Atualmente, existem vários “comentaristas”, como Walter Casagrande, Juca Kfouri, o torcedor do Racing Mauro Cezar (que se traveste de torcedor do Flamengo) e vários outros, que sempre culpam a incompetência dos jogadores e até dos técnicos brasileiros nas derrotas que a Canarinho sofreu nas últimas Copas.
No entanto, eles fazem isso para tentar blindar todo o esquema por trás da Copa do Mundo que, aos olhos dos capitalistas, funciona como um negócio extremamente lucrativo (vide a conquista do tetracampeonato da Itália em 2006, que gerou um lucro de sete bilhões para a Nike), o que contraria a tese da classe média bem-pensante de que “não se deve misturar política com futebol” ou “futebol, política e religião não se discutem”.
Com tanto dinheiro envolvido, os capitalistas fazem de tudo para garantir que a seleção certa (de preferência uma europeia) conquiste o Mundial, pois o maior mercado consumidor se encontra no Velho Continente. No entanto, existe uma seleção sul-americana, pentacampeã, famosa por suas cores verde e amarelo, que sempre monta times extremamente competitivos e, por isso, é uma pedra no sapato para esses capitalistas, mas nada que alguns dólares não resolvam.
Se observarmos com atenção, o Brasil sempre é prejudicado tanto pela arbitragem (com marcações duvidosíssimas) quanto por fatores externos. Este último fica a cargo da nossa querida imprensa brasileira, que já era capacho de gringos desde a primeira edição do Mundial. Atualmente, os comentaristas citados no começo da matéria estão mais em evidência, mas quem sempre está na linha de frente da pressão externa é a Rede Globo (uma emissora norte-americana que fala em português).
Aqui, vamos fazer uma recapitulação que vai desde a conquista do pentacampeonato em 2002 até o momento atual, a fim de destacar o papel que essa emissora desempenhou para as derrotas do Brasil nas copas e como ela molda o pensamento de algumas pessoas sobre as atuações da Canarinho — alguns desses pensamentos, inclusive, vigoram até hoje, basta ver alguns canais no YouTube sobre futebol.
Copa de 2006 e o caminho até ela
A convite da Federação Portuguesa, o técnico pentacampeão Luiz Felipe Scolari deixou o comando da Amarelinha, que foi assumido pelo tetracampeão Carlos Alberto Parreira. O Brasil contou com grande parte dos jogadores que integraram a Seleção campeã de 2002, exceto Ronaldinho Gaúcho, que estava machucado, sorte de Kaká, que aproveitou a oportunidade para se consolidar com a camisa verde e amarela e, claro, tinha o artilheiro da última Copa, Ronaldo Fenômeno, como o craque e a referência do escrete.
O Brasil teve um começo bem sólido nas Eliminatórias, por vezes revezava a liderança com a rival Argentina, motivo suficiente para a imprensa cretina (liderada pela Rede Globo) criticar a Seleção. Para mostrar que Neymar não foi o primeiro (e nem será o último) craque a ser bombardeado pela imprensa por motivo algum, os comentaristas da Globo sempre pegavam no pé de Ronaldo, dizendo que ele estava “gordo”, “fora de forma” e que só quer saber de farra, isso enquanto exaltavam os craques argentinos, como Sorín, Zanetti e Crespo (sim, o atual técnico do São Paulo).
A resposta veio no jogo contra a própria Argentina no Mineirão, com um domínio completo da Canarinho e nada mais que três tentos do Fenômeno, todos marcados de pênalti, mas com jogadas individuais que ele fez, sem deixar alternativa para a defesa argentina a não ser cometer a infração. O gol de honra foi marcado por Sorín para fechar o placar de 3×1.
Copa América de 2004
No meio de 2004, teve a Copa América no Peru. Parreira optou por fazer testes e convocou um time alternativo para testar algumas peças que viriam a ser bons nomes nas convocações posteriores: Adriano, Maicon, Júlio Baptista e Júlio César (alguns inclusive foram convocados para o Mundial de 2006). O que gerou mais críticas por parte da imprensa foi a convocação de Júlio César e Adriano. O primeiro era goleiro do Flamengo (que brigava contra o rebaixamento) e o segundo era um jogador em ascensão, mas que não foi usado pela Inter de Milão e foi emprestado para clubes de menor calibre da Itália. Portanto, não era considerado apto para vestir a amarelinha.
A Seleção passou de forma relativamente tranquila pela fase de grupos, se classificou na segunda rodada, mas acabou perdendo a liderança depois de uma derrota de 2×1 para o Paraguai. O único jogo tranquilo das fases finais foi nas quartas, onde o Brasil atropelou o México por 4×0, mas nas semifinais…
O Brasil enfrentou o Uruguai, foi um jogo bem pegado no qual a seleção celeste abriu o placar com uma cabeçada de Sosa que, infelizmente, contou com uma falha de Júlio César. Mesmo com as chances criadas, o Brasil conseguiu chegar ao gol apenas no começo do segundo tempo, com uma bela assistência de Luís Fabiano para Adriano completar para as redes. A partida foi para os pênaltis, quando Júlio César se redimiu da falha ao pegar o pênalti de Sánchez. Em seguida, Alex converte e sacramenta a vitória por 5×3 nas penalidades.
A final foi contra a Argentina, pela primeira vez os rivais iriam decidir uma final, e a Rede Globo já nomeava os hermanos como campeões, pois foram com força total enquanto o Brasil vinha com um time B. Se você ler reportagens da época, pode ter a impressão de que a Argentina amassou o Brasil e que os dois tentos da Canarinho aconteceram por pura sorte, por isso, sugiro que veja o jogo.
Como não poderia ser diferente em qualquer Brasil x Argentina, foi um jogo cheio de catimba. Tinha chances para os dois lados, mas esse “domínio” argentino se deve ao fato de eles entrarem para não deixar o Brasil jogar, sempre fazendo faltas dignas de amarelo (algumas até de vermelho) no meio-campo. Mas, por algum motivo, o juiz só ficava no papo.
Aos 20 minutos do primeiro tempo, a então revelação Carlitos Tévez pegou a bola depois de Maicon ter falhado na saída de bola. O atacante achou Lucho, que sofreu um pênalti após levar um carrinho de Luisão na grande área. Kily Gonzáles foi para a marca da cal e abriu o placar para os merengues, 1×0.
A Seleção Brasileira não se intimidou e partiu pra cima, mas não conseguia passar pela pancadaria… digo, a forte marcação dos hermanos (como a Globo diria). Tiveram chances com o Maicon pela direita, com o Alex fazendo o facão pelo centro, mas não li isso em nenhuma reportagem… por que será? O empate brasileiro saiu no final do primeiro tempo, em uma falta cobrada por Alex na cabeça de Luisão, que se adiantou à zaga argentina e cabeceou no canto esquerdo de Abbondanzieri, 1×1.
O começo do segundo tempo foi um caos. Kléberson sofreu com as pancadas merengues e teve que ser substituído, Parreira improvisou o meia Diego na volância. Mas não foi só isso: Kily Gonzáles meteu um pisão no pé de Adriano que o Galvão Bueno chamou de “encontro joelho com joelho”. O lance mais escandaloso aconteceu no cruzamento de Mascherano, que Júlio César conseguiu tirar de soco antes de Ayala chegar, mas o zagueiro argentino conseguiu deixar um cotovelo na nuca de Luisão, que foi atendido por mais de dois minutos. Galvão Bueno apareceu novamente para nos explicar que não foi uma cotovelada, mas sim que “Luisão caiu de mal jeito”.
O zagueiro brasileiro continuou em campo até os 37 do segundo tempo, quando não aguentou as dores e teve que ser substituído por Cris. Aos 42 minutos, aconteceu o que não devia, o volante Renato furou dentro da área e a bola sobrou para Delgado matar no peito e chutar no canto de Júlio César, 2×1.
A partir daí, os merengues resolveram “furar a bola”. Tévez fazia umas gracinhas na ponta esquerda e D’Alessandro (sim, o meia que virou ídolo do Internacional) provocava os brasileiros no meio-campo. Luís Fabiano resolveu fazer um acordo com o Adriano de que agora eles iam bater de volta, o “Fabuloso” dava algumas entradas nos argentinos (para a tristeza do Galvão). Esse acordo se provou certeiro aos 48 minutos, quando Diego viu os dois atacantes da amarelinha na área, a zaga tentou espanar a bola, mas sem sucesso, Adriano fez o movimento de chute, mas com a intenção de meter a mão na cara do zagueiro argentino, e acabou fazendo um golaço sem querer, com um canhão vindo de sua perna esquerda, 2×2 e a partida ia para as penalidades.
O provocador D’Alessandro bateu o primeiro pênalti da Argentina, mas parou nas mãos de Júlio César, enquanto o segundo batedor merengue, Heinze, acabou mandando a bola para Buenos Aires. Todos os brasileiros converteram suas cobranças (os outros argentinos também, mas isso é mero detalhe). Juan converteu a cobrança que deu o título ao Brasil, com merecimento, ao contrário do que a “imparcial” Rede Globo falava.
No final, Júlio César teve participação direta no título da Canarinho, tanto que seu desempenho fez a Inter de Milão contratá-lo. Falando em Inter de Milão, a carreira de Adriano (craque da Copa e artilheiro da competição, com sete gols) deslanchou de vez, se consolidou no time italiano e recebeu o apelido de “Imperador”, que o acompanhou pelo resto da carreira.
Note como a Globo pegava no pé da Seleção e que seu amor pelos hermanos não é recente, alguns comentários e a narração dos jogos até cumpriam o papel de alterar ou amenizar os eventos no campo. No entanto, a Seleção conseguiu prevalecer com um “time B” contra a Argentina principal.
Eliminatórias conturbadas e a Copa das Confederações de 2005
As Eliminatórias voltaram em setembro de 2004. Ronaldinho Gaúcho finalmente voltava para a Seleção no jogo contra a Bolívia e, como esperado do Bruxo, teve uma atuação de gala, com um gol (após pênalti sofrido por Roque Júnior) aos 12 minutos e uma assistência, um cruzamento (que mais parecia um passe) açucarado para a cabeçada de Adriano, aos 43 do primeiro tempo. Estes foram o segundo e o terceiro gol, respectivamente. O primeiro foi marcado pelo Fenômeno no começo do jogo, que aproveitou um desvio de cabeça para pegar de primeira.
Além de Ronaldinho, vale destacar a atuação de Juninho Pernambucano e da dupla de ataque (grave esta informação) Ronaldo e Adriano, que jogavam muito bem juntos — e por que não jogariam? Os dois são atacantes com boa movimentação, finalizam bem, um é canhoto e o outro é destro, se encaixavam muito bem no 4-4-2 do Parreira. Aos três minutos da segunda etapa, Cristaldo descontou para os bolivianos, 3×1.
A rodada seguinte contou com mais um triunfo da Canarinho, em uma vitória de 5×2 contra a Venezuela. No entanto, as coisas começaram a piorar depois do empate de 0x0 em casa contra a Colômbia. São coisas do futebol, o Brasil também teve triunfos contra o Paraguai (4×1) e contra o Peru (1×0), mas a Globo sempre diminuía a atuação da Seleção, principalmente no empate contra o Uruguai (1×1) e na derrota para o Equador (1×0).
Tudo piorou depois da derrota por 3×1 contra a Argentina. Ronaldo foi cortado da convocação por causa de problemas particulares, o que abriu espaço para a convocação da então promessa santista Robinho, que já jogava pelo Real Madrid. Em um jogo típico de Brasil x Argentina, os brasileiros sentiram a falta de sua referência no ataque e entraram desligados. Os tentos argentinos foram marcados no primeiro tempo, dois de Crespo e um de Riquelme. Roberto Carlos descontou de falta no segundo tempo. Pra piorar, os hermanos se isolaram na liderança.
Agora, a reclamação era de que os jogadores não levavam a Seleção a sério, que eles gostavam de farra (quem não gosta?) e contestavam o esquema de Parreira, nada que já não tenha acontecido um milhão de vezes antes. É claro que não poderiam deixar de criticar Robinho, que estava em suas primeiras partidas pela Seleção.
No meio de 2005, o Brasil foi disputar a Copa das Confederações. Parreira planejava usar força máxima, com exceção dos laterais Cafu e Roberto Carlos, pois ele queria encontrar os reservas para eles. Portanto, foram chamados Maicon (Monaco-FRA) e Cicinho (campeão da Libertadores pelo São Paulo), para a lateral direita, e Gilberto (Hertha Berlim-ALE) e Léo (Santos) para a lateral esquerda.
No entanto, Ronaldo novamente foi envolvido em polêmica ao pedir dispensa. Até hoje, alguns canais de YouTube repetem o que a Globo falava na época: Ronaldo queria dispensa para curtir as férias, ele mesmo disse isso no Jornal “Nazional”. Sobre isso, seguem algumas declarações do próprio Fenômeno na época:
“Estar com a Seleção sempre é importante, mas a Copa das Confederações não tem o mesmo valor da Copa do Mundo nem a mesma repercussão.”
“Não falaram nada comigo. Achei até estranho. Sempre houve uma conversa antes. Nos próximos dias, vou entrar em contato com a CBF, porque vou enfrentar um problema muito grande. Vou ficar quase sem férias.”
“Infelizmente, os jogadores são os últimos a dar opinião. Se tivéssemos um calendário único, não teríamos problema. A FIFA deveria escutar mais os jogadores. Afinal, somos nós que jogamos. Não há dirigente que jogue bola.”
“Infelizmente, (a Copa das Confederações) é igual à Copa América. Já ganhamos muitas nos últimos anos e daí? Ninguém fala, ninguém comenta, mas, se perder, é aquela confusão.”
Basicamente, Ronaldo defendia o direito de ter férias e reclama do calendário, algo que ainda não foi resolvido (foi piorado), além de pedir a participação dos jogadores que, até hoje, têm menos participação que os dirigentes na decisão do calendário. Por isso existem torneios marcados em períodos de férias, para não ter problemas com os dirigentes dos clubes.
Outro fator que não é dito por alguns youtubers atualmente é que Ronaldo frequentemente enfrentava lesões, consequência das porradas adversárias e da lesão no joelho em 2001, que quase encerrou sua carreira. Para se ter uma ideia, ele teve uma lesão leve no começo de 2005, outra lesão no tornozelo dois meses depois da Copa das Confederações e uma lesão no começo de 2006, portanto, ele também queria se poupar.
Além disso, o Fenômeno falou algo muito interessante na última declaração citada acima, o fato da imprensa sempre cobrar que o Brasil ganhe um torneio: se ganhar, não fez mais que a obrigação, se perder, foi um vexame. Eles não cobraram o mesmo da Argentina, que ficou 14 anos sem ganhar nada. Muito pelo contrário, sempre colocavam os hermanos como favoritos, mesmo que a realidade dissesse o contrário. Portanto, Ronaldo não foi convocado para a Copa das Confederações, o que deu mais uma chance para Robinho.
O grupo do Brasil era formado pelo campeão da Copa de Ouro CONCACAF México, pelo campeão da Copa da Ásia Japão e pelo campeão da Eurocopa Grécia (sim, você não leu errado, as poderosas seleções europeias não seguraram os gregos). Ainda assim, a Globo fez questão de exaltar a Grécia como um time guerreiro, combativo e que já estava quase classificado para a Copa (spoiler: a Grécia não se classificou).
Na primeira rodada, o mistão brasileiro se tornou “campeão da Eurocopa” ao vencer a Grécia com tranquilidade por 3×0. O primeiro saiu no final do primeiro tempo, com um chutaço de fora da área do Adriano após dar um elástico no zagueiro grego. No começo da segunda etapa, Robinho amplia a vantagem após aproveitar o cruzamento rasteiro de Gilberto pela esquerda e, aos 35 minutos, Juninho Pernambucano fez um golaço de falta, o goleiro Nikopolidis nem se mexeu.
Os problemas começaram na segunda rodada, quando a Seleção Brasileira teve um revés contra o México. O atacante Borgetti marcou de cabeça após a cobrança de escanteio pela esquerda, 1×0. Tudo se complicou com o empate contra o Japão por 2×2, Robinho marca aos 10 minutos da primeira etapa, mas aos 27, Nakamura deixa tudo igual. Ronaldinho converte de pênalti no final do primeiro tempo, mas o Japão chegou ao empate no final do jogo, com Oguro.
Foi aqui que a Globo espalhou uma enxurrada de notas falando que a Seleção Brasileira não treinava, que só se aquecia e entrava em campo (se era assim, como eles conseguiam jogar os 90 minutos?). Mesmo com esses problemas, a Canarinho conseguiu se classificar para as semifinais em segundo no grupo, ao lado do México.
Então vieram as semifinais. O Brasil enfrentou a Alemanha, a dona da casa, em uma espécie de reedição da final de 2002. Cicinho vinha sendo muito criticado pela imprensa, afinal, como Parreira trouxe um jogador que atua no ultrapassado futebol brasileiro? O técnico brasileiro cedeu e escalou Maicon para esse jogo.
O começo do jogo foi muito truncado, com as duas equipes se respeitando e tendo cautela nas jogadas. Tudo mudou quando Robinho sofreu uma falta no meio-campo. Na cobrança, Ronaldinho deixou para Adriano, que bateu de três dedos e enganou o goleiro Lehmann, 1×0. Em seguida, o time alemão partiu pra cima e, em um escanteio cobrado na direita, Podolski cabeceou em direção ao chão, o quique da bola enganou Dida, que não impediu o tento alemão, 1×1.
Nesse ponto, a estratégia principal da Alemanha era parar o jogo com faltas, já que o Brasil tinha excelentes dribladores, como Ronaldinho e Robinho. Mas essa estratégia saiu pela culatra quando Adriano passou pelo zagueiro alemão na grande área e foi empurrado para fora do campo. O juiz marcou a penalidade, Ronaldinho cobrou e converteu, 2×1.
Pouco tempo depois, o juiz resolveu aprontar: a Alemanha teve uma falta pela direita. Durante o cruzamento, o zagueiro Huth resolveu aplicar um golpe de judô em Roque Júnior. O juiz queria marcar um wazari para a Alemanha, mas lembrou que era futebol e, em um raciocínio de poucos segundos, enxergou um pênalti de Emerson, simplesmente porque o meia Ballack se jogou dentro da área. O próprio meia alemão foi para a cobrança e converteu, 2×2.
Maicon fazia uma boa partida, mas era nítido que a Seleção Brasileira perdeu poder de fogo no ataque. Então, Parreira colocou Cicinho no segundo tempo, o que se mostrou uma medida acertada, já que a Amarelinha voltou mais ofensiva. Para mostrar que a Alemanha não aguenta ver um camisa 9 brasileiro na frente, Adriano consegue arrancar e passar pelo zagueiro alemão. O Imperador chutou cruzado, marcou seu segundo no jogo e deu números finais à partida, 3×2.
Na final, o Brasil iria enfrentar a Argentina, e a Globo estava no clima de já ganhou — para o lado argentino, é claro, pois os hermanos formavam uma seleção disciplinada, que treinava bastante, e sabiam muito bem a importância dessa Copa. De nada valeu esse clima, já que o Brasil amassou o rival e venceu por 4×1, com dois gols de Adriano, um de Ronaldinho e um de Kaká. O gol de honra foi marcado por Aimar.
Nessa partida, vale destacar a atuação de Adriano, que mais uma vez foi escolhido o craque da copa e novamente foi o artilheiro, com cinco gols. Além dele, Cicinho fez uma partidaça, sempre levando perigo à defesa argentina com suas descidas, e Robinho, que deslanchou na Seleção e fez ótimos jogos, tanto na semifinal quanto na final. Isso o fez ser presença obrigatória nas convocações por um bom tempo.
Outro ponto a ser destacado é o meio-campo brasileiro, com Emerson, Zé Roberto e, principalmente, Kaká e Ronaldinho, dois meias de criação com características distintas, mas complementares. Kaká era mais agudo, tinha velocidade e um bom chute de fora; já Ronaldinho era cadenciado, driblador e com um passe refinadíssimo, uma parceria com grande potencial.
Com o fim da Copa das Confederações, voltaram as Eliminatórias e o time titular, com os retornos de Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo. Roque Júnior não vinha em boa fase, o que deu oportunidade para Juan (que esteve no time campeão da Copa América em 2004) formar uma zaga sólida ao lado do pentacampeão Lúcio.
A Canarinho conseguiu se recuperar dos “revezes” sofridos no começo do ano e terminou em primeiro lugar, seguida de Argentina, Equador e Paraguai. O Uruguai se classificou para as repescagens, mas acabou eliminado pela Austrália nos pênaltis. Ronaldo terminou como artilheiro isolado, com 10 gols, enquanto Adriano ficou em terceiro lugar empatado com atacantes como Delgado (Equador) e Forlán (Uruguai).
Lembra de quando falei da dupla de atacantes (Ronaldo e Adriano) e dos dois meias ofensivos (Ronaldinho e Kaká)? Então, eles formaram o controverso “quadrado mágico”. Hoje em dia, vejo muitos youtubers criticando essa formação que seria o sonho de qualquer seleção do mundo.
Foi mostrado aqui que, ao contrário do que eles dizem, esse time não foi formado nos amistosos preparatórios para o Mundial. Ele foi montado no decorrer das Eliminatórias e das demais competições, era um time que tinha afinidade, os jogadores se conheciam bem, era forte tanto ofensiva quanto defensivamente. Basicamente, era a força que a Seleção precisava para vencer a Copa… mas não era isso que a Globo pensava na época e queria que os torcedores pensassem exatamente o contrário.
A Canarinho sempre foi uma pedra no sapato para o lucro dos capitalistas no Mundial que, com a formação do quadrado mágico, corriam o sério risco de verem essa seleção ser bicampeã consecutiva. Mas nada temam! A Rede Globo está aqui para socorrê-los. Se o problema é o quadrado mágico, vamos desmontá-lo!
Copa do Mundo de 2006 na Alemanha
Dida; Cafu, Lúcio, Juan, Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká, Ronaldinho; Adriano e Ronaldo. O time titular de Parreira era uma máquina, qualquer seleção europeia adoraria ter ao menos um jogador do escrete brasileiro, até mesmo a imprensa baba ovo de gringo reconhecia isso, pois, diferente dos anos seguintes, não apontou que faltava fulano ou beltrano (e tinham bons jogadores que ficaram de fora), ou seja, até eles reconheciam que esse era o melhor time possível.
O Brasil entrou no grupo F, acompanhado de Croácia, Austrália e Japão. O primeiro adversário era a Croácia, que era considerada a segunda força desse grupo. Nesse jogo, a estratégia dos croatas era colocar um ônibus atrás do gol e jogar por uma bola. Pode-se perceber isso pelo fato de quase não chegarem no ataque durante a primeira etapa e, quando chegavam, não levavam muito perigo. Eles faziam uma pressão principalmente no meio-campo, se não desse pra desarmar, paravam os jogadores brasileiros na porrada.
A Seleção Brasileira mostrou que tinha recurso e procurava furar essa defesa com dribles ou chutes de fora da área, especialmente com Ronaldinho, Roberto Carlos e Kaká, até que, no final do primeiro tempo, este último acertou um belo chute no ângulo esquerdo do goleiro croata, 1×0.
A Croácia começou o segundo tempo partindo para o abafa. Teve algumas oportunidades claras, mas sempre paravam nas defesas de Dida ou na sólida zaga formada por Lúcio e Juan. Parreira notou um certo esgotamento no ataque e sacou Ronaldo para colocar Robinho, que deu um novo gás ao jogo, funcionando como uma válvula de escape pela direita. Ele chegou a criar uma jogada em que colocou Adriano cara a cara com o goleiro croata, mas, infelizmente, essa chance foi desperdiçada.
O jogo terminou de 1×0, somente com o tento de Kaká no primeiro tempo, motivo suficiente para a Globo cair matando na Seleção. Afinal, ao jogar contra a segunda força do grupo, o Brasil deveria ganhar de 80×0, com 100% de posse de bola e 171 finalizações no gol, oras! Acho que esse quadrado mágico é uma farsa!
No próximo jogo, a Canarinho enfrentou a Austrália. Quem vê a reportagem da Globo pode ficar com a impressão de que os australianos mereciam ganhar, já que pressionaram o Brasil desde o começo do jogo, enquanto nosso atacante “gordo” Ronaldo falhava lance após lance, e que o jogo só melhorou com a entrada do Robinho — isso já mostra que eles queriam desfazer o quadrado mágico. Observe a diferença entre o mundo ficcional da Globo e a realidade.
O jogo foi bem truncado no primeiro tempo e, ao contrário do que a Globo deu a entender, os australianos não trouxeram muito perigo, já que estavam focados em marcar exatamente o atacante gordo brasileiro. O Fenômeno tinha dupla e até tripla marcação, mas ainda assim, a melhor chance da primeira metade veio de um chute de fora da área DELE. Que coisa, não? Sem falar da entrada de sola que o meia Grella deu em Ronaldo.
O segundo tempo foi mais aberto, com o Brasil partindo para cima. O resultado veio bem rápido, com um passe do gordão para Adriano Imperador, que clareou e chutou no contrapé do goleiro australiano, 1×0, com a comemoração em homenagem ao seu filho, que também se chama Adriano, nascido poucos dias antes do jogo.
A partir daí, a Austrália partiu mais para o ataque. Por mais que a Globo tente apresentar a tese de que o ímpeto australiano parou apenas com a entrada de Robinho, não foi bem assim. O garoto da vila realmente entrou muito bem no jogo, mas as chances mais claras da Austrália vieram exatamente depois da entrada dele: a falta com o desvio de cabeça e a falha de Dida que quase custou muito caro. A única coisa que foi mostrada no segundo tempo é que o Brasil também era bem forte do meio para trás.
O segundo gol veio após o meia Bates espirrar a bola sem sucesso, pois ela sobrou para Robinho, que carimbou a trave. Fred aproveitou a sobra e teve o trabalho de apenas empurrar para o fundo da rede e dar números finais à partida, 2×0.
Com a vaga garantida nas oitavas de final, Parreira resolveu colocar um time misto para disputar o último jogo contra o Japão. Apenas Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Lúcio, Juan e Dida permaneciam do time titular. O Brasil começou o jogo com tudo, pressionando cada vez mais a seleção japonesa. Galvão Bueno chegou até a falar que a alegria de jogar tinha voltado, já que os reservas estavam em campo e não o quadrado da tristeza. Casagrande mostrou que, desde sempre, nunca entendeu de futebol ao afirmar que sentiu até uma nostalgia da Copa das Confederações (nostalgia de que? Dos 2×2 contra esse mesmo Japão? De criticar a Seleção formada por vários dos jogadores que estavam em campo no momento?).
A alegria de jogar durou pouco, já que Tamada recebeu livre pela esquerda e fuzilou o gol de Dida, 0x1. Vamos deixar uma coisa clara: o Cicinho é um excelente lateral, mas tinha uma inclinação mais ofensiva e pecava bastante na defesa, como se pode observar no lance do gol, quando o atacante estava livre na região que ele deveria cobrir. Por isso Cafu era o titular, ele garantia mais solidez defensiva sem deixar de apoiar o ataque, não porque era o “capitão”, como disse o cafajeste Walter Casagrande.
Cicinho se redimiu de sua falha no final do primeiro tempo. O lateral recebeu um passe açucarado de Ronaldinho, escorou de cabeça para Ronaldo marcar seu primeiro gol nessa Copa. O primeiro tempo terminou com tudo igual, 1×1.
O segundo tempo não foi diferente, a Seleção Brasileira continuou atacando e não deixava o Japão de Zico respirar. Aos oito minutos, Cicinho demonstra sua inclinação ofensiva ao impedir, no sacrifício, uma bola que sairia pela linha de fundo. Gilberto recuperou do outro lado e só escorou para Juninho Pernambucano soltar uma bomba com efeito de fora da área, 2×1. Galvão resolveu cutucar Cafu, falando que a jogada de Cicinho se deve à juventude, mas esqueceu de dizer que, com um pouco mais de experiência, o Japão não faria aquele gol.
O terceiro gol veio aos 14 minutos, com um passe vertical incrível de Ronaldinho para o lateral Gilberto, que conduziu até a grande área e bateu cruzado, 3×1. Por fim, depois de uma tabela magistral com Juan, Ronaldo clareou e bateu no canto para fechar o placar, 4×1 — poderia ter sido 10×1 se não fosse o goleirão Kawaguchi.
Muitos afirmam que este foi o melhor jogo da seleção nessa Copa, e não os culpo. Isso se deve ao fato dos jogadores estarem mais tranquilos, sem aquela ansiedade de apresentar bons resultados, pois já estavam classificados para a próxima fase, mas é claro que isso serviu de pretexto para atacar o quadrado mágico.
Chegaram as oitavas e o Brasil pegou a Gana, segundo colocado no Grupo E, com os titulares de volta. A seleção africana tinha grandes jogadores em seu escrete, como Appiah, Asamoah Gyan, Montari e Amoah, que surpreenderam a imprensa capacho do imperialismo na época.
Ainda assim, o jogo teve domínio amplo do Brasil, com algumas escapadas dos ganeses no contra-ataque. O primeiro gol saiu aos quatro minutos do primeiro tempo, quando Kaká deixou Ronaldo cara a cara com o goleiro ganês. O Fenômeno, que sempre é fatal em situações como essa, driblou o goleiro e tocou para as redes, fazendo o tento que o faria o maior artilheiro de todas as edições do Mundial, com 15 gols, 1×0.
No final da primeira etapa, o lado direito da Canarinho mostrou seu valor. Kaká progrediu e viu o capitão Cafu chegando na linha de fundo, que recebeu a bola e fez um cruzamento rasteiro para Adriano completar e deixar o seu gol, 2×0. No segundo tempo, a Gana partiu para o “tudo ou nada”, mas quase não levava perigo ao gol brasileiro e, quando levava, Dida estava lá. Os ganeses estavam visivelmente nervosos. Como prova, pode-se citar as faltas bobas (uma delas levou à expulsão de Asamoah), as finalizações sempre tortas e o recuo errado para o goleiro, sorte de Zé Roberto, que tirou o goleiro do lance com um toque e conduziu a bola até o gol, 3×0, Brasil classificado para as quartas de final.
A seleção manteve o nível da partida anterior. Cafu até deu uma resposta com uma boa assistência, mostrando que o “vovô” é melhor que muito novinho por aí (vale notar que a Globo sempre cria uma birra com a convocação de jogadores de 30 anos ou mais). Outros jogadores que valem ser destacados são: Ronaldinho, com boas escapadas pela esquerda; Ronaldo, pelo seu gol que lhe atribuiu o recorde; e Kaká, com boas construções de jogadas.
No entanto, a Rede Globo sempre reclamava do quadrado mágico em campo, pois a Seleção, supostamente, não rendia o máximo com todos em campo, sem falar nas frequentes reclamações sobre as “noitadas” e as “farras”, que, na visão da emissora, eram sinônimos de falta de treinamento e/ou de comprometimento.
Se for observar bem, é semelhante a um patrão reclamando de um trabalhador que, mesmo trabalhando bem, cobra dele uma certa “pureza moral”. Ele não pode beber, ele não pode sair, ele não pode nem ter relações sexuais.
Antes que alguém argumente “mas eles são jogadores, atuam em um esporte de alto rendimento, tudo isso pode atrapalhar em seu desempenho, eles deveriam estar treinando!”, isso é um bom argumento, mas treinar em excesso também pode prejudicar o desempenho, já que aumenta a fadiga muscular e, consequentemente, o risco de lesão. Portanto, não tem problema com as “noitadas” com moderação, pois os jogadores estavam com um bom desempenho na Copa.
Sobre as principais reclamações da Rede Globo sobre o quadrado mágico, pode-se citar: Ronaldinho não funciona como meia armador (uma posição que ele jogou em todas as partidas das Eliminatórias), ele deveria jogar de segundo atacante, como no Barcelona, mais próximo da área; Ronaldo está muito gordo e, portanto, fora de forma; Adriano estava a um ano sem marcar (entre a Copa das Confederações e o jogo contra a Austrália); entre outras baboseiras. Mesmo com bom desempenho na Copa, a Rede Globo tinha que desrespeitar o luto do Imperador, que perdeu o pai nesse período.
O jogo das quartas de final foi contra a França e, infelizmente, Parreira cedeu à pressão da imprensa e não colocou o quadrado mágico no time titular. A formação inicial era: Dida; Cafu, Lúcio, Juan, Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kaká, Zé Roberto, Juninho Pernambucano; Ronaldinho, Ronaldo. Portanto, o time que entrou em campo contra a França era o time da Rede Globo.
Dito isso, o primeiro tempo rendeu um jogo extremamente protocolar. Não tinha o Ronaldinho como uma válvula de escape no meio-campo, nem seus passes fenomenais para acionar os atacantes, pois ele estava “enfiado” lá na frente. Também não tinha as jogadas do Kaká pela direita, já que ele estava mais preocupado com a marcação, era um meio-campo sem afinidade. Também não tínhamos o Adriano para partir pra cima dos franceses pela esquerda — se “nem cavalo aguenta”, quem dirá esses pernas de pau da França.
Os franceses também não fizeram muita coisa, era aquele futebol físico e sem graça dos europeus, sem a mínima capacidade de criar uma jogada interessante. Até Zidane (que muitos afirmam que “deitou” contra o Brasil nesse jogo) rendeu apenas alguns dribles no meio-campo (coisa que os brasileiros também fizeram e faziam todo jogo). Aliás, se alguém falar a baboseira de que Zidane “deitou”, mostre o primeiro lance dele no jogo, onde escapa dos volantes brasileiros e faz um balãozinho para… os pés do Dida, mas ele mirava no Henry… que estava impedido.
No fim do primeiro tempo, o placar marcava 0x0. A França voltou um pouco melhor no segundo tempo, mas ainda não fugia daquele jogo protocolar. Para se ter uma ideia, a criatividade do meio-campo francês era tão nula que até o volante Vieira contribuiu mais para o ataque que o meia “de criação” Zidane.
Entretanto, a França teve uma falta pela esquerda e fez o de sempre, um chuveirinho para a área. No entanto, Henry aproveitou uma bobeada de Roberto Carlos, que não o acompanhou, para completar pro fundo da rede, 0x1.
Depois disso, Parreira resolveu colocar Adriano no jogo, e olha que surpresa! O time melhorou, mas ainda não criava tanto pelo fato de todos estarem nas posições que a Globo pediu, não nas que eles estavam acostumados a jogar. As posteriores entradas de Cicinho e Robinho também contribuíram para o aumento do poder de fogo brasileiro, mas não foi o suficiente para impedir a eliminação brasileira, portanto, Brasil 0 x 1 Globo.
Hoje em dia, já ouvi diversas escalações diferentes para que esse time desse certo sem o quadrado mágico, como a seguinte: Dida; Cicinho, Lúcio, Juan, Roberto Carlos; Gilberto Silva, Zé Roberto, Kaká, Juninho Pernambucano; Robinho, Ronaldo. Esse time não mudaria nada, já que o primeiro gol não seria impedido (erro de marcação do Roberto Carlos). Cicinho era mais ofensivo, mas com um meio-campo ainda sem afinidade, seria empurrado para trás. Por fim, a única válvula de escape que teríamos era o Robinho, que também estaria “enfiado” na frente.
Em suma, o time ideal para jogar contra a França era o titular, com quadrado mágico e tudo. Talvez a intenção da Globo fosse que Parreira fizesse como o técnico do México, La Volpe, que deixou de fora grandes estrelas do futebol mexicano da época, como Blanco e Lozano, para montar um time sem “estrelismo”. Resultado: eliminado nas oitavas com apenas uma vitória.
Pra encerrar, alguns números do quadrado mágico: Ronaldo e Adriano, a dupla de ataque que não deu certo, fez cinco gols em cinco jogos (Ronaldo fez três e Adriano fez dois), mesmo número que a dupla Romário e Bebeto até as quartas de 1994 (imagina se tivesse dado certo). Além disso, o Brasil não tomou um gol enquanto o quadrado mágico estava em campo. Sim, eles são jogadores ofensivos, mas basta pensar: se você jogar contra um time que tem Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho, você vai se preocupar em atacar ou defender?
Por fim, muitos dizem que Ronaldinho não fez gols ou assistências nessa Copa, portanto, jogou mal, mas não consideram a quantidade de jogadas ofensivas que construiu jogando de meio-campo, uma posição que a Globo não aprovava.
A fraca seleção francesa conseguiu passar para as finais depois de uma vitória esquisitíssima contra o Portugal de Felipão, onde o craque da partida foi o árbitro uruguaio Jorge Larrionda, que inventou um pênalti de Ricardo Carvalho sobre Henry, Zidane converteu e deu números finais ao jogo, 1×0. Felipão até chegou a falar com o árbitro: “você é uma vergonha! Uma vergonha! Anota aí, sul-americano não rouba contra sul-americano” (esqueceram de falar isso pro FHC), mas parece que todos os árbitros FIFA pertencem ao velho continente.
Ainda assim, Portugal alcançou a segunda melhor posição em um Mundial ao alcançar o quarto lugar, perdeu apenas para o escrete de 1966, que foi terceiro colocado. Isso se deve ao Felipão e aos craques portugueses da época, como Figo e Deco (um português nascido no Rio de Janeiro). Antes que falem, sim, tinha um meia atacante chamado Cristiano Ronaldo, que tinha mais marra que futebol, um exemplo nítido do futebol força europeu de cintura dura. Mas, para não ser injusto, ele fez um gol na Copa… foi de pênalti contra o poderosíssimo Irã.
Já a nossa rival Argentina foi eliminada nas quartas, assim como o Brasil, por ter perdido nos pênaltis contra a Alemanha. Muitos da imprensa brasileira capacho do imperialismo pediram para que o técnico argentino escalasse um garoto chamado Lionel Messi. E toda vez que ele entrava, era ovacionado (pelos comentaristas, a torcida argentina mal conhecia ele). O melhor jogo desse craque criado pela imprensa foi contra a poderosíssima Sérvia e Montenegro, em que entrou no segundo tempo. Ele foi titular contra a Holanda, mas passou em branco e foi substituído no segundo tempo.
Para encerrar o assunto, vamos falar sobre a final monótona de Itália x França. Os franceses novamente se beneficiaram com um pênalti duvidosíssimo de Materazzi sobre Malouda. Novamente o craque das penalidades Zidane bate e converte, 0x1 (pelo menos foi com uma bela cavadinha). O empate italiano veio com a jogada típica dos europeus: o chuveirinho na área. Pirlo cobrou o escanteio para a cabeçada de Materazzi, 1×1. Inclusive, os melhores lances do primeiro tempo vieram de escanteios.
O segundo tempo foi tão protocolar quanto o primeiro. Dessa vez, realmente teve um pênalti de Zambrotta sobre Malouda, mas o juiz não viu. As melhores jogadas foram da França, principalmente com Henry, enquanto a Itália seguia com seus chuveirinhos na área e chegaria ao gol com um deles se Materazzi não estivesse impedido. O jogo terminou em 1×1 e, portanto, tivemos prorrogações.
Assim como os 90 minutos iniciais, a prorrogação foi monótona. O único lance interessante foi a famosa cabeçada de Zidane sobre Materazzi. Foi um lance sem bola e o juiz não viu de primeira, mas o quarto árbitro avisou o juiz e ele deu cartão vermelho para encerrar a participação do meia francês em copas — ou seja, Zidane foi vítima do VAR em uma época em que não existia VAR.
O jogo continuou no 1×1 e levou a decisão para as penalidades, onde a Itália prevaleceu por 5×3 devido a um pênalti desperdiçado pelo atacante francês Trezeguet.
Essa tortura que chamaram de final pôs fim a uma Copa onde o Brasil não venceu por causa da Rede Globo. Melhor para os executivos da Nike, que encheram o bolso com a vitória da azurra, algo orquestrado, vale ressaltar, já que a Série A italiana era, na época, uma das melhores (senão a melhor) ligas da Europa, em grande parte por causa dos sul-americanos que jogavam lá, como Crespo, Adriano, Cafu, Kaká e Emerson. Portanto, era o melhor mercado para vender produtos esportivos.
Copa de 2010 e o caminho até lá
Parreira saiu do cargo de técnico após a Copa. Agora, vai começar um processo repetitivo onde um técnico sai depois da Copa, o substituto vem pra fazer diferente (por diferente, entenda o mesmo que a seleção campeã fez, no caso da Itália, retrancar), convoca todos os “subestimados” e os “injustiçados” pela Seleção. Enfim, faz tudo que a Globo manda, até todo mundo ver que isso não dá muito certo.
Para substituir o técnico tetracampeão, foi escolhido outro personagem importante de 1994: Dunga, que não teve experiência prévia como técnico. Dunga chegou prometendo “disciplinar” a Seleção e não convocar jogador por estrela, mas sim por futebol. Em sua primeira convocação, não convocou ninguém do quadrado mágico, mas chamou os “injustiçados” Cicinho, Gilberto e Robinho. Do time titular da Copa, manteve apenas os zagueiros Lúcio e Juan, Maicon também retornou na lateral direita, enquanto Dida deu lugar a Gomes (PSV-HOL).
Além deles, Dunga convocou jogadores que nunca vestiram a amarelinha: Wagner (Cruzeiro), Elano (Shaktar Donesk – UKR), Vágner Love (CSKA – RUS), Rafael Sóbis (Internacional) e Daniel Carvalho (CSKA – RUS). O primeiro desafio era um amistoso contra a Noruega, que foi um jogo bem morno. A Noruega achou um gol de falta aos seis minutos da segunda etapa com Pedersen, mas, aos 17 minutos, Fred faz o pivô e passa para Daniel Carvalho chutar no canto. O jogo terminou de 1×1 e não quebrou o chato tabu da Seleção nunca ter ganho da Noruega.
O próximo amistoso foi contra a Argentina. Dessa vez, Dunga trouxe Kaká de volta, mas ele também caiu no conto da dona Globo e afirmou que poderá trazer Ronaldinho no futuro, mas para brigar por posição com Kaká, não para jogarem juntos. O jogo começou e Kaká ficou como reserva de Daniel Carvalho. O primeiro tempo foi de domínio completo da Canarinho, o gol saiu depois de Robinho dar um belo drible e passar para Elano que vinha em velocidade na esquerda. O meia brasileiro saiu cara a cara com Abbondanzieri e chutou no canto, 1×0.
No segundo tempo, a Argentina começou a controlar um pouco mais as ações. Com isso, Dunga resolveu sacar Daniel Carvalho para colocar Kaká, além de tirar Cicinho e colocar Maicon. Essas alterações mostraram resultado rapidamente. Kaká fez uma bela tabela com Fred e passou para Elano, livre para marcar seu segundo tento na partida, 2×0. Por fim, depois de um escanteio da Argentina, Kaká pressiona Messi, toma a bola, arranca do campo de defesa até a área argentina e, com um leve toque no canto esquerdo, marca o terceiro do Brasil e fecha a conta, 3×0, mostrando por que ele era membro do quadrado mágico.
Copa América 2007
Para a Copa América, Dunga resolveu manter os principais jogadores convocados nos amistosos, mas Kaká pediu dispensa e cedeu lugar para Diego (Werder Bremen – ALE). Sim, o Diego Ribas que, na época, vivia excelente fase no time alemão, tanto que era chamado de “Diego Príncipe Herdeiro” pela torcida. Além dele, Dunga deu oportunidade ao goleiro Doni (Roma – ITA).
O Brasil caiu no Grupo B, com México, Chile e Equador. O primeiro jogo foi contra o México e, apesar do bom jogo da Seleção, perdeu por 2×0 devido a um apagão de 10 minutos. O primeiro gol foi em uma bonita jogada de Castillo, que chapelou Juan e cobriu Doni, enquanto o segundo foi um gol de falta de Morales.
O restante do jogo foi uma sucessão de defesas do goleiro Ochoa (o primeiro confronto contra um velho desafeto) com alguns contra-ataques mexicanos, um deles no final do jogo, onde Castillo recebeu um passe longo e saiu livre, driblou Doni e conseguiu jogar pra fora. Também vale destacar o gol de Diego, que foi incorretamente anulado por impedimento, já que o lateral mexicano dava condição.
Oportunista que é, a Globo fez questão de ressaltar em todas as reportagens que o Brasil deveria ganhar a próxima partida ou teria grandes chances de ser eliminado da fase de grupos, um dos seus métodos mais famosos de colocar crise na Seleção.
Bem, se está em crise, chama o Chile! Os chilenos vieram e tomaram 3×0, com um hat-trick de Robinho: o primeiro tento foi de pênalti, após Vágner Love ser derrubado na área em um lance sem bola; o segundo veio de um passe do próprio Vágner Love e, aproveitando a saída do goleiro Bravo, Robinho meteu uma cavadinha; o terceiro foi em um contra-ataque, Robinho deu um drible da vaca em Vargas, passou por dois zagueiros chilenos e bateu no canto, um golaço. Vale destacar a partida de Júlio Baptista, que entrou muito bem no lugar de Anderson no segundo tempo.
Para o terceiro jogo, o Brasil precisaria ganhar para garantir a vaga para as quartas, nem que seja como melhor terceiro colocado. Dunga resolveu colocar Júlio Baptista como titular contra o Equador, foi uma boa decisão, já que o meia criou várias chances e também pisava bastante na área para finalizar. O jogo teve amplo domínio brasileiro, mas o gol saiu apenas aos 10 minutos do segundo tempo. Robinho sofreu pênalti de Espinoza e converteu, 1×0 para o Brasil, poderia ser quatro ou cinco se não fosse o goleiro equatoriano Elizaga.
Com isso, o Brasil se classificou em segundo lugar e pegou logo quem nas quartas? Chile! Que se classificou como um dos melhores terceiros colocados. Mais uma vez, azar dos chilenos, já que tomaram 6×1: dois gols de Robinho, um de Josué, um de Júlio Baptista e um de Vágner Love. Os chilenos descontaram com um belo gol de Suazo.
O adversário das semifinais foi o Uruguai, que passou pela anfitriã Venezuela. A celeste armou o time com três zagueiros, o que já indicaria que colocariam um ônibus atrás do gol. No começo do jogo, após Júlio Baptista tabelar com Robinho e passar para Mineiro chutar na entrada da área, Carini defende, mas Maicon pega o rebote e não perdoa, 1×0.
Logo após, um dos refletores do estádio apaga e a Globo aproveita para mandar algumas indiretas para a organização da Copa, já que é na Venezuela (isso não aconteceria se você vendesse o petróleo pros EUA, Chávez!). Depois do retorno, o Uruguai começou a explorar os contra-ataques e chegou diversas vezes com perigo, até que, depois de um escanteio, Doni sai de soco, mas a bola sobra pra Forlán bater no contrapé do goleiro brasileiro, 1×1.
No final do primeiro tempo, após uma falta cobrada na esquerda, a bola chega em Júlio Baptista, que escora para o fundo das redes, 2×1. O Brasil voltou melhor no segundo tempo, mas em um cruzamento na área, Forlán escora de cabeça, Doni acompanhava a bola que parecia ir para fora e “Loco” Abreu acreditou o suficiente para tocar de carrinho para o gol, 2×2. Mesmo com a pressão brasileira, o jogo terminou empatado e, a exemplo da semifinal de 2004 contra o mesmo Uruguai, a decisão foi para as penalidades.
Tudo começou bem para o Brasil, já que Robinho converteu sua cobrança, enquanto Forlán bateu fraco, no meio do gol, e Doni defendeu com os pés. No entanto, na quarta cobrança, Afonso bateu na trave e Rodrígues acertou. Estava tudo igual, Diego e “Loco” Abreu também não desperdiçaram suas cobranças (o uruguaio fez sua clássica cavadinha).
Portanto, começaram as cobranças alternadas. Fernando bateu para fora, mas García fez o mesmo que Afonso e bateu na trave. Carani chegou a tocar na bola, mas não conseguiu segurar a cobrança de Gilberto e, na vez do Uruguai, Lugano bateu para a defesa de Doni, 5×4 nos pênaltis e o Brasil foi para mais uma final de Copa América.
Novamente, os hermanos estavam na final com o Brasil e é claro que a Globo falaria como seria um jogo difícil, que o Brasil não estava em sua melhor fase, entre outras bobagens. O jogo mostrou como ia ser difícil logo no começo, quando Elano faz um lançamento para Júlio Baptista, que puxa para dentro e chuta no ângulo, 1×0.
O jogo ficou equilibrado, com chances para os dois lados, mas Elano sentiu aos 34 minutos e teve que ser substituído. Dunga chamou Daniel Alves, lateral de ofício, para o lugar do meia. De onde ele tirou isso? Um lateral direito para o lugar de um meia? Só pode dar errado! Foi quando a Argentina marcou um gol: o zagueiro Ayala, como um centroavante, entra de carrinho e manda a bola pro fundo da rede após cruzamento magistral de Daniel Alves… o único detalhe é que o gol foi contra, mas nosso zagueirão mostrou um oportunismo que faria inveja até no Romário, 2×0.
Para liquidar a fatura, o Brasil chega em um contra-ataque, Vágner Love recebe e passa para Daniel Alves, que se infiltra livre pela direita e chuta cruzado, 3×0. Para ser justo com o craque midiático Messi, ele fez um tento ao driblar Doni e tocar para o gol, mas foi marcado impedimento. Na opinião de Galvão Bueno, ele não estava — imagina, Galvão! Apenas meio corpo na frente não é impedimento!
No final, Brasil 3 x 0 Argentina, resultado que sagrou a Canarinho como octacampeã da Copa América. Robinho foi eleito o craque da copa e também foi o artilheiro, com seis gols. Destaco também as atuações de Júlio Baptista, Josué e Maicon. Este último evoluiu bastante desde suas primeiras passagens pela Amarelinha em 2004 e 2005.
Peço que gravem esta informação: Elano foi contundido e Dunga colocou Daniel Alves em seu lugar, uma decisão que foi contestada em um primeiro momento, mas se mostrou acertada. Daniel Alves é um lateral bem ofensivo, com um passe de qualidade e uma plasticidade ímpar, pois se adapta bem em outras posições do meio pra frente. Além disso, não é novidade nenhuma improvisar um lateral ofensivo como meia ou até ponta, que atire a primeira pedra quem nunca colocou o Roberto Carlos de atacante no Winning Eleven de PS1!
Começo das Eliminatórias
Para a primeira partida das Eliminatórias, Dunga contou com o retorno de Lúcio e Kaká. Além deles, outros de seus colegas de 2006 voltaram: Júlio César, em ótima fase na Inter de Milão, e Ronaldinho. A primeira partida foi contra a Colômbia, que terminou em um 0x0, motivo para atacarem o Ronaldinho pelo simples fato de gostar de uma farra.
No jogo seguinte veio a resposta: 5×0 contra o Equador. O primeiro tempo contou apenas com um gol de Vágner Love após ótima jogada de Maicon, aos 17 minutos. No final do segundo tempo, veio uma enxurrada de gols: Kaká chuta de fora para Ronaldinho desviar e marcar, depois Kaká marca com um chutaço no ângulo, Elano também deixa o seu após uma jogada sensacional de Robinho, e Kaká chuta fraco de fora, mas o goleiro equatoriano, que defendeu muito na Copa América, aceitou.
Depois de um mês, ocorreu a terceira rodada das Eliminatórias. A Seleção Brasileira enfrentou o Peru na altitude de Lima. O Brasil controlou as ações do jogo, mas o placar ficou 1×1. Kaká marcou com um belo chute de fora da área no primeiro tempo; na segunda etapa, teve um escanteio para o Peru, a zaga brasileira conseguiu afastar, mas Vargas chutou rasteiro de fora, a bola desviou em Lúcio e matou Júlio César. Nessa partida, Vágner Love saiu aos 24 minutos do segundo tempo para o retorno de Luis Fabiano, que entrou bem no jogo, mas não impediu o empate peruano.
A quarta rodada foi contra o Uruguai. Dunga colocou Luis Fabiano para fazer parte da dupla de ataque titular com Robinho. A celeste foi com a mesma formação com três zagueiros usada na semifinal da Copa América e, logo aos oito minutos, conseguiu uma bela jogada pela esquerda com um cruzamento. Júlio César rebateu mal e a bola sobrou pra ele de novo: “Loco” Abreu, que mandou pra rede de peixinho, 0x1.
O Brasil começou a pressionar mais, o gol quase saiu quando Kaká recebeu um passe e arrancou do meio-campo até a área uruguaia. O volante Gargano atropelou o meia brasileiro, um pênalti que só o juiz não viu. Depois de algumas chegadas do Brasil e de boas defesas do Júlio César, Maicon começou uma boa jogada no lado direito e passou para Luis Fabiano que, apesar de estar sem ângulo, arriscou e a bola passou por baixo das pernas de Carini, 1×1.
A segunda etapa começou com o Uruguai chegando bastante nos contra-ataques, mas sempre parando em Júlio César numa noite inspirada. No entanto, aos 18 minutos, Maicon avançou pela direita, fez a inversão para Gilberto, que pegou errado na bola, mas o Fabuloso estava na área para aproveitar a sobra e pegar de primeira, 2×1, resultado final.
Apesar do resultado positivo, a Rede Globo, que não é boba, resolveu pegar no pé de Ronaldinho. Foi porque ele jogou mal? Não, ele teve boas chegadas e construiu boas jogadas, mas porque a MARCAÇÃO no meio-campo não estava funcionando — não sei o que ele tinha a ver com isso, já que é um meia, não um volante. Dunga resolveu sacar Ronaldinho e colocar Josué, um volante mais ofensivo, o que melhorou a marcação no meio-campo. Isso é um dos motivos pelos quais o meio-campo do futebol “moderno” sempre conta com três volantes, o único que pode atacar é o falso-nove… mas ele também tem que voltar pra marcar!
As Eliminatórias seguiram e 2008 teve muitas oscilações. Dunga também fez alguns testes, inclusive contou com o retorno de Adriano, que marcou na vitória de 4×0 contra a Venezuela. Depois de todo esse tempo, ficou bem claro que a seleção de Dunga jogava por meio de transições rápidas e contra-ataques. Para isso, volantes capazes de articular jogadas (como era o caso do próprio Dunga) faziam toda a diferença. Talvez seja esse o motivo para, no começo de 2009, o técnico brasileiro dar uma chance para Felipe Melo, que vinha de boa fase na Juventus.
O primeiro desafio seria contra o Equador na altitude de Quito. O primeiro tempo foi completamente dominado pelo Equador, mas Júlio César estava lá e operava milagres. O jogo continuou assim até a entrada de Júlio Baptista, que, em seu primeiro lance, recebeu e bateu forte. O goleiro Ceballos chegou a tocar, mas não impediu o gol, 1×0. A partir daí, a Seleção Brasileira começou a dominar as ações, mas, no finalzinho do jogo, os equatorianos chegaram com perigo pela esquerda. Júlio César espalmou o primeiro chute, mas não impediu o gol de Noboa no rebote, 1×1. Dunga não gostou da partida de Marcelo nesse jogo, desde então, começou a usar Kléber na lateral esquerda.
O próximo jogo foi contra o Peru, dessa vez, em solo brasileiro. Com uma atuação segura, Brasil vence por 3×0, com dois gols de Luis Fabiano (um de pênalti e outro depois de receber um belo passe de três dedos de Daniel Alves). No segundo tempo, Felipe Melo faz um desarme firme no meio-campo, parte com a bola e só para quando ela chega no fundo da rede.
Para a rodada do meio do ano, Dunga resolveu dar chance para dois outros jogadores: Nilmar (Internacional) e Ramires (Benfica-POR, por causa de seu desempenho no Cruzeiro). O primeiro jogo foi contra o Uruguai que, recentemente, deu bastante trabalho à Canarinho.
Logo aos 11 minutos, Daniel Alves chuta da lateral e conta com um frango do goleiro Vieira para marcar seu tento, 1×0. Aos 35 minutos, Elano bate o escanteio para a cabeça de Juan, mas, dessa vez, Vieira fez milagre ao espalmar a bola. O zagueiro uruguaio afasta da área, mas a bola voltou para Elano no lado direito que, de novo, cruza para a cabeçada de Juan e, dessa vez, a bola entrou. 2×0.
No começo do segundo tempo, Kaká parte pela esquerda, entrega para Elano no lado direito, que vê a infiltração de Luis Fabiano. Ele faz o passe para o centroavante brasileiro fuzilar o gol uruguaio, 3×0. Depois desse gol, o Fabuloso sofreu um pênalti claríssimo, mas o juiz interpretou como simulação e aplicou o segundo amarelo, que se tornou um vermelho. Aos 27 minutos, após um passe de Daniel Alves, Kaká recebe dentro da área, mas é atropelado pelo zagueiro Godín, pênalti. O próprio Kaká vai pra cobrança, converte e fecha a conta, 4×0, para quebrar o jejum de 33 anos sem vencer em Montevidéu.
O próximo jogo foi contra o Paraguai, que tinha vencido em casa. Nilmar fez a dupla de ataque com Robinho devido à expulsão de Luis Fabiano no jogo anterior. Para o lugar do Fabuloso, Dunga chamou Alexandre Pato (Milan – ITA). O jogo começou com o Brasil controlando as ações do jogo, com várias chances criadas, mas, aos 25 minutos, Cabañas abre o placar depois de uma cobrança de falta que desviou no Elano e matou Júlio César, 0x1.
A Seleção Brasileira continuou pressionando os paraguaios, até que, aos 40 minutos, Daniel Alves cruza na medida para Robinho, que completa para o gol, 1×1. Na segunda etapa, a virada veio aos cinco minutos depois de um belo passe de Felipe Melo para Nilmar, que bateu prensado pelo zagueiro Paulo da Silva e viu a bola lentamente entrar, 2×1. O Brasil terminou esse ciclo em primeiro lugar, mas agora, um novo desafio o aguardava na África do Sul.
Copa das Confederações 2009 e final das Eliminatórias
A campanha para a consagração da Espanha que, até então, nunca foi favorita a nada, começou na Eurocopa e evolui na Copa das Confederações. A seleção espanhola sempre teve como base os jogadores do Barcelona e do Real Madrid… só que sem os craques, que eram todos estrangeiros. No entanto, dessa vez, tinha o Xavi, o meia “de criação” que só dava passe de lado; Fernando Torres, o falso nove que também joga de “falso atacante” (o importante é voltar pra marcar!); e David Villa, que costumava cobrir nosso falso atacante quando voltava pra marcar.
O Brasil caiu no Grupo B, com Estados Unidos (campeão da Copa Ouro da CONCACAF de 2007), Itália (atual campeã do Mundial) e Egito (campeão da Copa das Nações Africanas de 2008). O primeiro jogo foi contra o campeão africano em uma partida muito movimentada. Dunga decidiu manter Daniel Alves como lateral titular devido ao seu bom desempenho nas Eliminatórias.
Logo aos cinco minutos, Daniel Alves faz um lançamento preciso para Kaká que, dentro da área, chapelou um egípcio, limpou o outro e tocou no canto direito do goleiro, um golaço, 1×0. Pouco depois, aos oito minutos, o Egito sai em um contra-ataque pela direita e, depois de um cruzamento, Zidan completa de cabeça e empata, 1×1. O Brasil dá a resposta aos 11 minutos, Elano cobra uma falta pela direita para Luis Fabiano, que cabeceia no canto esquerdo, 2×1. Aos 36 minutos, Elano cobra um escanteio pela direita e vai, dessa vez, para a testada forte de Juan, que não deu chances ao goleiro El Hadary, 3×1.
O primeiro tempo terminou e o jogo parecia controlado. No entanto, no começo da segunda etapa, o Egito chegou ao empate em dois contra-ataques seguidos. O primeiro veio da esquerda, em um passe rasteiro para a entrada da área, e o meia Shawky chuta rasteiro no canto, enquanto o segundo veio da esquerda para dentro, em um passe vertical que deixou Zidan cara a cara com Júlio César. O centroavante egípcio pegou de primeira, 3×3.
O jogo continuou assim até os 45 minutos, quando o Brasil teve uma cobrança de falta pela direita. A bola chegou nos pés de Lúcio que pegou de primeira, mas o zagueirão Al Muhamadi achou que era goleiro e espalmou a bola, pênalti e cartão vermelho pra ele. Kaká foi pra cobrança e converteu, 4×3.
Pelo fato do Brasil não ter ganho de 20×0, a imprensa pegou no pé. Juca Kfouri, mostrando que sempre esteve grudado na bola esquerda do imperialismo, afirmou que o Brasil não seguiu o mesmo caminho que a Espanha (que venceu a estreia por 5×0 contra a Nova Zelândia). Além disso, ele reclamou de Daniel Alves, pois dois dos gols do Egito foram do lado dele. Juca… foi só um! Se estiver se referindo ao terceiro gol, ele foi construído por dentro, não pela lateral.
Além disso, Kfouri escreveu que o Brasil foi salvo por um pênalti polêmico. Afinal, o que foi polêmico? O zagueiro egípcio claramente espalmou a bola. A polêmica estava no fato do juiz não ter visto a infração e, por isso, foi alertado pelo quarto árbitro na linha de fundo, ou seja, a polêmica foi o quarto árbitro ter feito seu trabalho, por que, de acordo com Juquinha, os jogadores do Egito reclamaram que seria uma interferência externa, mesmo com o quarto árbitro não estando fora do estádio. Se ele não pode fazer sua função, então “pra que que serve aqueles quarto árbitro lá atrás do gol?” (HENRIQUE, Bruno).
A segunda rodada foi contra os Estados Unidos. Dunga resolveu colocar Maicon como titular nesse jogo. Os gols novamente começaram cedo, aos sete minutos, Maicon bate uma falta pela direita e a bola chega a Felipe Melo, que manda de cabeça para a rede, 1×0. Já aos 20 minutos, o Brasil chega em um contra-ataque que inicia com Kaká tocando pra Ramires. O meia arranca por dentro e toca pra Robinho bater de primeira, 2×0.
Na segunda etapa, Maicon começa a jogada pela direita e inicia uma triangulação rápida: Maicon-Ramires-Kaká-Maicon. O lateral vai até a linha de fundo e, mesmo sem ângulo, consegue fuzilar o gol de Howard, 3×0, placar final. Agora, faltaram apenas os atuais campeões da Copa do Mundo.
Todos sabem que a Itália sempre joga na retranca, independentemente dos jogadores e da fase. Por isso, Maicon carregou e tentou um chute de fora. A bola fica viva na área italiana e sobra pra Luis Fabiano chutar e marcar, 1×0. Poucos minutos depois, Robinho avança por dentro, passa pra Kaká que devolve, mas Robinho deixa passar, Luis Fabiano chega e dá apenas um toque para tirar de Buffon, 2×0.
Vocês acham que a campeã mundial ia passar em branco sem fazer gol nenhum? Pois foi no final do segundo tempo que a azurra marcou. Depois de Robinho avançar pela esquerda e cruzar rasteiro, o zagueiro Dossena dá um carrinho e consegue alcançar a bola, não deu chances para o goleiro Buffon, 3×0 Brasil, placar final, Brasil classificado com 100% e Itália eliminada pelo número de gols pró.
Para as semifinais, classificaram-se Espanha e África do Sul, pelo grupo A, e Brasil e Estados Unidos, pelo grupo B (este último se classificou por ter maior número de gols pró). O Brasil enfrentou os anfitriões, na época treinados pelo poliglota papai Joel.
Dunga resolveu fazer alguns testes e colocou Ramires como meia-armador, André Santos pela lateral-esquerda no lugar de Kléber e Luisão no lugar de Juan. O jogo teve amplo domínio do Brasil, mas a defesa da África do Sul conseguia segurar as chegadas brasileiras, lideradas por Kaká ou por Robinho. Isso resultou em um empate sem gols no intervalo.
No segundo tempo, o Brasil continuou pressionando, mas a bola não entrava. Então, Dunga tentou uma alteração ousada: tirou André Santos (lateral esquerdo) para colocar Daniel Alves (lateral direito). Aos 42 minutos, Ramires sofre falta na entrada da área, Daniel Alves cobra e converte, 1×0, Brasil nas finais.
Todos esperavam uma final entre Brasil e Espanha. Isso aconteceria se os espanhóis não tivessem perdido para o país que chama futebol de “soccer” por 2×0. No entanto, é claro que a imprensa brasileira destacou essa classificação como heroica, vinda de um time bem montado, com um projeto de anos para se firmar no futebol que, finalmente, estava dando frutos. Portanto, o Brasil enfrentou os Estados Unidos na final.
Dunga colocou o mesmo time da semifinal para começar o jogo. A Canarinho começou ditando o ritmo do jogo, com boas chegadas no ataque, mas, aos 10 minutos, em um ataque aparentemente despretensioso, o lateral Spector manda na área e Dempsey desvia de canela para o fundo do gol, 0x1. Depois disso, o Brasil continuou atacando com Robinho, Felipe Melo e Maicon, mas todas as tentativas pararam no goleiro Howard. Em um contra-ataque, os Estados Unidos chegaram ao seu segundo gol com Donovan, 0x2. Galvão Bueno chegou a dizer que via a seleção da Inglaterra em campo e, de certa forma, ele estava certo, pois os norte-americanos jogavam apenas no contra-ataque e adoravam um chuveirinho na área, assim como os ingleses.
O primeiro tempo terminou com uma boa vantagem dos norte-americanos. No começo da segunda etapa, Maicon passa para Luis Fabiano na entrada da área, o centroavante brasileiro faz um belo giro e bate no contrapé de Howard, 1×2. A Seleção Brasileira continuou com sua pressão e poderia chegar ao empate em uma cabeçada de Kaká que Howard espalma já dentro do gol. Infelizmente, o juiz não viu.
Dunga sacou Ramires e André Santos para colocar Elano e Daniel Alves, respectivamente. Isso logo deu resultados quando Kaká partiu pela direita e cruzou rasteiro para Robinho que, mesmo sem goleiro, conseguiu chutar no travessão. O Fabuloso pegou a sobra e não perdoou, 2×2. Assim como no restante do jogo, o Brasil não parou de buscar o resultado. Os Estados Unidos até fizeram algumas chegadas, Dempsey até arriscou um chute de fora (foi todo torto, isso porque não pegou na canela).
Aos 39 minutos, Elano cobra um escanteio pela direita para Lúcio dar uma testada forte para o fundo das redes, 3×2, placar final, Brasil tricampeão da Copa das Confederações. Kaká foi eleito o melhor jogador da competição e Luis Fabiano foi o artilheiro, com cinco gols. Ainda bem que a seleção não seguiu os passos da Espanha (3ª colocada), não é, Juquinha?
A jornada ainda não acabou, faltavam quatro rodadas nas Eliminatórias. Para as datas de setembro, Dunga convocou os mesmos jogadores da Copa das Confederações. O primeiro desafio seria contra a Argentina, que não vinha de um bom momento (mesmo com toda a babação de ovo da imprensa brasileira). Eles apostaram em colocar o ídolo Diego Maradona como técnico.
A Argentina tentou chegar duas vezes no começo do jogo. Vale destacar o chute de Messi todo torto de fora da área, mas suficiente para chamar a atenção de Galvão Bueno, que pegou no pé de Felipe Melo por ter permitido que esse craque chutasse, pois ele chuta bem de esquerda e de direita. Galvão… qualquer um que conhece o mínimo de futebol sabe que a perna direita do Messi não serve nem pra entrar no ônibus, a única perna boa dele é a esquerda, menos.
Aos 22 minutos, Elano cobra uma falta, levanta a bola na área para Luisão cabecear no canto, 1×0. E não parou por aí, aos 29 minutos, o Brasil cobra uma falta, a bola bate na barreira e espirra para a área argentina. Kaká fica com ela e cruza rasteiro para Maicon chegar chutando, a bola foi espalmada pelo goleiro Andújar, que não consegue impedir que Luis Fabiano amplie o placar no rebote, 2×0.
Na segunda etapa, a Argentina diminui com um belo chute de Dátolo de fora da área, 2×1. Mas a festa argentina durou pouco, pois alguns lances depois, Luis Fabiano recebe livre pela direita, aproveita a saída de Andújar para fazer o terceiro de cobertura e dá números finais ao jogo, 3×1, Brasil classificado para a Copa do Mundo.
As próximas rodadas foram: Brasil 4×2 Chile, Bolívia 2×1 Brasil e Brasil 0x0 Venezuela. O Brasil ainda não tinha um lateral-esquerdo titular definido, pois Dunga não gostou muito do Marcelo pelo fato de ele dar muito espaço em suas costas, não se agradou de Kléber e também não via muito uso para André Santos. Chegou a testar Filipe Luís, considerado revelação da La Liga no ano, mas não fez muito no empate sem gols contra a Venezuela.
Ainda assim, Brasil terminou as Eliminatórias na primeira posição. Luis Fabiano, mesmo começando apenas na metade das classificatórias, foi o artilheiro brasileiro com nove gols e segundo na artilharia geral, atrás apenas do chileno Suazo, com 10 gols. Os outros classificados para a Copa foram: Chile, Paraguai e Argentina, classificada nas últimas rodadas, mesmo com o “craque internacional” Messi.
Mais uma vez, o Uruguai foi para as repescagens. Dessa vez, foi contra a Costa Rica. A celeste venceu o primeiro jogo de 1×0 e empatou o segundo por 1×1, com isso, garantiu sua vaga no Mundial.
A seleção brasileira ainda fez dois amistosos em novembro. Para a lateral esquerda, Dunga resolveu testar Michel Bastos, um lateral de ofício, mas que se destacou com meia pela esquerda no Lyon e no Lille. Além disso, resolveu testar o zagueiro Thiago Silva (Milan – ITA) e o ponta-direita Hulk (Porto – POR).
O primeiro amistoso foi contra a Inglaterra. O Brasil venceu por 1×0, após belo lançamento de Elano para a cabeça de Nilmar. A Seleção Brasileira também teve um pênalti a favor que foi desperdiçado por Luis Fabiano. Vale destacar as atuações de Michel Bastos, que apoiou o ataque e ajudou bem a defesa quando precisou, de Elano, de Nilmar e de Daniel Alves, que novamente entrou bem na posição de Elano.
Já o segundo foi contra o Omã. A Canarinho venceu por 2×0, gols marcados por Nilmar, depois do rebote de um chute de Luis Fabiano, e Mudhafar contra, que desviou de cabeça contra o próprio patrimônio depois de um passe açucarado de Michel Bastos, mas com a intenção de chegar no Hulk. Parece que Dunga achou seu lateral esquerdo titular e, como foi mostrado, a Seleção não foi montada ao acaso, foi um processo que durou quatro anos. Mas será que a Globo entendeu assim?
Copa do Mundo de 2010 na África do Sul
Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan, Michel Bastos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Kaká, Elano; Robinho, Luis Fabiano. Esse era o time titular do Brasil na Copa do Mundo. Tinha algum perna-de-pau nele? A Rede Globo acreditava que sim, pois, mesmo com todos os jogadores serem testados e terem se dado bem durante o período preparatório, a imprensa nacional ainda apontou as faltas de Alexandre Pato, Ronaldo, Ronaldinho, Adriano (o quadrado mágico de novo? Mas ele não tinha dado errado?), Marcelo e, claro, Neymar e Ganso.
Alguns podem se perguntar: como dois jogadores que nunca foram testados e, principalmente, estavam em seus primeiros anos de carreira, poderiam disputar um torneio tão importante quanto a Copa do Mundo? Acontece que, em 2010, aconteceu um fenômeno no futebol brasileiro: o Santos de 2010.
Essa máquina treinada por Dorival Júnior tinha um verdadeiro moedor de defesas adversárias, tanto que ganhava jogos por 6×3, 9×1, 5×0 e 10×0. Isso fez com que terminassem o Paulista com 72 gols pró, além de se sagrar campeão da Copa do Brasil.
O time contava com alguns jogadores de razoáveis para ruins, como Arouca, André “Balada” e Pará, mas também tinha bons jogadores, como os laterais Danilo e Alex Sandro, além de serem liderados por três craques: as então revelações Neymar e Ganso e Robinho, que foi convocado. Mais adiante, vou falar melhor sobre isso, mas pode-se afirmar que a Seleção Brasileira tinha um escrete sensacional, mesmo com as faltas listadas acima.
O Brasil caiu no grupo G, com Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. A primeira rodada foi contra a estreante Coreia do Norte e começou o jogo com o time citado no começo deste tópico. Como era esperado, os coreanos armaram uma retranca. Isso fez os brasileiros arriscarem mais chutes de fora, ainda que tenham tentado algumas jogadas trabalhadas. O primeiro tempo foi dominado pelo Brasil, com alguns chutes de fora da Coreia do Norte que sempre passavam longe do gol de Júlio César.
Aos nove minutos da segunda etapa, Elano viu a passagem de Maicon pela direita, tocou nele e o lateral brasileiro fez uma jogada que gostava muito de fazer: viu o goleiro coreano adiantado esperando o cruzamento e, sem ângulo, chutou direto de três dedos. A bola tocou na bochecha esquerda da rede, 1×0.
A pressão brasileira continuou até que, aos 27 minutos, Robinho viu a infiltração de Elano pela direita e fez o passe nas costas do zagueiro coreano. O meia brasileiro chutou cruzado de primeira para ampliar a vantagem, 2×0. No final do jogo, Yun-Nam diminui após receber na área e tocar na saída de Júlio César, 2×1, Brasil fica em primeiro no grupo depois do empate sem gols entre Costa do Marfim e Portugal.
Como dito, o Brasil dominou o jogo e os coreanos acharam um gol no final. Mas é claro que a Rede Globo resolveu pegar no pé da Seleção, pois esperavam uma goleada e ela não veio, talvez por causa da retranca. Quem lê as matérias da época pode pensar que aconteceu até o contrário, que Maicon e Elano salvaram o Brasil de um vexame. Eles também pegaram no pé de Kaká, de Luis Fabiano e até de Felipe Melo, apesar da excelente partida deste último.
A segunda rodada foi contra a Costa do Marfim (liderada pelo bom atacante Drogba), valendo a classificação antecipada. Logo no primeiro lance, Robinho chuta uma bola perigosa de fora da área, mas que acabou indo para fora. O primeiro gol saiu aos 25 minutos, com uma boa triangulação entre Robinho-Luis Fabiano-Kaká-Luis Fabiano. A bola ficou com o Fabuloso, que fuzilou o gol marfinense, 1×0.
Depois disso, o jogo virou uma carnificina. O Brasil ainda dominava, mas os marfinenses começaram a chegar cada vez mais duro e não poupavam força nas faltas. No segundo tempo, Luis Fabiano aprontou pra cima da Costa do Marfim, recebeu no meio-campo, progrediu até a entrada da área, deu um chapéu em dois defensores e bateu no contrapé do goleiro Barry, um golaço, 2×0. Ele chegou a dominar a bola com a mão no começo da jogada, mas anular um golaço desses seria um pecado.
O espetáculo continuou, com uma boa jogada de Kaká pela esquerda, que cruzou rasteiro na área. Elano chegou fazendo o facão e chutou de primeira no canto direito, 3×0. Mesmo com isso, os jogadores da Costa do Marfim não diminuíram na pancada, uma delas, inclusive, tirou Elano da Copa do Mundo. O meia brasileiro desarmou Tioté com um carrinho, mas o atacante marfinense deixou a sola na canela. Elano sentiu a lesão na hora e teve uma substituição até previsível por parte do Dunga: ele o tirou para colocar Daniel Alves.
Aos 34 minutos, a Costa do Marfim chegou com um cruzamento pela esquerda na cabeça de Drogba, que cabeceou sem chances para Júlio César, 3×1. A porradaria continuou e, após duas faltas seguidas aos 43 minutos no lado esquerdo, Kaká (o principal alvo das “gentilezas” marfinenses) já estava perdendo a paciência. Ele colocou o cotovelo para trás, isso fez o marfinense encostar o peito nele. O juiz entendeu isso como uma agressão e deu o segundo amarelo para ele, portanto, o craque brasileiro estava expulso. Apesar disso, o jogo terminou de 3×1 para o Brasil, que estava classificado para as oitavas de final.
Mesmo com a boa atuação da seleção, a Rede Globo resolveu destacar a goleada de 7×0 dos portugueses em cima da Coreia do Norte, com o “craque mundial” Cristiano Ronaldo (que, ao perceber que ele era uma negação como meia, resolveu virar centroavante, pois era grande e poderia receber os chuveirinhos na área) fechando a goleada com seu único gol nessa Copa.
Para fechar a fase de grupos, o Brasil enfrentou Portugal. Dunga colocou Daniel Alves no lugar do contundido Elano e Júlio Baptista no lugar de Kaká, que estava suspenso devido ao cartão vermelho. Além disso, poupou Robinho e colocou Nilmar em seu lugar.
Foi um jogo extremamente burocrático e pegado. O Brasil dominou as ações no primeiro tempo, mas não conseguia passar pela defesa portuguesa. Com certeza sentiram a falta de Robinho como a válvula de escape e, também, das escapadas de Kaká pela esquerda.
No segundo tempo, Portugal teve mais chances. Eles acionaram bastante Cristiano Ronaldo, que demonstrou sua completa limitação, pois não conseguia finalizar nem criar jogadas, ficava cercado por Lúcio e Michel Bastos. A melhor chance portuguesa foi com uma bobeada da defesa brasileira, onde Lúcio desarmou Cristiano Ronaldo, mas a bola sobrou para Raul Meireles, que teve seu ângulo fechado por Júlio César e chutou pra fora. No final do jogo, Ramires chutou de fora. A bola desvia na defesa portuguesa e, se o goleiro Eduardo não tivesse pensado rápido, seria gol, mas o jogo terminou em 0x0, Brasil e Portugal avançaram para as oitavas de final.
Mesmo com um time misto, Brasil conseguiu jogar de igual para igual com o time titular de Portugal, mas a imprensa nacional, capitaneada pela Rede Globo, destacou a dependência que a seleção tinha de Kaká e não tinha reposições à altura no banco. Além disso, desconsiderou a atuação de Daniel Alves no jogo e nas partidas anteriores para afirmar que Dunga teve que improvisar um lateral como meia, como se isso nunca tivesse acontecido.
Além disso, o cafajeste Juca Kfouri, que sempre tratou de pegar no pé dos craques brasileiros, frequentemente criticava Kaká, cujo desempenho era esperado com base em suas características em campo, ele só não arrancava tanto (ele inclusive não tinha espaço para isso). Kfouri falava que Kaká jogava no sacrifício, pois estava contundido e fora de forma.
Kaká sofreu diversas lesões antes da Copa (ele realmente tinha uma lesão leve) e, em um ato desesperado, o meia brasileiro disparou que o cafajeste da Uol (que é ateu) pegava no pé dele devido à sua fé em Jesus, uma tentativa de tentar desviar o foco dessa lesão. Kfouri respondeu que criticava apenas as comemorações de cunho religioso, como a realizada na Copa das Confederações de 2009.
Ainda assim, a fala de Kaká tinha algum sentido, pois, na Copa das Confederações, os jogadores brasileiros comemoraram o título orando. Por isso, a FIFA decidiu proibir manifestações religiosas em seus eventos. Portanto, o Juquinha não criticava esta postura pelo seu ateísmo, e sim porque seu patrão mandou — me refiro, é claro, ao imperialismo manifestado na FIFA. Para encerrar esse assunto, os jogadores têm total direito de comemorar e se manifestar como quiserem, como os jogadores do Egito, que agradeciam a Alá na comemoração de seus gols.
Nas oitavas de final, o Brasil pegou o Chile, segundo colocado no grupo H. Dunga resolveu tirar Felipe Melo, criticado contra Portugal, e colocou Ramires, uma capitulação que mostra a pressão da imprensa sobre a Seleção. No primeiro tempo, a Canarinho pressionou bastante os chilenos até que, aos 33 minutos, Maicon cobra um escanteio para Juan, que cabeceia forte para o fundo da rede, 1×0. Poucos minutos depois, Robinho faz boa jogada pela esquerda, toca para Kaká na entrada da área que, de primeira, deixa Luis Fabiano cara a cara com Bravo. O Fabuloso driblou o goleiro chileno e tocou pro gol, 2×0.
No segundo tempo, Kaká faz uma arrancada (quem diria?) pela esquerda, mas o volante Vidal para com falta, que Daniel Alves cobra para fora. Aos 15 minutos, Ramires parte de trás e toca pra Robinho que, de primeira, chuta colocado no canto direito de Bravo, 3×0, resultado final. Vale destacar que Ramires tomou o terceiro cartão e ficou de fora das quartas de final.
Nas quartas, o Brasil enfrentou a Holanda, que passou pela Eslováquia nas oitavas. Devido à suspensão de Ramires, Felipe Melo voltou à titularidade, mas como primeiro volante, enquanto Gilberto Silva, que cumpria essa função, virou segundo volante. Logo aos 10 minutos, Felipe Melo mostrou o porquê de ser titular, fez um passe do meio-campo nas costas dos defensores holandeses. Robinho ficou de frente ao gol e bateu de primeira, 1×0.
O primeiro tempo foi de total domínio dos brasileiros, poderia ser 2 ou 3×0 facilmente, ainda teve um pênalti não marcado de De Jong em cima de Kaká. Esse domínio continuou no segundo tempo, até que, aos oito minutos, Sneijder cruzou na área e, depois de um desentendimento entre Júlio César e Felipe Melo no jogo aéreo, a bola passou pelos dois e foi pras redes, 1×1.
Aos 23 minutos, a seleção holandesa cobra escanteio pela direita, Kuyt desvia de cabeça e Sneijder toca, também de cabeça, para o gol, 1×2. Já nos 28 minutos, Felipe Melo sentiu a pressão e fez o que ele costuma fazer nessas situações: deu uma entrada em Robben e ainda pisou na coxa do atacante holandês. Como ele não era holandês ou marfinense, recebeu um cartão vermelho direto. Mesmo com a Seleção partindo pra cima, a Holanda manteve o placar até o final, então, Brasil 0 x 2 Globo.
Com esse placar, começou a cobrança pelos não convocados de Dunga, que já era enorme durante o Mundial, mas ficou bem maior com essa derrota. Voltando para as sensações do Santos citadas no começo desse tópico, a Globo disse uma coisa que é repetida até hoje: se Ganso estivesse no escrete brasileiro, o Dunga teria um substituto para Elano e não precisaria improvisar o Daniel Alves como meia.
Primeiro, isso não foi uma “improvisação”. Daniel Alves jogou tanto nessa posição que poderia ser considerado como substituto imediato de Elano, em vez de Maicon. Segundo, o meio-campo brasileiro jogava armado em losango, com Kaká como a ponta desse losango. Elano ficava mais recuado para pegar a bola de trás e fazer a transição, como um ala (por isso Daniel Alves funcionava tão bem). Ganso não tinha essa característica, ele era um meia-ponta de lança, só poderia substituir o Kaká nesse meio-campo.
Em relação ao Neymar, ele é um grande jogador, como pode ser visto atualmente, mas ainda era muito inexperiente na época e a Copa do Mundo exige não apenas talento, mas experiência e um jogador mentalmente preparado. Antes que venha alguém dizer “mas o Pelé ganhou a Copa de 1958 com 18 anos, então você não convocaria ele também?”, este não é o mesmo caso. Pelé já jogava profissionalmente desde os 15 anos, ou seja, já tinha bagagem, experiência e, claro, talento para jogar um Mundial.
Em suma, a única coisa que os “não convocados” provam é que dava pra fazer duas seleções brasileiras para essa Copa e todas elas seriam extremamente competitivas. Eu, por exemplo, convocaria o Ronaldinho se fosse técnico, mas isso não significa que ele mudaria alguma coisa se fosse convocado. Outra coisa que vale ressaltar é a forma como a Globo e a imprensa brasileira influenciaram no placar contra a Holanda, mesmo que indiretamente.
A ESPN já fez seu papel antes do começo da Copa, pois PVC chegou a brigar com Felipe Melo pelo telefone devido a seu desempenho ruim com a camisa da Juventus. Pessoalmente, não dou a mínima para como alguém joga na Juventus, quero que ele jogue bem na Seleção, assim como Elano, que nunca foi bem no Galatasaray, era um dos protagonistas com a amarelinha.
Como dito anteriormente, Dunga cedeu ao colocar Ramires como titular contra o Chile. De uma forma ou de outra, isso mina a confiança do jogador, o que impactou no desempenho de Felipe Melo que, mesmo com uma bela assistência, falhou no primeiro gol da Holanda e ainda foi expulso.
Outros convocados questionados foram Grafite e Gilberto, o primeiro por ter tomado a vaga do Adriano (mesmo sendo artilheiro da Bundesliga no ano anterior) e o segundo por ser velho (queremos aumentar o valor do passe de jogadores novos e você convoca um homem de confiança 30+ Dunga? Aí não dá, né?). Grafite até colocou essa pressão para fora, quando, em 2020, disse que o Adriano deveria ter sido convocado no seu lugar. Dunga respondeu e disse que o convocaria de novo, mas ele é um exemplo de que o jogador deve estar preparado mentalmente para uma competição como essa.
Depois da Copa, Kaká resolveu fazer um check-up e foi constatada uma lesão no menisco do joelho esquerdo, que foi agravada devido às porradas que tomou no Mundial. O médico disse que ele poderia até ficar sem andar se não procurasse o tratamento a tempo. O meia brasileiro ficou quase um ano sem entrar em campo.
Dentre outros “destaques” da Copa, a poderosa França (que se classificou nas repescagens com um gol de Henry, que dominou a bola com a mão) foi eliminada na fase de grupos em último lugar, com apenas um empate. Semelhantemente, a atual campeã Itália foi eliminada na fase de grupos também em último, mas mostrou o porquê de ser campeã em cima da França ao empatar duas vezes, ficando no caminho por ter perdido para a poderosíssima Eslováquia.
Nossos hermanos foram eliminados nas quartas de final, após serem goleados pela Alemanha por 4×0. O craque midiático Lionel Messi passou em branco, não conseguiu marcar nem contra as poderosíssimas Coreia do Sul e Grécia. Portugal, que ficou em quarto lugar na última Copa, foi eliminado nas oitavas de final pela Espanha. Com certeza sentiram falta de uma peça fundamental da seleção, é claro que me refiro ao Felipão, e não ao “craque” Cristiano Ronaldo que, agora que não tinha Deco e Figo para carregar ele, não entregou nada.
A final foi entre Espanha e Holanda, que, pelo menos, foi mais emocionante que a final da Copa passada, provavelmente pelo fato dos dois times estarem ansiosos por estarem disputando seu primeiro título. A Espanha tinha apenas uma jogada: acionar o David Villa e ver no que dá, enquanto a Holanda tentava chegar com Robben pelo lado direito. Mas seu atacante, Van Persie, quase sempre ficava isolado do resto da equipe e não participava tanto.
O jogo terminou em um empate sem gols no tempo normal. Na prorrogação, o jogo continuou equilibrado, com chances de ambos os lados e com chances inacreditáveis perdidas, como Fábregas, que saiu cara a cara e conseguiu chutar em cima do goleiro holandês, e Iniesta, que tinha a chance de chutar livre, mas não chutou (deve ser o reflexo do tique-taca, onde você só chuta se estiver na pequena área sem nenhum companheiro de equipe livre).
No segundo tempo da prorrogação, o zagueiro holandês Heitinga foi injustamente expulso por tomar o segundo cartão amarelo, sendo que Iniesta se jogou no lance. Pouco tempo depois, Fábregas recebeu a sobra da zaga na entrada da área, passou para Iniesta, que, dessa vez, estava na área, e não tinha ninguém livre, portanto, chutou e marcou o gol que deu o título à Espanha, 1×0.
A Espanha se sagrou campeã. O atacante uruguaio Diego Forlán ganhou a bola de ouro e foi um dos artilheiros, com cinco gols, empatado com Müller (Alemanha), David Villa (Espanha) e Sneijder (Holanda). Agora, o futebol “moderno” resolveu incorporar o tique-taca, que consiste em toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá… sem nenhuma vontade de fazer gol.
Copa de 2014 e o caminho até lá
Pelo fato de ser o país-sede, o Brasil já estava classificado para a Copa do Mundo de 2014. Portanto, ele só jogaria os amistosos, a Copa América e a Copa das Confederações. Dunga foi demitido de seu cargo e, para o lugar, foi chamado Mano Menezes, que ergueu o Corinthians novamente depois de 2008 ao garantir seu retorno à Série A e ser campeão da Copa do Brasil em 2009.
O primeiro amistoso da seleção foi logo em 2010 contra os Estados Unidos. Assim como Dunga, Mano tratou de convocar os “injustiçados” e os “não convocados” da Copa anterior, como Alexandre Pato, André Santos, Marcelo e, claro, a dupla santista Neymar e Ganso (levou até o André “Balada” de brinde).
Também deixou de fora os já consagrados zagueiros Lúcio e Juan para formar outra dupla de zaga: Thiago Silva (que foi convocado pra Copa como reserva) e David Luiz (Benfica – POR) e dois jogadores que treinou no Grêmio: o goleiro Victor e o volante Lucas Leiva. Além de Thiago Silva, outros remanescentes da Copa foram Robinho, Daniel Alves (dessa vez como lateral-direito) e Ramires. Além disso, Mano Menezes opta por uma formação 4-3-3 ao invés do 4-4-2 que era usado pelos técnicos anteriores, provavelmente para favorecer o futebol de Ganso e de Neymar.
Logo aos 29 minutos, André Santos avança livre pela esquerda e consegue um belo cruzamento para a cabeçada de Neymar, que marcou o primeiro de muitos gols com a camisa da Seleção, 1×0. No final do primeiro tempo, Ramires recebe por dentro e dá um passe nas costas do zagueiro norte-americano para Pato, que dribla o goleiro Howard e toca pro fundo da rede, 2×0.
No segundo tempo, o Brasil continuou pressionando os Estados Unidos. Quase chegou ao gol com uma bela inversão para Daniel Alves, que cruzou rasteiro, Pato faz um corta-luz, Neymar bate travado e Robinho manda na trave. Pode-se dizer que Neymar não sentiu a pressão de jogar com a amarelinha, sempre conseguia fazer boas jogadas pela esquerda e as grandes chances brasileiras tiveram sua participação. Ganso não participou muito, já que participava da criação por trás, mas quase fez um golaço após um belo chute de fora da área que, infelizmente, bateu na trave.
O jogo terminou de 2×0 para o Brasil em uma estreia bem segura. O próximo adversário foi o Irã. Mano Menezes não convocou Ganso nem Neymar dessa vez. O primeiro não foi por uma contusão no joelho, enquanto o menino Ney foi barrado devido a comportamentos extracampo (além de talento, tem que confessar antes de jogar na Seleção).
Para o lugar de Neymar, Mano convocou a então promessa Philippe Coutinho e também colocou o meia Carlos Eduardo no lugar de Ganso. O técnico também usou a oportunidade para testar jogadores como Elias, Giuliano e Mariano.
A seleção iraniana começou marcando pressão e até chegou a um gol anulado por impedimento. Aos 14 minutos, Pato arranca e é desarmado, mas o zagueiro do Irã coloca a mão na bola durante o carrinho, falta. Daniel Alves cobra e acerta um belo chute no ângulo esquerdo, 1×0.
No segundo tempo, depois de uma boa triangulação na entrada da área, Elias passa para Alexandre Pato, que domina e chuta forte pro gol, 2×0. Para fechar o placar, André Santos recebe pela esquerda e faz um cruzamento para Nilmar que, livre, tem o trabalho de apenas tocar pro fundo da rede, 3×0, placar final.
Ainda com a mesma convocação, o Brasil enfrentou a Ucrânia. Mano volta a usar o 4-4-2, mas com três volantes (Lucas Leiva, Ramires e Elias) e Carlos Eduardo na armação. Robinho e Alexandre Pato formaram a dupla de ataque. Desde o começo do jogo, deu pra perceber que a intenção era povoar o meio-campo e favorecer o contra-ataque, uma estratégia que deu frutos aos 24 minutos, quando Elias faz o desarme e a bola sobra para Robinho, que fez uma tabela com Pato e cruzou na área. Daniel Alves chegou batendo de primeira pro gol, 1×0.
O segundo tempo começou com a Ucrânia ditando o ritmo do jogo e chegando um pouco mais, mas o Brasil retomou o controle depois dos 10 minutos. Tanto que, aos 19, Ramires passa para Robinho, que vê a passagem de Carlos Eduardo pela direita e passa para ele. O meia brasileiro passa para Pato que, dentro da área, faz um giro no zagueiro ucraniano, bate e, apesar do goleiro tocar, consegue o tento, 2×0, placar final. Galvão reprovou a comemoração de Pato, que fez arminha com as duas mãos e saiu dando tiro, devido ao momento de muita violência… calma, Galvão! A arma era de mentira!
Essa partida demonstrou uma das coisas de que menos gosto do Mano Menezes em todos os seus trabalhos: é um técnico retranqueiro, mesmo com um time ofensivo em mãos, opta por fechar a casinha e sair no contra-ataque, uma tática que costuma funcionar, mas não contra times mais ofensivos.
O último jogo de 2010 foi contra a Argentina. Depois de rezar 10 Pai-Nossos e 10 Ave-Marias, Neymar voltou pra Seleção. Quem também fez seu retorno foi Ronaldinho. Mano Menezes optou pelo mesmo 4-4-2 com três volantes, mas com Ronaldinho no lugar de Carlos Eduardo, enquanto Neymar fazia dupla de ataque com Robinho (o esquema do falso 9, viva!).
Foi um jogo bem movimentado, Ronaldinho mostrou que fazia falta para a Seleção, construiu as melhores jogadas e sempre arrancava boas soluções. Neymar ficou um pouco mais apagado, pois sofria com as típicas “marcações fortes” argentinas, mas também construía boas jogadas pela esquerda, enquanto Robinho foi sacrificado jogando de falso 9. Apesar do domínio brasileiro, Messi arrancou da direita para dentro e chutou no canto de Victor no final da partida, 0x1.
Apesar de terem feito uma algazarra pelo fato de Neymar não ter sido convocado para a Copa de 2010, isso não impediu que a Globo fizesse seu trabalho: criticar os jogadores da Seleção e, como Neymar agora é da Seleção, começaram a chamá-lo de cai-cai, um apelido que o acompanhou por muito tempo — isso porque diziam que a Globo puxava o saco de Neymar!
Em 2011, começaram os preparativos para a Copa América e o primeiro desafio era a França. Dessa vez, Mano Menezes resolveu colocar um centroavante de ofício e voltou com Alexandre Pato. Além do atacante do Milan, Júlio César voltou a vestir as luvas pela Canarinho, mas Mano resolveu inovar no meio-campo: escalou quatro volantes! Lucas Leiva, Hernanes, Elias e Renato Augusto, este último jogou mais avançado. Devido às críticas no jogo contra a Argentina, o técnico capitulou e deixou Neymar de fora.
O começo do jogo foi bem irregular por parte do Brasil. Pato e Robinho deram alguns chutes de fora, mas sem levar muito perigo, enquanto a França fazia seu jogo protocolar de sempre. Aos 40 minutos, Benzema recebe, dá um chapéu em Lucas Leiva, mas Hernanes chega dando uma solada em seu peito. Isso resultou em um cartão vermelho direto para o volante brasileiro.
Depois disso, o Brasil se fechou mais ainda e esperava decidir o jogo em uma bola. Aos 10 minutos da segunda etapa, Ménez recebe de Diarra, avança pela esquerda e cruza rasteiro para Benzema, que apenas empurrou a bola pro fundo da rede 0x1. Os franceses continuaram aproveitando a vantagem de um homem a mais para avançar no ataque, mas paravam em Júlio César, que fez uma bela partida em seu retorno, mas não conseguiu evitar a derrota, 0x1 França, placar final.
Em março, a Seleção jogou um amistoso contra a Escócia. Mano convocou Neymar novamente. Outros que voltaram foram Lúcio, Jádson e Elano. Além disso, o jogo contou com a estreia de Leandro Damião, que fez uma temporada espetacular pelo Internacional nesse ano. O técnico brasileiro desistiu de colocar só volantes no meio-campo, mas manteve o 4-4-2, com Elano e Jádson mais avançados, enquanto Neymar e Leandro Damião formaram a dupla de ataque.
O Brasil controlou as ações do jogo desde o início, tanto que a Escócia não conseguiu chegar com perigo. Aos 41 minutos do primeiro tempo, Ramires lança para a descida de André Santos pela esquerda, ele faz um passe para Neymar, que bate cruzado e marca o tento, 1×0.
No segundo tempo, teve mais uma estreia na Seleção: a então revelação do São Paulo Lucas Moura entra no lugar de Jádson. Em sua primeira participação, Lucas recebe na entrada da área e passa para Neymar, que é calçado pelo meia Adam dentro da área, pênalti. O próprio menino Ney vai pra cobrança e converte, 2×0, placar final. O meia são-paulino também criou uma bela jogada por dentro, passou para Daniel Alves pela direita, que rolou para a batida de Jonas, mas o volante Crainey fez uma defesaça, abriu as mãos e espalmou a bola (aparentemente o juiz não considerou isso pênalti).
Um mês antes da Copa América, o Brasil tinha dois amistosos, o primeiro era contra a Holanda. Mano Menezes optou por um 4-3-3, com Lucas Leiva, Ramires e Elano no meio, enquanto o trio de ataque era formado por Robinho, Neymar e Fred, que volta a vestir a amarelinha.
O jogo foi completamente dominado pelo Brasil, com apenas algumas chances da Holanda. Neymar fez um belo jogo com suas construções pela esquerda, mas também aparecia para finalizar. Elano ficou mais apagado no jogo, fazia apenas a transição no meio, enquanto Ramires “espetava” mais. Já Fred, não apareceu muito e desperdiçou as poucas chances que teve.
No segundo tempo, Mano Menezes voltou a ser Mano Menezes e fechou a casinha: voltou pro 4-4-2 com três volantes ao substituir Robinho por Elias. Foi um jogo sem gols, mas cheio de cartões amarelos, tanto que Ramires levou dois e foi expulso. Arnaldo César Coelho afirma que o volante brasileiro deu um pisão em Robben… tudo bem que a sola de Ramires pegou de raspão na chuteira do holandês, mas o que vale é a intenção! Se os juízes do STF podem julgar os manifestantes de 8 de janeiro pela intenção, por que os juízes do futebol não podem?
O próximo amistoso foi contra a Romênia e teve um requinte especial: era a despedida de Ronaldo Fenômeno da seleção brasileira. Mano Menezes começou a partida com o mesmo 4-3-3 do jogo anterior. David Luiz começou no lugar de Thiago Silva, Maicon também voltou para o lugar de Daniel Alves. O meio-campo brasileiro foi formado por Sandro, Elias e Jádson. Por fim, Victor ficou encarregado de guardar a meta brasileira.
Dessa vez, Fred queria e deveria mostrar serviço, pois teria somente 30 minutos para jogar, já que cederia sua vaga para Ronaldo depois. O centroavante brasileiro tentou de fora, tentou depois de um cruzamento rasteiro de Maicon, tentou arriscando um voleio, mas o gol só saiu após uma troca de passes no meio-campo. Maicon recebeu pela direita, fez um passe longo para Jádson, que vê a passagem de Neymar pela esquerda e passa para ele. O menino Ney tenta driblar o goleiro romeno, que não desistia de fechar seu ângulo. Ainda assim, ele conseguiu o cruzamento que colocou Fred sem goleiro para apenas empurrar pro fundo da rede, 1×0.
Como combinado, o Fenômeno entrou aos 30 minutos, pois estava “levemente” acima do peso e também pelas dores que sentia no joelho. Pois é, mesmo gordo, imenso e colossal, Ronaldo mostrou por que é o Fenômeno logo nos primeiros minutos. Robinho avança pela direita, passa para ele, mas o zagueiro romeno fecha as portas. Ronaldo foi obrigado a voltar para Jádson-que voltou para o Fenômeno-que tocou pra Neymar-que colocou Ronaldo na cara do gol, mas desperdiçou a chance. Isso mostrou que ele não tinha mais o físico de outrora, mas ainda tinha técnica e pensamento rápido.
No próximo lance, o Fenômeno infelizmente fez feio. Neymar chegou na área e ajeitou para ele, livre, na cara do gol, mas mandou a bola lá pro espaço. Novamente depois de um passe de Neymar, Ronaldo pega melhor na bola, mas o chute para no goleiro romeno.
No segundo tempo, Ronaldo deixa a Seleção para sempre, dando lugar para Leandro Damião. A Canarinho continuou com suas chances, mas todas as bolas pararam no goleiro Tatarusano e em seu substituto Pantilimon. Portanto, a despedida de Ronaldo terminou em 1×0 para o Brasil.
Com base nesses amistosos, nota-se, primeiro, que Mano Menezes estava mais perdido que barata em fábrica de chinelo; segundo, o esforço de Mano Menezes em tentar emular o estilo europeu de jogar; terceiro, que vários jogadores novos entraram na Seleção, o que mostra a interferência dos empresários, que anseiam pela convocação de seus atletas e sua consequente valorização no mercado. O próprio Phillippe Coutinho não teve outras chances na Seleção, jogou apenas alguns minutos contra o Irã.
Tudo isso, claro, com a bênção da Rede Globo, que odiava ver jogadores com mais de 30 anos, pois, nessa idade, eles já estão em final de carreira e, consequentemente, não tem como aumentar o valor de mercado deles, não da forma como é possível aumentar o de uma jovem promessa.
Copa América de 2011
Logo após o jogo da despedida do Fenômeno, Mano Menezes divulgou a lista de convocados, com o retorno de Ganso e Alexandre Pato. De resto, a seleção contou com os jogadores que atuaram contra a Romênia. O Brasil caiu no grupo B com Venezuela, Paraguai e Equador, um grupo teoricamente fácil, mas não demonstrou ser na prática.
A primeira rodada foi contra a Venezuela. O time entrou em um 4-4-2, com Neymar e Ganso como meias pelos lados direito e esquerdo, respectivamente, enquanto Pato e Robinho formaram a dupla de ataque.
O primeiro tempo teve amplo domínio brasileiro, mas os jogadores pecaram na hora de finalizar. Os destaques foram a finalização na trave de Pato e o chute no canto de Robinho, que iria entrar, mas o zagueiro venezuelano deu um carrinho e tirou com a mão — tudo normal na visão do juiz. O segundo tempo foi mais pegado. A Venezuela conseguiu chegar no ataque, mas não ofereceu perigo, idem para a Seleção Brasileira, que parou na retranca venezuelana. Portanto, o jogo terminou de 0x0.
Com a mesma formação da partida anterior, a Seleção enfrentou o Paraguai pela segunda rodada. Mudou apenas a entrada de Jádson no lugar de Robinho, ele começou como meia pela direita e Neymar formou a dupla de ataque com Pato. Novamente, um jogo truncado, mas mais movimentado. Apesar do Paraguai ter tido a primeira chance com Roque Santa Cruz, o Brasil chegou ao primeiro gol quando Ganso passou para Jádson chutar de fora, no canto do goleiro Villar, 1×0.
Já no segundo tempo, os paraguaios conseguiram chegar aos 10 minutos, quando Estigarribia avançou pela esquerda e fez um passe que deixou Roque Santa Cruz cara a cara com Júlio César para deixar tudo igual, 1×1.
A Canarinho continuou pressionando, mas, aos 22 minutos, Daniel Alves não consegue segurar a bola até alcançar a linha de fundo. O lateral perde para Riveros dentro da área, que passa para Roque Santa Cruz. O atacante paraguaio vê a chegada de Valdez, que chuta, mas a bola desvia em Lúcio e cobre Júlio César, 1×2. No final do jogo, Neymar carrega a bola pelo meio, passa para Lucas Leiva que, de primeira, passa para Fred (que entrou no lugar de Pato). O centroavante gira sobre o zagueiro paraguaio e bate no canto para dar números finais ao jogo, 2×2.
Agora, o Brasil precisa vencer o Equador para passar pra próxima fase. Mano Menezes viu isso e abriu mão de seu estilo mais “conservador”. Armou o time no 4-3-3 com Ganso na armação. O trio de ataque era formado por Robinho (direita), Neymar (esquerda) e Alexandre Pato (centroavante). Além disso, Mano colocou Maicon no lugar de Daniel Alves na lateral direita.
A Canarinho partiu pra cima, por precisar do resultado. Aos 28 minutos da primeira etapa, Maicon faz a inversão para André Santos, que cruza para a área e Pato se movimenta para o centro e cabeceia no canto esquerdo, 1×0. A dominância do Brasil continuou, mas o Equador saiu em um contra-ataque. Caicedo ganha a disputa de cabeça, a bola fica com Benítez (não aquele Benítez) que volta a bola pra Caicedo. O atacante equatoriano chuta no meio e contou com a “ajuda” de Júlio César para marcar seu tento, 1×1.
Logo no começo do segundo tempo, André Santos carrega a bola pelo meio, passa para Ganso, que gira e dá um passe para Neymar nas costas do zagueiro equatoriano. Menino Ney bate na saída do goleiro Elizaga e coloca o Brasil na frente de novo, 2×1. 10 minutos depois, o Brasil tenta afastar uma bola levantada na área, mas a bola sobra pra Noboa, que toca para Caicedo limpar Thiago Silva e marcar seu segundo na partida, 2×2.
A falsa tristeza da Rede Globo durou pouco, já que, dois minutos depois, Ganso faz uma bela tabela com Robinho pelo meio. O meia chuta na entrada da área, Elizaga bate roupa e Pato chega rasgando. Bate meio mascado, mas foi suficiente para deixar o Brasil na frente pela terceira vez, 3×2.
Com mais confiança, a Seleção Brasileira começou a atacar mais, teve várias chances seguidas até que, aos 27 minutos, Maicon tabela com Robinho pela direita, chega à linha de fundo e cruza rasteiro para Neymar tocar de letra pro fundo da rede, 4×2, placar final. Poderia ser 5×2 se Robinho não estivesse impedido após fazer uma tabela com Elias (o jogo Excel: cheio de tabelas) e tocar no canto de Elizaga… mas tinha um zagueiro equatoriano dando condição na esquerda! Pena que o juiz não viu.
Com esse resultado, o Brasil se classificou em primeiro no grupo B, com a Venezuela em segundo, enquanto o Paraguai se classificou como um dos melhores terceiros colocados e como o adversário da Seleção Brasileira nas quartas de final. Para esse jogo, Mano Menezes escalou o mesmo time do jogo contra o Equador.
O Brasil amassou o Paraguai do começo ao fim, mas a bola parecia não querer entrar. Se não parasse no goleiro Villar, os jogadores brasileiros pecavam na finalização, como no caso de Neymar no primeiro tempo e Maicon no segundo. O tempo regulamentar terminou 0x0.
Aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Estigarribia se embolou com Lúcio ao disputar uma bola. O zagueiro Alcaraz chegou chutando e começou uma confusão generalizada. Isso não deu escolha ao juiz, que expulsou Alcaraz (por ter chegado chutando) e Lucas Leiva (por… estar ali). Os paraguaios cozinharam o jogo com catimba e tudo o que se pode imaginar. Portanto, o jogo foi pras penalidades.
Gramado ruim mais a pressão exercida pela imprensa não é uma boa combinação. Todos os batedores brasileiros erraram suas cobranças, enquanto o Paraguai acertou duas e se classificou para as semifinais.
A partir daí, as críticas, que já eram pesadas durante a Copa América, aumentaram ainda mais. Neymar começou a ser criticado por cair demais, por querer “fazer bonito” em vez de jogar sério (jogar sério = ser cintura dura, igual aos europeus) e não corresponder às expectativas. Mano Menezes também sofreu com as críticas, pois dizia que Ganso era o meia ideal para a Seleção e, com seu retorno, conseguiu apenas uma vitória.
Só acho engraçado como a Globo tem uma receita de bolo para vencer uma competição: tal esquema é melhor, aquele outro jogador é o ideal, mas toda vez que esse esquema é implantado, o Brasil é derrotado e, se não for implantado, eles tentam vencer na pressão psicológica. Imagina o que Ganso e Neymar ouviriam se fossem convocados para a Copa de 2010.
Sobre nossos hermanos, eles também foram eliminados nas quartas de final e, para variar, o “craque mundial” Messi passou em branco, sem gols e sem assistências. Para ser justo, não, ele jogou bem contra a Costa Rica… e só. De resto, apenas ficou com suas bolas na boca dos comentaristas globais e do resto da imprensa brasileira, enquanto a da Argentina o considerava uma farsa.
No final, o Uruguai foi campeão ao vencer o Paraguai na final por 3×0. Pra se ter uma ideia do quão ruim foi essa edição da Copa América, o Brasil teve o melhor ataque da fase inicial com seis gols. O uruguaio Luís Suarez foi eleito o craque da competição, enquanto Paolo Guerreiro, do Peru, foi o artilheiro com cinco gols.
Agora, de volta aos amistosos. O primeiro da Seleção aconteceu em agosto e foi contra a Alemanha. Mano decide adotar um 4-3-3 mais conservador, com três volantes no meio: os estreantes Fernandinho e Ralf se juntaram a Ramires, enquanto no ataque, tinha o trio da Copa América (Robinho, Neymar e Alexandre Pato). Daniel Alves também volta ao time titular.
No primeiro tempo, o meio-campo de três volantes fez a Alemanha começar com o domínio. Ela ficava mais com a bola e chegou com perigo duas vezes, mas, como jogava o futebol “moderno”, optou pelo toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá… e o Brasil teve as melhores chances, com boas jogadas de Neymar e de Pato.
A segunda etapa começou equilibrada, até Schweinsteiger receber a bola na área, pisar na canela de Lúcio e cair, pênalti claríssimo (apenas na visão do juiz, que é a que vale). O meia alemão foi pra cobrança e converteu, 0x1. Outra vez a Canarinho coloca pressão e consegue boas chegadas, mas, depois de uma troca de passes no meio, Kroos consegue um passe nas costas da defesa brasileira para Götze. Ele dribla Júlio César e marca, 0x2.
Logo após o segundo gol alemão, Daniel Alves faz uma tabela com Fernandinho e recebe um carrinho de Lahm, pênalti. Robinho vai pra cobrança e converte, 1×2. Aos 35 minutos, depois de uma bobeada de André Santos, Schweinsteiger recupera a bola na área e passa para Schürrle fuzilar o gol de Júlio César, 1×3. No final do jogo, Ganso (que entrou no lugar de Fernandinho) tentou um passe para Fred, mas ela fica com Neymar, que bate rasteiro no canto esquerdo de Neuer, 2×3, placar final.
Já em setembro, a Seleção enfrentou Gana em outro amistoso. Mano Menezes novamente muda o time, monta um 4-4-2 com dois meias de armação: Ganso e Ronaldinho, que retorna à Seleção, enquanto a dupla de volantes era formada por Lucas Leiva e Fernandinho. Já a dupla de ataque foi Neymar e Leandro Damião, outro que retorna. Outro retorno bastante esperado foi o de Marcelo na lateral-esquerda, que não joga na Seleção desde as Eliminatórias para 2010.
Logo aos nove minutos, Ganso sentiu uma lesão e foi substituído por Elias. A Seleção continuou pressionando, inclusive, Neymar fez uma bela jogada, deu um passe de cavadinha para Leandro Damião cobrir o goleiro Kwarasey, mas foi marcado impedimento.
Aos 33 minutos, o lateral Dan Opare avançou pela direita, foi desarmado por Lúcio, mas deixou a sola no pé do zagueiro brasileiro. O ganês toma o segundo amarelo e é expulso. Já no final do primeiro tempo, Fernandinho faz um bom passe nas costas da zaga ganesa para Leandro Damião, que se infiltra entre os zagueiros e bate cruzado para marcar, 1×0.
No segundo tempo, Mano tirou Fernandinho para colocar Hulk, portanto, formou-se um 4-3-3, com Lucas Leiva, Elias e Ronaldinho no meio, e um trio de ataque formado por Hulk (direita), Neymar (esquerda) e Leandro Damião (centroavante) que, depois, foi substituído por Alexandre Pato. Vale destacar a excelente partida da dupla Neymar e Ronaldinho que, se os técnicos brasileiros não acatassem ao moralismo da Rede Globo, poderia ser o 10 do Brasil por muito tempo. Os dois centroavantes Leandro Damião e Alexandre Pato também foram muito bem, poderiam ter marcado se não fosse o goleiro Kwarasey. Final de jogo, 1×0 para o Brasil. Como não tinham muitos torneios, a ideia foi chamar os hermanos para fazer “mini” evento.
Superclássico(s) das Américas e o fim da era Mano Menezes
Em 2011, a CONMEBOL resolve resgatar a antiga Copa Rocca, um torneio realizado em jogos de ida e volta entre Brasil e Argentina cuja última edição ocorreu em 1976, mas renomeado como Superclássico das Américas. A disputa seria realizada em jogos de ida e volta, só poderiam ser convocados jogadores que atuavam em times brasileiros ou argentinos, ou seja, aqueles que atuavam em times europeus ficaram de fora. Caso houvesse empate no agregado entre os dois jogos, o torneio seria decidido nos pênaltis.
Esse torneio deu oportunidade ao Mano Menezes de observar o desempenho de alguns jogadores pouco convocados. Alguns dos chamados já eram figuras carimbadas nas convocações antigas, como Ronaldinho (na época jogador do Flamengo), Neymar, Leandro Damião e Kléber, mas deu chance para outros bons jogadores, como Danilo (Santos), Paulinho (Corinthians), Casemiro (São Paulo) e Oscar (Internacional), além do goleiro Jéfferson (Botafogo).
O técnico brasileiro optou por um 4-4-2, com Ralf e Paulinho como volantes e Ronaldinho e Renato Abreu (Flamengo, apelidado pela torcida de “urubu-rei”) como meias ofensivos, enquanto Neymar e Leandro Damião formavam a dupla de ataque. O jogo parecia de Libertadores, isto é, os argentinos entravam para quebrar e parar as jogadas brasileiras.
Nos primeiros minutos, Neymar recebe um lançamento e faz uma bela jogada individual que entorta o zagueiro argentino. Ele cruza para Leandro Damião, que acerta a trave. Depois disso, a Argentina teve mais chances, mas nenhuma que desse trabalho a Jéfferson, tudo isso devido ao típico jogo de contato argentino, combinado com as catimbas.
A segunda etapa começou com mais chances argentinas. Mano Menezes observou que Renato Abreu não estava funcionando no meio-campo e o tirou para colocar Oscar, uma decisão acertada, pois o jogo começou a fluir melhor para a Seleção. Outros lances que valem destacar são: a lambreta de Leandro Damião e o toque por cobertura, sua finalização novamente para na trave; e a falta de Ronaldinho, que parou na boa defesa do goleiro Orión. Ainda assim, o jogo terminou 0x0.
Para o jogo da volta, Mano fez algumas alterações: colocou o volante Rômulo (Vasco) no lugar de Paulinho, o lateral esquerdo Bruno Cortês (Botafogo) no lugar de Kléber, Lucas Moura no lugar de Renato Abreu e Borges (Santos) no lugar de Leandro Damião. O time foi armado no 4-3-3, com Ralf, Rômulo e Ronaldinho no meio-campo, enquanto o trio de ataque ficou com Lucas Moura (direita), Neymar (esquerda) e Borges (centroavante). Vale falar que foi nesse jogo que a torcida brasileira começou a continuar o hino mesmo depois dele ter acabado, um ato que se tornou recorrente nas competições até 2014.
Foi notada uma melhora considerável em relação ao jogo anterior, tanto que o Brasil dominou o primeiro tempo por completo, mesmo com a “defesa” argentina, que até gerou um sangramento no nariz de Lucas. O destaque vai para a dupla de craques Ronaldinho e Neymar, que “bailaram” no meio-campo com dribles e uma bela troca de passes.
O segundo tempo começou com um bom contra-ataque argentino, em que Fernández chuta para o gol, mas a bola vai em cima de Jéfferson. Aos oito minutos, Bruno Cortês passa para Danilo que, de primeira, lança para Lucas Moura fazer uma bela arrancada pela direita e chutar cruzado para marcar, 1×0.
Mano Menezes resolveu tirar Lucas Moura para observar o desempenho do atacante Diego Souza (Vasco), que logo demonstrou serviço. Aos 30 minutos, Bruno Cortês faz uma bela jogada pela esquerda, o lateral passa para Diego Souza fazer um cruzamento rasteiro para Neymar, que tenta driblar Orión, mas Papa acaba tocando na bola e mandando ela pro fundo da rede, 2×0, placar final, o primeiro título da seleção na era Mano Menezes.
A Globo não ficou muito satisfeita com o amistoso, pois acreditava que as regras do torneio (de deixar os jogadores que atuam na Europa de fora) prejudicaram os argentinos, praticamente admitindo que o futebol brasileiro era infinitamente melhor do que o praticado nas ligas nacionais dos hermanos. Vale destacar que a Argentina também contou com bons jogadores que jogavam no Brasileirão, como D’Alessandro e Guiñazu.
O próximo jogo da Seleção foi um amistoso contra a Costa Rica, que contou com uma mescla entre os jogadores que atuaram no Superclássico e os que atuam no futebol europeu. Ronaldinho, Neymar, Fred e Ralf foram mantidos na Seleção, que também contou com o lateral esquerdo Adriano como novidade.
Foi um jogo extremamente truncado devido à retranca costarriquenha. O gol saiu apenas aos 14 minutos do segundo tempo, com um cruzamento de Ronaldinho. O zagueiro furou e a bola sobrou para Neymar, que, sem goleiro, garante a vitória da Canarinho, 1×0. Júlio César foi substituído no final do jogo por conta de dores musculares. Esse jogo foi usado pela Globo para mostrar que a Seleção era frágil e não tinha bons jogadores, já que não repetiram o brilho contra os “pernas de pau” da Argentina (tirou os argentinos para merda).
O próximo jogo foi contra o México. O time foi armado em um 4-3-3, com os retornos de Lucas Leiva e Fernandinho na volância. Ronaldinho ficou encarregado pela criação de jogadas. O trio de ataque contava com Lucas Moura (direita), Hulk (esquerda) e Neymar (centroavante). Outra novidade foi a volta de Marcelo na lateral esquerda, além de Jéfferson começar como titular devido à contusão de Júlio César.
Logo aos 10 minutos, Barrera faz um cruzamento, David Luiz tenta interceptar, mas acaba tirando Jéfferson da bola, que entrou no gol, 0x1. O Brasil partiu para cima e conseguiu boas chegadas, principalmente com Hulk, mas, aos 44 minutos, Giovani dos Santos lança para “Chicharito” Hernández. Daniel Alves faz uma disputa ombro com ombro com o centroavante mexicano, que cai e o juiz não marca um pênalti inexistente, mas sim um pênalti para cartão amarelo inexistente. Por ser o segundo amarelo, o lateral brasileiro foi expulso.
Arnaldo César Coelho chega a falar que Daniel Alves encostou por trás do mexicano, mas a imagem claramente mostra um contato ombro com ombro. Então, Arnaldo, com todo respeito, a única coisa que foi “por trás” foi a pic* do diretor da Globo que te pediu para falar isso. Guardado foi pra cobrança e parou na boa defesa de Jéfferson.
Mesmo com um a menos, o Brasil continuou partindo pra cima na segunda etapa. Os mexicanos também chegaram com perigo, mas sempre paravam em Jéfferson. Aos 34 minutos, Neymar sofre falta de Perez na entrada da área, Ronaldinho vai pra cobrança e converte, 1×1. Logo em seguida, Marcelo faz ótima jogada individual pela esquerda, tabela com Neymar, invade a área mexicana e fuzila o gol de Sánchez, 2×1, placar final.
Os outros amistosos do ano foram ganhos com relativa tranquilidade pela Seleção, mas o escrete variava bastante com os testes feitos por Mano Manezes. O que vale destacar é que Hulk e Marcelo aproveitaram as chances e firmaram suas vagas no time. Além disso, o técnico brasileiro encontrou em Oscar o meia ideal para a Seleção após as boas atuações contra a Dinamarca e os Estados Unidos. Essa posição era contestada devido à expectativa em cima de Ganso, que não foi correspondida, mais uma prova de que a Globo, além de não entender de futebol, consegue quebrar o psicológico tanto dos jogadores, quanto do técnico.
Em junho de 2012, o Brasil voltou a enfrentar o México com o escrete considerado ideal pelo Mano Menezes. Aos 10 minutos, Hulk faz um belo lançamento para Leandro Damião tocar na saída do goleiro Corona. Seria 1×0, mas o juiz infelizmente não viu o lateral dando condição para Damião e marcou impedimento. O Brasil continuou pressionando o México, mas, aos 21 minutos, Giovani dos Santos recebe um lançamento na esquerda, faz uma jogada individual e dá um belo toque de cobertura no goleiro Rafael Cabral, que estava adiantado esperando um cruzamento, 0x1.
Aos 31 minutos, o Brasil consegue recuperar uma bola na esquerda. O zagueiro Juan Jesus (não o Juan que jogou as Copas de 2006 e 2010) não viu Giovani dos Santos chegar, errou o bote e acabou cometendo pênalti. A eterna promessa “Chicharito” Hernández vai pra cobrança e converte, 0x2. Mesmo com a pressão brasileira, o jogo terminou de 2×0 para os mexicanos. A Seleção poderia diminuir em uma cobrança de pênalti, mas o juiz interpretou o Corona agarrando as pernas de Oscar como um lance normal.
O próximo jogo foi contra a Argentina, com o mesmo time que começou contra o México. Em uma falta pelo lado direito, Neymar cruza para Rômulo, que domina e chuta cruzado, 1×0. Pouco tempo depois, Neymar faz uma jogada individual pelo meio e sofre um pênalti que, infelizmente, o juiz não viu — acho que é um problema de visão bem específico, em que eles não veem pênaltis em jogadores vestidos de amarelo.
Aos 31 minutos, Sandro recebe um passe, mas a chuteira fica presa no gramado. Gago rouba e faz um passe nas costas da zaga brasileira para Messi fazer um gol que ele adora fazer: correria e chute no canto, algo genial, de acordo com a imprensa, 1×1. Aos 34 minutos Messi faz outro gol parecido com o primeiro, mas o passe foi do Di Maria, 2×1.
No segundo tempo, após boa jogada de Neymar pela esquerda, a defesa argentina tira a bola da área, mas Oscar pega a sobra e passa para Leandro Damião. O centroavante faz o pivô e devolve a bola para Oscar na saída de Romero, 2×2. Aos 27 minutos, Neymar cobra um escateio pela esquerda, Romero cata borboleta e a bola sobra pra Hulk chutar com o gol vazio, 3×2.
Logo em seguida, a Argentina tem um escanteio pela esquerda, que é cobrado para a cabeçada de Fede Fernández. A bola bate na trave e entra, 3×3. Aos 40 minutos, Messi recebe uma bola na esquerda, parte por dentro e acerta um belo chute no ângulo, 3×4, placar final.
Depois desse jogo, a Globo fez seu papel de mamar os argentinos, em especial Messi, que só apareceu nos gols que marcou e em uma falta defendida por Rafael Cabral. Mas isso foi o suficiente pra falar que ele humilhou Neymar (?) e o Brasil, sendo que foi um jogo com mais chances brasileiras.
Nos Jogos Olímpicos, a Seleção Brasileira chegou às finais, mas perdeu para o México, que tinha alguns jogadores que jogaram naquele amistoso. Nessa época (que o Brasil não tinha ouro olímpico no futebol), a Globo vivia falando que o futebol brasileiro não conseguia ganhar essa competição e sempre perdia de forma vexatória (derrota por 2×1 é vergonha onde?), para você ver como o mundo dá voltas. Essa derrota aumentou ainda mais a pressão sobre Mano Menezes.
Os amistosos da Seleção principal renderam resultados positivos: 3×0 na Suécia, 1×0 na África do Sul e 8×0 na China. O próximo desafio seria outra edição do Superclássico das Américas, novamente com a regra dos escretes serem formados apenas por jogadores que atuam nos campeonatos nacionais de Brasil e Argentina.
Mano Menezes mudou o time que entrou em campo no último Superclássico, contou com as estreias do lateral esquerdo Fábio Santos (Corinthians) e dos retornos de Paulinho (Corinthians), Jádson (Corinthians) e Luis Fabiano (São Paulo). O sistema foi um 4-3-3, com Ralf, Paulinho e Jádson no meio-campo, enquanto o trio de ataque era formado por Lucas Moura (direita), Neymar (esquerda) e Luis Fabiano (centroavante).
Aos 20 minutos, Barcos escora para Juan Martínez na entrada da área depois de um lançamento. O atacante argentino passa para Clemente Rodrígues, que cruza rasteiro de volta para Martínez chutar no canto de Jéfferson, 0x1. Já nos 26 minutos, Lucas Moura sofre falta na direita, Neymar cobra fazendo um cruzamento pra área, Paulinho se antecipa e cabeceia pro fundo das redes, 1×1.
O resto do jogo foi bem morno e truncado. A pressão sobre Mano Menezes ficou nítida ao ouvir a torcida brasileira gritando “volta, Felipão”. Felipão ganhou uma Copa do Brasil pelo Palmeiras em 2012, mas foi demitido devido aos resultados ruins do time que viria a ser rebaixado no final do ano. Aos 45 minutos do segundo tempo, Leandro Damião (que entrou no lugar de Luis Fabiano) sofreu uma carga do zagueiro Desábato dentro da área. Além disso, ele também tocou a bola com a mão, pênalti. Neymar foi pra cobrança e deu números finais ao jogo, 2×1.
O jogo da volta estava marcado para o dia 3 de outubro na Argentina, mas teve que ser cancelado pelo fato de três refletores do estádio terem sido apagados. Depois disso, a Seleção teve outros dois amistosos: contra o Iraque (vencido por 6×0) e contra o Japão (vencido por 4×0). Algumas mudanças nesses dois jogos foram Diego Alves no gol, os retornos de Kaká (que não jogava desde 2010) e Ramires, Leandro Castán na lateral esquerda e a tentativa de fazer Hulk e Neymar jogarem como uma dupla de ataque, que funcionou nesses dois jogos.
O próximo jogo foi um amistoso comemorativo dos 1.000 jogos da Seleção Brasileira. O adversário escolhido foi a Colômbia. A única alteração comparada com o time dos dois jogos anteriores foi Thiago Neves no lugar de Hulk. A pressão inicial foi brasileira, mas a Colômbia conseguiu chegar com James Rodríguez, que viu a passagem de Cuadrado pela direita. O lateral bate cruzado e abre o placar, 0x1.
No segundo tempo, Neymar faz boa jogada individual pela esquerda e coloca a bola no canto de Ospina, 1×1, placar final. O Brasil ainda teve a chance de virar quando Armero fez pênalti em Daniel Alves, mas Neymar cobrou e isolou.
No dia 21 de novembro, finalmente aconteceu o jogo da volta do Superclássico das Américas. Do time que jogou na ida para o da volta, as mudanças foram: Diego Cavalieri no gol, Lucas Marques na lateral direita, Arouca de volante e Fred de centroavante.
Mano Menezes montou o time em um 4-4-2 com três volantes (Ralf, Paulinho e Arouca) e Thiago Neves como meia atacante. A dupla de ataque foi formada por Neymar e Fred. Novamente, um jogo truncado, com poucas oportunidades, mas, aos 34 minutos do segundo tempo, Scocco saiu em velocidade pela esquerda. Jean (que entrou no lugar de Arouca) foi pra dividida, mas o atacante argentino se jogou e o juiz caiu na dele, pênalti. O próprio Scocco foi pra cobrança e converteu, 0x1.
Quatro minutos depois, após uma troca de passes, a bola fica com a então revelação Bernard (Atlético-MG), que cruza, mas a defesa argentina afasta. A bola sobra pra Neymar, que bate torto, mas Fred, oportunista como sempre, “conserta” o chute de Neymar e manda a bola para as redes, 1×1. No final do jogo, Montillo arranca do meio-campo, aproveita uma bobeada da defesa brasileira e toca para a chegada de Scocco, que bate no contrapé de Diego Cavalieri e faz seu segundo, 1×2, placar final.
O agregado da partida ficou 3×3, portanto, a decisão foi para as penalidades. Diego Cavalieri defendeu o pênalti de Martínez, enquanto Montillo isolou. Já Orión defendeu a cobrança de Carlinhos, mas isso não foi suficiente para evitar a vitória de 4-3 do Brasil nos pênaltis. A Canarinho faturou o Superclássico das Américas novamente.
Mesmo com essa conquista, as críticas a Mano Menezes só aumentavam. Inclusive, José Maria Marín conseguiu se eleger presidente da CBF ao dizer que, se ele estivesse nesse cargo, demitiria Mano e chamaria Felipão de volta. Foi dito e feito: o pentacampeão Luiz Felipe Scolari começava sua segunda passagem pela Seleção Brasileira.
Dentre os técnicos brasileiros, não sou muito fã do Mano Menezes e do Ney Franco, pois ambos não armam o time para vencer, mas sim para não perder, principalmente nos jogos mais difíceis, apesar de que ele fazia o mesmo nos jogos mais tranquilos.
Se você acha que a Seleção atual (que foi treinada por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior) é horrível, veja a Seleção de Mano Menezes. Aposto que você iria pedir desculpas de joelhos para esses três técnicos após ver somente o primeiro tempo. Por outro lado, você pediria desculpas ao Mano Menezes se visse a Seleção de Sebastião Lazaroni, que jogava com três zagueiros em um esquema que imitava o patético futebol da “Dinamáquina”, uma Seleção que não conseguiu ir mais longe que Camarões em Copas do Mundo.
Retorno de Felipão e Copa das Confederações 2013
Felipão foi anunciado em dezembro e, com ele, muitas expectativas de melhoras na Seleção. Apesar de ser um técnico que valoriza a defesa, também não abre mão de atacar. O primeiro desafio foi em fevereiro de 2012, um amistoso contra a Inglaterra em Londres. A Seleção teve a estreia do zagueiro Dante (que fez dupla com David Luiz) e vários retornos, como Júlio César no gol, Adriano (não o Imperador) na lateral esquerda, Ramires de volante e Ronaldinho no meio-campo, além de Luis Fabiano.
Felipão montou o time em um 4-5-1 (ou 4-2-3-1, como preferirem), com Ronaldinho centralizado, Oscar e Neymar como meias pela direita e pela esquerda, respectivamente, e Luis Fabiano no ataque. O jogo foi bem equilibrado no início, Ronaldinho teve a chance de abrir o placar em um pênalti, mas sua cobrança parou na defesa de Hart. Aos 25 minutos, Wilshire dá um passe para Walcott, que dispara em velocidade, consegue ganhar da defesa brasileira. Júlio César sai muito bem e defende o chute, mas a bola sobra para Rooney abrir o placar, 0x1.
A seleção partiu pro ataque em busca de uma reação, Neymar quase empatou após um cruzamento de Oscar, mas o carrinho que deu acabou jogando a bola por cima do travessão. No começo do segundo tempo, Fred, Arouca e Lucas Moura entram no lugar de Luis Fabiano, Ramires e Ronaldinho, respectivamente.
A Inglaterra teve a primeira chance com um chute de fora de Gerard, que parou em Júlio César. Aos dois minutos, Galvão já ia dizendo que a seleção inglesa é muito forte, foi então que Lucas falou “ah é forte? Vamos ver então”. Ele recuperou a bola depois de uma trapalhada do Ashley Cole e passou para Fred na entrada da área, que chuta no cantinho de Hart, 1×1. Logo depois, “Don Fredón” outra vez aparece e acerta um chute na trave.
Aos 14 minutos, Lampard aproveita o recuo errado de Arouca e acerta um belo chute de fora da área, 1×2, placar final. A Globo obviamente falou que a derrota foi um vexame (perder = vexame, não importa a situação). Aproveitaram também para pedir a cabeça de Ronaldinho mais uma vez por ter perdido o pênalti, até Pelé entrou na onda de criticar, mas ao menos deu a sugestão de ter o Corinthians (Campeão do Mundial de Clubes de 2012) como a base para a Seleção.
O próximo amistoso foi contra a Itália. Felipão notou que Adriano não funcionou muito bem na lateral esquerda (sempre perdia os duelos contra Walcott), por isso, colocou Filipe Luís em seu lugar. Além disso, o técnico brasileiro mudou a formação para um 4-3-3, com Fernando, Hernanes e Oscar no meio-campo, enquanto Hulk (direita), Neymar (esquerda) e Fred (centroavante) formavam o trio de ataque.
Novamente, o jogo começa equilibrado, com chances para os dois lados. Aos 32 minutos, Neymar avança pela esquerda, tenta chutar, mas a bola é afastada pelos italianos. Filipe Luís fica com a sobra e cruza. Fred estava no segundo pau para escorar pro fundo da rede, 1×0. No final da primeira etapa, Neymar arranca do meio-campo, atrai a defesa italiana ao avançar para o meio. Ele passa para Oscar, que aproveitou o espaço aberto pelo menino Ney. O meia brasileiro dá um toque de classe no canto direito para ampliar, 2×0.
Aos oito minutos do segundo tempo, a Itália cobra um escanteio. A bola passa e sobra pra De Rossi, que acha um gol ao dar um chute mascado no ar, que acabou confundindo Júlio César, um chute tosco que Casagrande (o centroavante de oito gols na Seleção) chamou de um “toque de classe”, 2×1. Três minutos depois, o garoto problema Balotelli acerta um belo chute no ângulo de Júlio César, 2×2, placar final. Vale ressaltar que, nesse jogo, a sensação europeia Diego Costa entrou no jogo aos 23 minutos do segundo tempo, o que ele fez foi incrível: ABSOLUTAMENTE NADA!
O próximo jogo foi contra a Rússia. Felipão resolveu começar com Marcelo no lugar de Filipe Luís, Thiago Silva no lugar de Dante e Kaká no lugar de Hulk. A formação escolhida foi um 4-4-2 com a mesma dupla de volantes do jogo anterior acompanhada de Oscar e Kaká mais avançados, enquanto Fred e Neymar formavam a dupla de ataque.
A Rússia começou o jogo muito bem, com duas chances claras, mas, aos poucos, o Brasil retomou as rédeas da partida e começou a criar mais. Ainda assim, a defesa russa conseguia segurar as chegadas de Neymar e Fred. Aos 12 minutos do segundo tempo, Felipão desfaz o esquema de 4-4-2 ao tirar Oscar e colocar Hulk, para ver se Kaká conseguia se encontrar no jogo. Pouco tempo depois, a Rússia e a defesa brasileira tiveram uma verdadeira briga de foice no escuro dentro da área para, no final, a bola sobrar para Fayzulin deixar o seu, 0x1.
Com a necessidade de buscar o resultado, Felipão tira Kaká e coloca a sensação europeia Diego Costa, deixando o time com quatro atacantes para fazer o abafa. O que a sensação fez? Aos 45 minutos, ele viu Hulk tocar para a passagem de Marcelo pela esquerda e ele, como centroavante, se posicionou muito bem para empurrar a bola pro fundo da rede, 1×1. É claro que me referi ao Fred, que marcou o gol de empate do Brasil, pois Diego Costa fez ABSOLUTAMENTE NADA!
Os outros amistosos foram contra o Chile e, novamente, contra a Inglaterra. Ambos terminaram de 2×2. Nesses dois jogos, Luiz Gustavo se firmou como o primeiro volante titular ao lado de Paulinho e ficou definido o trio de ataque principal: Hulk, Neymar e Fred. Leandro Damião também entrava bem e ganhou espaço no escrete. A Globo pegou no pé de Felipão dizendo que ele não conseguia ganhar, mas isso mudou em pouco tempo.
Depois do jogo contra o Chile, teve a convocação para a Copa das Confederações. O time escolhido foi basicamente o que entrou em campo nos últimos amistosos, com exceção da sensação europeia, pois Scolari optou por levar Leandro Damião, mesmo com a Rede Globo praticamente implorando para o “bigodudo” levar o centroavante do Atlético de Madrid.
O último amistoso antes da Copa das Confederações foi contra a França. Nos treinos para esse jogo, Leandro Damião teve uma contusão na coxa direita e precisou ser cortado. No seu lugar, Felipão chamou o centroavante do Atlético, ou seja, A SENSAÇÃO EUROPEIA FINALMENTE FOI CONVOCADA! Não… Felipão levou Jô (Atlético-MG), que fez uma excelente Libertadores até então.
O time que entrou em campo contra a França foi: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar; Hulk, Fred, Neymar. Logo no começo, o goleirão Lloris tentou fazer uma gracinha, foi desarmado por Neymar e teve que fazer o pênalti para parar o gol certo, mas infelizmente o juiz não viu. A Seleção mostrou uma grande evolução comparada com o último amistoso contra os franceses e dominou o jogo durante o primeiro tempo, com algumas escapadas do adversário, mas o placar continuava no 0x0.
Aos oito minutos do segundo tempo, Luiz Gustavo faz um belo desarme no meio-campo. A bola sobra pra Fred, que a conduz pela esquerda, chega na área e cruza rasteiro para Oscar tocar pro fundo das redes, 1×0.
A pressão brasileira continuou, até que, aos 39 minutos, Neymar arranca da defesa para o ataque, passa para Lucas (que entrou no lugar de Hulk), que cruza de volta para Neymar. Ele dá um toque que ajeita para Hernanes, que chegou chutando, 2×0. Para fechar o caixão, Marcelo faz bela jogada individual, invade a área e sofre pênalti de Debuchy. Lucas vai pra cobrança e converte, 3×0. Agora, o foco é a Copa das Confederações.
O Brasil se classificou como país-sede, mas a Copa também contou com a participação da Espanha como a última campeã e, como também ganhou a Eurocopa, abriu vaga para a Itália, vice-campeã da Eurocopa. Os outros participantes foram: Japão (campeão da Copa da Ásia), México (campeão da Copa Ouro CONCACAF), Uruguai (campeão da Copa América) e Nigéria (campeã da Copa das Nações Africanas).
A Canarinho ficou no grupo A, com Japão, México e Itália. A primeira rodada foi contra os japoneses. O Brasil entrou em campo com o mesmo time que começou contra a França e, logo no começo da partida, Fred recebe um lançamento de Marcelo, mata no peito e deixa para Neymar, que soltou uma bomba sem chances para o goleiro Kawashima, 1×0. O Japão começou a chegar mais devido à necessidade do resultado, mas isso não impediu o Brasil de criar chances.
Aos três minutos do segundo tempo, Daniel Alves cruza pela direita. Paulinho domina a bola e chuta, Kawashima chegou até a tocar na bola, mas não foi suficiente para impedir o gol, 2×0. Nos acréscimos, Oscar dá um passe nas costas da defesa japonesa. Jô (que entrou no lugar de Fred) ganhou dos zagueiros na corrida e chuta no canto, 3×0, placar final.
Foi uma vitória com autoridade, mas não foi um 10×0 com 100% de posse de bola. Por isso, a Globo resolveu chamar a atenção da defesa brasileira, que estava bastante exposta. Como o Japão conseguiu ter chances? Era pra eles terem ficado parados apenas vendo a Seleção jogar! Quem dera fosse assim, mas o outro time também joga, que é o que faz o futebol ser emocionante.
A segunda rodada foi contra o México, com o mesmo time titular. O Brasil começou bem o jogo, enquanto os mexicanos armaram uma retranca. Aos nove minutos do primeiro tempo, Daniel Alves cruza pela direita. A zaga mexicana afasta, mas a bola sobra para Neymar bater de primeira no canto esquerdo de Corona, 1×0.
Mesmo saindo atrás do placar, o México continuou com a estratégia de jogar por uma bola. Portanto, não desfizeram a retranca. Isso permitiu o domínio completo do Brasil, com apenas algumas escapadas dos adversários. No final do jogo, Neymar parte com a bola pela esquerda, faz uma jogada individual espetacular ao passar por dois zagueiros mexicanos e toca para Jô (novamente entrou no lugar de Fred) fuzilar o gol de Corona, 2×0, placar final, Brasil classificado para as semifinais. A jogada de Neymar foi tão boa que até Casagrande vibrou, como o mundo dá voltas… mas o grande ex-centroavante e atual cheirador de coca resolveu pegar no pé de Fred, que ainda não tinha marcado um gol na Copa.
O último jogo contra a Itália serviria apenas para definir o primeiro e o segundo colocados. Felipão usou os mesmos jogadores que começaram contra o México (exceto Paulinho, que foi poupado, em seu lugar, entrou Hernanes), mas usou um 4-5-1, com apenas Fred no ataque.
O Brasil empilhou logo três chances de gol no começo do jogo. Isso fez a Itália apelar pra porrada, sempre chegavam pra matar, especialmente o lateral Abate em cima de Neymar. Em um desses confrontos, o próprio Abate teve um choque joelho/joelho com David Luiz. Os dois sentiram, continuaram em campo, mas foram substituídos ainda no primeiro tempo. Felipão resolveu colocar Dante no lugar. Nos acréscimos do primeiro tempo, Neymar bate falta pela esquerda na cabeça de Fred, a bola para na boa defesa de Buffon, mas a bola sobra para Dante abrir o placar, 1×0.
Na segunda etapa, a pressão brasileira continuou, mas, aos seis minutos, Balotelli dá um toque que lança Giaccherini. O meia italiano arranca pela direita e chuta cruzado, 1×1. Pouco tempo depois, Neymar avança para a entrada da área italiana e é parado por Maggio com falta. O próprio menino Ney vai pra cobrança e coloca a bola no ângulo, sem chances para Buffon, 2×1. Aos 21 minutos, Marcelo faz belo lançamento para Fred, que domina a bola, ganha vantagem sobre o zagueiro italiano e fuzila o gol de Buffon, 3×1.
O lance mais bizarro do jogo ocorreu aos 26 minutos. Em um escanteio a favor da Itália, o juiz marcou pênalti de Luiz Gustavo sobre Balotelli, mas Chielini bateu e marcou um gol, então, o juiz desmarcou o pênalti e deu o tento para os italianos, 3×2.
Depois disso, a Itália se animou e procurou atacar mais com sua melhor jogada: o chuveirinho na área. Em um deles, a bola até bateu na trave, mas chega uma hora que cansa. Então, aos 43 minutos, Bernard progrediu pela esquerda e fez um passe para Marcelo, que chegou chutando. Buffon fez a defesa, mas não impediu o gol de Fred, que pegou o rebote e deu números finais ao jogo, 4×2. Por fim, esse jogo rendeu um meme que persiste até hoje: Bernard entrou em jogo aos 23 minutos do segundo tempo, os comentaristas destacaram uma fala de Felipão: “esse menino me encanta, ele tem uma alegria nas pernas que nunca tinha visto”, assim nasceu Bernand, o menino com alegria nas pernas.
Nas semifinais, o Brasil enfrentou o Uruguai, com o retorno de Paulinho e da formação 4-3-3. Aos 12 minutos, em um escanteio a favor do Uruguai, foi marcado um pênalti de David Luiz em cima de Lugano. Forlán foi pra cobrança, mas Júlio César fez bela defesa. Depois desse susto, a Seleção Brasileira começou a controlar mais as ações do jogo. Tanto que, aos 41 minutos do primeiro tempo, Neymar recebe um lançamento de Paulinho, tenta um toque por cobertura. Muslera consegue espalmar, mas não impede o rebote de Fred, que deu um chute à la Daniel-San (Karatê Kid) para marcar seu tento, 1×0.
No começo da segunda etapa, Cavani se aproveita de uma saída errada da defesa brasileira, toma a bola e chuta no canto de Júlio César, 1×1. O jogo ficou equilibrado depois desse gol, com chances para os dois lados, até que, aos 40 minutos, Neymar cobra um escanteio na cabeça de Paulinho, que não perdoa, 2×1, Brasil nas finais.
A final foi contra a “geração de ouro” da Espanha, o time do toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá, toquinho pra cá, toquinho pra lá. Claro que a Rede Globo estava apavorada com a possibilidade desses toquinhos humilharem a Seleção Brasileira, algo que, inclusive, apontavam como quase certo.
Com a mesma escalação e formação das semifinais, os espanhóis mostraram o que significa ser a melhor geração da Espanha aos dois minutos, quando Hulk cruza na área. A zaga espanhola tenta tirar e Fred, que disputou a bola no alto e caiu. Ele viu a redonda na sua frente e mandou pro fundo da rede, 1×0. Ou seja, a melhor geração espanhola tem tanto valor quanto uma nota de três reais.
Depois disso, a Espanha partiu com tudo pro ataque? Nem pensar! Continuou com seus toquinhos envolventes, enquanto o Brasil empilhava chances. Os espanhóis chegaram com perigo em um contra-ataque, quando Pedro foi colocado cara a cara com Júlio César e, como não tinha ninguém pra tocar, ele foi obrigado a chutar. A bola passou do goleiro brasileiro, mas David Luiz salva em cima da linha. Logo depois, Neymar carrega a bola até a entrada da área e toca pra Oscar. O meia brasileiro segura a bola para atrair a marcação e devolve para Neymar, que fuzila o gol de Casillas, 2×0.
Aos dois minutos do segundo tempo, Marcelo passa para Hulk, que faz um passe para a esquerda. Neymar faz um corta-luz para Fred, o centroavante chuta cruzado e dá números finais ao jogo, 3×0, fora o baile, com gritos de “olé” e de “o campeão voltou”. Com isso, o Brasil se torna tetracampeão da Copa das Confederações. Neymar ganhou a bola de ouro, Fred foi um dos artilheiros com cinco gols (empatado com o espanhol Fernando Torres, chupa Casagrande), Júlio César ganhou a luva de ouro.
Depois dessa vitória, Felipão anuncia que o primeiro convocado para a Copa do Mundo seria exatamente Júlio César, como uma forma de encorajá-lo, pois ele era reserva em um time de segunda divisão da Inglaterra, mas nunca deixou de salvar a Seleção quando exigido. Claro que isso deu o que falar na Rede Globo e na imprensa nacional.
Os próximos amistosos serviram para definir o escrete para a Copa. Todos esses jogos contaram com a presença daqueles que jogaram a Copa das Confederações, com o retorno de outros, como Alexandre Pato, Lucas Leiva, Maicon e Robinho, e com algumas novidades, como Maxwell e William.
Vale destacar as atuações de Maicon, Robinho e de William. Este último jogou como se fosse um veterano, além de Bernard e Jô, que atuaram na Copa das Confederações. Pato e Lucas Leiva não aproveitaram bem suas chances, o centroavante deixou sua marca contra a Austrália, mas teve uma atuação apagada contra a Zâmbia, já o volante não conseguia garantir uma defesa sólida e praticamente matava o ataque, resultados similares aos que apresentava na era Mano Menezes.
Apesar de ter jogado bem, Robinho ficou de fora da lista de convocação para a Copa do Mundo por não jogar até agosto de 2014, uma prática bem recorrente de times europeus para jogadores brasileiros que se destacam (Robinho jogava no Milan). Outro que enfrentou esse problema foi Júlio César, que não conseguia jogar no Queen’s Park Rangers. Por isso, optou por se transferir para o Toronto, do Canadá. Isso gerou um debate incansável na imprensa brasileira, sobre o qual irei falar mais adiante.
A polêmica mais marcada na época (que perdura até hoje) é a da sensação europeia Diego Costa, que consiste no seguinte: ele fez uma temporada incrível pelo Atlético de Madrid, mas, como nunca jogou em um time brasileiro, era desconhecido pela maioria dos torcedores nacionais. Por isso, a imprensa, liderada pela Rede Globo, resolveu inflar esse jogador de uma temporada só para ser convocado.
Como dito anteriormente, ele jogou dois amistosos e fez ABSOLUTAMENTE NADA. Antes que alguém fale que ele teve pouca minutagem, o Fred também teve na era Mano Menezes e, mesmo assim, conseguiu marcar seus tentos.
A polêmica maior veio quando a federação espanhola fez o convite para Diego Costa se naturalizar e atuar pela Espanha na Copa do Mundo. A imprensa pediu urgência para que a CBF convoque a sensação antes que percamos essa joia para os espanhóis. No fim, O PRÓPRIO DIEGO COSTA decidiu se naturalizar e a Rede Globo ficou em prantos, pois a Seleção poderia ter a sensação europeia no ataque, mas, em vez disso, ficou com dois jogadores que atuavam no patético futebol brasileiro: Fred (maior artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos) e Jô (artilheiro da Libertadores de 2013).
Para encerrar, vamos falar sobre os classificados na América do Sul: Brasil se classificou como país-sede. Nas Eliminatórias, Argentina, Colômbia, Chile e Equador se classificaram. Mesmo tendo o artilheiro (Luís Suares, com 11 gols) o Uruguai, novamente, foi para a repescagem. A celeste enfrentou a Jordânia, quinta colocada nas Eliminatórias asiáticas, ganhou por 5×0 no agregado e garantiu sua vaga na Copa do Mundo.
Continua…