso é verdade?

Por que os vastos e extensos esforços do governo dos Estados Unidos, ao longo de quase cinco décadas, para restabelecer sua dominação sobre o povo iraniano fracassaram continuamente?

Por que os Estados Unidos, se mantiverem o rumo atual, caminham rapidamente para o declínio?         

Como a atual guerra entre o Irã e os Estados Unidos se desenvolverá e terminará? 

Como o povo norte-americano pode se proteger das consequências da agressão injusta de seu governo e se resguardar dos piores danos do colapso iminente?                               

São essas as questões que desejamos considerar nesta carta. Seremos sinceros e diretos. Caso duvidem da honestidade das respostas que oferecemos às perguntas anteriores, vocês podem fazer uma breve viagem a qualquer parte do Irã que desejarem — talvez até ao Estreito de Ormuz — e constatar pessoalmente a veracidade de nossas afirmações.                                      

Por que o Irã é o vencedor?                          

Por que o Irã venceu a guerra, apesar de ter um orçamento de defesa equivalente a apenas um por cento do orçamento dos Estados Unidos? Talvez sua primeira reação a essa pergunta seja a incredulidade: “Com base em quê vocês afirmam que o Irã é o vencedor?” Para determinar qual lado venceu a guerra, precisamos verificar qual lado alcançou seus objetivos. Autoridades norte-americanas e israelenses inicialmente declararam que os objetivos de sua ofensiva contra o Irã eram a mudança de regime e a divisão do Irã. Entretanto, depois de fracassarem em ambos os objetivos, passaram a anunciar de maneira atropelada uma lista variável de metas, apresentando um novo objetivo a cada semana, o que revelou a ausência de uma estratégia coerente para conduzir a guerra.

Depois que o fracasso dos dois primeiros objetivos ficou evidente, o presidente dos Estados Unidos apresentou treze metas diferentes para a guerra: a rendição incondicional do Irã; a tomada da ilha de Kharg e do controle do petróleo iraniano; uma invasão terrestre e a ocupação do território iraniano; a destruição de toda a infraestrutura industrial; a destruição de toda a infraestrutura energética e o retorno do Irã à Idade da Pedra; a destruição da civilização iraniana; o lançamento da Operação Liberdade e a tomada do controle do Estreito de Ormuz; o enfraquecimento da economia iraniana mediante a proibição de todas as exportações e importações; a destruição da indústria nuclear iraniana; a destruição das capacidades iranianas de mísseis e drones; a anexação do Estreito de Ormuz ao território dos Estados Unidos e a imposição de um pedágio de 20 por cento; a destruição das defesas antiaéreas iranianas e a tomada do controle do espaço aéreo do Irã; e o fim do apoio iraniano aos grupos de resistência islâmica da região.                      

Os Estados Unidos e Israel empregaram milhares de bombas e mísseis, atingindo prédios governamentais e residenciais, dezenas de instalações de fabricação de armamentos menos avançadas e de menor importância e várias instalações militares desativadas. Contudo, além de danificar alguns edifícios ligados à indústria nuclear iraniana e um número limitado de posições de defesa antiaérea, não conseguiram alcançar nenhum de seus objetivos declarados.                                                

Agora, quase sete meses após o início desta guerra injusta, as Forças Armadas dos Estados Unidos — as maiores e mais caras da história mundial — não obtiveram nenhuma vitória. Isso é ainda mais humilhante quando consideramos que combateram em colaboração com as Forças Armadas israelenses, que afirmam ser a quarta maior potência militar do mundo. Além disso, Israel e os Estados Unidos não conseguiram concretizar uma de suas intenções ocultas ao provocar esta guerra: desviar a atenção mundial dos crimes horríveis de Israel contra os palestinos. A questão do genocídio israelense em Gaza permanece no centro das preocupações da opinião pública mundial.                   

Evidências concretas da vitória do Irã                  

A vitória iraniana não se limita a impedir que o inimigo alcance seus objetivos. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã dizimaram as bases norte-americanas situadas na região do Golfo Pérsico. Os ataques iranianos neutralizaram um número significativo de meios militares avançados dos Estados Unidos — incluindo mais de 200 drones estratégicos de alto custo, 12 aeronaves de reabastecimento e transporte, 30 caças, pelo menos uma aeronave AWACS de alerta e controle aerotransportado, dezenas de helicópteros e dezenas de radares e baterias de defesa antiaérea de alto valor — e degradaram substancialmente a infraestrutura das bases norte-americanas na região, destruindo mais de 350 instalações e estruturas principais, enquanto a capacidade operacional de 18 bases dos Estados Unidos foi reduzida a praticamente zero. Pode-se argumentar, contudo, que a maior consequência desta guerra foi o dano causado à reputação dos Estados Unidos como única superpotência mundial e as fissuras irreparáveis e profundas abertas na estrutura da hegemonia global. Os Estados Unidos já não podem se vangloriar de sua condição de potência hegemônica mundial. Os pontos que abordaremos a seguir tornam essa verdade suficientemente clara.

Mais importantes do que tudo isso, porém, são as notáveis vitórias estratégicas do Irã.               

1. Os avanços obtidos pelo governo dos Estados Unidos em sua guerra cognitiva e cultural de décadas, enfraquecendo os valores nacionais e religiosos do Irã e afastando a juventude iraniana de sua herança cultural, foram em grande parte neutralizados. O ataque hediondo dos Estados Unidos à escola de ensino fundamental de Minab e seu grave erro de cálculo ao se alinhar ao profundamente impopular regime israelense e martirizar o Líder Supremo tornaram palpável, para as gerações mais jovens de iranianos, a natureza criminosa da classe dominante norte-americana. Ao fortalecer a determinação da juventude iraniana de resistir e se opor à tirania da hegemonia global, a guerra norte-americana e israelense revigorou a República Islâmica e assegurou que ela prosperará por pelo menos várias décadas.

2. A campanha midiática do governo dos Estados Unidos, destinada a enganar a população norte-americana, alimentando o ódio contra o Irã, enfraqueceu consideravelmente. Apesar de todos os esforços do governo norte-americano, a imagem do Irã perante a opinião pública dos Estados Unidos está, na realidade, melhorando, enquanto a percepção dos norte-americanos sobre a principal força por trás da guerra, Israel, e sua hostilidade em relação a ela estão aumentando visivelmente.

3. A solidariedade nacional no Irã tornou-se significativamente mais forte em decorrência da guerra. Os esforços do governo dos Estados Unidos para preparar a divisão do Irã ao longo das últimas cinco décadas foram frustrados, e seus diversos grupos étnicos estão cada vez mais orgulhosos de sua identidade nacional.

4. Pela primeira vez na história, o Irã exerceu e manteve o controle operacional do Estreito de Ormuz. Consequentemente, os navios de guerra norte-americanos foram forçados a recuar para as profundezas do Oceano Índico. Nenhum navio dos Estados Unidos pode agora atracar na tão alardeada Quinta Frota norte-americana, no Bahrein.

5. O Irã não apenas manteve seus estoques de mísseis e drones em grande parte intactos; aumentou a produção de armas e munições e, surpreendentemente, desenvolveu versões mais avançadas enquanto a guerra prosseguia.

6. A cada dia de guerra, as capacidades de defesa antiaérea do Irã tornaram-se mais maduras e poderosas. O Irã conseguiu abater as aeronaves norte-americanas e israelenses mais avançadas, incluindo algumas equipadas com a mais recente tecnologia furtiva.

7. No início da guerra, pessoas nas ruas de Manama e Doha testemunharam militares norte-americanos fugindo de suas bases. Segundo relatos, eles corriam de roupa íntima, procurando lugares onde se esconder. Nos dias e semanas seguintes, comunicados militares oficiais dos Estados Unidos anunciaram a retirada de contingentes cada vez maiores de forças norte-americanas da região. As bases norte-americanas passaram a se assemelhar a cidades fantasmas, e já se discute seriamente, nos corredores do poder norte-americano, o desmantelamento dessas bases.                   

8. A guerra levou a um crescimento substancial do apoio iraniano à Frente de Resistência. No Memorando de Entendimento de Islamabad, firmado entre os presidentes do Irã e dos Estados Unidos, autoridades norte-americanas reconheceram, a contragosto, a aliança inseparável entre os diversos grupos de resistência da região.     

9. Trump não destruiu, nem poderia destruir, a civilização iraniana, que agora, graças à guerra, brilha mais do que nunca. O Irã conquistou uma posição muito mais elevada aos olhos dos povos do mundo. A influência cultural e o prestígio da civilização iraniana são muito maiores do que antes da guerra. Para verificar isso, vocês podem viajar a alguns países e se apresentar como iranianos; a acolhida admirada que receberão de pessoas de diferentes crenças e nacionalidades será bastante reveladora.

10. A vitória do Irã proporcionou às pessoas de todo o mundo um grau mais elevado de consciência política e um sentimento renovado de autoconfiança. Com o tempo, isso servirá como uma poderosa fonte de mudança, levando a uma transformação profunda na maneira como os povos exercem sua vontade de autodeterminação e enfrentam a opressão e a injustiça.

11. A medida ilegal das Forças Armadas norte-americanas de interromper a livre circulação de navios no Oceano Índico — que o governo Trump chama, de forma enganosa, de “bloqueio naval do Estreito de Ormuz” — levou, na realidade, a um maior crescimento da produção interna do Irã e a um forte impulso em suas relações econômicas com os vizinhos.                      

12. O martírio do imã Saied Ali Khamenei chamou a atenção mundial para o conceito de wilayat al-faqih (“governo do jurisconsulto”), apresentando ao mundo a realidade desse cargo religioso e político e desmentindo as mentiras que procuram retratar falsamente a wilayat al-faqih como uma forma de ditadura. O histórico cortejo fúnebre do Líder Supremo martirizado, que contou com a participação de mais de 40 milhões de pessoas no Irã e no Iraque, serviu como uma confirmação, com repercussão mundial, da superior legitimidade moral e política do sistema de governo que constitui o núcleo da República Islâmica do Irã. Embora doloroso, o martírio do Líder Supremo iraniano não levou, como haviam esperado os políticos norte-americanos e israelenses, à desintegração da República Islâmica. Isso atestou a resiliência de um sistema político enraizado na vontade do povo.

O martírio do imã Khamenei demonstrou ao mundo inteiro que a wilayat al-faqih não é um cargo político comum, mas um cargo fundado no afeto e na confiança mútuos entre um líder e seu povo. A wilayat al-faqih é a encarnação de todas as virtudes divinas na esfera política. Foi a wilayat al-faqih que capacitou o Irã a se manter firme contra potências diabólicas com poder de fogo incomparavelmente superior, permitindo às Forças Armadas do país combater com êxito utilizando apenas armas e munições produzidas internamente; que conseguiu conquistar os corações de pessoas de todo o mundo apesar da hostilidade esmagadora de milhares de meios de comunicação com recursos praticamente ilimitados ligados à superpotência mundial; que garantiu que nenhuma prateleira de loja ficasse vazia, apesar de 47 anos de sanções “paralisantes”; que possibilitou o ritmo de progresso científico mais rápido do mundo diante das mais severas restrições científicas e tecnológicas; e que produz um líder capaz de governar durante 37 anos mantendo um estilo de vida semelhante ao das camadas mais modestas da sociedade e evitando conceder qualquer privilégio especial a si mesmo ou aos seus entes queridos.

Os principais fatores que sustentam a vitória do Irã      

O principal fator por trás da vitória iraniana não são os drones e os mísseis. Os Estados Unidos e Israel possuem mísseis e drones mais poderosos e avançados, além de várias outras formas de armamento que o Irã não possui. A principal razão da vitória iraniana tem três componentes:

1. A doutrina e a visão de mundo superiores do Alcorão.2. A fé da nação iraniana e sua unidade em torno dos preceitos do Alcorão.

3. A liderança competente e justa de um homem de Deus.                                                

1. A doutrina e a visão de mundo superiores do Alcorão

O Irã é o berço da revolução política mais controversa e, ao mesmo tempo, mais incompreendida da era moderna — uma revolução fundada no Alcorão e nos ensinamentos dos mais nobres guias divinos. Em poucas palavras, a base fundamental da Revolução Islâmica do Irã é a doutrina e a visão de mundo do Alcorão, reveladas por Deus.                                                   

Honestidade, liberdade, igualdade, equidade social, respeito pelos direitos dos outros, discernimento político, compaixão e prioridade dos valores humanos sobre os desejos pessoais estão entre os princípios sociais básicos decorrentes dessa doutrina corânica.        

O Alcorão proclama que todos os seres humanos são irmãos e irmãs e servos de Deus. Nenhuma raça, cor, etnia ou nação ocupa um lugar privilegiado no Islã. A humanidade é feita do mesmo tecido, e uma agressão contra um único ser humano é uma agressão contra toda a humanidade.

A filosofia política sobre a qual se assentam os fundamentos intelectuais da República Islâmica é orientada pelos elementos centrais da missão divina dos profetas de Deus, especialmente uma confiança irrestrita em Deus e uma luta intransigente pela justiça. O Alcorão nos ensina a não oprimir nem sucumbir à opressão.

Sob essa perspectiva, uma das principais missões perseguidas pela liderança da República Islâmica tem sido o esforço incansável de fortalecer o Irã, capacitando-o a proteger e promover os valores corânicos consagrados na Constituição iraniana e a resguardar a integridade e a autonomia da nação contra os ataques incessantes das forças do mal. Os líderes do Irã sentem-se pessoalmente obrigados a combater a ignorância e a injustiça e a defender a verdade, a justiça e a liberdade.

Render-se aos inimigos da verdade e da justiça significaria nada menos do que resignar-nos ao esvaziamento dos valores sagrados do Alcorão e está, portanto, fora de questão. É essa determinação resoluta de lutar pela verdade e pela justiça que constitui a fonte inesgotável do poder que sustenta a nação iraniana em sua recusa, ao longo de décadas, de se render, apesar da hostilidade persistente das potências mais poderosas do mundo.

2. A fé da nação iraniana e sua unidade em torno dos preceitos do Alcorão

O extraordinário espírito de resistência e luta que permeia a nação iraniana decorre de uma fé profunda no Alcorão. A mentalidade iraniana é fundamentalmente moldada por exemplos históricos reais que personificaram os preceitos do Alcorão — figuras imponentes de devoção a Deus que são reverenciadas no Irã como exemplos lendários dignos de devoção e imitação. Qualquer nação que tenha esses modelos como referência será, sem dúvida, invencível.

Portanto, se quiserem conhecer o segredo da invencibilidade do Irã, vocês devem ler sobre a tragédia de Karbala e conhecer o imã Hussein — que a paz esteja sobre ele —, o exemplo arquetípico de quem se ergue pela justiça e acolhe a morte de braços abertos em defesa da verdade. Ele travou uma batalha feroz com coragem, apesar da sede, continuando a lutar mesmo depois de testemunhar a morte de todos os seus homens diante de seus olhos, sem jamais sucumbir às forças do mal.

Se quiserem compreender por que os iranianos não se intimidam diante da brutalidade extrema da máquina de guerra norte-americana após testemunhar o assassinato em massa das crianças da escola de Minab e o assassinato de seu líder, vocês devem ler sobre a tragédia de Karbala. Leiam como Abdullah, o sobrinho adolescente do imã Hussein, correu para proteger seu tio com as próprias mãos e morreu em seus braços. Leiam como Ali al-Asghar, o filho bebê do imã Hussein, teve a garganta rasgada por uma flecha inimiga e morreu nos braços de seu pai.

Vocês se perguntam por que os iranianos — tanto o povo quanto a liderança — não cedem às promessas sedutoras que o governo dos Estados Unidos lhes oferece? Encontrem o segredo na história de Hazrat Abbas, o devotado e leal irmão do imã Hussein, que, na véspera da Ashura, rejeitou a proposta de um comandante inimigo de lhe conceder anistia caso concordasse em abandonar seu irmão e que, no Dia da Ashura, perdeu ambos os braços e depois a vida ao tentar levar água às crianças sedentas do acampamento de seu irmão.

Vocês desejam saber como, contra todas as probabilidades, a nação iraniana resistiu com êxito a 47 anos de severas dificuldades econômicas e conspirações intermináveis e não apenas sobrevive, mas prospera? A resposta está no relato da resistência épica da senhora Zaineb. Zaineb, a amada irmã do imã Hussein, administrou pacientemente seu acampamento e cuidou com carinho das crianças em meio a um cerco no qual a água era escassa ou inexistente. A senhora Zaineb, reverenciada na fé xiita ao lado de mulheres tão nobres quanto a Virgem Maria e a senhora Fátima, moldou e preservou o legado do imã Hussein ao proferir, no cativeiro e diante de seus impiedosos captores, discursos inflamados cuja eloquência rivalizava com a de qualquer orador árabe, ao proteger o filho sobrevivente do imã Hussein e ao conduzir com competência a caravana dos cativos de Karbala.                                                   

São essas as histórias que os iranianos absorvem e internalizam ao crescer.

3. A liderança competente e justa de um homem de Deus

Pode-se argumentar que o principal fator responsável pela vitória do Irã em seu confronto com dois exércitos que dispõem de recursos quase ilimitados é ter um líder cuidadosamente escolhido de acordo com um conjunto de critérios inspirados nos preceitos do Alcorão; um líder cuja virtude, justiça e competência devem ser comprovadas, além de qualquer dúvida razoável, por um corpo de jurisconsultos independentes e eruditos escolhidos diretamente pelo povo.

O imã Saied Mujtaba Khamenei é o terceiro Líder Supremo do Irã. Escolhido como novo Líder Supremo da República Islâmica do Irã após o brutal assassinato de seu pai, ele é um respeitado jurisconsulto e professor de seminário religioso, com apreço pela poesia e pelas artes, que passou meses na frente de guerra quando era adolescente. Possui considerável experiência em questões políticas, militares e de segurança, tendo servido durante anos como representante especial e conselheiro do falecido Líder Supremo. Nos poucos meses em que assumiu a função, o aiatolá Saied Mujtaba Khamenei demonstrou seu valor ao conduzir o país por aquele que talvez seja um dos períodos mais turbulentos de sua história e comandou as Forças Armadas iranianas com tamanha competência que conseguiu repelir decisivamente dois dos exércitos mais poderosos do mundo e colocar de joelhos duas das potências tecnologicamente mais avançadas do mundo.    

O imã Saied Mujtaba Khamenei, como lhes dirão aqueles que o conhecem há mais de duas décadas, é um homem temente a Deus, compassivo e bondoso, um asceta profundamente espiritual, um líder corajoso e um estudioso de profundo conhecimento e sabedoria. Somente um líder com essa personalidade e essas virtudes pode conduzir uma nação de fiéis à vitória contra os exércitos mais poderosos do mundo. Esse é o tipo de liderança que falta aos Estados Unidos.       

Segundo a Constituição da República Islâmica do Irã, o cargo de “Líder” (rahbar) — chefe de Estado do Irã e comandante em chefe de suas Forças Armadas — deve ser ocupado por um wali al-faqih, um “governante jurisconsulto”, escolhido por um corpo de jurisconsultos, ou “especialistas”, que, por sua vez, são escolhidos pelo povo iraniano em eleições populares diretas. A Constituição especifica cinco características que o Líder deve possuir. O Líder deve ser: (1) um faqih, um especialista nos estudos islâmicos; (2) “justo”, preferindo invariavelmente o bem maior do povo a todas as demais considerações; (3) piedoso, isto é, cuidadoso em evitar o pecado e o vício; (4) consciente das correntes e circunstâncias políticas e sociais de seu tempo; e (5) corajoso. Hoje, a pessoa que comprovadamente possui todas essas cinco virtudes é o imã Saied Mujtaba Khamenei.                                                    

O wali al-faqih é uma forma singular de governo concebida segundo o modelo de liderança personificado pelo profeta Maomé e pelo imã Ali — os líderes mais sábios, compassivos e corajosos da história humana. Ao ocupar o cargo de wali al-faqih, o imã Saied Mujtaba Khamenei dispõe de um modelo adequado que pode admirar e imitar: o Líder Supremo martirizado, o imã Saied Ali Khamenei, morto numa covarde missão de assassinato ordenada pelo governo Trump. O imã Saied Ali Khamenei governou durante 37 anos com justiça e compaixão. Assim, apesar das numerosas dificuldades enfrentadas pelo país e das campanhas psicológicas que sucessivos governos norte-americanos organizaram durante décadas para manchar sua imagem e criar uma divisão entre o povo iraniano e sua liderança, o falecido Líder Supremo conquistou tal lugar no coração do povo iraniano que multidões de enlutados, facilmente contadas em dezenas de milhões, tomaram as ruas de Teerã, Qom e Mashhad para participar de sua cerimônia fúnebre de vários dias e despedir-se dele.          

Mas o imã Saied Ali Khamenei era amado não apenas pelos iranianos, mas por pessoas de todo o mundo. No Iraque, país que travou uma guerra de oito anos contra o Irã sob a ditadura de Saddam Hussein, estima-se que 12 milhões de pessoas acompanharam seu corpo num cortejo de 23 horas ao longo de um percurso de 80 quilômetros. Os iraquianos choravam como se lamentassem a perda de um velho amigo muito querido. E é certo que, se um cortejo fúnebre também tivesse sido realizado em Londres ou Nova Iorque, cenas semelhantes teriam ocorrido.

A principal causa da derrota dos Estados Unidos e de Israel                   

A derrota de uma força militar composta por soldados de baixo moral, sem um forte sentido de propósito, e liderada por comandantes arrogantes, cegados por uma autoconfiança complacente decorrente da confiança em seu vasto arsenal e seus recursos abundantes, não deveria surpreender ninguém. As Forças Armadas norte-americanas têm participado continuamente de guerras sem sentido e infrutíferas durante 70 anos, com a consequência de que seus integrantes se tornaram cada vez mais desiludidos ao longo das décadas, como evidenciam as elevadas taxas de suicídio e abuso de drogas entre os veteranos.                                                          

O principal problema que aflige as Forças Armadas dos Estados Unidos é que seus integrantes não têm uma ideia clara de por que são chamados repetidamente a lutar por causas inteiramente sem sentido e alheias a eles. Os militares norte-americanos não conseguem compreender por que seus líderes os enviam a regiões distantes do mundo para participar de confrontos que não produziram resultados favoráveis ou benéficos. Por que homens e mulheres norte-americanos desfavorecidos deveriam arriscar suas vidas por objetivos obscuros, que parecem não significar nada para ninguém além da elite dominante, a qual aparentemente não tem qualquer escrúpulo em sacrificar despreocupadamente a vida de seus compatriotas enquanto continua sua rotina, perseguindo interesses pessoais às custas dos norte-americanos comuns? Por que as Forças Armadas dos Estados Unidos deveriam usar seu poder em benefício de Israel, um regime racista e assassino que não é limitado por quaisquer fronteiras morais e não tem compromisso com os direitos humanos?                                    

As Forças Armadas dos Estados Unidos são regidas por uma ética pervertida que tolera a crueldade, a violência e o assassinato de crianças inocentes, uma ética que não possui modelos verdadeiramente inspiradores no mundo real. É por essa razão que autoridades norte-americanas precisam recorrer a filmes de ficção e jogos de computador para motivar os integrantes comuns das Forças Armadas. Em outras palavras, as forças norte-americanas são intelectual e moralmente vazias e, consequentemente, quando confrontadas por um adversário capaz, mostram-se vergonhosamente incompetentes — um tigre de papel, se preferirem. Não surpreende, portanto, que o Irã tenha derrotado as poderosas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Se tivéssemos de condensar todos os problemas que causaram a derrota dos militares norte-americanos, precisaríamos apontar uma deficiência evidente: a falta de liderança competente. Se desejarem avaliar a validade dessa afirmação, uma comparação rápida e simples será suficiente: avaliem o atual comandante em chefe dos Estados Unidos segundo os mesmos critérios usados para selecionar o comandante em chefe do Irã — conhecimento, justiça, piedade, discernimento social e político e coragem. O resultado dessa comparação é, sem exagero, chocante: o comandante em chefe das Forças Armadas norte-americanas não apenas carece dessas virtudes; ele encarna seus opostos.                                                 

A segurança nacional dos Estados Unidos e a vida de seus militares são confiadas a alguém que não é apenas um mentiroso inveterado, mas também um homem de avareza insana, cuja única motivação na vida é acumular mais riqueza. Ele conduz a política externa norte-americana segundo seus interesses pessoais, ostentando os subornos que recebe dos chefes de nações ricas. Em vez de administrar as relações internacionais por meio das instituições oficiais do governo, nomeia membros de sua família e parceiros de negócios para atuar como seus representantes no cenário internacional. Ele regula o ritmo da guerra não com base nos interesses nacionais norte-americanos, mas de acordo com fatores que favoreçam o aumento de sua riqueza pessoal, fazendo anúncios e publicando mensagens nas redes sociais sobre a guerra destinadas exclusivamente a tornar mais lucrativas suas compras e vendas de ações.                                    

É perfeitamente claro qual dos dois líderes recebe o apoio de Deus. E é igualmente claro que, num confronto entre fiéis oprimidos que não buscam nada além da justiça e uma potência arrogante e opressora, os Estados Unidos, que não hesitam em assassinar mulheres e crianças inocentes, Deus não ficará ao lado do opressor.

O presidente dos Estados Unidos vangloria-se constantemente de comandar as Forças Armadas mais poderosas da história do mundo. Ele não compreende que esse próprio fato é a maior prova de sua incompetência e da incompetência de todos os seus antecessores, porque, apesar de possuir Forças Armadas tão poderosas, os Estados Unidos foram derrotados repetidas vezes. No Vietnã, as forças norte-americanas deixaram um legado duradouro de desonra; no Afeganistão, foram obrigadas a fugir; no Iraque, foram praticamente expulsas; no Iêmen, tiveram de recuar antes de ficarem presas em outra “guerra sem fim”; e hoje sofreram sua maior derrota pelas mãos das forças iranianas, sitiadas, mas resilientes e fiéis.

A vitória não decorre de capacidades materiais superiores. Deus é mais poderoso do que todas e quaisquer potências terrenas, e o lado que Ele apoia é, sem dúvida, vitorioso. Foi o poder de Deus que permitiu a Noé prevalecer sobre os opressores por meio do Dilúvio; que salvou Abraão do fogo de Nimrod; que tirou José das profundezas do poço e o tornou governante do Egito; e que conduziu Moisés e seu povo através do mar, enquanto afogava o faraó e seu poderoso exército. O mesmo Deus que capacitou Jesus a ressuscitar os mortos agora deseja afogar o faraó de nossa época, e o fará.

A dor comum que iranianos e norte-americanos compartilham

Os iranianos são hostis ao povo norte-americano?

As nações do Irã e dos Estados Unidos são ambas, cada uma à sua maneira, vítimas da opressão dos ocupantes da Casa Branca — que, se os nomes refletissem a realidade, deveria adequadamente chamar-se “Casa da Opressão”. A raiz da dor compartilhada pelas duas nações é que os malignos ocupantes da Casa Branca, que chegam ao poder em eleições dominadas por campanhas de propaganda enganosa, não representam verdadeiramente o povo norte-americano. Representam apenas os interesses de um grupo de elite de poderosos capitalistas sionistas. Para conquistar esse grupo, os líderes norte-americanos violam não apenas os direitos de outras nações, mas também os do povo norte-americano, e colocam consistentemente os interesses desse grupo pequeno, porém poderoso, acima dos interesses de seu próprio povo.

A injustiça à qual os ocupantes da Casa Branca submetem o povo norte-americano não é menor do que aquela à qual submetem outras nações. Na verdade, pode-se argumentar que, em certos aspectos, a injustiça que os norte-americanos são obrigados a sofrer por parte de seus líderes é ainda maior. Numerosos fatores demonstram claramente essa verdade.

  • Os Estados Unidos têm quatro por cento da população mundial, mas 20 por cento de seus presos. Isso ocorre apesar de muitos atos considerados crimes em outros países não serem crimes nos Estados Unidos.
  • Todos os anos, mais de 1.300 norte-americanos são mortos a tiros pela polícia nas ruas — um número sem paralelo em qualquer outro lugar do mundo, nem mesmo na China ou na Índia, embora cada um desses países tenha uma população de cerca de 1,5 bilhão de habitantes.
  • Os ocupantes da Casa Branca há muito empregam a antiga estratégia de “dividir para conquistar”, não apenas para manter sua dominação coercitiva sobre outras nações a fim de saquear seus recursos, mas também em relação ao povo norte-americano. Se os norte-americanos apenas abrissem os olhos e olhassem ao redor, veriam claramente as profundas divisões e facções criadas por seus governantes na sociedade norte-americana. A polarização e a hostilidade entre facções que permeiam hoje a sociedade norte-americana estão em níveis não vistos desde a Guerra Civil.
  • Há mais de cinco décadas, os ocupantes da Casa Branca sacrificam os interesses do povo norte-americano, assim como os de todas as outras nações, para assegurar as ambições diabólicas de Israel. Essa devoção perversa a Israel tornou-se ainda mais pronunciada na última década. Enquanto os Estados Unidos marcham precipitadamente para o abismo de uma grande crise econômica, com dezenas de milhões de norte-americanos vivendo abaixo da linha da pobreza e uma parcela esmagadora da riqueza nacional acumulada nas mãos do um por cento mais rico da população, o governo fornece anualmente bilhões de dólares em subsídios a Israel, pagos pelos trabalhadores contribuintes norte-americanos, para financiar suas vorazes e genocidas Forças Armadas.
  • Ao impor níveis exorbitantes de tributação aos norte-americanos para financiar os trilhões de dólares necessários às guerras intermináveis que o complexo militar-industrial desencadeia em regiões a milhares de quilômetros de distância, os líderes dos Estados Unidos agravam a inflação, o desemprego e a pobreza de seu país e provocam a morte de militares norte-americanos, enquanto infligem morte e devastação aos povos de outras nações.  

Esses fatores, deliberadamente planejados e executados pelos governos dos Estados Unidos ao longo de muitas décadas, enfraqueceram significativamente o país. Lar de uma grande concentração dos melhores cientistas, intelectuais, artistas e atletas do mundo, os Estados Unidos da América poderiam ser o país mais amado do mundo. Contudo, em razão das ações perversas de seus políticos corruptos, os Estados Unidos são hoje vistos em todo o planeta como um gigante desonrado, desprezado e debilitado. O governo norte-americano há muito oprime e empobrece tanto seu próprio povo quanto os povos de outros países. Portanto, falamos com sinceridade quando dizemos que iranianos e norte-americanos foram injustiçados pelo mesmo grupo de atores da elite. Compartilhamos a mesma dor.                                                

O significado de “Morte à América”   

À luz do que foi dito, deveria ser bastante evidente que a expressão “Morte à América”, que os iranianos entoam desde o triunfo da Revolução Islâmica, não expressa, de maneira alguma, qualquer má vontade contra o povo norte-americano, que também sofreu a mesma opressão. “Morte à América” é uma oração pela erradicação da elite dominante diabólica, cuja sede de poder é a Casa Branca. É um grito nascido da dor da opressão. Os oprimidos não têm o direito de desejar a morte dos perversos opressores responsáveis por matar seus irmãos, irmãs, pais e filhos, saquear seus recursos naturais e depreciar sua herança cultural milenar?

Os homens entronizados na Casa Branca oprimem tanto iranianos quanto norte-americanos. A diferença entre as duas nações é que nós, iranianos, decidimos nos libertar de sua opressão e estamos preparados para fazer os sacrifícios necessários, porque o Islã exige que os fiéis enfrentem os tiranos que só compreendem a linguagem do poder, cuja primeira inclinação é intimidar e humilhar os mais fracos e que — apesar de todo seu discurso dissimulado sobre direitos humanos e dignidade humana — estão mais do que dispostos a recorrer à opressão, à repressão e à discriminação étnica, racial e financeira. Em poucas palavras, o Irã está determinado a enfrentar pela força qualquer potência tirânica que seja hostil aos preceitos enobrecedores e libertadores do Islã e que procure oprimir o nobre povo iraniano. Mas, em relação aos povos de outras nações — incluindo o povo trabalhador e honesto dos Estados Unidos —, o Irã não apenas não nutre má vontade, como está pronto a oferecer qualquer ajuda de que necessitem para se libertar da tirania das potências opressoras.

Nenhuma revolução verdadeiramente popular na história escapou da hostilidade dos poderes estabelecidos. Contudo, a hostilidade dirigida pelo governo norte-americano ao povo iraniano nos últimos 47 anos tem uma amplitude e uma ferocidade raramente testemunhadas na história humana. Os incontáveis exemplos de hostilidade norte-americana contra o Irã podem preencher volumes e, portanto, uma análise completa da longa lista de crimes e injustiças cometidos por sucessivos governos dos Estados Unidos contra o povo iraniano está obviamente além do que podemos considerar aqui. Ainda assim, recordar alguns exemplos desses crimes e injustiças seria suficiente para convencer qualquer norte-americano imparcial de que os iranianos não deveriam ser censurados por entoar “Morte à América”.                                           

Uma breve lista das injustiças e dos crimes dos EUA em seus 73 anos de ingerência no Irã

“O covil da espionagem”                                       

A guerra iniciada pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro de 2026, com o assassinato flagrante do Líder Supremo iraniano — que qualquer historiador lhes diria ser um ato de agressão verdadeiramente sem precedentes —, não foi o começo das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos. Esta guerra é apenas o capítulo mais recente de uma história bem documentada de injustiças e crimes que remonta a 73 anos. O início da hostilidade norte-americana contra os iranianos ocorreu em 1953, ano em que a CIA ajudou e instigou o regime do xá a organizar um golpe e derrubar o governo legítimo e popular do Irã, liderado pelo primeiro-ministro simpatizante dos Estados Unidos, Mohammad Mossadegh. Como resultado desse golpe, o xá, que havia fugido covardemente do país, retornou com sua confiança restaurada, governando com mão de ferro durante as décadas seguintes. A recém-criada agência de segurança do xá, a SAVAK, que a CIA e o Mossad ajudaram a estruturar, torturava brutalmente e assassinava qualquer pessoa que ousasse levantar uma voz dissidente.

O golpe de 1953 marcou o início do envolvimento dos Estados Unidos no Irã e, ao longo das décadas, o governo norte-americano explorou os recursos naturais iranianos e utilizou sua localização geopolítica estratégica para exercer maior controle sobre toda a região. Enquanto isso, autoridades e militares norte-americanos — em número de dezenas de milhares — circulavam livremente pelo Irã, ferindo o orgulho nacional dos iranianos ao cometer, sem vergonha, crimes flagrantes com absoluta impunidade.          

Frustrados com toda a opressão e corrupção, os iranianos derrubaram o xá na Revolução Islâmica de 1979, encerrando 25 anos de brutalidade apoiada pelos Estados Unidos. Quando o povo iraniano realizou a revolução, não nutria hostilidade contra qualquer outra nação — nem mesmo contra os Estados Unidos. Queria simplesmente ser livre, controlar seus próprios recursos e preservar e praticar seus valores nacionais e religiosos. Mas, imediatamente após a queda da ditadura do xá, a embaixada norte-americana em Teerã — que, segundo os registros históricos, abrigava uma grande estação da CIA e, por isso, passou a ser conhecida no Irã como “o covil da espionagem” — empreendeu ativamente esforços para enfraquecer e derrubar a recém-formada República Islâmica.                                                       

Utilizando sua embaixada como centro de comando e controle, o governo dos Estados Unidos armou e organizou facções insurgentes entre os numerosos grupos étnicos minoritários do Irã, geralmente concentrados nas regiões de fronteira, incentivando-os a combater o governo iraniano recém-estabelecido, promovendo agitações e perpetrando assassinatos em massa hediondos. Simultaneamente, a embaixada norte-americana coordenava-se com elementos monarquistas nas fileiras militares iranianas para organizar um golpe militar. Nos primeiros dois anos após a Revolução Islâmica, várias tentativas de golpe foram frustradas. Era, portanto, natural que os iranianos considerassem necessário fechar a embaixada norte-americana — “o covil da espionagem” — e pôr fim a suas atividades subversivas.                                                    

Terrorismo interno

O terrorismo interno violento foi outra forma assumida pela hostilidade dos Estados Unidos contra o Irã após a Revolução Islâmica. As organizações apoiadas pelo governo norte-americano estabeleceram uma ampla rede de terror que tirou a vida de muitos milhares de civis. Esses grupos terroristas provocaram o caos no Irã, cometendo todos os tipos de crimes hediondos — assassinatos individuais e em massa, atentados devastadores, sequestros de aeronaves, sequestros de pessoas e tortura —, tudo com o apoio consciente dos Estados Unidos. Esses atos desumanos de terrorismo interno tiraram a vida de 20 mil iranianos: um presidente, um primeiro-ministro, um chefe do Judiciário, vários ministros de governo, dezenas de parlamentares, cientistas e cidadãos comuns de todas as camadas sociais.                                                 

Oito longos anos de guerra devastadora

Quando os Estados Unidos perceberam que os atos de terrorismo interno não eram suficientes para destruir a República Islâmica, pois os grupos terroristas não tinham qualquer apoio popular, adotaram uma abordagem ainda mais mortal. Incentivado e apoiado pelo governo norte-americano, Saddam Hussein, o sanguinário ditador do Iraque, iniciou em 1980 uma guerra não provocada contra o Irã que durou oito anos e tirou a vida de mais de 200 mil iranianos.

Vários anos após o início da guerra, quando ficava cada vez mais evidente que os militares baathistas do Iraque eram incapazes de alcançar qualquer vitória significativa, as Forças Armadas norte-americanas estabeleceram um centro de comando de operações conjunto com os militares baathistas e trouxeram navios de guerra para a região, numa tentativa de abrir outra frente na guerra contra o Irã e, dessa maneira, salvar as forças de Saddam de uma derrota vergonhosa. Os Estados Unidos efetivamente entraram diretamente na guerra, atacando navios e plataformas de petróleo iranianos. Além disso, elevando sua hostilidade contra o povo iraniano a novos patamares, os Estados Unidos, juntamente com seus aliados europeus, armaram o regime de Saddam com armas químicas, que ele então utilizou para matar civis iranianos e iraquianos.

Em outro exemplo de seus crimes contra a humanidade, as Forças Armadas dos Estados Unidos atacaram direta e deliberadamente um avião iraniano de passageiros sobre o Golfo Pérsico. Em 3 de julho de 1988, dois mísseis disparados de um navio de guerra norte-americano atingiram um Airbus A300 de passageiros, o voo IR655, matando todos os 290 homens, mulheres e crianças a bordo. Para agravar a ofensa, o capitão do navio de guerra foi posteriormente condecorado com uma medalha de honra por seu serviço no período que incluiu o abate do avião iraniano de passageiros.               

Sanções econômicas, guerra psicológica e apoio a grupos terroristas

Tendo fracassado em subjugar o Irã ao impor oito anos de guerra brutal ao povo iraniano, o governo norte-americano — que já havia roubado bilhões de dólares em ativos iranianos mantidos em bancos dos Estados Unidos e imposto algumas sanções ao Irã — tentou uma nova abordagem. Implementou um pacote sem precedentes de sanções econômicas contra o Irã para sufocar a economia do país.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos intensificaram sua política de guerra psicológica contra o povo iraniano — uma política adotada durante o governo Carter como parte de um esforço mais amplo para derrubar a República Islâmica e promover o estabelecimento de um governo alternativo favorável ao Ocidente. Recrutando integrantes dos grupos terroristas que haviam fracassado miseravelmente, apesar de seus atos brutais, em enfraquecer a República Islâmica, o governo norte-americano apoiou a criação de dezenas de redes de televisão por satélite contrárias ao Irã, sediadas nos Estados Unidos e na Europa. Essas redes, que operavam sob a supervisão de agências de inteligência norte-americanas e europeias, desencadearam uma ampla ofensiva de campanhas de propaganda tóxica destinadas a desestabilizar o Irã e enfraquecer a República Islâmica.                                                       

Além disso, recorrendo a uma antiga tática de seu repertório de mudança de regime, o governo dos Estados Unidos armou e financiou grupos terroristas e recrutou criminosos violentos para provocar agitações e disseminar o medo no Irã. Mas essa estratégia, apesar de custar muitas vidas iranianas e causar enorme sofrimento emocional e financeiro a numerosas famílias e comunidades de todo o país, também terminou em fracasso.                                                  

Dando origem ao ISIS                                  

Depois que todas as tentativas anteriores fracassaram em atingir o objetivo pretendido, o governo dos Estados Unidos revelou uma estratégia muito mais sinistra e destrutiva: criar um grupo terrorista regional impiedoso, aparentemente autóctone, o ISIS, que cometeu atrocidades incontáveis, massacrando milhares de civis na Síria, no Iraque e no Irã. Mas, para decepção dos Estados Unidos, o terror e a morte causados pelo ISIS contribuíram para formar e consolidar a “Frente de Resistência”, uma coalizão de grupos aliados ao Irã em torno do objetivo compartilhado de derrotar o terror e se opor a seu criador, os Estados Unidos da América. A figura central que, em pouco tempo, conseguiu conceber e construir a Frente de Resistência foi ninguém menos que o comandante profundamente espiritual e extraordinariamente corajoso — o lendário general Qasem Soleimani. Numa campanha altamente inovadora e eficaz, que deixou perplexos os analistas militares ocidentais mais experientes, a coalizão que ele formou conseguiu erradicar o ISIS em poucos anos, apesar de todo o apoio clandestino que o grupo terrorista recebia de Israel e de sucessivos governos dos Estados Unidos. Consequentemente, num último ato de vingança, as Forças Armadas norte-americanas, cumprindo uma ordem do presidente Trump, mataram o general Soleimani num ataque covarde enquanto ele realizava uma visita oficial ao Iraque. É revelador que qualquer sucesso fugaz obtido pelos militares norte-americanos nas últimas décadas tenha ocorrido na forma de assassinatos e sequestros covardes e isolados.                                                        

A hostilidade contínua dos Estados Unidos e a Guerra dos 12 Dias

Esses foram apenas alguns dos atos mais destacados de hostilidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos contra o povo iraniano. Mas a hostilidade norte-americana nas últimas décadas também se manifestou de maneiras mais sutis e menos perceptíveis. Não houve um único dia em que o Irã não tenha sofrido — direta ou indiretamente — com os atos perversos dos Estados Unidos.

  • A ocupação do Afeganistão resultou num forte aumento da produção de drogas naquele país — um desenvolvimento ativamente apoiado pela liderança militar norte-americana —, o que, por sua vez, facilitou a ampla distribuição de drogas ilegais baratas entre a juventude iraniana.
  • Ao promover a pornografia e as relações sexuais extraconjugais por meio de uma campanha deliberada e crescente no ciberespaço, os Estados Unidos procuraram minar os valores tradicionais que sustentam a cultura iraniana e, assim, enfraquecer a instituição da família.
  • As numerosas células terroristas que surgiram dentro e ao redor do Irã, com apoio e financiamento norte-americanos, cometeram atos atrozes de violência — bombardeando ou incendiando instituições religiosas, mesquitas e bibliotecas e assassinando figuras religiosas e culturais eminentes, bem como numerosos iranianos comuns.
  • As sanções farmacêuticas impostas pelo governo norte-americano ao Irã levaram à morte pessoas afetadas pela doença da pele de borboleta, a epidermólise bolhosa.

Essas e numerosas outras conspirações foram todas frustradas pela nação iraniana. Depois de ver todas as conspirações executadas por intermediários e terceiros efetivamente neutralizadas, o governo norte-americano tinha apenas uma opção restante: o conflito militar direto. Em junho de 2025, os Estados Unidos da América, acompanhados pelo regime sionista de Israel, iniciaram uma intensa campanha aérea, atacando, numa ofensiva de “choque e pavor”, um grande número de alvos militares e civis iranianos essenciais. Contudo, essa guerra, que durou 12 dias, também terminou com a derrota dos Estados Unidos. Embora a ofensiva tenha resultado no martírio de mais de mil iranianos, incluindo 120 crianças e dezenas de cientistas e estudantes universitários, ela demonstrou que o Irã podia enfrentar os Estados Unidos e Israel ao mesmo tempo e sair vitorioso.

Insurgência armada                     

Os Estados Unidos e Israel atribuíram sua derrota na Guerra dos 12 Dias à estabilidade interna do Irã, acreditando que criar turbulência interna antes de um ataque garantiria a vitória. Assim, em janeiro de 2026, provocaram agitações mediante o envio de agentes, a introdução de grandes quantidades de armas e a execução de campanhas psicológicas e midiáticas coordenadas. Agentes da CIA e do Mossad infiltraram-se em manifestações pacíficas — desencadeadas por dificuldades econômicas decorrentes, em grande parte, das sanções desumanas impostas pelos Estados Unidos — e as transformaram em confrontos violentos, resultando no martírio de mais de 2.300 iranianos inocentes. Seu objetivo era atribuir a culpa ao governo iraniano, polarizar a sociedade e fornecer um pretexto para a intervenção norte-americana sob a aparência de apoio aos manifestantes. Contudo, essa conspiração altamente coordenada, como todas as conspirações norte-americanas anteriores, desmoronou. Reconhecendo a intenção hostil do inimigo, o povo iraniano manteve sua solidariedade, o que permitiu às forças de segurança restabelecer rapidamente a ordem.

A última guerra         

Em vez de aprender com seus fracassos e se empenhar seriamente em compreender as causas fundamentais de ter sido repelido, frustrado e derrotado pela República Islâmica durante 47 anos, o insensato governo dos Estados Unidos decidiu novamente insistir e prosseguir com sua abordagem estrategicamente equivocada em relação ao Irã. Assim, em 28 de fevereiro de 2026, as Forças Armadas norte-americanas, mais uma vez em colaboração com Israel, iniciaram uma nova guerra contra o Irã. Essa é a guerra que, enquanto escrevemos este texto, ainda está em curso. A cada dia, surgem mais indícios da vitória iraniana, enquanto a posição norte-americana se torna cada vez mais precária. Não temos dúvida, dada a justiça da causa iraniana e o enorme número de pessoas piedosas e tementes a Deus brutalmente assassinadas em ataques norte-americanos e israelenses, de que os Estados Unidos experimentarão o gosto amargo da derrota final.                                                 

Nenhum sentimento de hostilidade contra o povo norte-americano        

A lista anterior de atos de hostilidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos contra o Irã não constitui, de maneira alguma, uma acusação contra o povo norte-americano. Trata-se, antes, do registro vergonhoso dos crimes desumanos dos líderes políticos dos Estados Unidos. Sob essa perspectiva, o verdadeiro significado de “Morte à América” é “Morte aos crimes perpetrados pela elite norte-americana”. Em poucas palavras, não é uma expressão de má vontade contra o povo norte-americano. E temos certeza de que, se o povo norte-americano compreendesse verdadeiramente a realidade do mal cometido por seus líderes em seu nome, repudiaria seus dirigentes — como gradualmente vem fazendo — e ficaria ao lado do povo iraniano ao acusar seu opressor comum.

Não surpreende, portanto, que, nos últimos 47 anos, nenhum presidente dos Estados Unidos tenha se disposto a sentar-se diante de um jornalista iraniano e responder a suas perguntas numa entrevista livre e justa que fosse transmitida pela imprensa norte-americana. Os presidentes norte-americanos sabem perfeitamente que, se uma entrevista desse tipo acontecesse, não conseguiriam convencer seus compatriotas da legitimidade da política externa incuravelmente belicosa e rapace dos Estados Unidos, especialmente em relação ao Irã. Sabem que os norte-americanos concordariam com o povo iraniano ao condenar os líderes dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária e as acusações de terrorismo

Ao longo da história, as potências hegemônicas sempre foram desonestas na maneira como manipulam conceitos para atender a seus objetivos perversos. Oferecem definições distorcidas e aplicações equivocadas de conceitos importantes para a opinião pública a fim de justificar suas agendas malignas. No mundo contemporâneo, terrorismo e direitos humanos são dois conceitos que foram deturpados e abusados pelos Estados Unidos e seus aliados na tentativa de assegurar sua dominação predatória sobre o mundo e sobre seus próprios povos.

Um dos jogos políticos mais hipócritas praticados pelos Estados Unidos nas últimas décadas consiste em atribuir o conceito universalmente repudiado de terrorismo principalmente aos países e grupos que são as principais vítimas do terrorismo, enquanto os próprios Estados Unidos são, de longe, o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo. Aqueles que se levantam contra a opressão e a injustiça são rotulados como terroristas, enquanto aqueles que participam dos crimes empreendidos pelo governo norte-americano e permanecem sob seu domínio ficam livres desse rótulo, por mais morte e terror que de fato promovam. E, ocasionalmente, quando uma entidade realmente terrorista é designada pelos Estados Unidos como organização terrorista, pode ser pronta e imediatamente retirada dessa classificação e liberada de todas as suas consequências caso decida colaborar com os Estados Unidos e cumprir suas ordens. Na realidade, o único critério que verdadeiramente determina quem é ou não considerado terrorista pelos Estados Unidos é a oposição ou o alinhamento à elite sionista.

Uma das entidades que os Estados Unidos hipocritamente classificam como organização terrorista é o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), uma força militar composta por diferentes ramos e independente do exército tradicional do país, estabelecida com a missão explícita de proteger e promover a Revolução Islâmica, a alma que anima a República Islâmica do Irã. A Revolução Islâmica, que tomou forma em 1979 e deu origem à República Islâmica, foi inteiramente um movimento popular de base. A revolução não foi dirigida por um grupo guerrilheiro armado, por uma facção dissidente das Forças Armadas ou por um partido político bem estruturado. Em outras palavras, as entidades que historicamente realizaram revoluções em outros países eram inexistentes no Irã. A Revolução Islâmica talvez seja a única revolução da história mundial travada e vencida exclusivamente pelo povo — um povo desarmado e sem auxílio de um governo estrangeiro. As armas que lhe permitiram derrotar um regime sustentado pela superpotência mundial e apoiado por todas as potências do mundo consistiam em sua fé, sua determinação e sua disposição de derramar o próprio sangue. A Revolução Islâmica no Irã foi o triunfo do sangue sobre a espada.                                          

Após a vitória da Revolução Islâmica, a Constituição iraniana recém-redigida exigiu o estabelecimento de uma força militar independente do exército tradicional, com uma abordagem popular e de base em relação ao poder. A missão definida pela Constituição para essa nova força consistia em resguardar a integridade, a independência e a soberania do Irã e proteger os valores que orientaram a Revolução Islâmica e as instituições formadas em decorrência da revolução. Por isso, essa nova força recebeu o nome de Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC). Esperava-se que “os Guardiões” cumprissem sua missão apoiando-se no povo iraniano e fortalecendo-o.                                                      

Sob essa perspectiva, a razão pela qual os Estados Unidos e seus aliados chamam a Guarda Revolucionária de organização terrorista é que, ao longo de quase cinco décadas, ela frustrou incontáveis tentativas norte-americanas de instigar golpes, secessões e agitações populares, derrotou os Estados Unidos em todas as guerras que impuseram direta ou indiretamente ao Irã e frustrou todas as conspirações empreendidas pelo governo norte-americano e por Israel para enfraquecer a República Islâmica. O único crime abrangente pelo qual a Guarda Revolucionária foi considerada uma organização terrorista é ser a principal força por trás da derrota do inimigo.

Nas últimas décadas, centenas de figuras políticas, religiosas e científicas proeminentes de países da Ásia Ocidental foram assassinadas pelos Estados Unidos, por Israel e por seus aliados. Contudo, não existe um único caso verificável em que a Guarda Revolucionária tenha cometido um ato de violência contra civis. Na verdade, não seria exagero afirmar que os Guardiões são a organização mais eficaz do mundo no combate ao terrorismo.                                                    

Por que o governo dos Estados Unidos está em declínio?      

O estado atual do governo norte-americano

A tirania, uma tendência excessiva a agir de maneira violenta e assassina, a dependência e a promoção de falsidades, a preferência pelos elementos vulgares da sociedade em detrimento dos mais sábios na ocupação de posições de poder e uma preocupação desmedida com questões secundárias às custas dos assuntos essenciais da sociedade são sinais reveladores apontados por estudiosos e filósofos da história e da política como indícios do declínio de um Estado. O governo dos Estados Unidos exemplifica hoje todas essas falhas.                   

A história de agressão e violência dos Estados Unidos

O Irã não é o único país que sofreu com os crimes hediondos perpetrados pelo governo dos Estados Unidos. Desde meados do século XX, quando os Estados Unidos emergiram como superpotência após a Segunda Guerra Mundial, pelo menos 70 países, segundo nossa contagem, sofreram alguma forma de agressão norte-americana — seja o envolvimento direto das Forças Armadas dos Estados Unidos, golpes instigados pelo governo norte-americano ou outras modalidades de interferência subversiva. Numerosos países — incluindo Japão, Coreia, Vietnã, Camboja, Filipinas, Líbia, Sudão, Afeganistão, Iraque e Síria — viram centenas de milhares de seus habitantes serem mortos e, em alguns casos, genocídios que tiraram milhões de vidas, perpetrados pelos militares norte-americanos. Dezenas de países em todo o mundo — incluindo Cuba, México, Nicarágua, Venezuela, Panamá, Chile, Brasil, Líbano e Palestina, entre outros — carregam feridas econômicas e sociais recentes como consequência direta das ações hostis do governo norte-americano.           

Quando o poder norte-americano é exercido num país ou região, isso não ocorre em benefício do povo desse país nem, aliás, do povo norte-americano: ocorre para promover os interesses da elite dominante dos Estados Unidos. É por isso que a maioria das ditaduras e monarquias do mundo está entre os aliados mais fortes dos Estados Unidos, enquanto a hostilidade do governo norte-americano se dirige principalmente aos países com os governos democráticos mais sólidos. Onde quer que um golpe seja realizado ou um governo popular seja derrubado, a mão da CIA está inequivocamente presente. É revelador que os Estados Unidos sejam o único governo, além do regime israelense, cujos líderes são denunciados como “assassinos de crianças”.

Assim, os membros da elite dominante norte-americana estão entre as figuras políticas mais desprezadas em todo o planeta. E, em consequência das ações dessa elite dominante, os Estados Unidos são amplamente considerados pelos povos do mundo uma ameaça mundial — ou, como os iranianos gostam de dizer, “o Grande Satã”. Isso é evidenciado pelo fato de que, nas manifestações realizadas por pessoas que buscam justiça e liberdade em todo o mundo, a queima da bandeira norte-americana é um ato comum de protesto. As pessoas que queimam a bandeira norte-americana não são hostis ao povo dos Estados Unidos; é a opressão e a agressão do governo norte-americano que estão denunciando.

Há 80 anos, o mundo testemunha a opressão sofrida pelos palestinos nas mãos dos ocupantes israelenses, que puderam continuar suas atrocidades graças ao apoio político, militar e econômico fornecido pela Casa Branca, recebendo todos os anos bilhões de dólares provenientes dos contribuintes norte-americanos. A agressão de Israel atingiu um novo patamar de desumanidade há três anos, quando, em outubro de 2023, o exército israelense iniciou uma ofensiva contra Gaza que resultou num genocídio que deixou 73.900 palestinos mortos, 21.700 deles crianças, e destruiu mais de 315 mil residências. Outras 8 mil pessoas permanecem desaparecidas sob os escombros. Israel atingiu todos os hospitais e centros médicos de Gaza, causando danos substanciais a todos eles e tornando a maioria inoperante — tudo com armas e mísseis fornecidos pelos Estados Unidos. Soldados israelenses perpetraram atrocidades sem vergonha – interrompendo o fornecimento de oxigênio a bebês recém-nascidos, matando dezenas deles num ato de brutalidade genocida registrado por câmeras de segurança. Médicos e enfermeiros palestinos foram presos sob falsas acusações, e alguns ainda estão em prisões israelenses. Onze universidades e 560 escolas foram reduzidas a escombros. Dois milhões de habitantes de Gaza vivem agora em condições brutalmente inóspitas, tentando continuar suas vidas em tendas ou edifícios danificados que podem desabar a qualquer momento, com alimentos, água e outras necessidades estritamente restringidos por Israel.

A escala desses crimes é tão grande que ninguém com o mínimo de consciência os consideraria algo diferente de atos de genocídio aterradores e indesculpáveis. Os crimes de Israel são tão perturbadores que nos vemos compelidos, ao contrário do que seria nossa reação habitual, a aplaudir o ato de autoimolação realizado por Aaron Bushnell, militar da Força Aérea norte-americana, diante da embaixada israelense em Washington, D.C., como uma defesa extraordinariamente corajosa dos direitos humanos dos palestinos.

Império de mentiras                    

A tomada de decisões na Casa Branca há muito se baseia em falsidades, especialmente em questões de grande consequência. A Casa Branca é uma fábrica incessante de mentiras — mentiras que, durante décadas, provocaram o caos no mundo e destruíram comunidades, países e regiões. O que é incrível — talvez mais incrível do que as mentiras que contam — é o quanto os ocupantes da Casa Branca permanecem impassíveis diante das consequências vergonhosas de suas mentiras quando a verdade sobre suas ações vem à tona.

Mentiram sobre a ligação do Afeganistão com o ataque de 11 de setembro às Torres Gêmeas de Nova Iorque — que um número significativo de especialistas muito inteligentes caracterizou como uma operação de falsa bandeira organizada pelas agências de inteligência norte-americanas — e, mais de duas décadas após o início da invasão norte-americana do Afeganistão, suas forças tiveram de fugir em desonra; mentiram sobre o programa de armas não convencionais do Iraque, e a invasão norte-americana tornou-se um atoleiro do qual os Estados Unidos se retiraram a um custo elevado.                                              

A mentira sobre o programa iraniano de armas nucleares

As ações brutais e os crimes cometidos pelas forças norte-americanas durante a invasão empurraram o Iraque firmemente para a esfera de influência do Irã; e mentiram — e continuam mentindo — sobre o programa iraniano de armas nucleares, e os Estados Unidos agora sofrem as consequências dolorosas dessa mentira, pois o governo norte-americano não sabe como encontrar uma rota de saída após ter sido amplamente derrotado e desonrado pelas resilientes e fiéis Forças Armadas iranianas.

Há 25 anos, a Casa Branca — ao longo de vários governos — afirma que o Irã está a apenas alguns meses ou semanas de construir uma bomba nuclear. Ora, se essa afirmação fosse verdadeira, por que o Irã ainda não concretizou seu plano de construir a bomba? Se o Irã estava a tão pouco tempo de fabricar a bomba há 25 anos, quando era tecnologicamente muito menos avançado do que hoje, deveria possuir dezenas de bombas nucleares atualmente; contudo, os relatórios de inteligência norte-americanos confirmaram repetidas vezes que o Irã não possui armas nucleares. Eles inventam cenários risíveis a cada dois anos e afirmam que impediram com êxito o avanço iraniano rumo às bombas nucleares. É quase inacreditável como autoridades norte-americanas conseguem sustentar essas mentiras infantis sem ser responsabilizadas pelo povo norte-americano.

Trump é um exemplar espetacular nesse aspecto. Atacou o Irã em 2025 sob o pretexto desgastado de interromper seu programa de armas nucleares, apesar da afirmação reiterada das agências de inteligência dos Estados Unidos de que o governo iraniano não estava desenvolvendo uma bomba nuclear. Após os ataques inúteis, vangloriou-se de ter aniquilado o programa nuclear iraniano. Mas então, um ano depois, Trump voltou a atacar o Irã com a mesma desculpa vazia. Os Estados Unidos voltariam a destruir o programa iraniano de armas nucleares que Trump havia insistido repetidamente já estar aniquilado. E agora, depois de afirmar repetidas vezes — mas falsamente — que venceu a guerra e alcançou todos os seus objetivos, Trump, surpreendentemente, ainda aponta o suposto programa iraniano de armas nucleares como a razão pela qual a guerra precisa continuar. Por quanto tempo se pode insistir num assunto já esgotado?

A ironia trágica desta última guerra é que Trump iniciou a ofensiva norte-americana assassinando sem sentido o Líder Supremo do Irã — uma autoridade religiosa altamente respeitada que havia notoriamente emitido um decreto religioso declarando o uso de armas nucleares desumano e, portanto, inadmissível.          

Se os norte-americanos pudessem fazer uma breve viagem ao Irã, perceberiam imediatamente que suas autoridades e sua imprensa lhes mentem sobre o país. Quase tudo o que se diz aos norte-americanos sobre o Irã — que é uma ditadura, que o governo massacra seu próprio povo, que o Irã é cientificamente atrasado e economicamente falido, que o povo desistiu de seu governo etc. — é mentira. Afinal, como uma ditadura cientificamente atrasada, economicamente falida e odiada por seu povo poderia enfrentar e contra-atacar a superpotência mundial, destruir todas as suas bases na região e obrigá-la a retirar todos os seus navios de guerra para centenas de milhas de distância do Estreito de Ormuz? Não é necessário ser especialista em geopolítica para perceber essa mentira. O bom senso é suficiente para compreender quão flagrantes são as mentiras ditas por Trump e outras autoridades norte-americanas.

A maior mentira

Mas as maiores mentiras contadas pelas autoridades norte-americanas a seu povo não dizem respeito ao Irã ou a outros países. As maiores mentiras que saem da Casa Branca dizem respeito aos próprios Estados Unidos. Parem por um momento e considerem todas as falsas promessas feitas por um presidente após outro. E Trump está numa categoria à parte quando se trata de mentir. Ele pode olhar diretamente para vocês e soltar uma mentira flagrante, que vocês sabem ser mentira, e dizê-la como se fosse uma verdade sagrada. Trump disse que acabaria com todas as guerras, encerraria a intervenção dos Estados Unidos no mundo, drenaria o pântano de Washington e enfrentaria os bilionários. Ele não apenas intensificou as guerras em curso na Ucrânia, em Gaza e no Líbano e retomou a guerra no Iêmen, como também iniciou a guerra contra o Irã, a mais desastrosa da história dos Estados Unidos, que marcará o fim da hegemonia norte-americana; intensificou a intervenção norte-americana no mundo, ameaçando anexar o Canadá, tomar a Groenlândia e atacar Cuba; agravou a corrupção política no governo norte-americano; cercou-se de bilionários; e, finalmente, enriqueceu a si mesmo e à sua família de maneiras verdadeiramente desconcertantes.                                                         

Eles falsificam deliberadamente os números de vítimas humanas, perdas militares e custos da guerra, apresentando-os como muitas vezes menores do que realmente são. Mas, acima de tudo, Trump mente aos norte-americanos sobre o estado da economia dos Estados Unidos. A economia norte-americana está à beira do colapso e, no entanto, ele continua dizendo que está em pleno crescimento e que os preços logo começarão a cair. Essa é, talvez, sua maior mentira. Países de todo o mundo perderam a confiança na economia dos Estados Unidos. A demanda por títulos norte-americanos despencou. Na verdade, países estão começando a se desfazer de seus títulos dos Estados Unidos. Em breve, a barragem se romperá e a economia implodirá, causando, infelizmente, grande sofrimento aos norte-americanos durante muitos e muitos anos.

Os norte-americanos precisam despertar. Precisam recuperar o controle das mãos dos políticos corruptos. A hora é agora, pois o sistema político norte-americano está em seu momento de maior fragilidade.                                                        

Os elementos vulgares da sociedade em posições de poder   

Hoje, as posições de poder mais importantes nos Estados Unidos são ocupadas por indivíduos extraordinariamente grosseiros e ignorantes. Em outras palavras, os elementos vulgares da sociedade receberam prioridade em relação aos seus integrantes sábios e qualificados. Movidos por um instinto míope que não busca nada além de mais riqueza e poder, os líderes norte-americanos perseguem objetivos e políticas equivocados, cujas consequências são devastadoras para o futuro dos Estados Unidos. Mesmo que mudassem de rumo agora, precisariam passar décadas limpando a confusão que já criaram. Mas não há qualquer indicação de que pretendam corrigir seus caminhos. Estão insistindo e tornando as perspectivas norte-americanas muito mais sombrias. E a tragédia é que o povo norte-americano ficará com a conta. Os ultrarricos já fizeram todos os preparativos necessários para o colapso iminente do sistema norte-americano.

A ignorância dos líderes norte-americanos leva a uma cascata de problemas — um círculo vicioso que cria um redemoinho de catástrofes. Gastam bilhões de dólares interferindo em países independentes e desestabilizando-os — países que desejam preservar sua autonomia e seus valores nacionais — para saquear seus recursos naturais. Como resultado, uma enxurrada de pessoas sem lar desses países chega aos Estados Unidos. Então gastam outros bilhões para controlar a imigração ilegal e devolver os imigrantes a seus países. As riquezas saqueadas acabam nos bolsos da elite, enquanto todos os custos desse círculo vicioso são suportados pelos contribuintes norte-americanos.                                                      

Movidos pela ambição de dominar a economia mundial, implementam políticas para facilitar a globalização econômica sem considerar as consequências de longo prazo. Cantam louvores ao livre-comércio e vociferam contra os males das tarifas. Então, após duas décadas, quando percebem que os Estados Unidos perderam amplas parcelas de sua estrutura industrial para países em desenvolvimento, mudam novamente de direção de modo abrupto e — outra vez sem considerar as consequências de longo prazo — passam a reagir impulsivamente e a impor tarifas indiscriminadamente a todos os tipos de países, tornando a situação ainda pior. E é o povo norte-americano que fica com a conta.                                                    

A mesma ignorância é evidente na maneira como os Estados Unidos abandonaram seus compromissos ambientais internacionais para dar ao governo maior liberdade de buscar crescimento, na esperança de impulsionar seu setor industrial. Depois, quando precisam lidar com os custos de mitigar as consequências da poluição, voltam a colocar todo o ônus econômico sobre os contribuintes norte-americanos. Os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres, mais pobres. São os contribuintes norte-americanos que sempre pagam o preço da incompetência de seus líderes. Os próprios líderes nunca são responsabilizados.                                                        

Preocupação com questões secundárias às custas dos assuntos essenciais da sociedade

Uma das características dos líderes norte-americanos, particularmente acentuada na personalidade do presidente Trump, é a preocupação com questões secundárias. Recentemente, vimos incontáveis exemplos dessa tendência em Trump: avançar a todo vapor com a construção do salão de festas da Casa Branca; lutar pela inclusão de seu nome na identificação do Kennedy Center, em Washington, D.C.; mudar os nomes do Lago Ontário e do Golfo do México; repintar o Espelho d’Água; o chamado “Arco de Trump”; e assim por diante. A imprensa é consumida por novidades que mudam rapidamente a respeito dessas questões secundárias — enquanto os principais problemas dos Estados Unidos, como a inflação em rápida alta, o custo da moradia, a pandemia de problemas de saúde mental etc., continuam sem solução.

Outra questão secundária na qual Trump desperdiçou preciosos recursos norte-americanos foi a guerra contra o Irã. Dando ouvidos à desinformação fornecida por Netaniahu e por alguns ex-integrantes do regime autocrático do xá que fugiram do Irã, Trump precipitou-se numa guerra contra o país. Num esforço para semear o caos no Irã e incentivar os iranianos a se levantar contra seu governo, as Forças Armadas norte-americanas dispararam milhares de mísseis, cada um custando milhões de dólares, contra milhares de alvos que valiam apenas milhares de dólares cada — como delegacias, bases da Basij, postos de controle de segurança e instalações militares evacuadas — na esperança de remover as barreiras que impediam os rebeldes de operar livremente. Assim, os militares norte-americanos desperdiçaram seus estoques de mísseis em alvos de valor muito baixo. Mas, mais importante, a tática teve efeito contrário: em vez de incentivar os iranianos a se rebelar contra a República Islâmica, esses ataques de mísseis aumentaram seu orgulho nacional e sua solidariedade, levando milhões de pessoas a sair às ruas todas as noites para expressar sua indignação contra os Estados Unidos e demonstrar sua devoção ao país. Essas vigílias comunitárias noturnas de patriotismo já se prolongam por mais de 210 noites consecutivas.

Uma das consequências importantes dessa tendência do governo norte-americano de se desviar para questões secundárias é que a China agora supera os Estados Unidos em quase todos os indicadores de progresso. Apenas nos últimos seis meses, em que os Estados Unidos estiveram ocupados com a guerra contra o Irã, a China avançou consideravelmente, entre outras áreas, em inteligência artificial e tecnologia quântica.

Outro exemplo marcante da preocupação dos Estados Unidos com questões secundárias é a guerra ao terror que o presidente George W. Bush travou contra um inimigo imaginário. As guerras caras e prolongadas por décadas no Afeganistão e no Iraque não beneficiaram de forma alguma o povo norte-americano e certamente tampouco os povos afegão e iraquiano. Os Estados Unidos ocuparam esses dois países com o objetivo declarado — mas desonesto — de libertar seus povos e substituir o governo despótico pela democracia. Entretanto, em ambos os países, as pessoas já haviam começado a se levantar contra seus governantes tirânicos e, de fato, conseguido libertar partes de seus países. Se os Estados Unidos fossem honestos em sua intenção de ajudar os povos, poderiam simplesmente ter escolhido apoiá-los e financiá-los. Contudo, em razão de suas intenções ocultas e sinistras, os líderes norte-americanos optaram por invadir os dois países — com consequências desastrosas tanto para os países ocupados quanto para os Estados Unidos. Os crimes e abusos perpetrados pelas forças de ocupação norte-americanas acabaram fazendo os povos do Afeganistão e do Iraque se voltarem contra seus “libertadores”. Ao perceberem a verdadeira natureza da dominação norte-americana, afegãos e iraquianos passaram a estar determinados a combater e expulsar os ocupantes.

A ocupação do Afeganistão durou 20 anos e teve um custo econômico de três trilhões de dólares para os contribuintes norte-americanos — segundo números oficiais dos Estados Unidos, sendo o custo real provavelmente muito maior — e um custo humano de 2.354 mortes norte-americanas e 168 mil vítimas afegãs. E, finalmente, a ocupação terminou numa retirada vergonhosa, com os militares norte-americanos deixando para trás armas e equipamentos no valor de 85 bilhões de dólares. A embaixada dos Estados Unidos em Cabul foi fechada, todos os norte-americanos foram expulsos e o governo caiu nas mãos do Talibã, o mesmo grupo que os Estados Unidos supostamente invadiram o país para retirar do poder.

Se os líderes norte-americanos tivessem exercido um mínimo de racionalidade, a ocupação do Afeganistão poderia ter tido um resultado muito mais favorável aos ocupantes. Com menos de três por cento do custo total da guerra — isto é, menos do que o custo das armas e equipamentos deixados pelos militares norte-americanos —, os Estados Unidos poderiam ter construído uma casa para cada família afegã e, dessa maneira, conquistado a população. Assim, a bandeira norte-americana teria tremulado nas cidades afegãs por muitas gerações, enquanto hoje é pisoteada pelos afegãos como símbolo de seus antigos ocupantes. O problema é que a prioridade dos líderes que comandam as Forças Armadas norte-americanas é enriquecer a si mesmos e a seus parceiros no complexo militar-industrial. Consequentemente, nem sequer conseguem administrar o imperialismo corretamente.

A história da invasão norte-americana do Iraque é fundamentalmente semelhante. A invasão do Iraque durou oito anos e oito meses, com um custo de quatro trilhões de dólares para os contribuintes norte-americanos — novamente, esses são números oficiais, sendo os valores reais provavelmente muito maiores. As perdas humanas do envolvimento militar norte-americano no Iraque são ainda mais impressionantes em comparação com o Afeganistão. A invasão tirou a vida de 4.800 militares norte-americanos e 265 mil iraquianos. O que é pior, do ponto de vista do contribuinte norte-americano, é que o envolvimento no Iraque não apenas não beneficiou os Estados Unidos; na verdade, enfraqueceu sua posição na região e seu prestígio em todo o mundo. Os militares norte-americanos depuseram Saddam Hussein — durante muito tempo um aliado confiável dos Estados Unidos — apenas para ver o Iraque cair nas mãos de grupos aliados ao Irã. E, num movimento que refletiu o sentimento nacional iraquiano, em 2020, parlamentares do país, indignados com o que consideraram desrespeito norte-americano à soberania do Iraque, aprovaram uma resolução pedindo a expulsão de todas as forças dos Estados Unidos. Desde então, todas as bases militares norte-americanas, com exceção de uma, foram desmanteladas, e hoje a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá e a única base militar norte-americana restante, em Erbil, são alvos de ataques diários do povo iraquiano, enquanto os Estados Unidos se preparam para retirar todas as suas forças do Iraque num futuro próximo.

Hoje, o governo dos Estados Unidos é amplamente e profundamente odiado tanto no Afeganistão quanto no Iraque, a ponto de nenhuma autoridade norte-americana ousar caminhar pelas ruas de Cabul ou Bagdá, nem mesmo acompanhada por uma equipe de segurança. O tratamento aterrador dispensado pelos militares norte-americanos em locais notórios como Abu Ghraib, Bagram e Guantánamo criou repulsa mundial contra os Estados Unidos.

As guerras caras e infrutíferas travadas pelos Estados Unidos nas últimas décadas não trouxeram nada além de sofrimento à economia e ao povo norte-americanos. A participação dos Estados Unidos no produto interno bruto mundial caiu de 23,5 por cento em 2000 para cerca de 14 por cento hoje. Os gastos irresponsáveis e desperdiçados do governo norte-americano na condução de suas guerras e na execução de sua postura agressiva na Ásia Ocidental — incluindo as centenas de bilhões gastos no financiamento de meios de comunicação hostis, no apoio a grupos contrários ao Irã e no fomento de instabilidade regional — tiveram um custo estimado superior a oito trilhões de dólares. Como resultado, os Estados Unidos estão sobrecarregados por uma dívida nacional astronômica superior a 40 trilhões de dólares, que os tornou o país mais endividado da história, sem benefícios significativos para seu povo. Essa dívida, que cresce exponencialmente, está consumindo a economia norte-americana num ritmo cada vez maior.

Os Estados Unidos passaram de um país cuja principal fonte de receita era a exportação de tecnologias avançadas a um país do Terceiro Mundo que precisa vender seus recursos naturais para sobreviver. Nos últimos anos, tornaram-se um dos maiores exportadores mundiais de carvão e petróleo bruto. As exportações norte-americanas de petróleo bruto cresceram de menos de 500 mil barris por dia em 2015 para mais de quatro milhões. Para manter sua economia funcionando, os Estados Unidos precisam vender matérias-primas a outros países e importar produtos acabados. Essa é a realidade atual da economia norte-americana.

Na tentativa de salvar sua economia em declínio, o governo dos Estados Unidos, liderado por Trump, abandonou precipitadamente as características essenciais do capitalismo liberal, da globalização econômica e do livre-comércio e recorreu a um regime tarifário irracional. Essa mudança repentina, somada à postura combativa de Trump, inquietou os aliados tradicionais dos Estados Unidos, empurrando o Canadá — há muito considerado o parceiro mais próximo dos norte-americanos — em direção à Europa e à China.

Portanto, não deveria surpreender ninguém que 40 milhões de norte-americanos vivam abaixo da linha da pobreza. A população de pessoas sem moradia nas cidades de todo o país explodiu nos últimos anos. E, sem querer dramatizar, isso é apenas o começo. A situação ficará muito pior antes de melhorar. Assim, a pergunta que qualquer norte-americano de mente sã deveria considerar é se deseja continuar entregando as rédeas do poder aos mesmos líderes miseravelmente incompetentes — líderes que, em benefício de seus próprios interesses pessoais, escolheram agradar aos senhores sionistas das finanças globais, enfurecendo dois bilhões de muçulmanos e bajulando obsequiosamente alguns milhões de sionistas no mundo inteiro, colocando seriamente em risco o futuro do povo norte-americano.

Ao longo da história, as potências hegemônicas globais geralmente mantiveram seu poder incontestado durante um século ou mais. A única superpotência que constitui uma exceção são os Estados Unidos. O período de dominação global incontestada dos Estados Unidos durou menos de 30 anos. E isso se deve à incompetência excepcional de seus líderes.

Como os Estados Unidos podem ser salvos?                                   

Como podem ser interrompidas essas tendências que conduzem os Estados Unidos à ruína? Mais importante: como o povo norte-americano pode ser salvo do destino sombrio que resultará do colapso de seu governo? Deus forneceu a resposta a essa pergunta em diferentes escrituras que concedeu a Seus profetas.

Uma resposta encontra-se no Antigo Testamento, em Jeremias 18:7–10:

Se, em algum momento, Eu anunciar que uma nação ou um reino será arrancado, derrubado e destruído, e essa nação que Eu adverti se arrepender de seu mal, então voltarei atrás e não lhe infligirei o desastre que havia planejado. E se, em outro momento, Eu anunciar que uma nação ou um reino será edificado e plantado, e ele fizer o mal aos Meus olhos e não Me obedecer, então reconsiderarei o bem que pretendia fazer-lhe.

A mesma resposta é expressa no Alcorão (13:11): “De fato, Deus não altera a situação de um povo até que esse povo altere sua própria situação.”

Deus virá em auxílio do povo norte-americano se ele decidir mudar de rumo. Felizmente, os norte-americanos estão despertando para a verdade. Nos últimos dois anos, participaram de numerosas manifestações em cidades de todo o país para expressar sua indignação diante das ações genocidas de Israel em Gaza. Além disso, os protestos “No Kings” — “Sem Reis” — que se espalharam pelos Estados Unidos no ano passado foram um repúdio nacional às tendências autocráticas crescentes no governo norte-americano. Essas poderosas manifestações de ação coletiva evidenciam um despertar nacional que se dissemina pelos Estados Unidos.         

As objeções apresentadas por professores e estudantes universitários a projetos de pesquisa relacionados a objetivos militares, financiados por organizações suspeitas de ter vínculos com as Forças Armadas dos Estados Unidos, e a recusa desses acadêmicos em participar de tais projetos constituem outro sinal promissor de um despertar moral nos Estados Unidos. Se um acadêmico percebe que os resultados de sua pesquisa serão utilizados não para melhorar o bem-estar de seus compatriotas, mas para assassinar homens, mulheres e crianças inocentes e destruir escolas e hospitais, deve — caso deseje interromper o rápido avanço dos Estados Unidos rumo à ruína — certamente ouvir a voz de sua consciência e abster-se de participar.

Pesquisas mostram que a maioria dos norte-americanos, especialmente os mais jovens, já não deseja ser cúmplice dos crimes de seu governo contra outras nações, particularmente contra o povo oprimido, porém resiliente, da Palestina. Outra tendência positiva indicada pelas pesquisas é que até muitos norte-americanos que votaram em Trump em 2024 agora se arrependem de sua escolha. Ao observar as políticas e ações desastrosas do governo Trump, estão profundamente céticos quanto ao caminho seguido por seu país e desejam uma mudança fundamental de direção. Essa mudança de opinião é particularmente pronunciada em relação à decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã.

Pessoas de todo o mundo esperam que os norte-americanos detenham seu governo. A hora é agora. Os norte-americanos precisam se levantar e pôr fim à situação miserável enfrentada por seu país e pelo mundo em geral. Não permitam que seu governo continue sua vergonhosa prática hegemônica de utilizar o poder das Forças Armadas norte-americanas ou as táticas manipuladoras das agências de inteligência para instalar ditadores que permitam à elite dominante dos Estados Unidos saquear os recursos de seus países. Ponham fim à tendência de seu governo de assassinar líderes mundiais independentes, cujo único crime é desejar resguardar a soberania de seus países e permitir que seus povos se beneficiem de seus recursos naturais. Saquear outros países e assassinar seus líderes apenas intensificará o ódio que os povos do mundo sentem pelos Estados Unidos. A prosperidade norte-americana não terá qualquer valor para o povo norte-americano se for alimentada pelo sangue dos oprimidos.

Uma das medidas que os norte-americanos podem exigir de seu governo para revitalizar a economia é fechar as 800 bases norte-americanas caras e inúteis espalhadas pelo mundo e trazer todos os militares norte-americanos de volta para casa. Pressionem seu governo a pôr fim à ajuda interminável que Israel recebe de vocês; a evitar guerras intermináveis de agressão; a fechar as centenas de meios de comunicação e redes de inteligência dispendiosos usados para instigar golpes, apoiar ditadores e semear instabilidade; e a redirecionar os trilhões de dólares gastos nessas atividades subversivas para promover a pesquisa científica e a produção industrial de alta tecnologia nos Estados Unidos. Não há dúvida de que, se o governo norte-americano atender a essas exigências, os Estados Unidos voltarão a ocupar seu lugar como principal economia do mundo e os norte-americanos voltarão a desfrutar de uma vida próspera.

É vergonhoso que a economia de um grande país como os Estados Unidos seja sustentada pelo roubo da riqueza de outras nações e à custa do empobrecimento de outros países. Embora existam episódios sombrios na história norte-americana — a conduta de suas gerações fundadoras em relação aos povos indígenas e sua história de escravidão e racismo —, o fato é que os Estados Unidos têm os recursos necessários para oferecer prosperidade a todas as pessoas que os consideram seu lar: possuem um território muito rico, vastos recursos subterrâneos, enormes reservas de energia, fontes abundantes de água e solos férteis em grande quantidade, além de extensos litorais e rios. Portanto, se o povo norte-americano escolher líderes que possuam as características adequadas — conhecimento, integridade e honestidade –, os Estados Unidos poderão construir um futuro próspero para seu povo sem precisar saquear os recursos de outras nações e também poderão reparar os erros do passado, especialmente os cometidos contra os povos dos Estados Unidos — os povos indígenas, os norte-americanos negros e os norte-americanos desfavorecidos.

Ouçam a consciência humana inata que Deus colocou em todas as pessoas e não permitam que políticos desonestos ocupem posições de poder — políticos que chamam de terroristas a resistência legítima dos povos da Palestina e do Líbano, que estão apenas defendendo suas terras contra ocupantes; políticos que fecham os olhos ao genocídio quando é praticado contra palestinos; políticos que, sem vergonha, chamam de legítima defesa a morte de mais de 21 mil crianças em Gaza, incluindo bebês de apenas um dia de vida. Certifiquem-se de que os parlamentares que elegerem responsabilizem o governo pelo massacre de 400 escolares iranianos inocentes.

Ao moldar as futuras relações de seu governo com outras nações, exijam que os políticos norte-americanos prometam respeitar a Regra de Ouro, que todas as religiões e escolas de pensamento do mundo apresentam como a expressão máxima da virtude humana: “Façam aos outros aquilo que desejam que lhes seja feito.” As três religiões abraâmicas afirmam esse princípio. O Talmude judaico diz: “Não faça ao seu próximo aquilo que você mesmo odeia.” Da mesma forma, o Evangelho diz: “Portanto, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam, pois isso resume a Lei e os Profetas” (Mateus 7:12) e “Façam aos outros o que vocês gostariam que eles lhes fizessem” (Lucas 6:31).

Consultem sua consciência. Algum de vocês gostaria de ver 300 mil residências em cidades norte-americanas reduzidas a escombros, como Israel fez em Gaza e Jenin? Como se sentiriam se dezenas de aldeias norte-americanas fossem completamente destruídas por bombardeios, como Israel fez no sul do Líbano? Como reagiriam se um inimigo atacasse uma escola de ensino fundamental nos Estados Unidos e matasse todas as crianças, como as Forças Armadas norte-americanas fizeram numa escola de Minab?

Sem dúvida, não fosse o apoio cego e a ajuda interminável dos Estados Unidos a Israel, o regime sionista seria incapaz de cometer seus crimes contra os povos da Palestina e do Líbano. O genocídio na Palestina e no Líbano e as guerras intermináveis em outras partes do mundo são executados com o dinheiro de seus impostos e, por isso, os povos do mundo esperam que vocês ajam para deter o governo norte-americano.

Sua resposta pode ser que não aceitem essas ações atrozes, mas são impotentes para fazer algo a respeito. Essa resposta, contudo, não é aceitável. São vocês que, com seus votos, dão poder ao governo e permitem que ele faça o que faz. Embora os políticos norte-americanos frequentemente conquistem seus votos por meio do engano e de falsas promessas, como Trump fez, vocês podem mudar a composição do governo se aplicarem os critérios de boa liderança na escolha das pessoas que elegem para os cargos públicos.

Os Estados Unidos da América são uma grande nação. Permitir que indivíduos vulgares e imorais continuem conduzindo sua política e suas decisões apenas humilhará e enfraquecerá ainda mais os Estados Unidos. Qualquer político que pense poder comprar seu voto por 5 mil dólares é indigno de liderá-los. Retomem o controle.

Como esta guerra terminará?

Nosso líder martirizado havia advertido que um ataque norte-americano ao Irã desencadearia uma guerra de grande escala que envolveria toda a região. O governo norte-americano não acreditou nele. Assim, quando o Irã de fato atacou bases militares norte-americanas em toda a região, as autoridades dos Estados Unidos ficaram perplexas. O líder martirizado afirmou: “Se algo acontecer, o povo iraniano se levantará e concluirá a tarefa.” Essa previsão também se concretizou e, há sete meses, milhões de iranianos saem às ruas todas as noites para exigir vingança por seu líder martirizado.

As advertências do falecido Líder Supremo devem agora ser levadas a sério. Os crimes e injustiças excessivos dos Estados Unidos encheram a sociedade humana de indignação, transformando o mundo num barril de pólvora pronto para explodir. Se os Estados Unidos continuarem seus crimes, os povos de todo o mundo se levantarão, e a explosão de indignação popular, sem dúvida, incendiará todos os interesses e ativos norte-americanos em todo o planeta. A economia dos Estados Unidos será atingida por um enorme terremoto econômico que afetará a vida de todos os norte-americanos.

Vocês, o povo norte-americano, têm o poder de impedir esse destino sombrio. Precisam obrigar seu governo a se distanciar de Israel, pois os ocupantes da Palestina, mais cedo ou mais tarde, terão de deixar a terra que ocupam e retornar a seus países de origem.

Podemos viver juntos em coexistência pacífica. Retirem do poder os políticos malignos, mentirosos e violentos responsáveis pela situação atual dos Estados Unidos. Confiem seus assuntos aos sábios, não aos ardilosos. Certifiquem-se de que seus políticos compreendam que o mundo mudou.

Os povos de todo o mundo despertaram. A era em que os Estados Unidos podiam saquear a riqueza das nações por meio do poder militar chegou ao fim. Este século é o século em que a vontade dos povos triunfará. Se os Estados Unidos escolherem continuar em seu caminho maligno, um destino doloroso os aguardará. Como declara o imã Ali no Nahj al-Balaghah: “O dia em que os oprimidos triunfarem sobre o tirano será muito mais terrível do que o dia em que o tirano prevaleceu.”     

Apesar de todas as dificuldades que nossos inimigos nos impõem, continuaremos lutando, como fizemos nos últimos 47 anos, pela libertação da humanidade da tirania e da ignorância. Em breve, a Palestina será libertada. Aguardamos o retorno de Jesus Cristo juntamente com o imã Mahdi, o último sucessor do profeta Maomé — que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre eles. Juntos, inaugurarão o Reino de Deus e conduzirão a humanidade à libertação de todas as formas de opressão.

Mahdi e Cristo estarão ao lado dos oprimidos que buscam justiça e contra os opressores. Nós, o povo do Irã, gostaríamos de ver vocês, o povo dos Estados Unidos, ao nosso lado enquanto somos conduzidos por Mahdi e Cristo à vitória final.

Oramos pelo fim iminente da opressão e da agressão, pela libertação de todas as nações das garras dos tiranos e por uma vida de fraternidade amorosa e paz universal.

“Certamente, escrevemos nos Salmos [de Davi]… que o mundo será herdado por Meus servos virtuosos.”                                                       

— O Sagrado Alcorão, 21:105