03.07.2026

Globo, a maior inimiga da Seleção Brasileira – Parte II

Imprensa burguesa

Márcio Luiz

De 2014 até a atualidade, aqui continuamos com a história de sabotagens da imprensa, principalmente a Rede Globo, contra a Seleção do Brasil

Copa do Mundo de 2014 no Brasil

Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar; Hulk, Fred, Neymar. Novamente, um time bem competitivo e qualificado, digno de uma Copa do Mundo. Mas a Rede Globo também analisa o banco de reservas, tanto que sentiram falta da convocação de Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart (ambos campeões brasileiros pelo Cruzeiro no ano anterior), até citaram que ninguém no escrete, fora Neymar, era tão habilidoso quanto o Éverton Ribeiro (Oscar, Paulinho e Marcelo?).

As principais polêmicas da convocação, fora a de Diego Costa, foi a de Henrique (um homem de confiança do Felipão quando treinava o Palmeiras) e Júlio César. Este último era criticado por jogar no Toronto… sim, o goleiro que salvou o Brasil várias vezes com grandes defesas foi criticado por jogar em um time do Canadá — esperem até eles descobrirem que Taffarel, em 1994, era reserva da Reggiana, um time da segunda divisão italiana.

Além disso, a seleção não enfrentava apenas a pressão da imprensa, pois também tinha o movimento “Não vai ter Copa”, apadrinhado pelo eterno candidato psolista Guilherme Boulos (na época, colunista da Folha de S.Paulo). Pelo fato do PT trazer a Copa para o Brasil como um trunfo eleitoral, a direita resolveu criar esse movimento com aparência popular, mas sem objetivos concretos (como seria um verdadeiro movimento popular).

Tanto os coxinhas (que alegavam que o PT comprou a Copa) quanto a esquerda pequeno-burguesa caíram de cabeça nessa campanha. Este autor se sentiu praticamente isolado na Copa, pois ambos os lados estavam contra esse evento. No caso da esquerda, os motivos variavam bastante: alguns alegavam que a construção dos estádios gerou o despejo de vários moradores da área em que eles seriam construídos, enquanto outros falavam que isso faria a imprensa prestar atenção aos participantes do movimento, para assim eles passarem a mensagem (então eles queriam só aparecer?).

Voltando ao futebol, como esse escrete gera muita polêmica até os dias de hoje, vou compartilhar uma interpretação pessoal do motivo desses jogadores terem sido convocados: a maioria dos meias era composta por volantes “box-to-box”, ou seja, que defendiam bem, mas também pisavam na área adversária. Alguns deles, como Ramires, conseguiam jogar como meias ofensivos também. A intenção de Felipão era ter esses jogadores para conseguir dar consistência defensiva suficiente para a infiltração dos laterais, mas que também conseguissem jogar por dentro se necessário, tanto que os laterais titulares eram muito ofensivos (Daniel Alves e Marcelo), enquanto os reservas eram mais defensivos (Maicon e Maxwell), para serem usados se fosse preciso.

Para esse esquema, as peças-chave eram Luiz Gustavo, Paulinho e Neymar, que jogava como ponta-esquerda, mas flutuava bastante entre linhas para confundir a zaga adversária. Luiz Gustavo ficava mais recuado e permitia a descida de Marcelo, enquanto Paulinho chegava como um elemento surpresa no ataque, revezando com Daniel Alves.

Dito isso, o Brasil ficou no grupo A, com Croácia, México e Camarões. A primeira rodada foi contra a Croácia. Aos 10 minutos, Olic avançou pela esquerda e cruzou rasteiro, Jelavic desvia e Marcelo, que vinha correndo, acaba empurrando contra a própria meta, 0x1. Depois disso, a Seleção saiu mais pro ataque, com boas oportunidades de Neymar, Hulk e Paulinho, mas o empate saiu somente aos 29 minutos, quando Oscar rouba a bola no meio-campo e passa para Neymar, que avança por dentro e chuta rasteiro no canto direito, 1×1.

No segundo tempo, os croatas entraram com sangue nos olhos, tentavam parar qualquer lance com falta e esqueciam de atacar, a exemplo do que aconteceu em 2006. Aos 26 minutos, Fred é puxado dentro da área e o juiz marca pênalti, Neymar vai pra cobrança e converte, 2×1. A Croácia saiu pro abafa e conseguiu criar boas chances, mas sempre parava nas boas defesas do “goleiro do Toronto” e de David Luiz. Nos acréscimos, Oscar avança em direção à área e chuta de bico no contrapé do goleiro croata, 3×1, placar final.

Uma bela estreia e uma vitória com autoridade, mas a Rede Globo resolveu focar no Fred, na “Neymar-dependência” (note que eles sempre pegam no pé do craque da Seleção) e no Hulk. Alegaram que o centroavante fez partida apagada e que cavou o pênalti convertido por Neymar, enquanto Hulk foi acusado de errar todos os chutes que tentou. Também reclamaram da atuação de Paulinho (que fez boa partida), pois ele só jogou bem no primeiro tempo, provavelmente devido às pancadas que recebeu dos croatas — mas eles devem achar que isso não era desculpa.

A segunda rodada foi contra o México. Felipão resolveu colocar Ramires no lugar de Hulk, mas manteve a formação 4-3-3. Já os mexicanos colocaram um ônibus na frente do gol, com três zagueiros, dois laterais e os três meias mais recuados. Deixaram apenas Giovani dos Santos e Peralta na frente para o ataque.

O primeiro tempo teve amplo domínio brasileiro, tanto que o jogo poderia facilmente estar 3×0 a favor da amarelinha se não fosse o goleiro Ochôa, que estava em um dia inspirado. A exemplo dos croatas, os mexicanos voltaram pro segundo tempo para bater e conseguiram criar algumas jogadas para equilibrar o jogo. Neymar e Thiago Silva tiveram duas chances ótimas que pararam nas boas defesas de Ochôa. Com isso, o jogo terminou 0x0.

A Globo logo começou a se perguntar: o que vai acontecer se o Brasil pegar a Holanda (que goleou a Espanha) ou a Alemanha (que goleou Portugal)? Ainda bem que os alemães empataram com a poderosíssima Gana (poderiam até perder) e a Holanda venceu a poderosíssima Austrália com sufoco. No âmbito da esquerda pequeno-burguesa, eles festejavam esse empate como se fosse uma vitória do movimento, pois “Não vai ter Copa” para o Brasil (?). Os coxinhas também ficaram emocionados, até falaram que o goleiro mexicano é a única coisa que fez frente a essa “copa comprada pelo PT”.

Para fechar, a terceira rodada foi contra Camarões. Felipão voltou a usar o time que começou contra a Croácia, mas organizado de forma diferente: apenas Luiz Gustavo jogava como volante, enquanto Paulinho e Oscar ficavam mais avançados pela direita e pela esquerda, respectivamente. Foi um jogo bem equilibrado no começo, mas notava-se que as descidas de Daniel Alves ficaram prejudicadas, tanto que ele ficou mais recuado. Aos 17 minutos, Luiz Gustavo rouba a bola pela esquerda e cruza rasteiro para Neymar tocar no canto direito, 1×0.

O Brasil continuou chegando com perigo. Neymar estava até perdendo a cabeça pelo fato dos camaroneses estarem sempre batendo, até em alguns lances sem bola. No entanto, aos 26 minutos, Nyom passa pela marcação de Daniel Alves e cruza rasteiro para Matip empurrar pro gol, 1×1. A alegria de Camarões durou pouco, pois, aos 35 minutos, Marcelo recupera a bola pela esquerda e passa para Neymar, que atrai a marcação e chuta no contrapé do goleiro, 2×1.

No intervalo, Felipão tira Paulinho e coloca Fernandinho em seu lugar. Nesse contexto, foi uma escolha acertada, já que a bola estava espirrando muito no meio-campo e o Brasil não ficava com a sobra. Fernandinho resolveu esse problema.

Aos 4 minutos, o Brasil cobra um escanteio pela direita, mas os camaroneses afastam. Fernandinho fica com a sobra, toca para David Luiz, que cruza para Fred escorar de cabeça e marcar o seu, 3×1. A FIFA tentou colocar que Fred estava impedido, para aumentar essa desconfiança sobre o roubo a favor do Brasil, mas eles traçaram a linha no último defensor, e não na linha da bola.

Para fechar a conta, Oscar rouba a bola pela esquerda, Fernandinho fica com a sobra, toca pra Fred, que toca pra Oscar, que volta para Fernandinho chutar de bico no canto direito, 4×1. Vale destacar que os alemães empataram de 2×2 contra esse mesmo Camarões.

Brasil classificado em primeiro no grupo. Depois desse jogo, a Globo passou a exigir Fernandinho como titular, pois o Paulinho não estava jogando bem, de acordo com eles.

Um fato curioso: Felipão concedeu uma entrevista no Globo Esporte antes da Copa começar. O técnico brasileiro disse que o adversário que ele menos desejava pegar nas oitavas era o Chile, pois seu esquema de jogo não funcionava contra eles, provavelmente por causa da catimba e da porradaria que sempre fizeram parte do jogo de Sampaoli (técnico do Chile na época). Foi uma tremenda coincidência o Brasil pegar exatamente o Chile nas oitavas de final.

Essa campanha de “essa Copa foi comprada” era tão grande que até os jornalistas chilenos chegaram a perguntar pro Felipão se a arbitragem iria interferir no jogo contra o Chile. Mas será que eles interferiram? A resposta é: sim! Mas, para a alegria desse repórter, foi a favor dos chilenos, viva!

Para o jogo contra o Chile, Felipão capitulou diante da pressão da Rede Globo e escalou Fernandinho (como volante dessa vez) no lugar de Paulinho. Já nos primeiros minutos, Isla faz um pênalti em Hulk que o juiz não viu. Aos 17 minutos, Neymar cobra um escanteio pela esquerda, Thiago Silva desvia de cabeça para David Luiz completar de joelho pro gol, 1×0.

A pressão brasileira continuou, mas os chilenos não maneiravam na porrada, especialmente por parte do volante Vidal. Entretanto, aos 32 minutos, Alexis Sánchez aproveita um passe errado do Marcelo para chutar no canto de Júlio César, 1×1. Seguem os erros de arbitragem quando Neymar cabeceia e Silva espalma para fora (Silva era o volante, mas o juiz deve ter confundido ele com o goleiro).

Já no segundo tempo, Hulk recebe um lançamento, mata no peito e chuta no canto de Bravo. Esse seria o único gol que ele marcaria em uma partida oficial pela Seleção… sim, SERIA, pois o juiz resolveu considerar o mamilo esquerdo do Hulk como uma extensão de sua mão, portanto, gol anulado. O atacante brasileiro ainda tomou um cartão amarelo, pra parar de fazer gol sem ninguém mandar. Luiz Gustavo comete uma falta aos 17 minutos e toma o terceiro amarelo, ficando fora do próximo jogo.

O tempo regulamentar terminou em 1×1. A prorrogação foi recheada de chances brasileiras e porradas chilenas. Vale destacar o chute de Hulk de fora da área para a boa defesa de Bravo e um lance em que Pinilla voa na bunda de Daniel Alves, cai, o juiz marca falta e ainda dá cartão amarelo para o lateral brasileiro. A única chegada do Chile foi em um chute de Pinilla no travessão. Em suma, o empate persistiu e a partida foi decidida nas penalidades. Nesse momento, Thiago Silva chorou como um desabafo devido à pressão sofrida pela Seleção.

Foi aqui que o “goleiro do Toronto” mostrou a que veio. David Luiz converteu a cobrança brasileira, enquanto Pinilla chutou para a boa defesa de Júlio César. Na segunda cobrança, William consegue deslocar Bravo, mas chuta para fora. Ainda assim, Júlio César aparece novamente para defender a cobrança de Alexis Sánchez. Hulk manteve a maldição da falta de gols em jogos oficiais, consegue deslocar Bravo e, ainda assim, chuta em cima da perna do goleiro chileno. Na última cobrança, Neymar converte e Jara chuta na trave para garantir o Brasil nas quartas. O juiz até tentou Chile, mas não teve jeito.

Essa disputa por pênaltis serviu pra calar um pouco as críticas ao Júlio César, até o — entre muitas aspas — “craque” Neto, que em todo jogo na Band sempre falava “nosso goleiro joga no Toronto!”, foi obrigado a reconhecer a grandeza daquele que, por muito tempo, foi considerado o melhor goleiro do futebol italiano, além de ser o melhor goleiro da Europa em 2009.

Agora, o alvo foi Daniel Alves, prejudicado com Fernandinho, que não conseguiu permitir sua descida para ajudar no ataque. O volante também não conseguiu criar por dentro devido à “forte defesa” chilena. Além dele, Thiago Silva também foi criticado por chorar — se não quisessem isso, era só os comentaristas pararem de falar bobagens em rede nacional.

O adversário da Seleção nas quartas foi a Colômbia. Felipão colocou Paulinho no lugar do suspenso Luiz Gustavo, mas novamente capitulou e trocou Daniel Alves por Maicon. Scolari organizou o time em um 4-5-1, o meio-campo foi formado por Paulinho e Fernandinho como volantes, Hulk (direita), Oscar (centro) e Neymar (esquerda) como meias avançados, enquanto Fred ficava no ataque.

A defesa melhorou consideravelmente, mas ficou nítido como o Brasil perdeu poder de fogo com a ausência do Daniel Alves. Isso porque Maicon é um excelente lateral, mas não era mais o Maicon de 2010. Ele sofreu várias lesões e estava mais velho, o que o fez voltar a ser um lateral mais defensivo, como era entre 2004 e 2007.

Aos sete minutos, Neymar cobra um escanteio pela esquerda e a bola sobra pra Thiago Silva, que toca de joelho pro fundo da rede, 1×0. Apesar de controlado pelo Brasil, o jogo ficou muito morno. A exemplo do Chile, os colombianos também paravam os ataques da Canarinho com faltas, principalmente em Neymar. O lateral Zuniga ficou na sua cola o jogo todo.

No segundo tempo, o jogo continuou parecido. Aos 19 minutos, Thiago Silva entrou na frente do goleiro Ospina antes que ele fizesse a reposição da bola. O zagueiro brasileiro foi advertido com o terceiro amarelo e, portanto, estava fora do próximo jogo. Pouco tempo depois, Hulk sofre uma falta no meio-campo. David Luiz vai pra cobrança e acerta um belo chute no ângulo, 2×0. Você já deve ter visto aquele meme do torcedor brasileiro com a boca aberta e os olhos arregalados, gritando como se não houvesse amanhã, pois bem, essa imagem veio na comemoração desse gol.

Aos 35 minutos, Bacca recebe na área. Júlio César sai errado e vai nas pernas do atacante colombiano, pênalti. James Rodríguez vai pra cobrança e dá números finais ao jogo, 2×1.

5 minutos depois, a Colômbia estava no ataque. Neymar pega a sobra e Zuniga dá uma joelhada. Qualquer juiz sério daria, no mínimo, um amarelo, mas isso sequer foi considerado falta. Como resultado, Neymar fraturou uma das vértebras, foi substituído por Henrique, que cumpriu seu trabalho de segurar até o fim do jogo.

Portanto, Felipão não poderia contar com Thiago Silva (suspenso) e com Neymar (contundido) nas semifinais. Bem… chegou a hora de reviver o fatídico dia: a semifinal contra a Alemanha. Pode-se perceber que o revés contra os alemães foi construído durante a Copa: a substituição de Paulinho e de Daniel Alves, o craque contundido, o melhor zagueiro do elenco suspenso. O que restava ao Felipão era povoar o meio-campo para impedir o avanço dos alemães, que jogavam apenas com Müller na frente em um 4-5-1, mas é óbvio que a Rede Globo não deixaria isso acontecer.

Dizem as más línguas que Felipão chegou a se reunir com os diretores de programação da Rede Globo e falar que eles estavam passando dos limites. Eles decidiram maneirar SE ele escalasse Bernard no lugar de Neymar. Existem alguns indícios de que isso realmente pode ter acontecido, como o fato da imprensa toda apontar Bernard como o favorito para a vaga (mesmo William ser claramente a melhor opção). Milton Neves falava que o “menino com alegria nas pernas” seria como Amarildo, que substituiu Pelé na Copa de 1962. O argentino André Rizek também apoiou a entrada de Bernard com entusiasmo.

Anos depois, Hulk chegou a dizer que a Seleção treinou no esquema 4-5-1 após a contusão de Neymar, mas Felipão resolveu voltar para o 4-3-3 para favorecer o estilo de jogo do Bernard. Desse modo, Felipão organizou o time com Bernard na ponta esquerda e, no lugar de Thiago Silva, colocou Dante. A dupla de volantes escolhida foi Luiz Gustavo e Fernandinho, mas de lados trocados, ou seja, as descidas de Marcelo também ficariam comprometidas.

A primeira chance do jogo foi brasileira, com um chute de fora de Marcelo, após Luiz Gustavo sofrer uma falta na entrada da área que o juiz não deu. Aos 11 minutos, os alemães cobram um escanteio pela direita e Thomas Müller completa pro gol, 0x1. Logo após, Marcelo chega novamente e sofre um pênalti que o juiz não viu. A partir daí, eles entenderam que o juiz estava contra e a situação também. Daí veio o “apagão” de 10 minutos. Klose (que virou o maior artilheiro de todas as Copas no lugar de Ronaldo), Khedira e Kroos duas vezes, o intervalo foi 0x5 pra Alemanha.

No segundo tempo, o Brasil correu para diminuir o prejuízo, mas Schürrle marcou mais duas vezes, 0x7. No final do jogo, Oscar diminuiu e fechou a conta, 1×7, um placar que dói em muitos até hoje.

Essa análise foi feita para demonstrar que, a exemplo da Copa de 2006, o time do 7×1 é o time ideal da Rede Globo. Portanto, ela também influenciou mais um resultado negativo da Seleção.

Por sua vez, a esquerda pequeno-burguesa do “Não vai ter Copa” sentiu que sua missão foi cumprida. Aí você se pergunta: os moradores despejados receberam novas casas? Não, outros continuaram a ser despejados para o bem da especulação imobiliária. Mas, pelo menos, eles conseguiram o espaço na mídia para falar de suas reivindicações, certo? Errado, eles só ficaram satisfeitos com o fato da Seleção ter perdido a Copa. Ou seja, não teve Copa (eles só deveriam trocar a palavra de ordem para “não vai ter hexa”), pois eles acreditam que futebol é coisa de coxinha, ou que o “futebol é o ópio do povo” (fumar maconha, vape etc. na balada não é ópio nenhum).

Já a direita coxinha também ficou realizada. Nas eleições, eles adoram colocar a bandeira do Brasil para mostrar seu patriotismo, mas eles abriram uma exceção nesse caso e colocaram a bandeira da Alemanha. Me recordo inclusive de uma página de Facebook eugenista chamada “Orgulho de ser branco” festejando a superioridade branca da Alemanha ao vencer os negros e mestiços brasileiros, até desconsideraram o zagueiro alemão Boateng, que era negro, filho de imigrantes ganeses.

Em suma, os alemães foram considerados heróis por essa turma, já que impediram a vitória da Seleção nessa Copa comprada pelo PT, pois “enquanto te roubam, você grita gol”.

O verdadeiro vitorioso foi a direita imperialista, que podia concentrar seus produtos no lucrativo mercado europeu. O PSDB até soltou uma nota falando o quanto temos que aprender com os alemães, essa pátria tão superior e tão civilizada que trouxe o nazismo para o mundo.

A disputa pelo terceiro lugar foi entre Brasil e Holanda. Felipão já estava pedindo arrego, então colocou os reservas para jogarem. Como resultado, a Seleção perdeu por 3×0, sem nenhum ímpeto de buscar a vitória, com os holandeses controlando as ações da partida.

Antes de falar da final, alguns comentários sobre outras seleções. A atual campeã do mundo e da Eurocopa Espanha foi eliminada na primeira fase, tomou uma cacetada da Holanda e também perdeu para o Chile, ganhou apenas da Austrália. Mas e a sensação europeia, Diego Costa, o que ele fez na seleção espanhola? Adivinha: ABSOLUTAMENTE NADA! Passou em branco na Copa. Esse era o centroavante que a Rede Globo queria em nossa seleção.

Por sua vez, nossos amigos portugas também foram eliminados na fase de grupos, mesmo com o craque mundial Cristiano Ronaldo em seu time. Ele deixou seu tento apenas na vitória por 2×1 sobre Gana, mas isso não impediu que ficasse no caminho, pois empataram em pontos com os Estados Unidos e perderam no saldo de gols… Ué, mas o Cristiano Ronaldo não era o maior artilheiro, com uma média de 1,04 gols por partida? Cadê o goleador quando o time precisou dele? Já disse uma vez e repito: como não tinha o Figo e o Deco para carregar sua seleção, Portugal não conseguiu se criar.

Os hermanos tiveram mais sorte que o Brasil. Classificaram em primeiro no grupo F e chegaram na final por meio de pênaltis e de prorrogações. O “craque” Lionel Messi finalmente fez mais de um gol em Copas. Ele conseguiu a proeza de fazer o mesmo número de gols que o Neymar, mas ainda sem muito brilho. Portanto, a final foi Alemanha x Argentina.

Foi um jogo monótono, parecia que ninguém queria conquistar o título. A Argentina teve uma boa chance em um recuo errado da zaga alemã, mas Higuaín conseguiu chutar pra fora, mesmo cara a cara com Neuer. A melhor chance da Alemanha foi em um escanteio, Hummels cabeceia na trave, a bola encosta em Müller e volta pras mãos de Romero. Ainda assim, o atacante alemão estava impedido.

No segundo tempo, Messi finalmente aparece e quase faz um gol. Faltou só pontaria, pareceu até que não queria marcar o seu. Outro lance curioso foi Neuer sair do gol, socar a bola fora da área e ainda acertar uma joelhada na cara de Higuaín. O juiz obviamente viu isso e marcou falta a favor… da Alemanha? Esses europeus têm um charme para conquistar juízes.

A melhor chance da Alemanha veio de um chute de Schürrle em cima de Romero. O resto foi um amontoado de chutes pra fora, 0x0 no tempo regulamentar.

Se o jogo foi ruim, a prorrogação foi pior ainda. Ninguém queria se arriscar, já estavam em clima de pênaltis. No entanto, a Alemanha achou um gol aos 8 minutos do segundo tempo dessa prorrogação, quando Schürrle avança pela esquerda, cruza pra área para Götze matar no peito e chutar de primeira na bochecha direita da rede, 1×0, Alemanha tetracampeã da Copa do Mundo.

Por algum motivo, Messi ganhou a Bola de Ouro dessa Copa. O colombiano James Rodríguez foi o artilheiro isolado, com seis gols, enquanto o alemão Manuel Neuer foi eleito o melhor goleiro. A imprensa brasileira destacou que “Brasil tinha Neymar e Argetina tinha Messi, mas a Alemanha tinha o coletivo”, tudo isso pra não falar que NINGUÉM se destacava nesse time meia boca. O único que ganhou destaque nesse timeco foi exatamente o goleiro Neuer, que ficou entre os três melhores do mundo na temporada de 2014, ele merece alguns comentários.

Se fosse brasileiro, Neuer seria reserva de um time de várzea (com todo respeito a esses times). A imprensa brasileira, capitaneada pela Rede Globo, destacava, dentre seus maiores méritos, sua saída do gol (sempre que um jogador partia sozinho sem domínio da bola, ele saía para chutá-la pra longe) e o fato de ele jogar bem com os pés. Fora isso, ele é um goleiro extremamente performático, tanto que, se a bola for em cima dele, ele faz aquelas pontes de goleiro pra todo mundo pensar “nossa, que defesaça” mas, se a bola não for em cima dele, ele dá só golpe de vista.

Estes dotes enumerados pela imprensa fizeram todos considerá-lo como um goleiro revolucionário, pois ninguém tinha atuado dessa forma antes. Eles só esquecem que Rogério Ceni já fazia isso nos anos 1990 e 2000. Antes de Rogério, também existia o paraguaio Chilavert e até o mexicano Jorge Campos. Este último fazia algo que o Neuer nunca conseguiria fazer: sair driblando o atacante e até marcar gols com bola rolando. Além disso, goleiro-linha existe desde que o futsal foi inventado, ou seja, Neuer não foi revolucionário em nada, mas ele influenciou sim os goleiros atuais. Se o goleiro do seu time, em vez de pular na bola, fica só dando golpe de vista, agradeça a esse goleiro alemão medíocre.

Por fim, o futebol “moderno” também sofreu alterações: antes era a retranca italiana, os toquinhos espanhóis envolventes e, agora, ganhou o esquema alemão de handebol, ou seja, todo mundo ataca, todo mundo defende e a área é do goleiro. Vale ressaltar que, nesse esquema, todos realmente cercam a área para impedir o atacante de chutar, tudo isso para ninguém testar Manuel Neuer, pois até os alemães sabiam que ele iria aceitar.

Copa de 2018 e o caminho até lá

Felipão foi retirado do cargo e logo surgiram algumas especulações sobre o substituto. Pra quem acha que Ancelotti foi o primeiro técnico estrangeiro exigido pela imprensa, saiba que, em 2014, nossa correspondente norte-americana no Brasil achava que Pep Guardiola (considerado o inventor do futebol moderno — quem é Zagallo?) seria o substituto ideal para implantar o futebol “moderno” na Seleção, onde os toquinhos são mais importantes que fazer gol.

No entanto, o escolhido foi o Dunga, para desespero da imprensa baba-ovo de gringo. Muitos chegaram a falar que a CBF perdeu quatro anos, pois o técnico de 2010 (que eles mesmos pediram a cabeça) voltou para uma segunda passagem, como se isso nunca tivesse acontecido no futebol.

O capitão do tetra reafirmou o compromisso de “moralizar” a Seleção. Ele afirmou que, se estivesse na Copa, não deixaria os jogadores tingirem o cabelo, ter relações sexuais na concentração ou fazerem rodas de pagode. Os jogadores também eram obrigados a cantar o hino nacional antes dos jogos (na concentração, não em campo). Aí você me pergunta: em que isso iria ajudar no desempenho da Seleção? E eu te respondo: não faço a mínima ideia.

O primeiro jogo de seu retorno foi ainda em 2014, contra a Colômbia. Para esse jogo, a base da convocação de Dunga foi o time da Copa, mas também incluiu os “injustiçados”, como Éverton Ribeiro, Robinho e Ricardo Goulart, além dos retornos de Elias, Filipe Luís, Philippe Coutinho e Diego Tardelli. A escalação foi: Jéfferson; Maicon, Miranda, David Luiz, Filipe Luís; Luiz Gustavo, Ramires, William, Oscar; Diego Tardelli, Neymar.

A formação é bem parecida com o de 2010, um 4-4-2 com o meio-campo em losango. Luiz Gustavo era o mais recuado, seguido por Ramires, William e Oscar, como o meia “ponta de lança”, enquanto Neymar e Diego Tardelli formam a dupla de ataque.

Pela escalação, nota-se que Neymar se recuperou da lesão. Antes do começo da partida, ele e Zuniga se cumprimentaram (desculpa por te dar uma joelhada nas costas, não te vi na minha frente). O primeiro tempo foi dominado pelo Brasil, inclusive, teve um lance onde Filipe Luís chuta, Ospina defende e Diego Tardelli pega o rebote para marcar seu tento incorretamente anulado por impedimento, pois o atacante brasileiro estava atrás da linha da bola. Foram várias chances, mas a Seleção pecou na hora da finalização.

Na segunda etapa, continuou o amplo domínio brasileiro, mas o gol saiu apenas aos 37 minutos, em uma falta cobrada por Neymar, que colocou a bola no ângulo esquerdo do goleiro Ospina, 1×0, placar final. Destacam-se as atuações de Filipe Luís, William, Oscar e Neymar.

O segundo amistoso foi contra o Equador. Dunga manteve a formação do último jogo, mas mudou o time titular: colocou Marquinhos no lugar de David Luiz, e cortou Maicon depois do lateral ter chegado com 11 horas de atraso para a reapresentação de sábado. Em seu lugar, entrou Danilo.

O cenário do primeiro tempo foi semelhante ao do jogo contra a Colômbia, onde teve um domínio brasileiro, mas ainda faltava caprichar mais nas finalizações. Aos 30 minutos, Oscar cobra uma falta ao dar passe para Neymar, que dá uma cavada para William tocar na saída do goleiro Domínguez, 1×0.

No começo do segundo tempo, o Equador começou melhor com duas boas chances de gol. Em uma delas, Filipe Luís tira em cima da linha, mas o Brasil não demorou a retomar o controle. No mais, o jogo terminou de 1×0 para a Canarinho. 

A dupla cruzeirense Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro entrou no começo do segundo tempo. Este último fez um bom jogo e teve até uma chance clara de gol. O mesmo não pode ser dito de Ricardo Goulart, que jogou na Seleção pela última vez, depois foi pro futebol chinês e até se naturalizou chinês para jogar na seleção da China. Mas, como não jogava na Europa, a Rede Globo não deu a mínima para isso.

O atual inimigo número 1 do Neymar, Walter Casagrande, chegou a comentar no jogo contra o Equador que o Brasil deveria jogar contra Turquia, Japão e outras seleções mais fracas, pois o cenário não era muito favorável para o próximo adversário, que seria a Argentina, em mais uma edição do Superclássico das Américas.

Dessa vez, os escretes poderiam ter jogadores que atuavam em outros clubes fora das competições nacionais. Além disso, o torneio seria decidido em jogo único num campo neutro (Pequim – China). Em caso de empate, teria disputa por pênaltis. A formação foi a mesma do jogo anterior, mas Dunga optou por começar com Elias no lugar de Ramires.

Os hermanos começaram bem o jogo, com algumas oportunidades no começo da partida. No entanto, aos 28 minutos, Oscar cruza para a área, Fede Fernández desvia a bola, mas Diego Tardelli pega a sobra e, de primeira, manda pro fundo das redes, 1×0. Logo depois, Neymar faz uma bela jogada individual ao passar por todos no meio-campo argentino, mas pecou na finalização. Os argentinos conseguiram chegar após uma bobeada de Danilo, Di Maria roubou a bola e o lateral brasileiro conseguiu desarmar bem, mas o juiz viu um pênalti. Messi foi pra cobrança, mas Jéfferson fez boa defesa.

No segundo tempo, o Brasil já conseguiu dominar o jogo. Aos 19 minutos, Oscar cobra um escanteio pela esquerda, David Luiz desvia de cabeça e Diego Tardelli completa. Romero ainda tocou na bola, mas não impediu que ela entrasse, 2×0, Brasil novamente triunfou no Superclássico das Américas. Isso mostra que o baixinho estava coberto de razão: “Casagrande nunca chutou em lugar nenhum, nunca foi campeão de porra nenhuma, quem é o Casagrande pra falar de mim?”.

Até a Copa América, Dunga fez 10 jogos e ganhou todos, inclusive contra o Chile, o anfitrião da próxima copa continental, e a França. Também foram revelados alguns nomes interessantes, como Douglas Costa, Fred (o volante, não o centroavante), Casemiro e Roberto Firmino que, em sua primeira partida (contra a Áustria), marcou um golaço. Thiago Silva também retornou para a Seleção.

Ainda que o cenário aparentasse ser favorável, houve denúncias de esquemas de corrupção na Copa de 2014, o que levou à reestruturação total tanto da CBF quanto da FIFA, sem falar no golpe de Estado contra a Dilma em pleno curso. Como se pode ver a seguir, todos esses fatores contribuíram para o desempenho dos jogadores cair.

Copa América 2015-2016 e a operação ‘copa para a Argentina’

A “operação uma copa para a Argentina” já foi acionada pela Rede Globo na partida contra a Honduras, um amistoso que ocorreu quatro dias antes da primeira partida. Foi um jogo tranquilo que o Brasil venceu por 1×0, a partir de uma bela jogada onde Filipe Luís avança pela esquerda, tabela com Philippe Coutinho, chega na área e passa para Roberto Firmino chutar entre as pernas de Valladares.

Foi uma vitória sólida, sem preocupações, mas, como a Seleção não venceu por 10×0, a Rede Globo resolveu destacar que o Brasil piorou com a entrada de Neymar no segundo tempo (mentira) e que a torcida vaiou no final do jogo. Na verdade, foi uma parte da torcida, uma parte de chorões que sempre vaiam se o adversário finalizar uma vez para o gol, mesmo com uma seleção que venceu todos os jogos depois da Copa.

Com a liderança da Rede Globo, foi disseminado um clima de derrota para a Copa América, pois alegavam que o Brasil não era mais temido depois do 7×1 (então por que os times jogam retrancados contra a Seleção?). A pressão da imprensa foi tamanha, que Thiago Silva chegou a declarar que o Chile era o favorito na conquista da Copa América por jogar em casa. Obviamente isso gerou um burburinho tanto na imprensa quanto no vestiário — se bem que a imprensa pegaria no pé até se ele declarasse que o Brasil era o favorito.

Alguns jogadores convocados para a competição também foram bastante criticados, como o goleiro Jéfferson, que estava no Botafogo, apenas pelo fato do seu time estar na segunda divisão (o que não tira o fato dele ser um excelente goleiro); e Éverton Ribeiro, exatamente o cara que todos estavam implorando para ser convocado na Copa de 2014, pelo simples fato dele estar no futebol árabe. Ou seja, só vale convocar jogadores do futebol europeu, já o brasileiro é aceitável.

Em contrapartida, a Argentina era extremamente cultuada, pois tinha craques como Messi… também o Messi e… já falei que eles têm o Messi? Eles também citavam Agüero, Di Maria e Mascherano, mas a Argentina era a favorita apenas por ter Messi.

Em relação à Copa em si, o Brasil caiu no grupo C, acompanhado de Venezuela, Colômbia e Peru. A primeira rodada foi contra o Peru, o time que começou foi: Jéfferson; Daniel Alves, Miranda, David Luiz, Filipe Luís; Fernandinho, Fred, Elias, William; Diego Tardelli, Neymar. O mesmo esquema 4-4-2 com meio-campo em losango foi usado.

Aos 3 minutos, Jéfferson falha na saída de bola ao colocá-la nos pés de Cueva, que não perdoou, 0x1. No minuto seguinte, Daniel Alves cruza pela direita e Neymar cabeceia para o gol, 1×1. O resto da partida se resumiu a um jogo de ataque contra defesa, onde o Brasil apresentava mais chances e o Peru jogava por uma bola. No apagar das luzes, Neymar avança pela esquerda e faz a inversão para Douglas Costa ficar cara a cara com Gallese e marcar o seu, 2×1.

Dunga chegou a declarar que o placar não foi maior pelo fato do Peru jogar melhor do que ele imaginava. Claro que isso serviu para a Rede Globo achincalhar o técnico, pois jogou com uma seleção fraca retrancada e não ganhou por mais de 15 gols de diferença, algo que os jornalistas faziam facilmente no FIFA no nível amador.

O próximo jogo foi contra a Colômbia. Dunga manteve os mesmos jogadores do jogo passado, exceto Diego Tardelli, que foi substituído por Roberto Firmino. Além disso, ele os organizou em um 4-4-2 conservador, ou seja, com os meias-atacantes mais recuados.

Como previsto, foi um jogo morno, em que nenhum dos dois times se arriscava. Neymar fez algumas boas jogadas individuais, mas quase sempre era parado com falta. Aos 34 minutos, o juiz não viu a cotovelada de Falcão García em Fred, mas viu a falta de Fred em García que ocorreu em seguida. Cuadrado cobra ao fazer um cruzamento, a bola fica viva em meio a uma confusão na área brasileira e sobra para Murillo chutar no canto de Jéfferson, 0x1.

Logo após, o Brasil saiu pro abafa, teve boas oportunidades com a cabeçada de Neymar no final do primeiro tempo e com Roberto Firmino no segundo tempo, que isolou sem goleiro. No final do jogo, os colombianos estranharam o fato do Neymar chutar uma bola em jogo nas costas de Armero. Isso desencadeou uma confusão generalizada e o juiz resolveu dar o segundo amarelo e, consequentemente, o vermelho para o menino Ney. Portanto, o jogo terminou com a vitória da Colômbia.

Nessa segunda rodada, todas as seleções do grupo C tinham três pontos. A vitória na terceira rodada era fundamental para garantir vaga nas quartas. O Brasil enfrentou a Venezuela sem Neymar, suspenso devido à expulsão. Em seu lugar, Dunga escalou Robinho. Além disso, substituiu Fred por Philippe Coutinho e organizou o time em um 4-5-1, com apenas Roberto Firmino no ataque.

Logo aos 9 minutos, Robinho cobra um escanteio pela direita para o meio da área e Thiago Silva chega batendo, 1×0. Aos 7 minutos da segunda etapa, William recebe pela esquerda, passa por Rosales e cruza para Roberto Firmino escorar pro gol, 2×0. Aos 39 minutos, a Venezuela teve uma falta cobrada por Vargas, Jéfferson toca na bola, ela bate na trave, mas sobra para Miku diminuir e dar números finais ao jogo, 2×1.

Com esse resultado, o Brasil se classificou em primeiro, o Peru ficou em segundo e a Colômbia foi classificada como o segundo melhor terceiro colocado. Os demais favoritos (Argentina e Chile) também se classificaram em primeiro nos seus respectivos grupos.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o Paraguai. Neymar ainda estava suspenso, Dunga escalou o mesmo time do jogo contra a Venezuela com a mesma formação. Aos 15 minutos, Elias aciona Daniel Alves na direita, ele cruza para Robinho tocar de primeira para o fundo da rede, 1×0. Depois do gol, a seleção resolveu recuar, chamou o Paraguai para sua defesa, mas os paraguaios não levaram perigo.

No segundo tempo, os brasileiros continuaram recuados, tanto que a primeira chance foi do Paraguai em um escanteio, que resultou em uma cabeçada de Aguilar para a defesa de Jéfferson. Aos 27 minutos, o Paraguai chega em um cruzamento na área, Thiago Silva sobe e toca a bola com a mão, pênalti. Gonzáles vai pra cobrança e converte, 1×1.

Com o empate, a Canarinho saiu pro ataque, enquanto o Paraguai saía nos contra-ataques e sempre parava as jogadas brasileiras com falta. No fim, ficou 1×1 e a decisão foi para as penalidades. No lado brasileiro, Éverton Ribeiro e Douglas Costa perderam seus pênaltis, enquanto no lado paraguaio, Roque Santa Cruz desperdiçou. Nas últimas cobranças, Philippe Coutinho converteu e Gonzáles também, portanto, 3-4 nos pênaltis, Brasil eliminado.

Isso foi suficiente para a imprensa destilar suas bobagens. Os principais culpados que eles elegeram foram Neymar, por causa de sua expulsão, e Thiago Silva, pelo toque de mão. 

O primeiro foi considerado inconsequente, sem autocontrole e descuidado, mas o que esses jornalistas fariam para manter o autocontrole caso fossem caçados em campo e suas jogadas sempre fossem interrompidas por falta? Aposto que diriam “podem fazer quantas faltas quiserem, mas eu sou da paz”, aí sairiam de campo lesionados de tanta porrada. Thiago Silva foi considerado imaturo, chorão e um péssimo zagueiro. Eles só esquecem que esse choro é provocado por eles mesmos, já que, se a Seleção ganhar, não jogou bem, se perder, é porque o Brasil não é mais temido.

O Paraguai gastou todo o seu ímpeto com o Brasil, pois perdeu de 6×1 para a Argentina nas semifinais. Tomou dois gols em um intervalo pequeno no primeiro tempo, mas diminuiu no final, semelhante ao empate por 2×2 contra a mesma Argentina na fase de grupos. No segundo tempo, os paraguaios notaram que fazer falta para parar jogadas só funciona se o juiz estiver ao seu lado (contra a Argentina, não estava). Isso lhes rendeu três gols em 20 minutos e mais um aos 38 minutos. Muitos pensavam: imagina se o Brasil fosse pra semifinal, seria goleado! Será que já esqueceram quem venceu o Superclássico das Américas? E claro, a Rede Globo ficou agarrada no ovo esquerdo do Messi.

Na final, a previsão de Thiago Silva acabou se concretizando. O Chile conquistou sua primeira Copa América após vencer a Argentina nos pênaltis, ou seja, a operação “dê uma copa para a Argentina” foi um fracasso. Os artilheiros da Copa foram Vargas (Chile) e Paolo Guerrero (Peru), ambos com quatro gols, enquanto Bravo (Chile) foi considerado o melhor goleiro. A CONMEBOL queria ceder a Messi o prêmio de melhor jogador, mas o craque mundial ficou muito tristinho e não aceitou o prêmio. Não é todo dia que você perde uma copa marcada pra você ganhar.

Depois disso, começaram as Eliminatórias. A primeira rodada foi contra o Chile. A seleção contou com os retornos de Oscar, David Luiz, Hulk e Marcelo. Dunga repetiu o esquema de 4-5-1 da Copa América, com Luiz Gustavo e Elias como volantes, William, Oscar e Douglas Costa como meias avançados e Hulk como centroavante.

Com esse esquema, o Chile dominou as ações durante o jogo. O Brasil conseguiu chegar mais na segunda metade do primeiro tempo e na primeira metade do segundo tempo, mas a seleção chilena era baseada na catimba “sampaoleana”, portanto, os ataques sempre são parados com “faltas táticas”. Aos 27 minutos do segundo tempo, o Chile cobra uma falta pela direita com um cruzamento, Vargas desvia a bola, Jéfferson chega a tocar na bola, mas não impede que ela entre, 0x1.

O Brasil saiu pro abafa e conseguiu criar boas oportunidades, mas, no finalzinho do jogo, Alexis Sánchez faz boa tabela com Vidal, Miranda chega a evitar o gol no primeiro chute, mas não impede no rebote de Sánchez, 0x2, placar final.

Casagrande prova que sempre foi um abutre que espera a morte do futebol brasileiro ao decretar a superioridade do Chile em relação à Seleção. Parece até que esquece o papel que eles mesmos exerceram nesse processo ao exigirem mais consistência defensiva depois do 7×1, sendo que os melhores escretes da Canarinho sempre focavam no ataque, sem falar na falta de Neymar, o principal craque da Seleção.

O próximo jogo foi contra a Venezuela. Dunga colocou Ricardo Oliveira no lugar de Hulk, Filipe Luís no lugar de Marcelo e Marquinhos no lugar de David Luiz, com o mesmo esquema, pois a defesa é o mais importante, gol é secundário. Além disso, resolveu dar chance para a então revelação do Internacional, Alisson, para ocupar o lugar de Jéfferson.

Ainda que a preocupação fosse a defesa sobre o gol, no primeiro ataque, o Brasil rouba uma bola no meio-campo, William fica com a posse, arranca pela direita e bate forte, Baroja chega a tocar na bola, mas não impede o gol brasileiro, 1×0. Aos 42 minutos, Filipe Luís recebe um passe pela esquerda, faz um cruzamento rasteiro, Oscar faz o corta-luz para William chegar batendo e marcar seu segundo no jogo, 2×0.

No segundo tempo, a Venezuela diminui depois de uma cobrança de escanteio, onde Viscarrondo desvia de cabeça para Cristian Santos tocar de joelho pro fundo da rede 2×1. Aos 29 minutos, Douglas Costa faz um cruzamento pela esquerda e Ricardo Oliveira toca de cabeça para fechar a conta, 3×1.

Foi uma boa vitória, mas ainda dava pra notar uma preocupação excessiva dos jogadores brasileiros em não errar, tanto que só finalizavam quando tinham absoluta certeza que a bola levaria perigo. Mas, como diria minha vó, “quem não arrisca, não petisca”. Não adianta jogar seguro e “fazer bonito”, o bonito no futebol é exatamente fazer o gol, principalmente se tiver jogadas improvisadas ou se envolver um atacante com faro de gol, que consegue um espaço para finalizar mesmo com a marcação acirrada do adversário. Fora isso, vale destacar a atuação de Alisson, que se mostrou um goleiro seguro, não performático, que raramente dá rebote para os adversários.

A terceira rodada foi contra os hermanos. Nesse jogo, Neymar finalmente estava de volta. Quem também voltou à titularidade foi David Luiz. A Seleção também contou com a estreia de Lucas Lima, que ocupou o lugar de Oscar como meia por dentro no esquema 4-5-1 de Dunga.

O começo do jogo contou apenas com chegadas da Argentina no ataque, novamente reflexo da cautela extrema que era exigida à Seleção no sentido defensivo. Aos 34 minutos, Higuaín faz um cruzamento rasteiro para Lavezzi chutar pro gol, 0x1. No segundo tempo, o Brasil decidiu se arriscar mais e conseguiu criar mais chances. Aos 13 minutos, Daniel faz um cruzamento de três dedos para Douglas Costa cabecear no travessão, mas a bola sobra para o estreante Lucas Lima fuzilar o gol de Romero, 1×1, placar final.

Nos demais jogos, a seleção venceu o Peru por 3×0, mas empatou com o Uruguai e com o Paraguai por 2×2. Depois disso, a CONMEBOL deu um tempo nas Eliminatórias para retomar a operação “dê uma copa para a Argentina”. Decidiram que teria mais uma Copa América em 2016, com a desculpa de celebrar o centenário da primeira edição do torneio.

Essa edição contou com a participação de mais seis times da CONCACAF. O Brasil ficou no grupo B, com Equador, Haiti e Peru. O primeiro jogo foi contra o Equador, com mudanças drásticas no escrete: Neymar ficou de fora para ser um dos reforços da seleção olímpica. Além disso, a Seleção foi montada da seguinte forma: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Gil, Filipe Luís; Casemiro, Elias, Renato Augusto; William, Jonas, Philippe Coutinho.

Durante o jogo, pôde-se perceber a mesma insegurança dos jogadores. Eles sempre buscavam pelas alternativas seguras, sem se arriscar, com total comprometimento defensivo. Como resultado, o jogo terminou 0x0.

Na segunda rodada, a Seleção enfrentou o Haiti. Dunga manteve a mesma formação e o mesmo elenco do jogo anterior. O Brasil precisava de saldo e conseguiu: venceu o Haiti por 7×1, com três gols de Philippe Coutinho, dois de Renato Augusto, um de Gabigol e um de Lucas Lima — os dois últimos entraram no segundo tempo. Marcelin fez o gol de honra dos haitianos.

Para decidir, o Brasil jogou contra o Peru pela terceira rodada. Para esse jogo, Dunga voltou para o 4-5-1, com mudanças no meio-campo: Renato Augusto e Elias eram a dupla de volantes, enquanto William, Lucas Lima e Philippe Coutinho formavam o trio de meias ofensivos. Para completar, Gabigol ficou no ataque.

O Brasil dominou o jogo, exatamente pelo fato de parar de jogar seguro e começar a arriscar mais, o que rendeu boas chances. No entanto, aos 30 minutos, Polo cruza na área e Ruidíaz faz o gol de mão que só o juiz não viu, 0x1, Brasil eliminado na fase de grupos. Com esse resultado, Dunga foi demitido.

Aí vocês me perguntam: e os hermanos? Eu te respondo: perderam a final para o Chile de novo. Portanto, a operação “dê uma copa pra Argentina” fracassou novamente. O artilheiro da competição foi Vargas (Chile), com seis gols, o melhor jogador foi Alexis Sánchez (Chile) e o melhor goleiro foi Bravo (Chile). Era uma situação bem delicada para o Brasil, já que também encontrava dificuldades nas Eliminatórias, mas a virada de chave veio com tudo.

Primeiro Ouro Olímpico, Era Tite e o resto das Eliminatórias

Com todas as instabilidades enfrentadas pela seleção, a CBF decidiu tirar Dunga do comando e, em seu lugar, colocar Tite, que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2015 com o Corinthians. No momento, a Globo estava focada em apedrejar a seleção olímpica, que contava com revelações, como Rodrigo Caio, Luan, Gabriel “Gabigol” Barbosa e Gabriel Jesus, além dos reforços Weverton (na época, goleiro do Athlético-PR), Renato Augusto e Neymar.

Inicialmente, o time titular era: Weverton; Zeca, Rodrigo Caio, Marquinhos, Douglas Santos; Walace, Renato Augusto, Felipe Anderson; Neymar, Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus. O Brasil caiu no grupo A, com Dinamarca, Iraque e África do Sul. Os dois primeiros jogos foram contra a África do Sul e o Iraque. Ambos terminaram em um empate sem gols, um prato cheio para a imprensa pegar ainda mais no pé da Seleção, pois eles jogavam em casa e não honravam a camisa, como as atletas do escrete feminino faziam nessa mesma Olimpíada — chegaram até a pintar Marta como a salvadora, enquanto Neymar era considerado uma farsa.

Para a terceira rodada, a Seleção precisava vencer para se garantir nas quartas de final. O adversário era a líder Dinamarca. A imprensa já estava no clima de “já perdeu”, pois era uma seleção do sacrossanto futebol europeu. Para esse jogo, o técnico da seleção olímpica Rogério Morgado resolveu colocar Luan no lugar de Felipe Anderson, uma aposta que se mostrou acertada, pois o futebol da Seleção melhorou consideravelmente e a bola girava com mais qualidade.

No final, a imbatível Dinamarca nem viu o cheiro da bola, a Canarinho venceu por 4×0 com autoridade, dois gols para cada Gabriel do ataque (o Barbosa e o Jesus) e a aposta Luan complementou a goleada. Brasil se classificou como primeiro do grupo, enquanto a Dinamarca ficou em segundo. Agora, o discurso era outro: será que a Seleção precisa de Neymar? Pois ele não foi fundamental nessa classificação, de acordo com comentaristas como Casagrande.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Colômbia, segunda colocada no grupo B. Morgado manteve o mesmo time da terceira rodada e ganhou por 2×0. A “farsa” Neymar abriu o placar e Luan, no finalzinho, colocou números finais no jogo. A semifinal foi contra a Honduras, responsável por eliminar nossos hermanos na fase de grupos. Foi um passeio: 6×0, dois gols de Gabriel Jesus, um de Marquinhos e um de Luan. A “farsa” abriu o placar no comecinho do jogo e fechou a conta com um pênalti no apagar das luzes.

A final foi contra a Alemanha, uma possibilidade de revanche pela Copa de 2014. Mesmo com a exata mesma campanha do futebol brasileiro, com três vitórias e dois empates (mas levou mais gols), a Alemanha era pintada como a favorita. Mesmo sendo brasileiros, eram modestos para admitir o favoritismo dos europeus — ainda bem que avisaram, pois achava que eram empresários norte-americanos da Nike, já que o discurso era o mesmo.

O jogo começou equilibrado, mas era curioso: o Brasil saía mais para o ataque e a Alemanha ficava no contra-ataque. Espera-se que um time tecnicamente melhor ataque mais, e não faça uma retranca para pegar o adversário desarrumado. Aos 26 minutos, Neymar sofre uma falta no lado esquerdo, ele mesmo cobra e manda a bola no ângulo esquerdo, 1×0, o craque brasileiro também manda um “eu tô aqui”, uma clara alusão ao fato dele não ter jogado a fatídica semifinal, mas a imprensa viu isso como um ato de arrogância nunca antes visto, afinal, não existem craques arrogantes no futebol.

Depois disso, a Alemanha saiu mais para o ataque e chegou a acertar o travessão duas vezes. Aos 14 minutos do segundo tempo, Toljan arrancou pela direita e cruzou rasteiro para Meyer mandar no canto de Weverton, 1×1. O gol alemão acordou a Seleção Brasileira, que saiu mais pro ataque. Teve até um pênalti em cima do Luan que o juiz não viu. Ainda assim, o jogo terminou em 1×1, o empate persistiu na prorrogação e a decisão foi para os pênaltis.

Todos converteram suas cobranças até a quinta série, quando Weverton pegou a cobrança de Petersen e Neymar converte a sua. O Brasil finalmente ganha seu primeiro ouro olímpico no futebol graças à “farsa”.

Depois desse triunfo, a imprensa foi obrigada a enfiar o rabo entre as pernas, pois tudo o que eles disseram não aconteceu. A Seleção conquistou seu primeiro ouro olímpico, mas, infelizmente, a seleção feminina foi eliminada, como diria minha vó: “a língua é o chicote do rabo”, e o escrete liderado pela rainha Marta pagou pela língua grande da Rede Globo.

O retorno das Eliminatórias veio com a estreia de Tite no comando da seleção principal. O técnico armou o time em um 4-5-1 ofensivo, apenas com Casemiro como volante. O meio-campo foi completado pelos campeões olímpicos Renato Augusto e Neymar, pelo Paulinho, que retornava para a Seleção, e por William. O ataque ficou a cargo do estreante e também campeão olímpico Gabriel Jesus.

O jogo seria contra o Equador na altitude de Quito, uma pedreira para Tite. Foi um jogo mais lento no primeiro tempo, enquanto no segundo a Seleção se soltou mais, graças à entrada de Philippe Coutinho no lugar de William, que deu mais criatividade ao meio-campo brasileiro. Aos 26 minutos, Gabriel Jesus sofre pênalti do goleiro Domínguez. Neymar vai pra cobrança e converte, 1×0. Já aos 41, Neymar cobra um escanteio pela esquerda ao fazer uma tabela com Coutinho. O menino Ney vê a descida de Marcelo e passa para ele. O lateral cruza para o belo toque de calcanhar de Gabriel Jesus ampliar o placar, 2×0. O estreante marcou seu segundo nos acréscimos, após Neymar puxar um contra-ataque e passar para ele na entrada da área. Gabriel Jesus fez um belo giro e chutou colocado no canto, 3×0, placar final.

Essa bela estreia não foi um ato isolado. O Brasil não perdeu mais nas Eliminatórias, inclusive ganhou de 3×0 dos badalados hermanos e da “geração de ouro” chilena, uma geração tão dourada que sequer conseguiu se classificar para a Copa do Mundo. Vale destacar a bela atuação da dupla Neymar e Philippe Coutinho no meio-campo brasileiro. Era nítido o crescimento do time quando os dois jogavam juntos. Gabriel Jesus também mostrou ser um centroavante promissor, era oportunista e também conseguia pressionar na frente.

Então, como o Brasil jogava mal com Dunga e passou a jogar bem com Tite, isso quer dizer que Dunga era um técnico ruim, certo? Errado. Nesse momento, o golpe de 2016 já se consumou, portanto, as pressões do imperialismo já não eram mais tão intensas quanto na preparação para o golpe. 

Isso fica nítido quando Dunga abandona seu esquema de 4-4-2 com meio-campo em losango e passa a usar um 4-4-2 conservador e, posteriormente, um 4-5-1 defensivo, tudo devido à sabotagem implantada pelo imperialismo para imitar o futebol europeu, com a desculpa da preocupação defensiva depois do 7×1. Em contrapartida, Tite já entrou com mais liberdade para implantar seu esquema de jogo.

No frigir dos ovos, o Brasil se classificou em primeiro, com o melhor ataque e a melhor defesa. A Canarinho foi acompanhada pelo Uruguai, pela Argentina e pela Colômbia na classificação direta. O Peru foi para as repescagens enfrentar a Nova Zelândia, o primeiro jogo terminou em um empate sem gols, enquanto o segundo teve a vitória peruana por 2×0, portanto, a seleção liderada por Paolo Guerrero conseguiu sua vaga no Mundial. O artilheiro brasileiro foi Gabriel Jesus, com sete gols. Ficou três gols atrás do uruguaio Cavani, o artilheiro das Eliminatórias.

O começo de 2018 foi complicado para a Seleção, pois Neymar sofreu uma contusão no quinto metatarso em fevereiro (uma lesão recorrente que complicou sua carreira), na partida entre PSG e Olympique de Marselha. Ainda assim, Tite o convocou para a Copa, já que estaria recuperado antes do começo do Mundial. Neymar voltou a atuar pela Seleção apenas no amistoso contra a Croácia, onde entrou no segundo tempo e liderou a vitória da amarelinha por 2×0.

Sobre a Copa das Confederações, apenas alguns comentários: a Alemanha se sagrou campeã, ela estava classificada como atual campeã do mundo e venceu o Chile por 1×0 na final. Portugal se classificou por ser o campeão da Eurocopa, mas o superastro Cristiano Ronaldo novamente se mostrou incapaz de decidir algo fora da Europa, mas deixou seus dois golzinhos, ambos na fase de grupos. Os artilheiros foram os alemães Stindl, Goretzka e Werner (três gols), a Bola de Ouro ficou com o alemão Draxler e a luva de ouro foi para o chileno Bravo.

Copa do Mundo de 2018 na Rússia

Nessa Copa, o sistema de arbitragem contou com o auxílio do “Vim Alterar o Resultado”, quer dizer, “Vídeo de Ajuda aos Ricos”, quer dizer, VAR (Video Assistant Referee, ou “Árbitro Assistente de Vídeo”), que consistia em um sistema de comunicação colocado no árbitro de campo para se comunicar com outros três árbitros que ficavam em uma instalação fora do estádio e revisava os lances duvidosos.

Isso é uma boa novidade, não? Semelhante ao vôlei, onde o técnico tem direito a pedir dois desafios por set, caso sejam pedidos, o árbitro de vídeo revisa o lance e vê se realmente houve alguma infração, se a bola caiu dentro ou fora da quadra, entre outros. O único detalhe é que, no VAR do futebol, é o árbitro de vídeo que decide quando vai interferir e qual lance é duvidoso, um fator que abre espaço para muitas manipulações, como veremos a seguir.

O Brasil caiu no grupo E, com Suíça, Costa Rica e Sérvia. A primeira rodada foi contra a Suíça. Tite armou o time em um 4-3-3 ofensivo, parecido com as Eliminatórias, com o seguinte escrete: Alisson; Danilo, Thiago Silva, Miranda, Marcelo; Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho; William, Gabriel Jesus, Neymar. Como Coutinho jogava melhor nas pontas, Tite resolveu colocar apenas Casemiro como volante e colocou Paulinho e Coutinho como meias pelos lados. Daniel Alves foi cortado da Copa devido a uma contusão no joelho. Em seu lugar, Tite chamou o lateral do Corinthians Fagner e colocou Danilo na titularidade.

Como esperado, foi um jogo de ataque contra defesa, onde a Suíça jogava por uma bola. Também ficou nítido o quanto Paulinho pode produzir se tiver liberdade para pisar na área. Aos 20 minutos, Marcelo tenta cruzar para a área, mas a defesa suíça afasta. A bola sobra para Philippe Coutinho, que puxa pra dentro e acerta um belo chute de fora, 1×0.

No segundo tempo, Shaqiri cobra um escanteio pela direita, Zuber dá um empurrão em Miranda e cabeceia pro fundo da rede, 1×1 — nem com VAR o juiz conseguiu ver a clara falta de ataque da Suíça. A Seleção partiu pra cima, teve várias chances claras e um pênalti sofrido por Gabriel Jesus, novamente não visto nem pelo juiz, nem pelo VAR. No final, o jogo terminou em 1×1. Vale destacar que os suíços bateram tanto que Danilo teve uma contusão no quadril e ficou fora da fase de grupos.

A Rede Globo desprezou todas as decisões duvidosas da arbitragem e do VAR, que interferiram diretamente no resultado, para destacar que Gabriel Jesus não jogou bem e que Neymar não jogou nada. Claramente não viram o jogo. Neymar criou boas chances e poderia até fazer um gol, mas os suíços também distribuíram pancadas nele, enquanto Gabriel Jesus foi vítima por ser inexperiente e, portanto, mais suscetível a sofrer com a pressão que eles exercem. 

O próximo jogo foi contra a Costa Rica. Tite repetiu a formação do jogo anterior, mas colocou Fagner no lugar do contundido Danilo, enquanto a Costa Rica colocou um ônibus atrás do gol. Essa proposta ficou nítida em campo. Alisson não chegou a trabalhar, pois a Costa Rica se preocupava exclusivamente em defender, enquanto o Brasil empilhava chances, Gabriel Jesus chegou a acertar o travessão e a fazer um gol, mas, infelizmente, estava impedido.

Aos 33 minutos do segundo tempo, Neymar recebe na área e dá uma finta que tira o zagueiro González e o goleiro Navas da jogada. O zagueiro recorreu ao empurrão para impedir Neymar, que já partia para o gol, pênalti… não na interpretação do VAR que, pela primeira vez, interferiu em um jogo do Brasil, recomendou a revisão e anulou a decisão de campo. 

O jogo fica muito mais truncado e nervoso depois disso. Neymar chega a tomar um cartão amarelo depois de se irritar com juiz, que era conivente com a cera costarriquenha. Nos acréscimos, o Brasil cruza uma bola na área, Roberto Firmino (que entrou no lugar de Paulinho) escora de cabeça para Philippe Coutinho chegar batendo de bico entre as pernas de Navas, finalmente 1×0. A Canarinho não recuou, continuou com a pressão, teve uma boa chance com Roberto Firmino e Neymar deu uma bela lambreta em Tejeda. 

Mesmo com os 6 minutos de acréscimo encerrados, o juiz resolveu esperar para ver se a Costa Rica reagiria, mas Casemiro carregou a bola pelo centro, tocou para a passagem de Douglas Costa (que entrou no lugar de William), que faz um passe para Neymar tocar pro fundo da rede sem goleiro, 2×0. Agora sim, o juiz encerrou o jogo.

Neymar caiu em prantos no final do jogo. Foi um choro de alívio não perdoado pela Rede Globo, que acusou o camisa 10 de não estar mentalmente preparado para uma Copa. A emissora elegeu Philippe Coutinho como o verdadeiro craque da Seleção, uma tentativa esdrúxula de rachar o elenco (lembrem-se da maldição da língua da Globo). 

Novamente, crucificaram Gabriel Jesus por não fazer gols e criticaram Fagner por… estar lá, já que o lateral fez uma partida segura e não comprometeu em nenhum momento. A crítica era porque Tite já treinou Fagner no Corinthians e o convocou por “apadrinhagem”, mas o verdadeiro motivo é que ele já tinha 29 anos, e não teria o passe valorizado para essa convocação, ao contrário dos que a própria emissora sugeria.

A terceira e última rodada da fase de grupos foi contra a Sérvia. Tite repetiu a escalação do jogo anterior, mas armou o time em um 4-5-1, com Casemiro e Paulinho como volantes. Logo no começo da partida, Marcelo sentiu a coluna e deu a vaga para Filipe Luís fazer sua estreia em mundiais.

Novamente, o Brasil dominou o jogo enquanto o adversário jogava por uma bola, mas a Seleção foi recompensada rapidamente, aos 36 minutos do primeiro tempo, quando Philippe Coutinho faz um lançamento para Paulinho, que infiltrou na zaga e deu um toque para cobrir o goleiro Stojkovic, 1×0.

No segundo tempo, a Sérvia saiu para o abafa e construiu algumas chances que sempre paravam na zaga brasileira ou em Alisson. Aos 22 minutos, Neymar cobra um escanteio pela esquerda para a cabeçada firme de Thiago Silva, que estufa as redes, 2×0, placar final, Brasil se classifica em primeiro lugar no grupo E, seguido da Suíça.

Para evitar algumas faltas mais pesadas, Neymar optava por “se jogar” ou valorizar algumas infrações dos sérvios. A imprensa internacional usou isso para aumentar sua fama de “cai-cai”, a Globo, como uma bela filial norte-americana no Brasil, repetiu essa afirmação à exaustão, enquanto cobrava um gol para Gabriel Jesus, que conseguiu finalizar bastante, mas seus gols foram impedidos por Stojkovic, o único destaque da Sérvia no jogo.

A imprensa também alertava incessantemente a Seleção do perigo de se classificar em segundo, pois a Alemanha estava no grupo F. No entanto, o tão qualificado escrete alemão foi eliminado na fase de grupos, com uma atuação pífia e vários frangos por parte do “revolucionário” Neuer. Eles perderam do México por 1×0, conseguiram uma virada heroica contra a Suécia no apagar das luzes e, na última rodada, a já eliminada Coreia do Sul vence a Alemanha por 2×0, de “olhos fechados”.

A imprensa ficou incrédula por muito tempo, mas hoje, ao ser consultada sobre esse vexame, ela fala que a Coreia foi “guerreira”, lutou até o fim e conseguiu a vitória. Os guerreiros lutam por algo, como a classificação. Quem tinha que ser guerreira era a Alemanha, não os coreanos que já estavam eliminados.

No lugar da poderosa Alemanha, o Brasil enfrentou o México, segundo colocado do grupo F, nas oitavas de final. Tite armou o time no mesmo 4-5-1 da rodada anterior. Além disso, Filipe Luís começou o jogo no lugar de Marcelo, que se recuperava da lesão. Danilo estava liberado pra voltar nesse jogo, mas sofreu uma lesão no joelho durante o treino. Portanto, Fagner voltou para a lateral direita.

Esse jogo foi considerado uma espécie de revanche do confronto entre Neymar e o goleiro mexicano Ochoa na Copa de 2014. Diferente das outras seleções, o México fez um jogo mais franco, ainda ficava na defensiva, mas atacava também, mas as melhores chances do primeiro tempo foram brasileiras, a maioria delas parou em Ochoa.

No segundo tempo, William faz boa tabela com Neymar, avança pela esquerda e cruza rasteiro para Neymar, aos 6 minutos, finalmente vencer a barreira de Ochoa, 1×0. O Brasil não tirou o pé do acelerador, continuou a empilhar chances, que também pararam em Ochoa, sempre inspirado contra a Canarinho, enquanto a defesa mexicana não hesitava em dar pancadas. A eterna promessa “Chicharito” Hernández deu um pisão em Neymar no tornozelo quando o camisa 10 estava caído. Casemiro tomou o terceiro cartão amarelo aos 14 minutos, portanto, ficou fora das quartas de final.

Aos 43 minutos, Neymar recebe um passe, arranca pela esquerda e chuta de bico para mais uma defesa de Ochoa, mas Roberto Firmino (que entrou no lugar de Philippe Coutinho) não perdoou o rebote do goleiro mexicano, 2×0, placar final. Vale destacar o desempenho da “farsa” Neymar, que até a Globo reconheceu como superior ao de Coutinho, que eles elegeram craque da Seleção. William e Fagner também fizeram uma partidaça, este último calou quem duvidava de sua capacidade.

A partida das quartas de final foi contra a Bélgica. Tite contou com o retorno de Marcelo e, no lugar do suspenso Casemiro, escalou Fernandinho, uma decisão ferrenhamente contestada pela Globo, que convenientemente o considerou como o principal culpado pelo 7×1. A emissora também contestava a presença de Gabriel Jesus no time titular, pelo fato de ele não ter marcado na Copa.

A Bélgica jogou com três zagueiros, o que demonstrou que jogaria no contra-ataque, uma expectativa que se provou verdadeira. Os belgas também não maneiravam nas faltas, principalmente em Neymar. Logo aos 7 minutos, Thiago Silva manda uma bola na trave depois de um escanteio cobrado por Neymar. Essa chance foi seguida de outras três que levaram perigo ao gol belga. No entanto, a Bélgica abriu o placar aos 13 minutos em uma cobrança de escanteio em que Fernandinho teve a infelicidade de desviar a bola contra a própria meta, 0x1.

Esse equívoco, somado à pressão prévia da Rede Globo, claramente tirou o foco de Fernandinho da partida. Ainda que o Brasil tenha chegado mais ao campo de ataque, o volante não participava tanto da transição, algo que costumava fazer muito bem. Aos 31 minutos, De Bruyne recebe um passe do meio-campo após uma indecisão de Fernandinho. O volante belga acerta um chute rasteiro de fora, 0x2. Além disso, teve um pênalti em Philippe Coutinho no final do primeiro tempo, mas o juiz não viu e o VAR decidiu não interferir.

No segundo tempo, Fernandinho voltou visivelmente melhor no jogo, isso permitiu que a Seleção atacasse mais e sofresse mais dois pênaltis: o de Fellaini em cima de Neymar e o de Kompany em cima de Gabriel Jesus. Apesar de óbvios, infelizmente o juiz não viu e o VAR decidiu não intervir. Aos 30 minutos, Philippe Coutinho faz um lançamento para Renato Augusto (que entrou no lugar de Paulinho) cabecear no canto de Courtois, 1×2. Mesmo com as diversas chances brasileiras, os belgas cozinharam o jogo. O juiz foi conivente com a cera e as chances claras pararam em Courtois, portanto, 1×2 para a Rede Globo, Brasil eliminado.

Para a Rede Globo, os erros de arbitragem não interferiram em nada no resultado do jogo, preferiram falar que o Brasil foi dominado (?) pela geração de ouro da Bélgica e que a eliminação foi um vexame. Inclusive, vejo até hoje alguns influencers e youtubers de futebol repetindo isso como se fosse verdade absoluta. Se vissem o jogo novamente, perceberiam que não teve “domínio belga” nenhum, teve a mão invisível do mercado segurando o apito visível do juiz.

A seleção sensação da Globo na Copa sem dúvida foi a Inglaterra, a quarta colocada, a inventora de uma tática que chamo de “fila para o chuveirinho”. Ela consiste em colocar os jogadores em fila antes da batida de um escanteio para, depois, eles se espalharem e confundirem a marcação. O único detalhe é que eles não confundiram marcação nenhuma e fizeram os jogadores perderem o tempo de bola, portanto, foram feitos incríveis 0 gols com a fila para o chuveirinho.

Outro destaque inglês foi Harry Kane, que ninguém conhecia. Já era um atacante medíocre do Totenham que nunca ganhou um título sequer na carreira, mas foi alçado ao status de craque na Copa, um artilheiro nato. Com toda essa campanha e com a ajuda do VAR, Kane fez seis gols e se tornou o artilheiro da Copa, três deles foram de pênaltis mal marcados e três foram embaixo da trave (um deles com ele tropeçando em cima da bola). No final, ninguém comprou esse sujeito como craque, ele ficou conhecido apenas como o “Espanta Títulos” no futuro.

Sobre Portugal, o “craque” mundial Cristiano Ronaldo finalmente fez mais de um gol em uma Copa do Mundo (uhul!). Três deles foram contra a Espanha, o outro foi contra Marrocos e… acabou. Inclusive, o time precisava dele nas oitavas de final contra o Uruguai, mas ele preferiu dar pedaladas que sempre paravam nos pés do zagueiro e encolher o calção para mostrar suas coxas musculosas antes de bater uma falta para fora. Isso resultou na eliminação precoce do robozão metrossexual da Copa. Posso parecer chato, mas vou falar novamente: sem Deco e Figo para carregar o time, Portugal não vai a lugar nenhum.

Nossos hermanos passaram sufoco para passar da fase de grupos, contaram com a mão invisível do mercado para conseguir a única vitória na Copa contra a Nigéria (que incluiu o único gol do “craque” mundial Messi em toda a Copa), mas foram eliminados pela França nas oitavas de final. Messi é como Cristiano Ronaldo: só joga bem se a situação estiver extremamente favorável para seu time.

A final foi entre França e Croácia. Os franceses conseguiram chegar até aqui graças à tonelada de pênaltis marcados a favor deles, tanto que a maioria dos jogos teve pênalti para a França. Já a Croácia chegou aos trancos e barrancos, sempre segurava a partida para a disputa de pênaltis e conseguia passar.

O jogo terminou de 4×2 para a França, que se sagrou bicampeã mundial. O jogo chegou até a ficar empatado no primeiro tempo, mas o artilheiro francês logo desempatou o jogo. Me refiro ao VAR, é claro, que viu um pênalti a favor dos croissants. A Bola de Ouro ficou com o croata Luka Modric, enquanto as luvas de ouro foram para o belga Courtois, um prêmio por ter eliminado o Brasil.

Dessa vez, tinha algum pé de rato que a imprensa considerou destaque na seleção campeã, ele foi o ponta francês Kylian Mbappé, que tem muita velocidade, além de muita velocidade, uma velocidade muito alta e… já falei que ele tem muita velocidade? Ele foi alçado ao status de craque mundial (já que deu ruim pro Harry Kane), inicialmente vendido como bom moço, mas sua arrogância e soberba foram gradualmente reveladas nos anos seguintes. O triunfo da seleção francesa foi fundamental para amenizar as manifestações francesas e dar um pouco de estabilidade ao governo do Macron, um representante do imperialismo europeu travestido de esquerdista.

Agora, vamos ao saldo do futebol “moderno”: tínhamos a retranca italiana, os toquinhos espanhóis envolventes e o handebol alemão. Agora, temos os 100 m rasos franceses, cujo jogo se resume a lançamentos para a infiltração de pontas rápidos em contra-ataques, mas, para o esquema funcionar, o time precisa de pontas rápidos, centroavantes rápidos, um meio-campo formado só por meias box-to-box (traduzido da linguagem gourmet: segundo volante) rápidos, laterais rápidos e zagueiros rápidos. Aí você me pergunta: e a habilidade, a técnica, o drible ou a finalização? E eu te respondo: são secundários. A prioridade é correr para o ataque e, principalmente, voltar pra marcar.

Copa de 2022 e o caminho até lá

Ao contrário dos anos anteriores, a CBF decidiu manter Tite no cargo de técnico. Do final de 2018 até a primeira metade de 2019, a Seleção jogou alguns amistosos e não perdeu nenhum, inclusive com uma vitória por 1×0 contra a Argentina, já treinada pelo retranqueiro Lionel Scaloni, hoje considerado o melhor técnico da América Latina pela Rede Globo. Essa vitória foi desprezada pela imprensa, pois o outro Lionel não estava jogando, e sem o “craque” mundial, a Argentina era só uma seleção comum.

No começo de 2019, Neymar não participou de nenhum amistoso devido a outra fratura no quinto metatarso ocorrida em janeiro. Em contrapartida, Tite usou esse tempo para testar outros jogadores que viriam a ser fundamentais em convocações futuras, como Richarlison, Lucas Paquetá e Fred (o volante), que voltava à Seleção depois da Copa América de 2016. Pouco antes da Copa América de 2019 começar, Neymar sofreu uma entorse no tornozelo e foi cortado da lista final. Em seu lugar, Tite colocou Everton Cebolinha, que vivia grande fase no Grêmio e também teve um bom desempenho na vitória da Seleção por 2×0 contra os Estados Unidos em 2018 e contra o Catar em 2019.

Copa América de 2019

O primeiro compromisso oficial da Seleção pós-Copa do Mundo foi a Copa América de 2019, sediada no Brasil. Como anfitrião, o Brasil caiu no grupo A e foi acompanhado de Bolívia, Venezuela e Peru. A primeira rodada foi contra a Bolívia. Tite teve como base o escrete da Seleção na Copa do Mundo de 2018 com algumas novidades. Portanto, os 11 iniciais foram: Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos, Filipe Luís; Casemiro, Fernandinho, Philippe Coutinho; Richarlison, Roberto Firmino, David Neres.

Foi um time bastante criticado pela Rede Globo e pela imprensa nacional em geral, pois a maioria dos jogadores tinha jogado a Copa anterior e “falhou”. Outro fator apontado é o de jogadores como Miranda, Filipe Luís, Thiago Silva e Daniel Alves já estarem velhos, uma reclamação tão velha quanto os jogadores recomendados pela emissora, como Dedé (31 anos).

Partindo para o jogo contra a Bolívia, o primeiro tempo foi completamente dominado pelo Brasil, como era de se esperar. No entanto, os bolivianos armaram uma retranca, com quatro volantes e apenas dois jogadores mais à frente. Ainda assim, tiveram boas chegadas, com participação fundamental do “idoso” Daniel Alves nas jogadas de ataque. Mesmo assim, o primeiro tempo terminou em um empate sem gols e com vaias da torcida, completamente exageradas.

Já na segunda etapa, a Canarinho teve sua primeira chance no primeiro minuto com um passe de Philippe Coutinho para Richarlison. O atacante brasileiro tenta cruzar, mas a bola bate na mão do zagueiro Jusino. Após análise do VAR, o juiz marca pênalti, Coutinho vai pra cobrança e converte, 1×0. 3 minutos depois, Roberto Firmino parte pela direita e faz um cruzamento cavado para Philippe Coutinho marcar seu segundo gol de cabeça, 2×0.

Aos 20 minutos, Gabriel Jesus entra no lugar de Roberto Firmino. O centroavante fez uma bela partida, com bons dribles, boas chances criadas e uma finalização que quase resultou em gol. Ainda assim, foi criticado por simplesmente não fazer gols. Já nos 36 minutos, Everton Cebolinha entra no lugar de David Neres e, 4 minutos depois, faz uma bela jogada individual pela esquerda, traz por dentro e acerta um belo chute no canto, 3×0, placar final.

Pela segunda rodada, o Brasil enfrentou a Venezuela, Tite manteve o mesmo esquema, apenas colocou Arthur no lugar de Fernandinho, enquanto a Venezuela resolveu inovar e colocou cinco volantes, deixou apenas o atacante Rondón isolado na frente.

Como esperado, foi um jogo de ataque contra defesa. Aos 37 minutos, Daniel Alves faz um cruzamento pela direita, Roberto Firmino domina e fuzila o gol de Fariñez, mas o juiz faz uma bela defesa com o apito. Ele interpretou a cambalhota do zagueiro venezuelano como falta e anulou o gol, sem interferência do VAR.

No segundo tempo, Gabriel Jesus (que entrou no lugar de Richarlison) carrega a bola pela esquerda e chuta de fora, mas a bola explode no zagueiro venezuelano e sobra para Roberto Firmino, que cruza rasteiro para o próprio Jesus chutar para o fundo do gol. Seria 1×0 se não fosse a defesa milagrosa do VAR, que agora sim interveio ao assinalar o impedimento de Firmino.

Aos 41 minutos, Everton Cebolinha (que entrou no lugar de David Neres) fez boa jogada individual pela esquerda e bateu para a defesa de Fariñez, que não conseguiu evitar o rebote de Philippe Coutinho. Seria um golaço se não fosse outra defesa milagrosa do VAR, que marcou o impedimento do Gabriel Jesus, que nem participou da jogada. Com isso, o jogo terminou em um empate sem gols. A Rede Globo resolveu esquecer a atuação do craque do jogo (VAR) e falou que a seleção teve uma atuação pífia contra um adversário fraco, até falou sobre a “Neymar-dependência”.

Na última rodada da fase de grupos, a Seleção enfrentou o Peru. Em relação ao time da partida anterior, Tite colocou Everton Cebolinha no lugar de David Neres e Gabriel Jesus no lugar de Richarlison, enquanto o Peru jogou em seu 4-3-3. Aos 11 minutos, o Brasil cobra um escanteio pela esquerda e, depois de um desvio de cabeça, Casemiro cabeceia na trave. A bola resvala em Marquinhos e sobra para Casemiro cabecear, dessa vez, para o gol, 1×0.

Sete minutos depois, o goleiro Gallese falha na saída de bola ao chutar em cima de Roberto Firmino e a bola bater na trave. A sobra ficou com o próprio Firmino, que driblou o goleiro e tocou pro fundo da rede, 2×0. Aos 36 minutos, Everton Cebolinha avança pela esquerda, puxa pra dentro e chuta rasteiro no canto esquerdo de Gallese, 3×0.

O segundo tempo começou com uma arrancada de Everton Cebolinha pela esquerda, mas foi parado por um wasari aplicado por Advíncula dentro da área. Infelizmente o juiz não viu pênalti e o VAR decidiu não interferir. Aos 8 minutos, Arthur passa para Daniel Alves, que faz uma tabela com Firmino, entra na área e fuzila o gol peruano, um golaço do “idoso”, 4×0. 

No apagar das luzes, Cebolinha passa para William (que entrou no lugar de Philippe Coutinho), que puxou para o meio e acertou um belo chute para fechar a conta, 5×0. Logo após, Gabriel Jesus sofre pênalti de Gallese. O próprio vai para a cobrança, mas o goleiro peruano defende — mais munição para a Globo criticar a falta de gols do centroavante.

Com os resultados da terceira fase, Brasil se classificou em primeiro, acompanhado da “fraca” Venezuela, enquanto Peru ganhou vaga nas quartas de final como o melhor terceiro colocado. Pela terceira vez seguida, o Brasil enfrentou o Paraguai nas quartas de final da Copa América. Devido ao terceiro cartão amarelo recebido por Casemiro, o volante brasileiro ficou fora desse jogo. Tite colocou Allan em seu lugar, os paraguaios novamente vieram armados em busca do empate.

Semelhante às outras disputas nas Copas anteriores, foi um jogo bem truncado. O Paraguai abusava das “faltas táticas” para parar o ataque brasileiro. No segundo tempo, Roberto Firmino arrancou pelo meio e sofreu pênalti de Balbuena, mas o VAR finalmente saiu de suas férias para interferir. Após uma revisão minuciosa e lenta, o juiz marcou falta no limite da área e expulsou o zagueiro paraguaio. Daniel Alves bateu rasteiro e quase abriu o placar.

Com a expulsão, o Paraguai jogou ainda mais fechado. Isso fez com que o Brasil chegasse mais ao ataque e, consequentemente, criasse mais chances. No final do jogo, o VAR novamente interferiu e cozinhou o jogo para o Paraguai, pois eles entenderam que o fato de Arthur resvalar a mão no peito de González (que caiu com a mão no rosto) era um lance para amarelo. O Brasil continuou empilhando chances, inclusive teve uma bola na trave de William (que entrou no lugar de Allan).

Desse modo, o jogo terminou em um empate sem gols e, novamente, a decisão seria nos pênaltis. Na primeira série, Gustavo Gómez bateu para a defesa de Alisson, enquanto William converteu sua cobrança. Tudo ia bem até a quarta série, quando Rojas converteu sua cobrança e Roberto Firmino chutou pra fora, tudo igual nas penalidades. Na série seguinte, González bateu pra fora e, para calar a boca dos comentaristas da Globo, Gabriel Jesus converteu sua cobrança para colocar o Brasil nas semifinais.

Na semifinal, o Brasil pegou a Argentina, com os dois Lionels (Messi e Scaloni). Mesmo com o futebol retrancado e truncado apresentado pela Argentina, a Rede Globo estava em clima de “já ganhou” para os hermanos. Quem não lembra da penúltima Copa América, em que o Brasil foi eliminado pelo Paraguai nos pênaltis e a Argentina goleou os paraguaios na semifinal? Mas será que ela faria o mesmo contra o Brasil?

Tite contou com o retorno de Casemiro para esse jogo, mas resolveu colocar Alex Sandro no lugar de Filipe Luís. Logo no começo, o Brasil mostrou que o jogo não seria bem assim, já que teve uma boa chance com Roberto Firmino logo de cara. Aos 19 minutos, o “idoso” Daniel Alves fez uma jogada espetacular pela direita ao chapelar dois argentinos, driblar outro e dar um passe para Roberto Firmino. O atacante brasileiro cruzou rasteiro para Gabriel Jesus finalmente marcar o seu, 1×0.

Depois do gol, o jogo ficou mais equilibrado pelo fato de a Argentina precisar ir atrás do resultado. No final do primeiro tempo, Daniel Alves disputou uma bola com Acuña que resultou em discussão. O argentino recebeu um cartão amarelo, mas, depois de tanto pedir, o juiz também deu cartão amarelo para o lateral brasileiro.

A Argentina começou melhor o segundo tempo, criou mais chances e parou os ataques brasileiros com sua “forte defesa” que funcionava na base de faltas. No entanto, aos 26 minutos, Gabriel Jesus faz boa jogada individual pelo meio e passa para Roberto Firmino empurrar pro fundo do gol, 2×0. Depois disso, os hermanos perderam a cabeça e começaram a caçar confusão em qualquer lance. Foi bom que cozinharam o jogo para os brasileiros, 2×0, Brasil na final.

Os argentinos reclamaram bastante da arbitragem, pois estão acostumados a dar porrada e não receber cartão amarelo por isso. Hoje eles receberam, portanto, perderam por causa do juiz. O “craque” Messi também deu seus pitacos sobre o gramado — deve ser esse o motivo dele ter cobrado a falta nas mãos do Alisson.

Enfim, a final foi contra o Peru, com o mesmo time da partida anterior. Aos 15 minutos, Gabriel Jesus faz boa jogada pela direita e cruza para Everton Cebolinha bater de primeira pro gol, 1×0. 

O Brasil não tirou o pé do acelerador, continuou a construir boas chances durante o primeiro tempo. Entretanto, aos 42 minutos, Flores toca pra Cueva, que tenta um cruzamento rasteiro, mas a bola acerta a mão de Thiago Silva. Mesmo sendo a mão de apoio, o juiz marca pênalti. Paolo Guerrero vai para a cobrança e converte, 1×1. Logo em seguida, Arthur carrega pelo meio e toca pra Gabriel Jesus, na entrada da área, chutar com desvio do zagueiro Zambrano, 2×1.

A primeira metade do segundo tempo foi totalmente brasileira. A Seleção controlou as ações de jogo e criou várias chances de gol, faltou apenas caprichar nas finalizações. Aos 25 minutos, Gabriel Jesus trombou com Advíncula, o juiz achou que foi falta e aplicou o segundo amarelo ao atacante brasileiro, que, consequentemente, foi expulso. 

Com um a mais, o Peru começou a gostar do jogo, mas, aos 42 minutos, Everton Cebolinha faz uma bela jogada individual e recebe uma trombada de Zambrano. O juiz manteve seu critério e marcou pênalti, mesmo depois do pedido de revisão do VAR. Richarlison (que entrou no lugar de Roberto Firmino) vai pra cobrança e garante o título, 3×1, Brasil campeão da Copa América de 2019.

O então presidente Jair Bolsonaro, oportunista como é, resolveu entrar em campo e fazer sua demagogia, mesmo já falando que o Japão era o país dele por ser contra a ideologia de gênero. Mas como o Japão foi eliminado na fase de grupos, por que não fazer demagogia com a Seleção?

Os hermanos reclamaram bastante sobre essa interferência do presidente golpista, alegaram que isso vai contra as políticas da FIFA e até afirmaram que a Copa foi comprada pelo Brasil (acho que esqueceram da Copa de 1978), tudo isso porque a operação “dê uma Copa para a Argentina” não rendeu os frutos que desejavam.

O “idoso” Daniel Alves foi eleito o melhor jogador da competição. Alisson ficou com a luva de ouro e Everton Cebolinha foi o artilheiro ao lado de Paolo Guerrero, ambos com três gols. Cebolinha foi apontado tanto pela Globo quanto pela imprensa internacional (o que evidencia o caráter imperialista da emissora) como o novo craque da Seleção Brasileira, o homem que devolveu o futebol alegre à amarelinha. Além disso, Neymar era o problema na Seleção, tanto que o escrete conseguiu conquistar o título sem ele.

Dá pra perceber que a Globo não sabe o que quer: se a Seleção perde e o Neymar não jogou, o time tem “Neymar-dependência”; mas se ganhar sem a presença do Neymar, o camisa 10 brasileiro é o problema. O próprio Cebolinha chegou a afirmar que o Neymar é craque e que ele não está lá para substituí-lo.

Com o excelente desempenho na Copa América, Everton Cebolinha recebeu propostas de fora e, em 2020, foi para o Benfica, time em que foi “moldado” como um ponta mais corredor e articulador, em contrapartida ao atacante que partia pra cima.

Em suma, o atacante, no Grêmio, foi lapidado pelo Renato Gaúcho, que sempre gostou de pontas dribladores, para eles “balançarem” a marcação adversária, mas, no Benfica, teve seu estilo de jogo moldado pelo “gênio” Jorge Jesus (que só conseguiu se destacar no excelente time do Flamengo de 2019). Depois disso, Cebolinha usou a camisa da Seleção apenas em algumas oportunidades, outra vez a maldição da língua da Globo age.

As Eliminatórias começaram na primeira metade de 2020. O Brasil venceu os dois jogos contra a Bolívia (5×0) e contra o Peru (4×2), com algumas novidades, como o campeão olímpico Weverton no gol, Renan Lodi na lateral esquerda e Douglas Luiz como volante. Em ambos os jogos, Richarlison teve bom desempenho e se tornou figura recorrente nas convocações.

No entanto, ficou nítido como os times europeus também operam contra a Seleção. Em 2014, o futebol de Paulinho caiu depois que foi desprezado no Totenham; ainda nesse ano, Robinho ficou fora do Mundial por não estar jogando no Milan, só voltou a ser convocado quando retornou ao Santos na segunda metade de 2014; Everton Cebolinha, como dito antes, nunca mais foi o mesmo depois de ir para o Benfica; Alisson começou a ser desprezado na Seleção depois de uma temporada irregular no Liverpool (mesmo sendo eleito o melhor goleiro pela FIFA em 2019).

Como todos sabem, a pandemia do coronavírus já começou a se disseminar em 2019, mas foi oficializada em março de 2020. Isso impactou o futebol seriamente. Os jogos só voltaram em agosto devido a uma decisão forçada dos dirigentes e das confederações de futebol por lucro, pois a pandemia estava longe de acabar. O futebol retornou como um espetáculo sem público, sem torcedores nos estádios, sustentado apenas por transmissões televisivas.

Ainda sobre as interferências dos times europeus no futebol brasileiro, Philippe Coutinho, um dos principais articuladores de jogadas na Seleção, foi para o Barcelona em uma época de vacas magras para o time catalão, perdeu espaço no time depois de algumas lesões e parou de ser convocado. Soma-se a isso também a maldição da língua da Rede Globo, que o considerava o craque da Copa e, agora, acontece isso.

O problema de Coutinho logo se transformou em um problema da Canarinho. Não é fácil preencher a vaga de um jogador como ele. Na primeira convocação depois disso, Tite resolveu apostar em Everton Ribeiro, que não vestia a amarelinha desde 2016. Seu retorno foi graças à sua boa fase no Flamengo. O Brasil venceu as duas rodadas das Eliminatórias jogadas em novembro, contra a Venezuela (1×0) e o Uruguai (2×0).

Na metade de 2021, a pandemia estava “controlada”. Portanto, o público pôde voltar aos estádios com as devidas medidas de segurança. A Seleção jogou mais duas rodadas das Eliminatórias contra o Equador e o Paraguai, ambas as partidas foram vencidas por 2×0. Nessas rodadas, Lucas Paquetá teve mais espaço e mostrou um bom desempenho.

Além disso, a operação “dê uma Copa para a Argentina” voltou com tudo, pois a CONMEBOL decidiu organizar outra Copa América. Inicialmente, ela teria sede dividida entre a Argentina (!) e a Colômbia, mas, devido a protestos contra o presidente colombiano Ivan Duque Márquez, ela novamente foi sediada no Brasil. A desculpa para essa nova edição era “remodelar” o calendário e, a partir daí, a Copa seria disputada em anos pares, similar à Eurocopa. Se o problema era esse, era só marcar a próxima edição para 2024, oras!

Copa América de 2021 e o segundo ouro olímpico

Antes da Copa América começar, os hermanos já começaram o burburinho, novamente com a alegação de possível manipulação a favor da Seleção Brasileira. Mas essa reclamação era só para ver se tudo seguiria conforme o planejado, como veremos a seguir.

Como a Argentina quase não passou da fase de grupos na Copa anterior, foi decidido que apenas as 10 seleções filiadas à CONMEBOL participariam do torneio, sem convidados, como nas edições anteriores. Com isso, as seleções foram divididas em dois grupos de cinco, onde os quatro primeiros passariam para as quartas de final e apenas o último colocado ficaria de fora.

O Brasil caiu no grupo B, com Peru, Colômbia, Equador e Venezuela, esta última jogou a primeira rodada contra o Brasil. Tite armou o time em um 4-3-3 com a seguinte escalação: Alisson; Danilo, Éder Militão, Marquinhos, Renan Lodi; Casemiro, Fred, Lucas Paquetá; Gabriel Jesus, Richarlison, Neymar.

A Seleção Brasileira dominou as ações no jogo inteiro, tanto que, aos 22 minutos, Neymar cobra um escanteio pela esquerda, Richarlison desvia de cabeça e a bola sobra para Marquinhos mandar pro fundo da rede, 1×0. Ainda no primeiro tempo, Richarlison chega a fazer um gol, mas em posição de impedimento.

No segundo tempo, Danilo faz uma tabela com Everton Ribeiro (que entrou no lugar de Lucas Paquetá), dá um drible da vaca em Cumana, que o para com pênalti. Neymar vai pra cobrança e converte, 2×0. Aos 43 minutos, Neymar faz boa jogada individual pela esquerda, dribla o goleiro Graterol e cruza para Gabriel “Gabigol” (que entrou no lugar de Richarlison) escorar de peito para a meta e dar números finais ao jogo, 3×0.

A segunda rodada foi contra o Peru. Tite resolveu armar o time em um 4-4-2, com algumas mudanças no meio-campo: Fabinho no lugar de Casemiro e Everton Cebolinha no lugar de Lucas Paquetá. Neymar completou o meio-campo, enquanto Gabriel Jesus e Gabriel “Gabigol” Barbosa (que ficou no lugar de Richarlison) formaram a dupla de ataque. Além disso, Éderson ficou no lugar de Alisson, Thiago Silva começou no lugar de Marquinhos e Alex Sandro foi pra lateral esquerda no lugar de Renan Lodi.

Novamente, foi um passeio. Aos 11 minutos, Everton Cebolinha fez um cruzamento pela esquerda, Gabriel Jesus escorou para Alex Sandro chegar fuzilando o gol peruano, 1×0. O Brasil não tirou o pé do acelerador, continuou com a pressão durante o jogo.

No segundo tempo, Neymar faz uma jogada individual, arranca pela esquerda e sofre pênalti. Infelizmente, o VAR não entendeu assim. Aos 23 minutos, Gabriel Jesus segura a bola no meio-campo, recua para Fred, que passa para Neymar na entrada da área. O camisa 10 gira e bate no canto esquerdo, 2×0. Já nos 43 minutos, Neymar faz uma boa tabela com Éverton Ribeiro (que entrou no lugar de Everton Cebolinha), passa para Richarlison (que entrou no lugar de Gabriel Barbosa), que cruza rasteiro para Éverton Ribeiro bater de primeira, 3×0.

No apagar das luzes, Fabinho constrói uma jogada pela direita, passa para Éverton Ribeiro, que, de primeira, toca para Roberto Firmino (que entrou no lugar de Gabriel Jesus). O atacante chuta, mas Gallese defende. A bola sobra para Richarlison chutar em cima da zaga peruana, mas ele não desistiu e chutou novamente, dessa vez, para o fundo da rede, 4×0, placar final.

O próximo jogo foi contra a Colômbia. Tite mudou a formação para o 4-3-3, com Casemiro, Fred e Éverton Ribeiro no meio-campo, enquanto Gabriel Jesus, Richarlison e Neymar formaram o trio de ataque. Weverton também vestiu as luvas no lugar de Éderson. Logo aos 10 minutos, Cuadrado cruza pela direita para Luis Díaz acertar um belo voleio na meta brasileira, 0x1. Depois disso, a Colômbia conseguiu cozinhar o jogo durante toda a primeira etapa, apenas com algumas escapadas brasileiras.

No segundo tempo, o Brasil voltou melhor no jogo devido à entrada de Roberto Firmino no lugar de Éverton Ribeiro, que trouxe mais dinâmica ao meio-campo brasileiro. Neymar quase abre o placar ao receber de Firmino, driblar o goleiro e acertar a trave. 

Aos 32 minutos, Neymar chuta de fora, mas a bola explode no juiz. Por ficar com Renan Lodi (que entrou no lugar de Alex Sandro), a jogada seguiu. Lodi cruza pra área e Roberto Firmino cabeceia. Ospina bate roupa e a bola entra na meta colombiana, 1×1. No apagar das luzes, Neymar cobra um escanteio pela direita para Casemiro cabecear e dar números finais ao jogo, 2×1, Brasil classificado para as quartas de final.

A última rodada da fase de grupos foi contra o Equador. Por estar classificado, Tite colocou o time reserva em campo, organizado em um 4-5-1, com Fabinho e Douglas Luiz como volantes, Lucas Paquetá, Roberto Firmino e Everton Cebolinha como meias avançados, enquanto Gabriel Barbosa ficava no ataque.

O Equador começou melhor a partida, mas logo a Seleção Brasileira tratou de igualar as ações ofensivas. Aos 36 minutos, Everton Cebolinha cobra uma falta pela direita e Éder Militão cabeceia pro fundo da rede, 1×0. No segundo tempo, os equatorianos vieram pra cima para tentar empatar o jogo, e conseguiram aos 7 minutos, em um escanteio cobrado pela direita. A defesa brasileira afastou a bola, mas ela sobrou para Enner Valencia que, com um toque de cabeça, coloca Mena cara a cara com Alisson para chutar na meta brasileira, 1×1.

A entrada de Vinícius Jr. no lugar de Roberto Firmino melhorou o ataque brasileiro, pois ele conseguiu desequilibrar a defesa equatoriana com sua velocidade e suas jogadas individuais. Ainda assim, não foi o suficiente para mudar o placar, 1×1. Com esse resultado, o Brasil se classificou em primeiro lugar, enquanto a Venezuela foi a única eliminada no grupo.

Pelas quartas de final, o Brasil enfrentou o Chile. Tite escalou o time titular, mas no mesmo 4-5-1 que usou na última partida, com Casemiro e Fred como volantes, Gabriel Jesus, Neymar e Richarlison como meias avançados, enquanto Roberto Firmino ficou no ataque. Além disso, o técnico brasileiro optou por começar com Renan Lodi na lateral esquerda no lugar de Alex Sandro.

O primeiro tempo começou equilibrado, mas logo o Brasil começou a dominar o jogo, com duas boas chances com Neymar e com Roberto Firmino. No começo do segundo tempo, após uma boa troca de passes que começou com Renan Lodi na esquerda, a defesa chilena espirra a bola, mas ela sobra para Lucas Paquetá (que entrou no lugar de Roberto Firmino) bater no canto direito, 1×0.

Pouco depois do gol, Gabriel Jesus vai disputar uma bola com Isla, mas excede e levanta o pé na cara do lateral chileno. Com isso, levou um cartão vermelho direto. O Chile começou a pressionar mais por sair atrás no placar e por ter um a mais, chegou a ter uma bola no travessão e um gol anulado por impedimento em campo. Ainda assim, o jogo terminou em 1×0, Brasil classificado.

Nas semifinais, a seleção encarou o Peru. Tite seguiu a base da escalação no jogo anterior, mudou apenas do meio pra frente. Colocou Lucas Paquetá no lugar de Roberto Firmino e Everton Cebolinha no lugar do suspenso Gabriel Jesus. Richarlison ficou como o centroavante, já o Peru resolveu armar uma retranca.

O primeiro tempo teve domínio total do Brasil. A Seleção tentava furar o ferrolho peruano com chutes de fora ou com jogadas de pé em pé, até que, aos 35 minutos, Neymar faz uma excelente jogada pela esquerda ao passar por dois defensores e cruza para Lucas Paquetá bater de primeira, 1×0. O segundo tempo foi mais equilibrado pelo fato de o Peru precisar do resultado. Richarlison sofreu um pênalti que só o juiz e o VAR não viram e os peruanos quase sempre paravam os ataques brasileiros com faltas. Com isso, o jogo terminou em 1×0 e o Brasil foi para a final.

Na decisão, o Brasil enfrentou a Argentina. Tite manteve a escalação da semifinal contra o Peru. Foi um jogo bem truncado e faltoso, como esperado desse clássico. Logo no começo, Fred recebe um cartão amarelo bem duvidoso, o que enfraquece a defesa brasileira. Aos 20 minutos, De Paul lança para Di Maria tocar por cima de Éderson, 0x1.

Depois disso, a Argentina conseguiu cozinhar o jogo com sua “forte marcação” baseada em faltas e porradas que, ao contrário da semifinal na Copa anterior, o juiz fez vista grossa, assim como fingiu que Richarlison não estava em posição legal ao marcar o gol de empate, uma defesa milagrosa com o apito. Ele também viu um tiro de meta com desvio da defesa argentina, aplicou a lei da vantagem quando um argentino deu carrinho por trás e recuperou a bola. Agora sim foi uma arbitragem justa! Resultado final: 0x1, a operação “dê uma Copa para a Argentina” finalmente funcionou.

Por algum motivo, Messi foi eleito o melhor jogador da competição, mesmo que Neymar e Richarlison tenham feito uma Copa bem melhor que ele. O “craque” argentino também foi o artilheiro da competição ao lado do colombiano Luiz Días e do peruano Lapadula (quatro gols). O melhor goleiro foi “Dibu” Martínez, também da Argentina.

Esse foi o único momento em que a imprensa brasileira lembrou que a Argentina não ganhava nada desde 1993. Eles usaram isso para engrandecer a conquista desses heróis liderados por um “craque” mundial. A partir daqui, passaram a engrandecer o técnico Scaloni pelo seu estilo de jogo revolucionário de não deixar o adversário jogar e esquecer de atacar (praticamente o Mano Menezes argentino) e o goleiro Martínez, que sempre foi um goleiro mediano que fala mais do que faz.

Já para o lado brasileiro, muitos queriam a cabeça do Tite, pois ele era um técnico ultrapassado, que teimava sempre com os mesmos jogadores, mesmo que ele tenha variado bastante durante a Copa. Nesse meio tempo, a Itália se sagrou campeã da Eurocopa ao derrotar a Inglaterra nos pênaltis. Os comentaristas globais não perderam tempo ao afirmar que, se o Brasil pegar a Itália, tomaria uma goleada.

Ainda nesse ano, houve os Jogos Olímpicos de Tóquio e o Brasil se classificou no futebol. A organização do torneio não permitiu que Neymar reforçasse o time como um jogador acima de 23 anos por jogar a Copa América, mas, se for assim, por que o Richarlison jogou? Suspeito…

Além de Richarlison, outros jogadores acima de 23 anos que reforçaram a seleção olímpica foram Daniel Alves, Santos e Nino, mas também havia estrelas em ascensão nesse escrete, como Anthony, Matheus Cunha, Bruno Guimarães, Paulinho e Claudinho. Teria o Pedro também, se a diretoria do Flamengo não fosse tão escrota.

Para não me alongar muito, o Brasil conquistou seu segundo ouro olímpico invicto ao vencer a Espanha na final por 2×1. Richarlison foi o artilheiro da competição, com cinco gols. Ao contrário do título da Argentina, a Globo não tratou essa conquista do futebol brasileiro com tanto entusiasmo, pois afirmava que os europeus não ligavam para essa competição. É incrível notar a fórmula de notas da imprensa sobre os europeus: se eles ganham, demonstraram sua incrível superioridade; se perdem, é porque não se importam com a competição.

Nos demais jogos das Eliminatórias, Tite convocou alguns dos campeões olímpicos para testar na seleção principal. Dentre eles, Anthony e Bruno Guimarães se saíram muito bem, enquanto Matheus Cunha e Claudinho não aproveitaram bem suas chances. Outra boa adição ao escrete foi o então desconhecido ponta direita Raphinha, que era agudo, bom finalizador e partia pra cima. Rapidamente ganhou vaga no time titular.

Depois da final da Copa América, o Brasil iria enfrentar a Argentina em casa, mas o jogo foi cancelado após o presidente da Anvisa invadir o estádio e acusar alguns jogadores argentinos de não passarem pelos processos de quarentena. O outro jogo foi na casa dos hermanos, ele terminou empatado em 0x0, novamente com o juiz sendo fundamental para segurar o resultado a favor dos argentinos. Inclusive, ele não marcou um pênalti claro de Otamendi, que deu uma cotovelada em Anthony. O atacante brasileiro até sangrou, mas nada de VAR.

Depois de um longo período de oscilações, Philippe Coutinho voltou para a Seleção após recuperar a boa fase no Aston Villa na vitória de 4×0 sobre o Paraguai. O meia deixou o seu após um belo chute de fora. Mas, novamente, a maldição da língua da Globo agiu e Coutinho teve uma lesão que o tirou da Copa do Mundo.

Para encerrar a participação nas Eliminatórias, o Brasil venceu tanto o Chile quanto a Bolívia por 4×0 e se classificou em primeiro lugar isolado, invicto, com o melhor ataque e a melhor defesa. O artilheiro brasileiro foi Neymar, com oito gols, apenas dois gols atrás do boliviano Marcelo Moreno, o artilheiro geral.

Junto ao Brasil, Argentina, Uruguai e Equador se classificaram direto, enquanto Peru foi para as repescagens contra a Austrália. A repescagem ocorreu em jogo único num campo neutro, a partida terminou em 0x0, mas a Austrália ficou com a vaga depois de vencer nos pênaltis.

Falando em classificados para a Copa do Mundo, lembram da Itália, a campeã da Eurocopa? Pois é, perdeu a repescagem para a poderosa Macedônia do Norte e ficou fora da segunda edição consecutiva (se o Brasil pegar a Macedônia do Norte, vai tomar goleada, sei não).

E a Copa das Confederações? Com poucas edições, o Brasil virou o maior vencedor da competição. Por isso, ela foi jogada no limbo. Em seu lugar, foi criada a Copa dos Campeões CONMEBOL-UEFA, também chamada de “Finalíssima”, jogada apenas entre os vencedores da Copa América e da Eurocopa. Portanto, a partida foi entre Itália e… Argentina? Por que não o Brasil? Ah, é por isso que eles decidiram fazer outra Copa América, a anterior não valeu, sorte dos italianos. Ainda assim, os “pepperones” tomaram 3×0 no lombo, ou seja, a operação “dê uma Copa para a Argentina” saiu melhor que o esperado.

No último amistoso antes da Copa do Mundo, Tite levou alguns dos jogadores que planejava levar e testou outros. Ele conseguiu achar uma forma de encaixar Vinícius Jr. na Seleção, já que o ponta vinha em grande fase no Real Madrid. Ele aproveitou que Lucas Paquetá costumava jogar de volante no West Ham e o colocou nessa posição, também colocou Neymar como meia armador e Vinícius ficou na ponta esquerda, fazendo trio de ataque com Raphinha e Richarlison.

Como resultado dessa formação, a Turquia levou um sonoro 5×1. Lembram que Pedro foi cortado das Olimpíadas graças à diretoria do Flamengo? Pois é, o centroavante rubro-negro teve mais uma chance na Seleção nesse amistoso e, em sua única chance, conseguiu deixar o seu e carimbar sua vaga na Copa do Mundo. Com uma seleção dessas, é impossível a Rede Globo reclamar, certo? Eles não vão reclamar, não é? Vão sim…

Copa do Mundo de 2022 no Catar

Antes da Copa do Mundo, as maiores críticas foram em relação aos amistosos, já que não tinham o que reclamar das Eliminatórias. A Globo afirmava que o Brasil não enfrentou adversários de peso (leia-se seleções europeias), uma reclamação cínica, já que todos os europeus estavam envolvidos em um torneio que eles mesmos criaram: a UEFA Nations League, que servia, exatamente, para não terem nenhum amistoso contra seleções de peso, apenas contra países de pescadores, como Omã, Luxemburgo, Bielorrússia, entre outros.

Entre os convocados, a imprensa apontou a falta de vários jogadores, como Raphael Veiga, Rony, Gabriel “Gabigol” Barbosa, Hulk e Gustavo Scarpa. Raphael Veiga era um dos mais pedidos, pois alegavam que era o meia brasileiro com mais gols nos últimos cinco anos. Eles só esqueceram de mencionar que Veiga era o principal cobrador de pênaltis do Palmeiras, isso permitiu que a maioria dos gols saísse. Em uma seleção com Neymar, Raphinha e Lucas Paquetá, Raphael Veiga seria, com sorte, a quarta opção. 

Outra polêmica foi a convocação de Daniel Alves. Adivinha por quê? Porque ele é velho. Muitos também insinuaram que ele estava sem clube e que o Tite bancou sua convocação por ser amigo dele ou, até mesmo, que ele foi convocado por causa da “máfia dos empresários”. 

Bem, talvez eles tenham esquecido que esse “idoso” foi o melhor jogador da Copa América de 2019 e que foi peça fundamental no ouro olímpico em 2021. Além disso, a “máfia dos empresários” privilegia a convocação de jogadores novos para aumentar o valor do passe. Veja bem, a partir dos 30 anos, a tendência é que o valor de mercado do jogador diminua cada vez mais, pois a força física naturalmente diminui nessa faixa etária. Ou seja, eles ficam mais próximos da aposentadoria e os clubes não acham interessante comprá-los por um valor alto. Portanto, a convocação de Daniel Alves é completamente “anti-máfia”.

A Rede Globo e a imprensa nacional em geral consideravam que Richarlison seria o “cara” da Copa. O atacante do Tottenham realmente tinha futebol para tal, mas sei não… lá vem a maldição da língua de novo…

Sobre o Mundial, o Brasil caiu no grupo G, com Suíça, Sérvia e Camarões. O primeiro adversário foi a Sérvia, a seleção cujo técnico provocou ao falar que os brasileiros têm um bom ataque, mas e quanto à defesa? Essa provocação também deu munição para a imprensa mais à frente. Para esse jogo, foram especuladas duas escalações:

Alisson; Danilo, Thiago Silva, Marquinhos, Alex Sandro; Casemiro, Fred, Lucas Paquetá; Raphinha, Richarlison, Neymar.

Alisson; Danilo, Thiago Silva, Marquinhos, Alex Sandro; Casemiro, Lucas Paquetá, Neymar; Raphinha, Richarlison, Vinícius Jr.

A Globo apostou suas fichas na primeira, pois Tite nunca tinha usado a segunda escalação (isso prova que eles têm Alzheimer ou não veem os jogos da Seleção). No entanto, o técnico brasileiro optou pela segunda para que Vinícius Jr. quebrasse as linhas defensivas dos sérvios, além de colocar Casemiro como volante mais recuado e Lucas Paquetá um pouco mais avançado. A Sérvia veio com a retranca clássica dos três zagueiros.

Ao contrário da projeção do técnico sérvio, a Sérvia teve mais trabalho com o ataque brasileiro do que a defesa brasileira teve com os contra-ataques sérvios, foi praticamente um jogo de ataque contra defesa. Vinícius Jr. conseguiu boas jogadas pela esquerda e Casemiro tentava chutes de fora. Neymar também articulava boas jogadas, mas era constantemente cassado em campo com faltas.

No segundo tempo, o domínio brasileiro continuou, com mais chances devido ao cansaço dos sérvios. Raphinha quase fez em uma roubada de bola no ataque, mas faltou caprichar na finalização. Neymar chegou a acertar a trave em um chute de fora. O gol só saiu aos 17 minutos, quando Neymar abre o caminho pela esquerda, Vinícius Jr. chega chutando, Milinkovic-Savic defende, mas Richarlison pega o rebote e não perdoa, 1×0.

Com isso, a Sérvia saiu pro abafa, certo? Errado, eles continuaram com sua sólida defesa, que parava o ataque brasileiro com faltas. Em uma entrada forte, Milenkovic causa uma torção no tornozelo de Neymar. O camisa 10 continua em campo por um tempo, pois toca para Vinícius Jr. cruzar na área para Richarlison ajeitar e acertar um belo voleio no canto esquerdo da meta sérvia, 2×0. Esse gol foi eleito o mais bonito da primeira fase. Logo em seguida, Neymar sai para a entrada de Anthony.

A lesão de Neymar o tirou da primeira fase da Copa do Mundo. Ele só jogaria se o Brasil passasse da fase de grupos. Bem, o primeiro passo já foi dado, 2×0, placar final. Além de Neymar, Danilo também sentiu o tornozelo no final do jogo após as pancadas sérvias. O lateral também ficou fora da primeira fase.

Dessa vez, a Seleção não sofreu pressão apenas da Globo, mas também da imprensa internacional. O Casagrande italiano Antonio Cassano considerou Richarlison como um atacante terrível e que seu gol foi apenas um ato de sorte, pois ele errou o domínio e acabou acertando o chute ao acaso. Prazer, Cassano: futebol arte, que não se resume a execução repetitiva de técnicas da escolinha de futebol, mas também se apoia no improviso, na forma criativa de encontrar soluções. Foi o que Richarlison fez no golaço de voleio feito contra a Sérvia.

O próximo jogo foi contra a Suíça. Tite já tinha duas ausências importantes confirmadas por lesões, portanto, armou o time em um 4-4-2, com Casemiro e Fred como volantes, enquanto Vinícius Jr. e Raphinha ficaram como meias pelos lados. Lucas Paquetá e Richarlison formaram a dupla de ataque, enquanto Éder Militão ficou na lateral direita para substituir Danilo.

Novamente, um jogo de ataque contra defesa. O Brasil criou várias chances no primeiro tempo, como a de Vinícius Jr., o chute de Casemiro de fora, a jogada de Paquetá pela esquerda, entre outras. Faltou apenas caprichar na finalização. No segundo tempo, a Suíça começou melhor com algumas jogadas perigosas que não resultaram em finalização. A Seleção Brasileira logo equilibrou as ações e quase chegou ao gol após um passe de três dedos de Vinícius Jr., que, se Richarlison chegasse, marcaria seu tento.

O gol viria depois de uma jogada em que Rodrygo (que entrou no lugar de Lucas Paquetá) deixou para Bruno Guimarães (que entrou no lugar de Fred) tocar para a arrancada de Vinícius Jr. O atacante ficou cara a cara e não perdoou. A bola passou pelo goleiro, mas não passou pelo VAR, que assinalou impedimento do Richarlison, que nem participou da jogada.

O alívio veio mesmo aos 38 minutos, após um escanteio, quando Vinícius Jr. pegou a sobra, tocou para Rodrygo, que, de primeira, passou para Casemiro fuzilar o gol suíço, 1×0, placar final, Brasil classificado. Mas teve outra baixa: Alex Sandro também foi vítima da pancadaria adversária e sofreu uma lesão no quadril esquerdo, sendo substituído por Alex Telles no final do jogo.

Foi a primeira vitória da Seleção sobre a Suíça em Copas do Mundo. Ainda assim, a Globo resolveu falar que o futebol apresentado foi ruim, pois, se fosse bom, seria, no mínimo, 4×0. Pelo menos parece que é assim que pensam, pois eles só reclamam.

A última rodada da fase de grupos foi contra Camarões. Tite resolveu colocar o time reserva por já estar classificado (inclusive Daniel Alves), além de querer poupar o time titular de novas lesões. O primeiro tempo teve amplo domínio brasileiro, novamente um jogo de ataque contra defesa, mas os camaroneses estavam com sangue nos olhos, sempre paravam as jogadas brasileiras com faltas. Ainda assim, foram construídas boas oportunidades como a cabeçada de Gabriel Martinelli e a boa finalização de Rodrygo depois do escanteio.

No segundo tempo, surgiu outra vítima da pancadaria adversária: Alex Telles sentiu a lesão no quadril esquerdo e ficou fora da Copa. Foi substituído para a entrada de Marquinhos e Éder Militão passou a fazer a lateral esquerda. Mesmo sem um lateral esquerdo de ofício, o Brasil continuou pressionando, principalmente com Gabriel Martinelli, mas o goleiro Epassy estava em noite inspirada. 

No entanto, no apagar das luzes, Aboubakar marca seu gol ao cabecear no canto de Éderson, 0x1, placar final. Para comemorar, o atacante camaronês tirou a camisa, mas fiquei espantado com a cordialidade com que o juiz o tratou: cumprimentou, abraçou e aplicou o segundo amarelo seguido do vermelho. 

Qualquer um diria que isso é um sinal sério de que o juiz estava contra a Seleção, mas a maioria dos influencers brasileiros de futebol apenas esperaram a Copa acabar para relembrar esse lance como o caso de um juiz raiz, que infelizmente teve que aplicar um cartão para um jogador que comemorou um gol. Não sei se é mau caratismo ou amnésia, pois o juizinho também foi bastante cordial ao aplicar um cartão amarelo em Fai aos 32 minutos do primeiro tempo, após praticamente atropelar Rodrygo. Também deu um tapinha no ombro do mesmo Aboubakar aos 35 minutos do segundo tempo, quando aplicou o primeiro amarelo após ele aplicar um wasari em Gabriel Martinelli, como se fosse um “fez muito bem, mas infelizmente tenho que seguir a regra”. Contra os brasileiros, era apenas cara fechada.

Agora, a imprensa resolveu criticar a Seleção usando a provocação do técnico da eliminada Sérvia: o Brasil não se preocupou com a defesa, levou apenas um reserva para cada lateral e encheu o time de atacantes. Eles só esqueceram de falar que o Brasil ficou sem reservas por causa da pancadaria adversária, a causadora das lesões. Parece até que o objetivo era exatamente esse, tanto que até a arbitragem foi conivente, como visto no jogo contra Camarões.

Mesmo com esse revés, o Brasil se classificou em primeiro no grupo e pegou a Coreia do Sul nas oitavas de final. Tite escalou o time titular, além de contar com a volta de Neymar e de Danilo. Portanto, voltou com a formação do primeiro jogo, com Lucas Paquetá de volante e Neymar como meia armador. No entanto, teve que improvisar Danilo na lateral esquerda e colocou Éder Militão na lateral direita.

Logo aos 7 minutos, Raphinha cruza pela direita, a bola sobra para Vinícius Jr. dominar e fuzilar o gol coreano, 1×0. Já nos 10 minutos, Vinícius Jr. tenta fazer um cruzamento pela esquerda, a bola espirra na defesa coreana e, quando Richarlison recupera, sofre pênalti de Woo-Young. Neymar vai pra cobrança e converte, 2×0.

Aos 29 minutos, Richarlison faz boa jogada individual, passa para Paquetá que, de primeira, toca para Thiago Silva que, também de primeira, coloca Richarlison cara a cara com o goleiro para chutar no canto, 3×0. Ainda não acabou: aos 36 minutos, Vinícius Jr. faz boa jogada pela esquerda, pinga a bola na área para Lucas Paquetá chegar batendo, 4×0. No segundo tempo, Paik Seung-Ho desconta para a Coreia com um belo chute de fora, 4×1, placar final.

Todos os gols brasileiros foram comemorados com dancinhas: teve a dança que Neymar faz com o time na linha lateral, teve a dancinha que Paquetá sempre faz para comemorar seus gols, teve a dança do pombo no gol do Richarlison e Vinícius Jr. também dançou. A Rede Globo, incentivada pela imprensa internacional, criticou veementemente as dancinhas por serem falta de respeito. E por acaso eles são obrigados a respeitar um adversário num momento de catarse, como a comemoração de um gol?

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Croácia. Tite colocou em campo o mesmo time da partida anterior. O primeiro tempo foi muito truncado, com mais chances brasileiras, mas os croatas seguiram a fórmula de parar as jogadas com faltas.

No segundo tempo, o Brasil melhorou consideravelmente, criou mais chances, mas a Croácia contou com o goleiro Livakovic em noite inspirada e com a bondade do juiz e do VAR, que não viu toques de mão em dois momentos na área croata. Com isso, o jogo terminou em um empate sem gols e foi para a prorrogação.

Durante o tempo extra, a pressão brasileira continuou, mas só rendeu frutos quando Neymar fez uma tabela com Rodrygo (que entrou no lugar de Vinícius Jr.), fez outra tabela com Lucas Paquetá, driblou o goleiro Livakovic e bateu para assinar um golaço, 1×0. 

No entanto, faltando 5 minutos para acabar a prorrogação, Fred (que entrou no lugar de Lucas Paquetá) perde a bola no ataque e os croatas progride pela esquerda. É feito um cruzamento rasteiro para Petkovic chutar de primeira. Ainda contou com um desvio de Marquinhos para matar Alisson, 1×1, placar final, a decisão ficou para os pênaltis.

Logo na primeira série, Vlasic converte e Livakovic defende a cobrança de Rodrygo, todos continuaram acertando até a quarta série, quando Orsic converteu e Marquinhos acertou a trave, Brasil eliminado nos pênaltis. Novamente, a arbitragem foi fundamental para a eliminação, assim como a Rede Globo, que criticava cada passo dado por Tite e companhia.

No caso dos pênaltis, a crítica foi direcionada a Neymar, que ficou por último para bater. Eles interpretaram isso como deslumbramento, pois ele queria ficar com a glória pela classificação, pois o melhor batedor sempre bate primeiro — não sei onde isso está escrito. 

Um certo crítico musical que, de vez em quando, se aventura a falar de futebol (quase sempre copiando o que a Globo fala), chegou a dizer que qualquer um que tenha chutado uma bola sabe que o melhor batedor sempre bate primeiro. Acho que ele esqueceu que, antigamente, era muito comum o melhor batedor cobrar por último. Por exemplo, na semifinal da Copa América de 2007, Diego Ribas era o melhor batedor e bateu por último. Os comentaristas globais, que vomitaram essa asneira que o crítico musical engoliu, até afirmaram que era uma grande responsabilidade. Vou pegar emprestada uma frase desse crítico: a opinião dele tem tanta utilidade quanto um cinzeiro em uma motocicleta, ou seja, nenhuma.

Agora, alguns outros comentários. Nosso “craque” mundial Cristiano Ronaldo marcou apenas um gol contra a Gana e foi de pênalti. Com isso, ele foi condecorado como o único jogador a marcar gols em cinco edições de Copas do Mundo. Isso só prova que ele é insistente, mas também prova que ele sequer é o melhor português do mundo, pois Eusébio fez nove gols em apenas uma Copa, enquanto ele soma oito gols em todas as edições de que participou.

O técnico português percebeu como esse sujeito é mascarado e o colocou para esquentar banco. No dia em que fez isso, Portugal venceu a Suíça nas oitavas por 6×1. A imprensa usou isso para criticar a Seleção Brasileira, pois os portugueses golearam sem seu “craque”. Pode falar uma coisa no seu ouvidinho Rede Globo: Portugal jogou sem Cristiano Ronaldo porque ELE É RUIM! MAIS ATRAPALHAVA DO QUE AJUDAVA! A prova disso veio na partida seguinte, Marrocos venceu Portugal por 1×0, Cristiano Ronaldo saiu do banco no segundo tempo para provar a seguinte tese: sem Figo e Deco para carregar o time, Portugal não vai longe.

E a Alemanha? Novamente foi eliminada na fase de grupos. Perdeu pro Japão logo na estreia, provando que o segredo para ganhar dos alemães é jogar de “olho fechado”. Tomaram dois gols com dois frangos do “revolucionário” Neuer, cujo futebol envelheceu igual leite. A Alemanha também empatou contra a Espanha e ganhou da Costa Rica, mas foi eliminada pelo saldo de gols. O mesmo se pode dizer da geração belga, que só ganhou do Canadá e foi eliminada na fase de grupos.

Nossos hermanos começaram bem a Copa: jogaram com três zagueiros contra a poderosíssima Arábia Saudita e perderam de virada. Depois disso, resolveram chorar e reclamar da arbitragem, pois não puderam fazer suas presepadas sem tomar cartão amarelo. Nos demais jogos, deram vários pênaltis para o “craque” Messi fazer seu nome e, aos trancos e barrancos, chegaram na final para enfrentar a França.

Sobre essa final, sou obrigado a admitir: QUE JOGO RUIM DA PLEURA! A bola não saía do meio-campo, peguei no sono duas vezes assistindo a essa tortura, mas a Rede Globo considerou essa final como a melhor de todos os tempos pelo simples fato de ter seis gols envolvidos. Se essa é a melhor, não quero nem saber qual a pior.

Os dois primeiros gols foram argentinos. O primeiro foi de Messi, adivinha de quê? De pênalti, é claro! Depois, Di Maria ampliou após a clássica jogada de transição em velocidade do Scaloni. No finalzinho do segundo tempo, quando o tédio tomava conta do meu ser, Muani se joga na área e o juiz entende como pênalti. Mbappé vai pra cobrança e converte, 2×1. Um minuto depois, Mbappé faz seu segundo no jogo e leva a decisão para a prorrogação.

Durante a prorrogação, Messi acha um gol fornecido de graça por Lloris, enquanto a França cavou outro pênalti para Mbappé empatar. Nos pênaltis, as duas seleções colocaram os melhores batedores para bater primeiro, então as duas venceram, certo? Errado, a Argentina venceu, pois o resto dos franceses desperdiçaram suas cobranças, ou seja, não existe ordem certa para bater na loteria dos pênaltis, isso foi só um pretexto para criticar o Neymar.

Com isso, a Argentina finalmente chegou ao mesmo número de mundiais que o Pelé. O cliente VIP da FIFA, Messi, ganhou a Bola de Ouro; Mbappé foi o artilheiro da competição, com oito gols, e “Dibu” Martínez ganhou as luvas de ouro, fazendo todos os influencers de futebol se derreterem por esse goleiro mediano que vive engolindo frangos inacreditáveis no Aston Villa, mas estava motivado nessa Copa.

Agora, vamos ao saldo do futebol “moderno”: tínhamos a retranca italiana, os toques espanhóis envolventes, o handebol alemão, os 100 m rasos franceses e, agora, temos a catimba argentina. Sim, a Rede Globo começou a apoiar a retranca e cozinhada de jogo que os argentinos sempre fizeram como algo revolucionário, mas, se os brasileiros fizerem isso, é anti-jogo.

Além disso, o esquema de três zagueiros do Scaloni começou a ser implantado por vários treinadores. É um típico esquema de time pequeno treinado por técnicos retranqueiros, mas, de alguma forma, passaram a achar que esse esquema deixa o time mais ofensivo, pois resulta em mais troca de passes no ataque (sem finalização) e vantagem numérica contra a defesa adversária (papo de contra-ataque). Isso tudo exige volantes com boa saída de jogo, laterais ofensivos que defendam, pontas velozes, centroavantes que voltem pra marcar… ou seja, é um esquema defensivo que se beneficia do contra-ataque, não tem nada de ofensivo.

A situação até aqui e considerações finais

Pra começo de conversa, gostaria de destacar a péssima escolha da Globo em colocar o intragável Luis Roberto para narrar os jogos da Seleção. Esse narrador acha que gritar feito uma gralha é o mesmo que colocar emoção, mas acaba soando artificial mesmo. Além disso, ele nunca fala das injustiças da arbitragem, foca apenas em criticar a Seleção. Me fez até sentir falta do ufanismo quase infantil do Galvão Bueno.

A CBF decidiu demitir Tite. Assim que a confederação anunciou essa demissão, Casagrande não demorou para pedir um técnico estrangeiro na Seleção. Recomendou o então técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, um sujeito que se deu bem por ter uma seleção mundial a seu dispor, ainda assim, optava por jogar na retranca.

Essa recomendação do cheirador de coca foi muito estranha, o que já sinalizava uma tendência do imperialismo de interferir na Seleção. Mas ele tinha motivos para pedir um técnico estrangeiro, pois vários deram certo nos times brasileiros, como Jorge Jesus, Abel Ferreira… e só. Em contrapartida, vários deram muito errado, como Paulo Sousa, António Oliveira, “El Turco” Muhammad, Lucho González, Jorge Sampaoli, Domenec Torrent, e a lista segue.

Para agradar gregos e napolitanos, Ednaldo Pereira, o então presidente da CBF, disse que tudo já estava acertado com Carlo Ancelotti, mas ele teria que cumprir seu contrato com o Real Madrid, que terminaria em junho de 2023. Para suprir a ausência de um técnico, ele disse que Ramon Menezes, o técnico da seleção sub-20, seria o interino.

Ramon treinou a Seleção nos três amistosos de 2022. Ele convocou uma seleção um pouco diferente da esperada, mas chamou alguns dos “injustiçados” na Copa, como Raphael Veiga e Rony. O resultado não foi dos esperados: perdeu de 2×1 para Marrocos, venceu a Guiné por 4×1 e perdeu para Senegal por 4×2.

Com isso, Ednaldo viu que Ramon Menezes não ia dar certo. Portanto, chamou Fernando Diniz, treinador do Fluminense no momento. Ele ia comandar a Seleção até a prometida chegada de Ancelotti, mas não ia deixar de treinar o Fluminense. Fernando Diniz começou a treinar a Seleção no começo das Eliminatórias, que classificariam seis seleções, em vez de quatro, devido ao aumento do número de seleções para a Copa de 2026. O sétimo colocado iria para as repescagens intercontinentais.

O time de Diniz teve como base a Seleção que foi pra Copa, mas também trouxe Nino e André do Fluminense, duas peças que, alguns anos depois, o próprio treinador afirmou que eram fundamentais para seu esquema tático funcionar no tricolor das laranjeiras. Outro fator complicador foi a ausência de Lucas Paquetá, acusado de tentar manipular resultados de apostas esportivas ao, supostamente, forçar cartões amarelos. Com isso, ele ficou de fora dos demais compromissos da Seleção no ano.

Os dois primeiros compromissos foram nas Eliminatórias, com duas vitórias: 5×1 contra a Bolívia em casa e 1×0 no Peru em Lima. No entanto, depois do empate contra a Venezuela, os tão sábios comentaristas da Globo consideraram Vinícius Jr. um problema, afirmaram que Gabriel Martinelli se encaixava melhor no esquema de Diniz. Além disso, Richarlison foi mais uma vítima da língua grande da Globo: seu futebol regrediu bastante por ser colocado de lado no Tottenham e pela pressão da Copa, que acabou com seu psicológico. Mas a Globo não tem nada com isso, fez questão de ridicularizá-lo sempre que jogava.

Depois de estrear com duas vitórias, as próximas rodadas foram contra o Uruguai, a Colômbia e a Argentina. A Seleção perdeu para o Uruguai por 2×0, uma derrota marcada também por uma grave lesão no joelho sofrida por Neymar. A entrada do uruguaio foi tão forte que rompeu o ligamento cruzado anterior, além de afetar o menisco.

Com Neymar fora do páreo, Fernando Diniz resolveu acatar o pedido da Globo e escalar Gabriel Martinelli. A partir daí, a emissora começou a enumerar alguns “records negativos” que ninguém tinha reparado e ninguém se importava: a primeira vez que o Brasil perdeu em casa nas Eliminatórias, a primeira vez que o Brasil perdeu da Colômbia nas Eliminatórias, a primeira vez que a seleção perdeu três vezes nas Eliminatórias.

Isso sinaliza duas coisas: a primeira é a grandeza da Seleção Brasileira, pois todas as demais seleções sul-americanas já passaram por isso, inclusive a Argentina; a segunda é a crise interna e a pressão do imperialismo, muito pioradas depois da pandemia. Tanto que, a exemplo do caso Paquetá, começou a influenciar diretamente no escrete brasileiro. Além disso, o conselho que eles mesmos deram (Gabriel Martinelli era a solução) não foi dos melhores, mas colocaram todos esses fatores nas costas do Fernando Diniz, que foi demitido do cargo de interino.

No começo de 2024, Carlo Ancelotti anuncia que renovou com o Real Madrid até 2026, ou seja, não iria treinar a Seleção. Provavelmente tinham conversas, Ancelotti pode ter até usado essa proposta para conseguir um bom contrato com a equipe espanhola, mas ele resolveu esnobar e falou que não sairia do clube. 

Nesse mesmo período, a CBF anunciou a contratação de Dorival Júnior, campeão da Libertadores e da Copa do Brasil pelo Flamengo em 2022 e campeão da Copa do Brasil pelo São Paulo em 2023, dessa vez como treinador efetivo. Os dois primeiros compromissos envolviam algo que a Globo pedia há muito tempo: amistosos contra os gigantes europeus. 

O primeiro foi contra a Inglaterra, Dorival contou com o retorno de Lucas Paquetá, aparentemente inocentado das acusações, pois não foi encontrado nada em seu celular. Além dele, houve outras novidades, como João Gomes, Vanderson, Wendell, Fabrício Bruno, Andreas Pereira, Bento, Endrick e Lucas Beraldo. 

Logo antes do jogo contra a Inglaterra, a Globo se mostrou muito preocupada, pois teria Bento como goleiro e Fabrício Bruno como zagueiro (que atuam no “fraquíssimo” futebol brasileiro). Também fizeram questão de ressaltar que Wendell errou um pênalti pelo Porto nas oitavas de final da Champions League, contra o Arsenal. Algumas páginas de futebol também fizeram alguns posts debochando do escrete brasileiro, inclusive um que colocava o meio-campo do Brasil como inferior, já que os ingleses contavam com Jude Bellingham, enquanto os brasileiros tinham Andreas Pereira (mesmo sabendo que o titular seria Lucas Paquetá).

Em suma, eles criaram um clima de “já ganhou” para os ingleses. No entanto, a partida terminou 1×0 para o Brasil, gol de Endrick, que, mesmo novo, já mostrou que tem estrela e que é craque. Adivinha de quem foi a assistência: do “inútil” Andreas Pereira! O craque internacional Bellingham fez o mesmo que Diego Costa nesse jogo: ABSOLUTAMENTE NADA. Além disso, Fabrício Bruno, Lucas Paquetá e Bento fizeram uma partidaça, o goleiro brasileiro fez defesas incríveis.

O segundo amistoso foi contra a Espanha, em um jogo conturbado que terminou em 3×3. Dois dos gols espanhóis vieram de pênaltis que não existiram, já do lado brasileiro, Rodrygo, Endrick e Lucas Paquetá marcaram os seus. Com esses dois jogos, até a Globo teve que admitir o bom desempenho da Seleção.

Pouco antes da Copa América nos Estados Unidos, a FA (federação inglesa) decidiu, por algum motivo, retomar a investigação contra Lucas Paquetá. Eles pediram o celular do jogador novamente, mesmo que não tenham encontrado nada na primeira investigação. Paquetá disse que trocou o celular, algo suficiente para a FA mover um processo capaz de, inclusive, banir o meia brasileiro do futebol.

A Rede Globo resolveu ocultar que Paquetá já tinha fornecido o celular antes para a federação inglesa e falou apenas que o meia se recusou a fornecer o dispositivo. Isso estimulou vários influencers de futebol a destilarem opiniões sobre o caso, mesmo sem entendê-lo. A torcida do Flamengo ficou ligeiramente animada pela possibilidade de banimento que o jogador sofreria da Premier League, pois isso aumentaria as chances de Paquetá voltar ao rubro-negro carioca.

Os influencers e youtubers de futebol com mais projeção seguiram o discurso da Globo e praticamente já consideraram Lucas Paquetá como culpado. Mesmo com o julgamento ainda em curso, eles também ironizavam a torcida do Flamengo por querer o meia em seu time, devido à possibilidade de ele ser banido do futebol profissional. Por vir da base do Flamengo, os torcedores fizeram o correto: mostraram que iriam acolher Paquetá mesmo culpado. Ou seja, se os ingleses não o quisessem, eles queriam o retorno de seu “cria”.

Voltando para a Copa América, Paquetá estava liberado para atuar pela Seleção, mas não jogaria a Premier League até o julgamento ser concluído. Obviamente, isso impactou o desempenho do meia na competição, que não foi dos melhores. O escrete também contou com o retorno de Alisson no gol, além de trazer boas novidades, como o atacante Savinho.

Na Copa América, o Brasil venceu apenas o Paraguai por 4×1, pela segunda rodada da fase de grupos, mas empatou com a Costa Rica e com a Colômbia. Este último jogo contou também com um pênalti não marcado contra Vinícius Jr. O atacante brasileiro também recebeu o terceiro cartão amarelo por pedir o penal, o que o tirou do jogo nas quartas.

Nas quartas, a Seleção também empatou contra o Uruguai, depois de um jogo totalmente truncado. Os uruguaios sempre paravam os brasileiros com faltas. Nos pênaltis, o Uruguai prevaleceu e eliminou o Brasil. As críticas foram em cima de Alisson, que não conseguiu defender os pênaltis, e de Endrick, que não conseguiu marcar. Era só escapar das porradas uruguaias e fazer um gol, quem não consegue fazer isso?

No frigir dos ovos, a Argentina foi campeã ao vencer a Colômbia por 1×0 nas prorrogações. O melhor jogador foi o colombiano James Rodríguez (já que não tinha a mínima brecha para eleger Messi como o melhor, já que o argentino não jogou nada), o artilheiro foi o argentino Lautaro Martínez, com cinco gols, e o melhor goleiro foi “Dibú” Martínez. A operação “dê uma Copa para a Argentina” novamente foi um sucesso, só foi preciso desestabilizar mentalmente o principal nome do meio-campo brasileiro e retirar Vinícius Jr. injustamente das quartas de final.

O Brasil oscilou bastante nas Eliminatórias, já que Neymar não jogava devido à contusão e Lucas Paquetá não jogava por estar sendo julgado. Além disso, a Rede Globo pegava cada vez mais pesado com a Seleção. Até quando venciam, afirmavam que o desempenho não foi de brilhar os olhos.

Não aconteceu apenas isso, também teve uma espécie de “boicote” aos jogadores da Seleção em seus clubes. Endrick, que vinha se destacando na Seleção, por algum motivo, foi escanteado no Real Madrid. Anthony foi completamente ignorado no Manchester United, só voltou com seu bom futebol no Real Bétis. Savinho parou de receber chances depois de ser contratado pelo Manchester City. Wendell foi desprezado no Porto, entre outros.

O ponto máximo da pressão foi no jogo contra a Argentina. Os brasileiros vinham de uma vitória por 2×1 contra a Colômbia. Com isso, Romário convidou alguns dos jogadores da Seleção para uma breve entrevista em seu canal no YouTube. O destaque foi para Raphinha, que recebeu a seguinte pergunta do baixinho: “jogar contra a Argentina, nossa maior rival, e agora, graças a Deus, sem o Messi. Porrada neles?”. O jogador respondeu sem hesitar: “porrada neles. Sem dúvida. Porrada neles! No campo e fora de campo se tiver que ser!”.

É uma resposta que inflamou os torcedores, mas que gerou revolta da Globo, que se assustou com essa agressividade, pois o futebol é um esporte de paz e amor. Coitados dos argentinos, eles nunca agiram com agressividade contra os brasileiros, nunca os chamaram de macacos, nunca deram porrada e nunca foram desleais. Qualquer um que assiste futebol sabe que os argentinos sempre foram desleais, deram muitas porradas e até chamavam os brasileiros de macacos, tudo com a colaboração dos árbitros, que sempre fazem vista grossa para isso.

O jogo em si foi um desastre: 4×1 para a Argentina. Os jogadores visivelmente estavam abalados psicologicamente, vítimas dos ataques frequentes da imprensa. Muitos falaram que essa foi a derrota com o placar mais elástico que os brasileiros sofreram de seus rivais. Novamente, isso só ressalta a grandeza da Seleção, pois placares assim eram frequentes no final dos anos 2000, só que a favor do Brasil.

Com esse resultado, Dorival Júnior deixou o comando da Seleção. Além disso, Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF, José Perdiz ficou em seu lugar como interino e contratou, como substituto de Dorival… Carlo Ancelotti? Sim, o técnico italiano finalmente chegou ao comando da amarelinha, o que só reforça que tiveram sim conversas anteriores. 

Nesse período, Ancelotti vinha sendo muito criticado no Real Madrid. Nesse caso, resolveu aceitar a proposta da CBF, mas não só isso, também arrumou o cargo de técnico do Botafogo para seu filho, Davide Ancelotti, que, até agora, fez o Glorioso ter atuações de medianas a horrorosas.

Outro fator importante: ao contrário das previsões da Rede Globo e dos “justiceiros” do YouTube, Lucas Paquetá foi inocentado no julgamento, pois não existiam provas suficientes para condená-lo por manipulação. Isso só reforça que o julgamento serviu apenas para afetar o desempenho do jogador na Seleção.

O treinador já pegou o Brasil praticamente classificado para a Copa do Mundo, algo ofuscado pela imprensa, que se concentrava em criticar a Seleção. O Brasil de Ancelotti teve um empate sem gols contra o Equador em uma partida sonolenta, mas a Globo resolveu focar na quantidade de chicletes mascados pelo treinador. Se fosse um treinador brasileiro, já estariam pedindo a cabeça do coitado.

Nos próximos jogos, o Brasil venceu o Paraguai por 1×0 e o Chile por 3×0, resultados que garantiram a Seleção na Copa de 2026 e a segunda colocação provisória. Lucas Paquetá teve um bom desempenho em ambos os jogos, quem diria. O último jogo foi contra a Bolívia na altitude de La Paz. Os bolivianos venceram por 1×0, isso fez o Brasil ficar em quinto na classificação geral.

A imprensa, oportunista como é, ressaltou que essa era a pior colocação da Seleção. Vale ressaltar que, se tivesse empatado, o Brasil ficaria em terceiro, mesmo com todo o sucateamento promovido pelos clubes europeus durante as Eliminatórias. Além disso, o Brasil já estava classificado e jogou com um time B contra a Bolívia, se não estivesse, o resultado seria outro.

No final de 2025, o Brasil fez quatro amistosos: dois contra seleções asiáticas e dois contra seleções africanas. Os asiáticos enfrentados foram a Coreia do Sul e o Japão. A Canarinho venceu os coreanos por 5×0, com belíssima atuação de Estêvão e de Rodrygo, mas a imprensa deu os louros ao Carlo Ancelotti.

Já o segundo amistoso terminou com uma vitória de 3×2 do Japão. A Seleção Brasileira controlou o jogo e largou na frente com os gols de Gabriel Martinelli e de Paulo Henrique (que fez uma boa estreia pela Seleção). No segundo tempo, os japoneses viraram com três falhas individuais: duas de Fabrício Bruno e uma do goleiro Hugo Souza (também estreante). Como foi derrota, a culpa recaiu sobre os jogadores, especialmente os que falharam. Muitos chegaram a falar que eles nunca mais deveriam vestir a amarelinha.

Em novembro, a Seleção teve amistosos contra Senegal e Tunísia. Novamente, Ancelotti deixa Neymar de fora porque o craque estava com problemas físicos. A única novidade na Seleção foi a volta de Danilo.

Contra o Senegal, Ancelotti escalou o time em um 4-2-4. Éderson começou no gol e Éder Militão foi testado na lateral direita, com total apoio da Globo (quando o Tite fez isso, foi chamado de “professor pardal”). O meio-campo contou com Casemiro e Bruno Guimarães, enquanto o ataque tinha Estêvão e Rodrygo como pontas. Mateus Cunha e Vinícius Jr. formaram a dupla de “falsos 9”.

O Brasil dominou o jogo desde o primeiro minuto. Vinícius Jr. construía bem as jogadas e usava sua velocidade para puxar os contra-ataques, mas as finalizações sempre paravam nas boas defesas de Mendy. Mateus Cunha chegou a acertar a trave duas vezes. 

Aos 27 minutos, Casemiro carrega a bola por dentro, tenta um passe pra Mateus Cunha, a bola é espanada pela defesa senegalesa, mas isso não impediu a chegada de Estêvão, que bateu no canto de Mendy, 1×0. Já aos 35 minutos, Rodrygo cobra uma falta pela direita nos pés de Casemiro, o volante teve tempo de dominar e chutar chapado no canto, 2×0.

Apesar do primeiro tempo avassalador, o segundo tempo já começou no melhor estilo Ancelotti do Real Madrid: tem a intenção de armar uma retranca absurda para jogar no contra-ataque, mas apenas chama o time pro campo de ataque e raramente consegue passar do meio-campo. Logo no começo, Éderson quase falha, mas, por sorte, o ataque senegalês não aproveitou a oportunidade.

O jogo ficou morno, pois o Brasil teve algumas chances com Rodrygo e Vinícius Jr., enquanto Senegal não conseguia furar a retranca brasileira. Aos 19 minutos, o zagueiro Gabriel Magalhães saiu contundido da partida. Ancelotti colocou o lateral direito Wesley em seu lugar e posicionou Éder Militão na zaga. Wesley fez uma boa partida, mas ficou nítido que não teve suas qualidades valorizadas, pois ele é um lateral mais ofensivo e teve que ficar mais recuado. O mesmo pode ser dito do lateral esquerdo Alex Sandro. No final, o Brasil conseguiu segurar o 2×0.

Além de Vinícius Jr., vale destacar as excelentes atuações de Estêvão (que mostrou ser muito mais que o “Cuiabá Man”), Casemiro e Rodrygo. Em 2023, a Canarinho perdeu para Senegal por 4×2. A Globo que a “vergonha” da Seleção ter perdido três jogos para seleções africanas agora celebrava o fato do Brasil vencer Senegal pela primeira vez na história (esse foi o terceiro confronto, os dois anteriores contaram com um empate e uma derrota). Esse sotaque ítalo-espanhol do Ancelotti é mesmo irresistível!

Na partida contra a Tunísia, Ancelotti manteve o 4-2-4 da partida anterior, mudou apenas do meio pra trás: Bento foi escalado como titular no gol, Wesley começou na lateral direita e Alex Sandro foi substituído por Caio Henrique. A dupla de zaga foi formada por Éder Militão e Marquinhos (que entrou no lugar do contundido Gabriel Magalhães).

Logo no primeiro lance, Caio Henrique erra um lançamento pelo meio, mas a finalização tunisiana terminou na defesa tranquila de Bento. Além disso, essa partida me fez ter pena do Wesley… o lateral vez ou outra tentava a infiltração, coisa que ele sempre faz com maestria, mas o meio-campo estava tão recuado, que não permitia essa jogada. Aos 9 minutos, a Tunísia tenta um contra-ataque pelo lado esquerdo, Wesley consegue parar essa jogada, mas o juiz viu uma falta em que ele nem encosta no tunisiano e ainda aplica um amarelo.

O Brasil conseguiu chegar duas vezes com Rodrygo, uma com bola rolando e outra em uma falta. No entanto, aos 22 minutos, Bruno Guimarães tenta um passe para Wesley, o lateral adianta demais e bola e é desarmado. A Tunísia começa seu contra-ataque, Abdi lança para Mastouri no lado direito, o atacante ficou livre para bater na saída do Bento, 0x1.

Aos 39 minutos, Rodrygo cobra uma falta pelo lado direito. Bronn consegue empurrar Militão e, ainda, espalmar a bola. O juiz levou seis minutos para analisar o lance no VAR e marcar a penalidade a favor da Canarinho. Estêvão foi pra cobrança e converteu, 1×1.

Na volta do intervalo, Ancelotti colocou Danilo no lugar de Wesley e Vitor Roque no lugar de Mateus Cunha. Novamente, um segundo tempo morno, só esquentou quando Vitor Roque ganhou a disputa com Sassi dentro da área, mas acabou sendo derrubado pelo volante tunisiano, pênalti. Lucas Paquetá (que entrou no lugar de Bruno Guimarães) foi pra cobrança, mas isolou. Estêvão também acertou uma bola na trave, mas não impediu o empate e um segundo tempo tão parado que, se o jogo passasse na Netflix, o aplicativo ia perguntar se o usuário deseja continuar assistindo, 1×1.

Como de praxe, a Globo culpou os jogadores, mesmo que esse seja o jogo de Ancelotti desde que ele treinava o Real Madrid, o que comprova que os merengues ganharam aquelas duas Champions League não POR CAUSA do Ancelotti, mas sim APESAR do técnico italiano. O time sempre tomava um sufoco, costumava perder o jogo da ida, mas contava com o talento e com as jogadas individuais dos seus jogadores (principalmente de Vinícius Jr.) para virar.

A jornada para 2026 pode ter sido a mais conturbada da Seleção em questão de pressão da imprensa e sabotagem dos jogadores. Essa pressão se deve ao cerco feito pelo futebol europeu para esconder a crise que eles enfrentam, que piorou desde o COVID-19.

No entanto, pode-se perceber que essas críticas feitas pela Globo não são de hoje, principalmente em relação a Neymar, pois os craques da Seleção sempre eram os mais atacados: as críticas de 2006 foram ao quadrado mágico (com destaque para Ronaldo Fenômeno); em 2010, Kaká foi criticado à exaustão; e, a partir de 2014, Neymar foi caçado pela imprensa incansavelmente.

Ancelotti ainda não convocou Neymar, mesmo com o craque disponível durante algumas convocações. No entanto, o menino Ney continua sofrendo lesões recorrentes, ainda que tenha um desempenho formidável nas partidas que jogou pelo Santos. 

Apesar dos urubus da imprensa (como Casagrande) encherem a boca para falar que Neymar não se recupera por não estar focado e sempre ir a festinhas, vale ressaltar aquela fratura no quinto metatarso, um osso fundamental para a absorção de impacto pelos pés. Sua fratura aumentou as chances de torsão e sobrecarregou o tendão do joelho, que foi rompido em 2023. Essa fratura não foi por falta de comprometimento, mas sim por excesso de pancadas. O que resta é esperar que o italiano caia em si e descubra que, sem Neymar, não ganhará a Copa.

Particularmente, tenho esperança no Hexa pelo seguinte motivo: a Seleção de 1994 era muito criticada e trouxe o Tetra, enquanto a Seleção de 2002 era totalmente escrachada pela Globo (teve a pior posição nas Eliminatórias até então) e foi campeã. 

Parafraseando Nelson Rodrigues, tenho apenas um conselho para a Seleção se dar bem na Copa: não nos leiam, não nos vejam e fiquem longe da imprensa, mesmo que, para isso, recorram a festas e à curtição na concentração.

Para finalizar esse texto, que ficou mais longo que eu pensava, deixo a frase de Leonel Brizola que deve servir como uma palavra de ordem na concentração do Brasil:

“Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: se a Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor.”