ICE: a política imperialista experimentada em Gaza chega em casa

Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA

Adriana Machado

Criada sob o pretexto de regular a imigração, o ICE tornou-se a maior agência de repressão da história do governo norte-americano, utilizando força excessiva, suspendendo direitos e intimidando o povo

Renee Nicole Good, cidadã norte-americana branca de 37 anos, mãe de três filhos, escritora e poeta, estava no local de uma operação do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, em inglês, United States Immigration and Customs Enforcements) no sul de Minneapolis como observadora legal — uma voluntária que monitora, acompanha e fiscaliza as ações policiais para garantir que as leis do estado democrático de direito sejam respeitadas. “Vocês atiraram na cara dela”, diz uma testemunha aos agentes do ICE em um dos vídeos divulgados nas redes sociais que registram o momento em que um agente federal mascarado atira contra a mulher. Renee estava no local logo após deixar os filhos na escola, com o console de sua SUV cheio de brinquedos de pelúcia do filho de seis anos. Em outro vídeo, Good aparece sorrindo e falando calmamente com um dos agentes que cercam seu carro, enquanto manobra na rua gelada da primeira das Cidades Gêmeas, que, junto com Saint Paul, forma a principal área metropolitana do estado de Minnesota. “Está tudo bem, cara, eu não estou brava com você”, diz ela. Menos de um minuto depois, após disparar três vezes pelo vidro do carro no peito da mulher que tentava sair do local, o agente mascarado exclama: “Cadela fodida”.

Sionismo, campo de teste do imperialismo

O governo Trump defendeu veementemente a conduta do policial, contradizendo o que é evidente nos vídeos: no momento em que o agente dispara, ele está parado à esquerda do carro, enquanto as rodas apontam para a direita, afastando-se dele. Em uma campanha de propaganda enganosa que lembra as declarações mentirosas do governo sionista sobre o genocídio na Palestina, as autoridades do governo Trump afirmaram que foram “tiros defensivos” disparados porque o policial Jonathan Ross estava sendo atropelado. (Videos Contradict Trump Administration Account of ICE Shooting in Minneapolis, NY Times, 8/1/2026)

A semelhança entre a ação do governo genocida sionista na Palestina ocupada (com apoio do imperialismo) e do norte-americano, principal país imperialista, contra sua própria população, não se restringe à propaganda. “Drones com inteligência artificial usados em Gaza agora vigiam cidades americanas”, anuncia a matéria do sítio de notícias independente The Grayzone. (AI drones used in Gaza now surveilling American cities, The Grayzone, 2/11/2025) 

“Os drones quadricópteros com inteligência artificial usados pelas Forças de Defesa de Israel para cometer genocídio em Gaza estão sobrevoando cidades americanas, vigiando manifestantes e enviando automaticamente milhões de imagens para um banco de dados de evidências”, afirma o sítio. 

A Forbes também noticiou a compra dos drones e analisou os contratos entre o governo e as empresas armamentistas, as mesmas que fornecem o equipamento para “Israel”. “Em 2 de setembro, o ICE adquiriu um drone X10D com tecnologia de inteligência artificial fabricado pela empresa Skydio, sediada na Califórnia, através da ADS (Atlantic Diving Supply) por 25 mil dólares, explicitamente para ser usado em ‘vigilância’ em ‘operações de fiscalização’, segundo a descrição do contrato.” (ICE Preps For New ‘Hiring Surge’ With AI Drones, Armor And Weapons, Forbes, 10/9/2025)

Segundo o sítio de notícias que é um dos principais órgãos de imprensa imperialista, no final de agosto do ano passado, o ICE adquiriu não só os drones, mas também uma série de novos equipamentos de proteção e armamento de nível militar, enquanto lançava uma “onda de contratação de agentes”. O DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, em inglês, US Department of Homeland Security), o departamento responsável pelo ICE, anunciou naquele mês: “o ICE recebe 100 mil inscrições de americanos patriotas que querem ajudar a remover assassinos, membros de gangues, pedófilos e terroristas dos EUA.” (ICE Receives 100,000 Applications from Patriotic Americans Who Want to Help Remove Murderers, Gang Members, Pedophiles, and Terrorists from the U.S., Homeland Security, 12/8/2025) 

Assim como o governo sionista caracteriza o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) — a força de resistência popular contra a ocupação que reafirma o consentimento com o direito internacional — e até crianças palestinas como terroristas que devem ser exterminados, funcionários do governo Trump chamaram Renee Good e outros voluntários que monitoram o ICE de “terroristas domésticos”. Kristi Noem, secretária do DHS alegou que Good “tentou atropelar um agente da lei”, chamando isso de “um ato de terrorismo doméstico”. O vice-presidente, JD Vance, chamou a interação de “terrorismo clássico” e insinuou que os manifestantes que protestam o ICE e o assassinato estão envolvidos em “técnicas de terrorismo doméstico”. (Labeling Renee Good a “Domestic Terrorist” Distorts the Law, Brennan Center for Justice, 16/1/2026)

“Se isso lhe parece familiar, é porque é exatamente a mesma estratégia que Israel utiliza sempre que mata um palestino” enfatiza o Mondoweiss, canal independente de notícias sobre a Palestina, “Israel” e os EUA, na matéria intitulada ‘Da Palestina a Minneapolis, o ICE e Israel utilizam as mesmas táticas violentas’. (From Palestine to Minneapolis, ICE and Israel use the same violent playbook, Mondoweiss, 9/1/2026) O Mondoweiss descreve com detalhes as semelhanças: “Renee Good sangrou até a morte em seu carro por 15 minutos enquanto agentes federais impediam os médicos de chegar até ela, exatamente o que soldados israelenses fizeram com Ahmad Rajabi, de 17 anos, em Hebron, semanas antes.”

Quando analisamos a relação do governo norte-americano com a empresa de tecnologia do bilionário (fundador do PayPal) Peter Thiel, a Palantir, a afirmação de que o imperialismo é quem coordena o genocídio em Gaza, e que usa, em casa, os métodos de destruição implementados lá, fica evidente e incontestável. A Agência de Segurança Nacional dos EUA (National Security Agency, NSA), responsável pelo monitoramento, coleta e processamento global de informações e dados para inteligência e espionagem, forneceu dados para a Palantir construir seu banco de dados, de acordo com documentos divulgados pelo delator da NSA Edward Snowden. (Palantir allegedly enables Israel’s AI targeting in Gaza, raising concerns over war crimes, Business and Human Rights Centre 12/4/2024) 

A Palantir é uma empresa de tecnologia de análise de dados do Vale do Silício conhecida por desenvolver ferramentas como os softwares Lavender e Where’s Daddy (‘Onde está o papai’, em português), usados pelas Forças de Defesa de “Israel” e da sua unidade de inteligência Unidade 8200, para localizar, com o uso da inteligência artificial, milhares de combatentes do Hamas e da Jiade Islâmica Palestina, incluindo os de baixo escalão, colocando-os em uma lista de alvos para assassinato por bombardeio, na maioria das vezes, não em curso de alguma ação militar, mas à noite, em casa, junto com suas famílias em áreas residenciais. Os sistemas de seleção de alvos, combinados com uma política de bombardeio “extremamente permissiva” das forças armadas israelenses, levaram ao “extermínio de famílias palestinas inteiras dentro de suas casas”, afirma Yuval Abraham, jornalista israelense que divulgou a notícia após conversar com membros das forças armadas israelenses que estavam “chocados por terem cometido atrocidades”. (Lavender & Where’s Daddy: How Israel Used AI to Form Kill Lists & Bomb Palestinians in Their Homes, Democracy Now, 5/4/2024)

Depois do assassinato de Good, o órgão independente norte-americano especializado em tecnologia 404 Media revelou que a Palantir está desenvolvendo a ferramenta ELITE, usada pelo ICE para localizar alvos para prisões e deportações, e que essa tecnologia já está ativamente sendo usada em operações, ligando de forma explícita a tecnologia da Palantir às ações do ICE. “As informações, baseadas em material interno do ICE obtido pela 404 Media, contratos públicos e depoimentos recentes de um funcionário do ICE, mostram a mais clara ligação até agora entre a infraestrutura tecnológica que a Palantir está construindo para o ICE e as atividades da agência”, afirma o 404 Media (‘ELITE’: The Palantir App ICE Uses to Find Neighborhoods to Raid, 404 Media, 15/1/2026) 

A matéria indica que a Palantir não está apenas vendendo um software genérico, mas construindo ferramentas sob medida que integram e visualizam dados pessoais, permitem aos agentes selecionar grupos de pessoas e ajustam operações com base em dados analíticos. O sistema combina informações de várias bases de dados do governo, incluindo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (U.S. Department of Health and Human Services, HHS) Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (U.S. Citizenship and Immigration Services, USCIS) e, possivelmente, bases privadas como o software CLEAR da Thomson Reuters.

A Palantir teve, de longe, as ações com melhor desempenho em 2025 no índex da bolsa de valores S&P 500 (Standard & Poor’s 500 Index), em grande parte graças aos contratos gigantescos que conseguiu com o governo Trump. Segundo o diretor-executivo da empresa, Alex Karp, a Palantir “está aqui para causar disrupção… e, quando necessário, para assustar os inimigos e, ocasionalmente, matá-los”. (US Army appoints Palantir, Meta, OpenAI execs as Lt. Colonels, The Grayzone, 18/6/2025) 

Renee Good foi morta de forma banal, covarde e desumana. Se o sionismo é o campo de testes, o assassinato dela indica que, daqui em diante, o governo norte-americano não deve se contentar em matar cidadãos ocasionalmente.    

A política do imperialismo: deportação, violência e vigilância

O Partido Democrata e a imprensa imperialista usam a indignação da população norte-americana com as ações do ICE para combater a popularidade de Donald Trump, mas as deportações e as medidas de vigilância e perseguição dos cidadãos norte-americanos começaram muito antes do atual governo. Em 2024, o governo Biden assinou um contrato de dois milhões de dólares com a Paragon, uma empresa israelense cujo software de espionagem Graphite se concentra em violar aplicativos de mensagens criptografadas, como Telegram e Signal. 

A revista Wired foi a primeira a noticiar que a tecnologia foi adquirida pelo ICE. Segundo a Wired, uma fonte da Paragon disse que “o acordo foi precedido por um processo de verificação, durante o qual a empresa conseguiu demonstrar que possuía ferramentas robustas para impedir que outros países que compram seu software de espionagem hackeiem americanos — mas isso não limitaria a capacidade do governo dos EUA de perseguir seus próprios cidadãos.” (ICE Signs $2 Million Contract With Spyware Maker Paragon Solutions, Wired, 1/10/2024) 

A Lei Patriota (USA PATRIOT Act) foi um dos marcos centrais do endurecimento da vigilância estatal e da erosão de direitos civis nos Estados Unidos após o 11 de setembro, ao ampliar drasticamente os poderes de monitoramento, investigação e repressão do Estado em nome da “segurança nacional”. O presidente Obama deu continuidade à lei ao assinar prorrogações de disposições fundamentais, incluindo escutas telefônicas móveis e acesso a registros comerciais, apesar de suas críticas anteriores à lei quando era senador. Seu governo também apoiou reformas, levando à aprovação da Lei da Liberdade dos EUA (USA Freedom Act) em 2015, que substituiu alguns poderes de vigilância. 

Obama perseguiu agressivamente as fontes dos jornalistas usando a Lei de Espionagem de 1917. O Departamento de Justiça sob Obama processou os funcionários públicos que discutiam informações confidenciais com repórteres e apresentou acusações ao abrigo da Lei de Espionagem contra oito pessoas acusadas de divulgar informações à imprensa — Thomas Drake, Shamai Leibowitz, Stephen Kim, Chelsea Manning, Donald Sachtleben, Jeffrey Sterling, John Kiriakou e Edward Snowden. Dois outros altos funcionários do seu governo, o general David Petraeus e o general James Cartwright, também foram processados como parte das investigações sobre vazamentos de informações. Foi no governo de Obama, após a publicação, pelo WikiLeaks, de centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos dos EUA — incluindo os Iraq War Logs, Afghan War Logs e os Cablegate — que se abriu uma investigação criminal em larga escala contra Julian Assange, baseada sobretudo na Lei de Espionagem. 

Além disso, a administração Obama registrou mais deportações do que qualquer outra no século XXI. “Ao longo de oito anos no poder, o governo Obama registrou mais de 3,1 milhões de deportações pelo ICE, conforme o Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC) de Syracuse. O auge ocorreu no ano fiscal de 2012, quando mais de 407 mil pessoas foram removidas. Em comparação, o primeiro governo de Donald Trump, de 2017 a 2020, atingiu o máximo de 269 mil deportações em 2019, segundo o mesmo conjunto de dados do TRAC. Ao longo de quatro anos, o governo Trump registrou cerca de 932 mil deportações.” (Did Obama deport more people than Trump? What to know as Trump calls for more ICE arrests, USA Today, 19/6/2025) 

As deportações sob o primeiro governo Trump, embora elevadas, foram menos da metade do número registrado durante o mandato de Biden, de 2021 a 2024. (In Data:Trump 2.0: Mass deportation plan. What’s his record? In Context, 1/7/2025) Em 2023, durante o governo Biden, as autoridades de imigração dos EUA deportaram o maior número de imigrantes indocumentados em quase uma década. Mais de 271 mil imigrantes foram deportados dos EUA naquele ano, de acordo com um relatório divulgado na pelo ICE. (US deportations under Biden surpass Trump’s record, BBC, 20/12/2024) Os dados provam que, apesar da demagogia do Partido Democrata e da imprensa capitalista, a política de vigilância, perseguição e deportação é, de fato, a política oficial do imperialismo.

Operações secretas e treinamento em “Israel” para combater imigrantes, a esquerda, ‘antiamericanos’ e ‘terroristas’

O jornalista independente Ken Klippenstein afirma que criticas à conduta do ICE após a morte de Renee Good se espalharam dentro do próprio governo, por todo o Departamento de Segurança Interna, o Departamento de Justiça e causam divisões internas no FBI. (Exclusive: Secret ICE Programs Revealed, Ken Klippenstein, 14/1/2026) Os dados acima, porém, evidenciam que essas críticas se devem muito mais ao fato de Trump não ser o representante preferido do imperialismo do que a uma preocupação com direitos e com a lei. A população em geral, o cidadão norte-americano comum, e até alguns baixos agentes do ICE, no entanto, se revoltam contra a política fascista implementada pelo governo.

Klippenstein publicou um documento vazado que revela operações secretas conduzidas pelo ICE, destacando a ampla e pouco conhecida atuação da agência além da simples deportação de imigrantes. Esses programas têm nomes como Benchwarmer, Abracadabra, Tidal Wave e Fleur De Lis, e mostram que o ICE tem recrutado dezenas de milhares de forças policiais e de inteligência federais, estaduais e locais para identificar, perseguir e coletar informações sobre imigrantes e também sobre cidadãos nos EUA. 

“Um funcionário da Patrulha de Fronteira, indignado com a conduta do ICE, me passou este e outros documentos que fornecem uma visão sem precedentes das atividades não declaradas do ICE em todo o país. Muitas dessas operações e seus codinomes não foram divulgados anteriormente”, afirma Klippenstein. 

“Um documento de 15 páginas, marcado como ‘INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL’, detalha 21 diferentes operações ‘importantes’ do ICE que resultaram, segundo o documento, em 6.852 detenções desde junho. Da Operação Abracadabra, um esforço secreto para desenvolver informantes entre os imigrantes detidos, à Operação Benchwarmer, que por si só abrange a implantação de 2 mil ‘recursos de inteligência’ em todo o país, o documento dá uma ideia de como o ICE está vasculhando bairros e desenvolvendo fontes para espionar imigrantes e americanos”, continua.

Segundo o jornalista, o documento revela que a Operação Abracadabra emprega agentes vestidos à paisana para se disfarçarem como pessoas comuns, na tentativa de coletar informações. “Agentes à paisana foram infiltrados em vans de transporte, portões de saída das prisões do ICE, áreas de processamento e celas de detenção para coletar informações táticas importantes”. O objetivo seria “focar na coleta de informações que normalmente não são obtidas durante entrevistas formais”. Parte do documento citado por ele afirma que o propósito da operação Abracadabra é “ligar todos os indivíduos que cruzam a fronteira ilegalmente a uma Organização Terrorista Estrangeira, uma Organização Criminal Transnacional e/ou utilizar as informações para desenvolver alvos”.

Klippenstein conta que uma fonte da inteligência militar o disse que “a repressão do ICE não se resume apenas à imigração; trata-se de reunir informações para apoiar a guerra de Trump contra os cartéis — bem como contra a Antifa, a esquerda radical e aqueles que são ‘antiamericanos’ e qualquer outra pessoa que eles considerem terrorista”, concluindo “e como o governo tem sido tão rápido em rotular todos, incluindo Renee Good, de terroristas, não é de se admirar que eles pensem que estão em guerra.”

A jornalista Laura Jedeed, da revista online de notícias, política, tecnologia e cultura Slate, causou impacto nas redes sociais e nos canais da imprensa tradicional ao denunciar o ICE após o assassinato de Good. Sua matéria expõe o processo de contratação do ICE, que coloca milhares de agentes armados nas ruas do país, e, segundo ela, é feito sem nenhuma diligência: “de alguma forma, apesar de nunca ter enviado nenhuma das documentações que me pediram — nem a verificação de antecedentes, nem as informações de identificação, nem a declaração de isenção de violência doméstica, nada disso —, o ICE aparentemente me ofereceu um emprego.” 

Para ela, a morte de Good tem relação direta com a falta de diligência do ICE: “o que acontece quando se faz uma triagem mínima antes de contratar agentes, armá-los e enviá-los para as ruas? Estamos todos descobrindo”. (You’ve Heard About Who ICE Is Recruiting. The Truth Is Far Worse. I’m the Proof. Slate Magazine, 13/1/2026) 

A conta oficial no X do DHS publicou uma nota desmentindo a jornalista: “Isso é uma mentira preguiçosa. Essa pessoa NUNCA recebeu uma oferta de emprego no ICE. Os candidatos podem receber uma Carta de Seleção Provisória após a inscrição inicial e a entrevista, mas isso não significa uma oferta de emprego.” (@DHSgov, 14/1/2026) 

A jornalista respondeu publicando um vídeo que mostrava o sítio do ICE e a comprovação da contratação: “eu não menti. Usei meu nome verdadeiro, data de nascimento e número de segurança social. Meu currículo estava 100% correto. Eu não entrei ali com a intenção de ser contratada, eu pretendia entrar, entregar meu currículo (preciso!), sair antes que descobrissem quem eu era e escrever um artigo. E vocês podem lidar com isso, ficar furiosos e fingir que está tudo bem que o ICE esteja distribuindo armas para literalmente qualquer pessoa, mas é muito difícil levar a sério toda essa história de que ‘qualquer pessoa que se oponha ao ICE é um terrorista doméstico’ quando, ao mesmo tempo, vocês defendem que o ICE deveria contratar essas pessoas.” 

 Al Jazeera relata que o senador democrata dos EUA Mark Warner disse ao âncora Jake Tapper, no programa State of the Union da CNN norte-americana em 11/1/2026, que o governo Trump havia reduzido o tempo de treinamento dos agentes do ICE enquanto aumentava suas contratações. Segundo Al Jazeera, o treinamento foi reduzido, mas os relatos variam quanto à extensão dessa redução. (Has US ICE officer training been reduced to 47 days?, Al Jazeera, 13/1/2026) No entanto, o policial que atirou em Good tem 10 anos de trabalho no ICE, além de treinamento adicional e de ser um veterano da Guerra do Iraque. É sabido que agentes do ICE e de outras agências e departamentos de polícia norte-americanos treinam em “Israel”. 

“Autoridades policiais de Baltimore, juntamente com centenas de outras da Flórida, Nova Jersey, Pensilvânia, Califórnia, Arizona, Connecticut, Nova Iorque, Massachusetts, Carolina do Norte, Geórgia, estado de Washington, bem como a polícia do Capitólio de Washington, viajaram para Israel para receber treinamento. Milhares de outras pessoas receberam treinamento de autoridades israelenses nos EUA”, reportou a Anistia Internacional, já em 2016. (With Whom are Many U.S. Police Departments Training? With a Chronic Human Rights Violator — Israel, Amnesty International, 25/8/2016)

Em uma manifestação pelo fim do genocídio em Gaza, Anthony Aguilar, um Boina Verde aposentado das Forças Especiais do Exército dos EUA após 25 anos de serviço e delator das operações de ajuda humanitária a Gaza financiadas pelos EUA afirmou que ele próprio treinou em “Israel”, junto a agentes do ICE, do DEA (Drug Enforcement Administration ou Administração de Repressão às Drogas, em português) e outras agências. 

“Olhe ao seu redor. Somos nós que estamos sofrendo. As crianças em Gaza estão sofrendo. Pais, mães, famílias estão sofrendo. Todos os dias vemos na TV um pai palestino carregando seu filho morto… Acordem, pessoal. Todos os dias pagamos nossos impostos a ‘Israel’ para que eles possam continuar bombardeando e matando civis desarmados. Bombardeamos barcos na costa da Venezuela. Explodimos colombianos em barcos de pesca. Se você acha que isso não vai chegar ao seu bairro, pense novamente. Eu vi isso, está chegando. Agentes do ICE treinam em ‘Israel’ e trazem isso para cá, as mesmas táticas. Você não precisa ler os arquivos secretos para ver o que está acontecendo nas nossas ruas todos os dias. Não devemos tolerar isso”, diz ele em um vídeo no TikTok, no qual aparece em uma manifestação em frente ao Departamento de Estado dos EUA, em Washington, DC, em 19 de outubro de 2025. (https://www.tiktok.com/@khurram_jay/video/7564715711747198263) 

Maior e mais bem financiada agência federal de aplicação da lei da história dos EUA

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, agência federal de aplicação da lei vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, foi criado pelo presidente George W. Bush como parte da Lei de Segurança Interna (Homeland Security Act) de 2002, após os ataques de 11 de setembro. “Em março de 2003, a Lei de Segurança Interna deu início ao que seria a maior reorganização governamental desde a criação do Departamento de Defesa” afirma o sítio oficial da agência. O ICE absorveu as funções do Serviço de Imigração e Naturalização (Immigration and Naturalization Service, INS) e do Serviço Alfandegário dos Estados Unidos (U.S. Customs Service) e tem dois componentes principais de aplicação da lei: Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations, HSI) e Operações de Execução e Remoção (Enforcement and Removal Operations, ERO).

Originalmente, o aparato de segurança e imigração era apresentado como resposta emergencial a uma ameaça específica. Sob Obama, por meio de decisões administrativas, diretrizes internas e uso estratégico da legislação já existente, o ICE deixa de ser algo temporário ou extraordinário e passa a ser visto como parte normal e permanente do Estado. O discurso oficial foi: “O Congresso faz as leis. O Executivo apenas as aplica.” (Obama, o imperador dos EUA, El País, 20/11/2014) 

O governo de Barack Obama, fortaleceu o ICE institucional, tecnológica e operacionalmente, enquanto defendia publicamente a ideia de “priorização” e discricionariedade. A deportação de cerca de 3 milhões de pessoas ao longo de dois mandatos normalizou a aplicação da deportação em larga escala e ampliou o papel do ICE como agência central de policiamento interno. A política migratória passou a ficar estruturalmente vinculada a contratos com prisões privadas. Em 2009, o congresso aprovou e o governo Obama manteve as “bed quotas” (quotas mínimas de leitos de detenção) que obrigavam o ICE a manter dezenas de milhares de pessoas presas todos os dias, independentemente da necessidade real de detenção. Para cumprir essa exigência permanente, o Estado recorreu massivamente a contratos com prisões privadas, como GEO Group e CoreCivic, já que não possuía estrutura pública suficiente. Programas como o Secure Communities passaram a enviar automaticamente impressões digitais de prisões locais para o ICE, expandindo enormemente seu alcance por meio de forças estaduais e municipais. O DHS da era Obama investiu fortemente em bancos de dados, biometria e análises algorítmicas para identificar, rastrear e priorizar imigrantes, lançando as bases para ferramentas posteriores, como sistemas associados à Palantir. Ao enquadrar o ICE como uma agência técnica e “baseada em regras”, e não como uma medida excepcional, o governo legitimou seus poderes ampliados, facilitando que administrações seguintes os utilizassem de forma mais agressiva.

No seu primeiro governo, Trump assinou ordens que abriram caminho para ampliar o papel do ICE, visando construir um muro ao longo da fronteira com o México para fortalecer o controle, eliminar o “catch and release” (prática de liberar imigrantes enquanto aguardam processos), endurecer critérios de detenção e deportação e restringir petições de asilo e entrada legal. Trump impôs uma política de “tolerância zero” para exigir a prisão de qualquer pessoa flagrada cruzando ilegalmente a fronteira. Em 2017, ele emitiu uma ordem executiva proibindo a admissão de viajantes, imigrantes e refugiados de sete países de maioria muçulmana, que mais tarde foi ampliada para treze em 2020. O governo eliminou diretrizes que evitavam operações do ICE em escolas, hospitais, locais de culto e outros espaços considerados mais “sensíveis”. Durante a presidência de Donald Trump, no entanto, o número de imigrantes indocumentados deportados diminuiu drasticamente em relação aos deportados durante a presidência de Obama.

A partir de março de 2020, durante a pandemia de COVID-19, o governo Trump passou a usar o Title 42 para expulsar imediatamente imigrantes para o México ou país de origem, sem audiência judicial, sem entrevista de medo crível e sem processo de asilo, inclusive famílias e, em alguns períodos, crianças. A política foi mantida pelo governo Biden.

Biden começou com memorandos que orientavam o ICE a concentrar recursos em grupos específicos, pessoas que representam risco à segurança nacional, indivíduos que entraram no país ilegalmente) e pessoas com crimes graves no passado. Esses critérios foram divulgados na imprensa, e davam a impressão de que o governo queria reduzir apreensões indiscriminadas de imigrantes sem histórico criminal e orientar o uso de recursos do ICE de maneira mais “técnica” e focada. No entanto, na prática, a administração Biden continuou a política de fortalecimento do ICE iniciada no governo Obama. (ICE Didn’t Follow Federal Enforcement Priorities Set by Biden Administration, American Immigration Council, 27/6/2023)

Em 2025, Donald Trump passou a lei One Big Beautiful Bill Act (Um grande e belo projeto, na tradução livre), que reduz impostos, corta programas sociais, adiciona 3,3 trilhões de dólares à dívida pública, amplia dos gastos com Forças Armadas e aumenta profundamente o financiamento para defesa, segurança de fronteira e aplicação da lei migratória.

Tratamento desumano, negação do devido processo legal, tortura e assassinato dos imigrantes pelo ICE

Em setembro de 2021, Mirard Joseph, um imigrante haitiano, tornou-se um símbolo do terrível tratamento dispensado aos imigrantes na divisa entre os Estados Unidos e o México depois que fotos mostraram um agente da Patrulha de Fronteira a cavalo chicoteando-o com rédeas enquanto ele buscava comida para sua família na fronteira em Del Rio, Texas. Ele e outros haitianos processaram o governo dos EUA por abuso físico e racismo, tratamento desumano e negação do devido processo legal, e o processo continua em andamento. (Haitian Migrants File Lawsuit Protesting Treatment by Border Patrol, NY Times, 20/12/2021)

A Associated Press identificou múltiplos exemplos de uso pelo ICE de um dispositivo de contenção corporal de corpo inteiro chamado, o WRAP, em deportações. Conhecido como “o burrito” ou “o saco”, o WRAP muitas vezes é usado em voos de longa duração. Em setembro de 2025, um nigeriano descreveu ter sido despertado com outros detidos, no meio da noite. Agentes da Imigração e Alfândega dos EUA algemaram suas mãos e pés, e informaram que eles seriam enviados para Gana, embora nenhum deles fosse de lá. Quando pediram para falar com seu advogado, os agentes recusaram e colocaram as camisas de força WRAP nos homens já algemados, e então os colocaram em um avião para um voo de 16 horas para a África Ocidental. (ICE’s use of full-body restraints during deportations raises concerns over inhumane treatment, AP, 22/10/2025)

O aumento das prisões administradas por empresas privadas, que visam principalmente gerar lucros, dificulta significativamente a situação dos detidos. Vários relatórios descrevem condições degradantes em instalações do ICE, com superlotação, ambiente sujo e insalubre, falta de higiene, acesso insuficiente a água potável, comida adequada e produtos de necessidade básica, falta de camas, cobertores e colchões e maus tratos pelos policiais. (Judge orders ICE to stop forcing detainees to sleep on dirty concrete floors, Politico, 12/8/2025) Como a detenção de imigrantes é classificada como civil, essas instalações não são obrigadas a oferecer os mesmos serviços obrigatórios em instalações de detenção criminal, incluindo programas de reabilitação, programas educacionais e cuidados de saúde mental.

Durante a pandemia, as detenções do ICE tiveram surtos significativos de COVID-19, em muitos casos com taxas de transmissão bem maiores do que a população em geral. Em alguns centros, os casos ativos chegaram a milhares, e em determinados períodos o ICE chegou a relatar mais de 30 mil casos entre detentos. (Immigration Detention and Covid-19, Brennan Center for Justice, 7/1/2022)

Em 2020, uma denúncia apresentada por grupos de defesa jurídica em nome da enfermeira Dawn Wooten que trabalha em um centro de detenção do ICE na Geórgia, administrado pela empresa privada LaSalle Corrections, declarou que imigrantes eram submetidos a horríveis condições, incluindo “negligência médica chocante”. Wooten relatou uma taxa alarmantemente alta de histerectomias – cirurgia na qual parte ou todo o útero é removido – sendo realizadas em imigrantes de língua espanhola, muitas das quais pareciam não entender por que haviam sido submetidas ao procedimento. A enfermeira afirma ter sido repreendida após denunciar as práticas do centro de detenção. Imigrantes que se manifestavam contra essas condições eram frequentemente colocados em confinamento solitário. (Ice detainees faced medical neglect and hysterectomies, whistleblower alleges, The Guardian, 15/10/2020)

Entre 2018 e 2020, quando o ICE passou a publicar relatórios sistemáticos de óbitos, foram registrados 35 mortes em detenção. (Deaths in Immigration and Customs Enforcement (ICE) detention: FY2018–2020, 11/1/2021) Entre 2021 e 2023, estudos apontam 12 mortes sob custódia, com causas diversas, incluindo causas médicas e suicídio. (Deaths in Immigration and Customs Enforcement (ICE) detention: A Fiscal Year (FY) 2021–2023 update, 27/2/2024)

“Uma investigação do Senado dos EUA revelou dezenas de relatos confiáveis de negligência médica e más condições em centros de detenção de imigrantes em todo o país — com detidos privados de insulina, deixados sem atendimento médico por dias e forçados a disputar água potável —, levantando questionamentos sobre como o governo supervisiona seu vasto sistema de detenção”, reportou o órgão de imprensa PBS. (Senate report details dozens of cases of medical neglect in federal immigration detention centers, PBS, 31/10/2025)

Em 3 de janeiro, Lunas Campos, um imigrante cubano de 55 anos, foi sufocado até a morte por guardas em um centro de detenção do ICE no Texas, em 3 de janeiro. (Medical examiner likely to classify death of ICE detainee as homicide, recorded call says, The Washington Post, 15/1/2026) Ele era um dos cerca de 2.903 detidos mantidos no Campo East Montana, na base do Exército dos EUA em Fort Bliss, um dos maiores centros de detenção do ICE no país. Sua morte foi a terceira em 44 dias reportada naquele centro. (ICE Reports Third Death at Texas Migrant Jail in 44 Days, The Truthout, 20/1/2026)

“O número de detidos sob custódia do ICE atingiu um novo recorde, ultrapassando 70 mil pela primeira vez nos 23 anos de história da agência de deportação, de acordo com dados internos do Departamento de Segurança Interna” segundo a CBS News. (ICE’s detainee population reaches new record high of 73,000, as crackdown widens, CBS News, 16/1/2026)

Forças do regime americano atacam violentamente manifestantes pacíficos em Minnesota

Em todos os Estados Unidos, eclodiram protestos em resposta à execução de Renée, que ocorreu na mesma cidade onde George Floyd foi assassinado em maio de 2020, desencadeando uma das maiores ondas de protestos da história do país. Milhões de pessoas foram às ruas, entrarando em confronto direto com a polícia, muitas vezes de maneira violenta. A repressão precisou ser militarizada, e a Guarda Nacional acionada. 

Agora, tensões novamente tomam conta de Minneapolis. O epicentro dos protestos é o Edifício Federal Bishop Henry Whipple, onde as pessoas detidas pela ICE são levadas. Manifestantes chutaram e bateram nos veículos que entravam e saíam do edifício. A polícia usou balas de pimenta, granadas de percussão e gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão. 

Kristi Noem, confirmou que os cidadãos americanos agora podem ser parados, interrogados e obrigados a provar quem são simplesmente por estarem perto de uma operação do ICE, mesmo que não sejam suspeitos. 

A 4ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege as pessoas contra abusos do Estado em buscas, apreensões e prisões, sendo um dos pilares das liberdades civis no direito norte-americano. Policiais não podem exigir a identidade de uma pessoa sem qualquer suspeita razoável de crime ou intenção de emitir uma citação, ou prendê-la

Patrulhas comunitárias como a Voluntários da Cedar Riverside Protection Alliance circulam de carro à procura de vans do ICE, alertando os moradores por meio de aplicativos e protegendo mesquitas com panfletos informativos sobre direitos civis em meio a deportações. Um agente do ICE atirou em um imigrante venezuelano no norte de Minneapolis após supostamente ter sido atacado por homens com pás durante uma operação de prisão, disseram autoridades americanas à CBS News. (FBI: 1 arrested after protesters smash into unmarked federal vehicles allegedly containing federal documents, CBS News, 15/1/2026)

Grupos armados da Black Panther apareceram em protestos em outros lugares, enquanto autoridades prendem dezenas de pessoas e o Pentágono prepara tropas, aumentando o temor de confrontos entre moradores locais e agentes federais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou invocar a raramente utilizada Lei de Insurreição, que autoriza o presidente a usar as Forças Armadas dentro do próprio país para reprimir revoltas internas, insurreições ou situações em que os governos estaduais não conseguem ou não querem manter a ordem. Dois batalhões da 11ª Divisão Aerotransportada foram colocados em estado de prontidão para serem mobilizados caso ele o faça. (Pentagon orders troops to prepare for possible Minnesota deployment, NBC News 19/1/2026)

O estado de Minnesota, governado pelo democrata Tim Waltz, que concorreu a vice-presidente na chapa de Kamala Harris contra Trump em 2024, e os governos municipais de Minneapolis e St. Paul entraram com uma ação judicial na segunda-feira para impedir o Departamento de Segurança Interna de executar um aumento planejado de agentes federais de imigração nas cidades gêmeas. A presença intensificada do ICE/DHS nas cidades gêmeas, segundo líderes estaduais e municipais, se transformou em uma operação em grande escala envolvendo agentes federais armados e mascarados que agora superam em número a polícia local. 

A ação judicial argumenta que o governo federal está violando a 10ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos (que estabelece o princípio do federalismo, limitando o poder do governo federal e preservando a autonomia dos estados e do povo) ao efetivamente anular a autoridade de Minnesota de policiar a si mesma, e descreve a operação como “em essência, uma invasão federal das cidades gêmeas”. Entre os réus citados na ação judicial estão a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o diretor interino do ICE, Todd Lyons, e o comandante da CBP, Greg Bovino. “Esta queixa foi apresentada um dia depois de Noem ter afirmado que centenas de agentes federais se dirigem para Minnesota, e deixou claro que a operação se centra agora não só em questões relacionadas com a lei da imigração, mas também no combate aos manifestantes contra o ICE e às atividades de protesto. O processo judicial também exige restrições que incluem a obrigatoriedade de os agentes terem identificação clara e visível, a limitação de certas ações de fiscalização e a exigência de câmaras corporais durante as atividades de fiscalização, quando aplicável”, reportou o Politico. (Minnesota sues Trump to block ICE agent surge in Minneapolis, Politico, 12/1/2026)

Cada vez mais cidadãos norte-americanos, como Good, se organizam contra o ICE e a militarização e o autoritarismo do governo. 

A ICE List Wiki se apresenta como “um registro público e verificável das atividades de fiscalização da imigração nos Estados Unidos que documenta incidentes, agências, indivíduos, instalações, veículos e autoridades legais envolvidos em operações da agência”. As entradas são estruturadas, referenciadas e datadas para facilitar a verificação, o cruzamento de informações e a análise de longo prazo. “Criamos um registro público do ICE porque eles se recusam a manter um. Acompanhando a aplicação das leis de imigração à medida que se intensifica sob um regime autoritário”, afirmam os criadores da lista, do Crust News. Nomes, e-mails, números de telefone, funções, histórico profissional de quase 2 mil agentes da linha de frente — as mesmas pessoas que conduzem batidas, prisões e deportações — teriam sido entregues à ICE List, e agora estão expostos.

Pelo menos mil protestos estão planejados para o fim de semana de 24 e 25 de janeiro, em todos os Estados Unidos, segundo a Indivisible, coalizão do Partido Democrata que tenta combater Trump. No entanto, em um momento de guerras, crise econômica e insatisfação geral, essas manifestações podem gerar consequências imprevisíveis.