A Revolução de 1936–1939 é um marco crucial na história da Palestina, então submetida ao domínio do Mandato Britânico. A região, predominantemente habitada por árabes, não experimentara independência, sendo parte do Império Árabe e, posteriormente, do Império Otomano. Após a Primeira Guerra Mundial, sucumbiu à ocupação do imperialismo britânico, criando um empecilho para o desenvolvimento pleno da questão nacional palestina.
O território, caracterizado por um atraso econômico marcante, viu-se submerso em uma economia predominantemente camponesa, agravada ao sul pela vastidão do deserto do Neguev. Essas condições, aliadas à ocupação estrangeira, impuseram obstáculos significativos ao florescimento de uma identidade nacional palestina completa.
O surgimento do nacionalismo palestino teve origem na resistência contra a expansão do sionismo, impulsionada pela presença das forças de ocupação britânicas. O ápice desse movimento, antes da criação do Estado de “Israel” (1947–1948), foi a Revolução de 1936–1939, que consagrou a identidade nacional palestina.
Segundo a enciclopédia Britannica, “a Revolta Árabe de 1936–39 foi a primeira revolta violenta prolongada dos árabes palestinos em mais de um século. Milhares de árabes de todas as classes foram mobilizados, e o sentimento nacionalista foi alimentado na imprensa árabe, nas escolas e nos círculos literários. Os britânicos, surpreendidos pela extensão e intensidade da revolta, enviaram mais de 20.000 soldados para a Palestina, e até 1939 os sionistas armaram mais de 15.000 judeus em seu próprio movimento nacionalista [sionismo]” (Palestine, Britannica, 2023).
O catalisador primordial desse levante foi o falecimento do pregador muçulmano Izedine Abd al-Qadar ibn Mustafa ibn Yusuf ibn Muhamad al-Qassam, ocorrido em 1935. Mais de cinquenta anos após sua morte, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, em árabe) prestaria homenagem a esse mártir, nomeando sua ala militar em reverência ao líder religioso. Izedine al-Qassam é, então, uma personagem marcante da história da Palestina. Com a eclosão do recente conflito entre “Israel” e a resistência palestina, seu nome ficou conhecido no mundo inteiro através das ações militares do Hamas contra o Estado sionista.
Al-Qassam foi um pregador muçulmano sírio que liderou a luta nacionalista árabe contra o domínio britânico e francês no Levante, região onde ficam a Síria, a Jordânia, a Palestina e o Líbano. Após a Primeira Guerra Mundial, o imperialismo britânico e o francês decidiram dividir o Oriente Médio em suas áreas de influência através do Acordo Sykes-Picot (1916). Os ingleses controlaram a Palestina, a Jordânia, o Iraque e a costa leste da Península Arábica, enquanto os franceses ficaram com o sudeste da Turquia, a Síria, o Líbano e o norte do Iraque. Além de lutar contra França e Inglaterra, Al-Qassam também foi um militante contra o sionismo nas décadas de 1920 e 1930.
Pioneiro da luta armada e líder do campesinato
Segundo os historiadores Edmund Burke III e David Yaghoubian, “até recentemente, o xeque Izedine al-Qassam era pouco conhecido fora dos círculos palestinos, embora tenha sido um dos primeiros nacionalistas palestinos e um pioneiro da luta armada. Isso ocorre porque a historiografia da revolta de 1936-1939 enfatizou o papel central de políticos da elite urbana na política do período, especialmente a participação de al-Hajj Amin al-Husseini, o mufti de Jerusalém, na revolta” (Struggle and Survival in the Modern Middle East, 2005).
Como a Palestina era um território majoritariamente agrário e a expansão do sionismo atingiu principalmente os camponeses, a maior influência da revolta não era o nacionalismo secular, mas o islamismo radical e nacionalista, que defendia al-Qassam. “As consignas nacionalistas seculares”, dizem, “tinham uma audiência limitada entre os camponeses deslocados e migrantes rurais que lotavam as cidades da Palestina sob o domínio britânico”. Eles apontam que os “apelos expressos na linguagem do Islã encontraram uma aceitação mais ampla entre os camponeses muçulmanos semiletrados, que formavam a maioria da população rural” (idem).
“A vida de al-Qassam ajuda a explicar como muitos palestinos se envolveram na política durante os anos entre guerras. […] Com al-Qassam, nos deparamos com um indivíduo profundamente imbuído no que poderíamos chamar de o evangelho social islâmico, tocado pela situação dos camponeses e migrantes palestinos. A preocupação pastoral de al-Qassam estava vinculada à sua indignação moral como muçulmano diante das maneiras como o antigo pacto social implícito estava sendo violado nas circunstâncias da Palestina sob o domínio britânico. Essa raiva alimentou um radicalismo político que eventualmente o levou a pegar em armas e o distingue dos notáveis políticos palestinos”, concluem os historiadores (idem).
Assim, al-Qassam foi o líder do setor mais oprimido pelo sionismo naquela época, o campesinato pobre, que eram expulsos de suas terras, incapazes de deter o avanço rural dos sionistas. O pregador islâmico era, então, um líder das massas despossuídas da Palestina, explicando seu radicalismo e o fato de ser um pioneiro da resistência armada palestina.
A trajetória islâmica de al-Qassam
Al-Qassam nasceu em Jabala, no noroeste da Síria, em 19 de dezembro de 1882, filho de uma proeminente família da região. Ele teve uma ligação profunda com o islamismo desde cedo: seu pai, Abd al-Qadar, era um oficial da corte religiosa (Xaria) e líder local da ordem sufista Qadariyya, uma ordem religiosa de tipo sunita; seu avô era um proeminente xeque da mesma ordem. Ainda jovem, seguiu a escola de jurisprudência islâmica (fiqh) Hanafi, a mais antiga das quatro principais escolas do Islã sunita e estudou sob a orientação do renomado xeque Salim Taiará.
No início do século XX, al-Qassam frequenta a Mesquita de al-Azhar no Cairo, no Egito, centro político do nacionalismo árabe sob o domínio do Império Otomano. Foi nessa época que ele estabeleceu suas ideias contra a estagnação do Islã, tomado por uma burocracia conformista. Al-Qassam defendia um Islã militante, moderno, que lutasse contra o colonialismo europeu por meio da jiade (isto é, da guerra santa). Ele retornou a Jabalá em 1909, trabalhando em uma escola islâmica (madrasa) da ordem Qadariyya. Enquanto atuava como imã na Mesquita Ibrahim Ibn Adham.
O religioso defendia uma reforma islâmica, estimulando a realização regular da salaah (oração) e do sawm (jejum) durante o Ramadã e advogando pelo fim do jogo de azar e do consumo de álcool. Com isso, conseguiu grande influência entre a população da cidade. Na época, porém, al-Qassam ainda não era um aliado do nacionalismo árabe contra os otomanos. Na realidade, colaborava com as autoridades otomanas, instigando a polícia a cumprir a xaria e organizando seus discípulos contra qualquer tipo de desvio moral.
Nacionalismo árabe
Sua aproximação com o nacionalismo começou na invasão do imperialismo italiano à Líbia em 1911. Diz o pesquisador Abdallah Schleifer, em sua seção sobre al-Qassam no livro organizado por Burke e Yaghoubian, que “em setembro de 1911, os italianos invadiram a Tripolitânia (Líbia). Esse ato de imperialismo flagrante provocou paixões intensas entre os muçulmanos no Império Otomano. Isso ressoou de maneira especial com al-Qassam, que foi inspirado a pregar contra a invasão italiana e a realizar uma coleta [de fundos] em Jabalá para apoiar a resistência conjunta turco-líbia” (Izz al-Din al-Qassam: Preacher and Mujahid, Abdallah Schleifer, Struggle and Survival in the Modern Middle East, Burke e Yaghoubian, 2005).
Contraditoriamente, sua liderança na campanha contra os italianos acabou colocando-o em conflito com as autoridades otomanas da região. “O governador de Jabala tentou tomar o controle da arrecadação de fundos de al-Qassam; quando os habitantes da cidade continuaram contribuindo para al-Qassam, o governador acusou o xeque de conspirar contra os otomanos, mas uma investigação oficial inocentou al-Qassam”, diz Schleifer (idem). O xeque, porém, apontou que apenas a coleta de fundos não era suficiente e mobilizou voluntários para lutarem com ele na guerra.
Mobilizando entre 60 e 250 voluntários e juntando fundos para a campanha e para pagar pensões às famílias dos combatentes, al-Qassam liderou seu exército até Alexandreta (İskenderun), esperando que as autoridades otomanas lhes enviassem para a Líbia. Os voluntários, todavia, esperaram meses na cidade e nunca foram mobilizados pelos otomanos, que em 1912 cederiam o país norte-africano para a Itália.
Durante a Primeira Guerra (1914–1918), al-Qassam se alistou no Exército Otomano, recebendo treinamento militar e sendo designado capelão em uma base perto de Damasco. Antes do final da guerra, com a vitória quase definitiva da Tríplice Entente (Rússia, Reino Unido e França), al-Qassam retornou a Jabalá, onde utilizou seus fundos arrecadados na época da campanha da Líbia para organizar uma milícia local e combater a ocupação francesa.
As forças francesas avançaram no norte da Síria, enquanto Faiçal I estabeleceu o Reino da Síria em Damasco. Em Jabalá, a milícia de al-Qassam repeliu os milicianos alauitas locais apoiados pelos franceses, que ocupavam áreas ao redor da cidade. Os franceses, porém, chegaram em seguida, obrigando al-Qassam e seus voluntários a recuar para o Monte Sahyun, onde estabeleceram uma base para lançar ataques de guerrilha contra o Exército Francês.
A milícia conquistou adeptos entre camponeses locais e outros grupos resistentes e cresceu, mas ficou isolada quando os franceses pressionaram proprietários de terras de Jabalá a retirar seu apoio financeiro a al-Qassam e pagar impostos ao governo do Mandato Francês. Os milicianos, então, foram a Alepo, em maio de 1920, e juntaram-se ao turco Ibrahim Hananu, que liderava ataques contra as tropas de ocupação. O imperialismo, no entanto, conseguiu vencer a guerra e os membros da unidade de al-Qassam fugiram com passaportes falsos até Tartus.
Na Palestina
De Tartus, passando por Beirute (Líbano), al-Qassam foi para a Palestina, estabelecendo-se em Haifa. “Em 1921, o xeque Izedine al-Qassam deixou a Síria, onde as autoridades francesas o condenaram à morte por participar de oposição armada, para se estabelecer na cidade palestina de Haifa, ao norte. Uma cidade portuária com terraços íngremes, Haifa estava passando por um processo de industrialização. A área portuária, lar de milhares de estivadores e trabalhadores portuários de classe baixa, foi onde o recém-chegado xeque encontraria sua audiência mais receptiva. Autodeclarado inimigo do colonialismo e, por extensão, do sionismo, al-Qassam teve um grande impacto na cena política palestina”, conta o historiador Beverley Milton-Edwards (Islamic Politics in Palestine, 1996).
Na década de 1920, o sionismo se expandia na região através da ajuda do imperialismo britânico, estimulando uma reação dos árabes. Al-Qassam lecionou na Madrasa Islamiya, uma instituição educacional islâmica financiada pela Jamiat Islamiya, organização de caridade administrada pelos notáveis palestinos (famílias ricas que lideravam os árabes). Porém, ao contrário dos outros acadêmicos, al-Qassam era um homem extremamente popular, acessível para a população carente de Haifa.
Concentrando suas atividades nas classes mais baixas, ele criou uma escola noturna para operários e pregava para eles como imã na Cidade Baixa, procurando-os nas ruas, em bordéis e em salas de haxixe. Seus discípulos eram, majoritariamente, camponeses sem terra que se deslocavam para Haifa diante da compra de terras pelo Fundo Nacional Judaico na Alta Galileia – que obrigava os palestinos a deixarem suas terras. Assim, se tornou cada vez mais popular entre os muçulmanos mais pobres do norte da Palestina.
De 1928 até a morte, al-Qassam foi presidente do ramo palestino da Associação de Jovens Muçulmana, organização fundada em 1926 no Egito e que tinha cerca de 15 mil integrantes nos países muçulmanos. Esse cargo lhe permitia uma aproximação com as classes médias e educadas. Em 1929, ele foi nomeado registrador de casamentos no tribunal da xaria em Haifa pelas autoridades do Supremo Conselho Muçulmano de Jerusalém, maior responsável pelas comunidades islâmicas durante o Mandato Britânico. Esse cargo lhe permitiu visitar as aldeias do norte, encorajando os habitantes a estabelecerem cooperativas agrícolas.
A Mão Negra
À medida que as tensões entre árabes e sionistas tinham se tornado mais fortes em fins da década de 1920, al-Qassam passou também a proferir sermões incentivando aldeões a organizar unidades de resistência para atacar britânicos e judeus. As relações de al-Qassam com os notáveis de Jerusalém, como o mufti al-Husseini, anteriormente boas, começaram a erodir. Os notáveis palestinos não demonstraram conseguir reagir ao avanço do sionismo. Em 1933, por exemplo, al-Qassam enviou um emissário a al-Husseini, solicitando sua participação em uma revolta contra os britânicos, o que o mufti recusou, defendendo uma solução pacífica, ficando a reboque do imperialismo britânico.
“A falência das políticas dos notáveis era cada vez mais evidente: eles não haviam avançado em direção à conquista da independência nacional e eram incapazes de conter a maré sionista de aumento da população, assentamento de terras e desenvolvimento econômico. A incapacidade dos a’yan (notáveis) em alcançar sucessos ameaçava sua influência sobre o movimento nacional e tornava difícil para eles reivindicar os discursos do nacionalismo ou mesmo do Islã como sua propriedade exclusiva. Além disso, a frente notável havia se fragmentado devido a discordâncias sobre a estratégia nacional”, aponta Ted Swedenburg em “The Role of Palestinian Peasantry in the Great Revolt (1936-9)”, em coleção organizada pelo historiador israelense antissionista Ilan Pappé (The Israel/Palestine Question, 1999).
Beverley Milton-Edwards afirma que “o fracasso dos notáveis em alcançar legitimidade abriu caminho para intrusos ideológicos, como o xeque Izedine al-Qassam, para incentivar o empoderamento dos camponeses por meio do Islã político. Embora a lealdade aos notáveis não tenha desaparecido completamente, o xeque Izedine al-Qassam conseguiu capturar a imaginação popular e gerar apoio com sua própria marca de Islã modernista Salafiyya. Embora o Islã institucional também oferecesse esperança aos palestinos durante esse período, não conseguiu enfrentar adequadamente o desafio imposto pelo colonialismo (sob a forma do Mandato Britânico), a intrusão sionista no país e a modernização, agitação social e desapropriação da população camponesa que a acompanhava” (Islamic Politics in Palestine, 1996).

No início da década de 1930, al-Qassam recrutou numerosos camponeses e operários, organizando-os em células clandestinas para lutar contra o sionismo e o imperialismo britânico. A presença de seu grupo era forte no norte da Palestina, mas os militantes estavam presentes em todo o país. Al-Qassam enfatizava a importância de seus combatentes terem bom caráter, defendendo que tratassem bem a população, ajudassem as pessoas doentes, rezassem a Deus, virtudes que os tornariam militantes disciplinados e destemidos. Ainda, embora muitos de seus seguidores fossem analfabetos, ele os ensinava a ler e escrever usando o Alcorão como base para o aprendizado. Antes das batalhas, al-Qassam solicitava que seus combatentes participassem dos exercícios espirituais praticados pela ordem sufi Qadiriyya e recitassem cânticos sufistas (Izz al-Din al-Qassam: Preacher and Mujahid, Abdallah Schleifer, Struggle and Survival in the Modern Middle East, Burke e Yaghoubian, 2005).
O movimento dos grupos guerrilheiros ficou conhecido como a Mão Negra (al-kaff al-aswad). Uma ala, liderada por Abu Ibrahim al-Kabir, defendia ataques imediatos contra alvos britânicos e sionistas. Já o setor liderado por al-Qassam era contrário a uma revolta armada, considerando que era prematura, o que arriscaria expor os preparativos do grupo. Em 1935, o exército de trabalhadores de al-Qassam já havia recrutado centenas de combatentes (as cifras variam de 200 a 800), providenciando treinamento militar para camponeses. As células estavam equipadas com bombas e armas de fogo, e atacavam assentamentos sionistas e sabotavam linhas ferroviárias construídas pelos britânicos.
O movimento extremamente radical desagradou os notáveis palestinos, que tinham ainda muitas relações com o imperialismo britânico. No entanto, a população apoiava a luta armada contra os sionistas e as forças europeias. Em 16 de outubro de 1935, foi descoberto um esconderijo clandestino de armas no porto de Jafa. Eram armas oriundas da Bélgica para a milícia fascista Haganá, do fundador do Estado de “Israel”, Davi Ben-Gurion. A descoberta levou à mobilização dos palestinos, que realizaram duas greves gerais. Al-Qassam denunciou o fato e convocou uma revolta contra as autoridades.
Morte e revolução
Em novembro, os partidos árabes pedem o fim da imigração judaica e da transferência de terras, bem como o estabelecimento de instituições democráticas. No dia 8 do mesmo mês, o corpo do policial judeu Moshe Rosenfeld é descoberto perto de Ein Harod, e se atribui a responsabilidade às milícias de al-Qassam. Perseguido, o líder islâmico se junta a um pequeno grupo de seguidores e deixa Haifa, dirigindo-se às colinas de Jenin e Nablus, sobrevivendo com a ajuda de moradores da região. No dia 20 de novembro, eles foram cercados pela polícia britânica em uma caverna na aldeia de Sheikh Zeid, houve um grande tiroteio e al-Qassam foi assassinado.
Segundo Schleifer, “cercado, ele disse a seus homens para morrerem como mártires e abriu fogo. Seu desafio e maneira de sua morte (que chocou a liderança tradicional) eletrificaram o povo palestino. Milhares forçaram seu caminho além das linhas policiais no funeral em Haifa, e os partidos nacionalistas árabes se referiram à sua memória como o símbolo da resistência. Foi a maior reunião política já realizada na Palestina do Mandato” (idem).
“A notícia da morte de al-Qassam se espalhou por toda a Palestina. Em Haifa, seus apoiadores entre os trabalhadores da cidade, juntamente com camponeses do norte, acorreram ao seu funeral. O tamanho da multidão surpreendeu a polícia. Pelo menos 3.000 pessoas se reuniram na Mesquita de Jerena, onde seu corpo e outros dois foram sepultados. Enquanto milhares de palestinos da classe trabalhadora e camponeses prestavam suas últimas homenagens, a maioria dos líderes seculares e nacionalistas burgueses, assim como os líderes do islamismo institucional, estavam ausentes” (Islamic Politics in Palestine, Beverley Milton-Edwards, 1996).
Porém, “a organização de al-Qassam sobreviveu ao seu líder”, afirma Henry Laurens (La question palestine, volume 2, 2002). Os qassamitas, ou Ikhwan al-Qassam (os Irmãos de al-Qassam, em árabe), sob a liderança de Farhan al-Sa’di, iniciam uma série de atentados que contribuem para o início da Revolução Árabe de 1936-1939 na Palestina. Os qassamitas desempenham um papel significativo no início da revolta em todo o país. O historiador palestino-americano Rashid Khalidi destacou a importância de al-Qassam, afirmando que o líder religioso “desempenhou um papel crucial em afastar a população da política de compromisso intermediada pela elite com os britânicos, e em mostrar-lhes o caminho ‘correto’ da luta armada popular contra os britânicos e os sionistas” (Palestinian Identity: The Construction of Modern National Consciousness, 2009).
Os fedayin (guerrilheiros) palestinos que surgiram na década de 1960 viam al-Qassam como seu precursor. Por exemplo, o Fatá, fundado por Iasser Arafat, considerou inicialmente nomear seu grupo como Qassamiyun. Integrante da Frente Popular pela Libertação da Palestina, Leila Khaled afirmou certa vez que “onde al-Qassam parou, a geração dele iniciou a revolução, e minha geração pretende concluí-la”.
A maior homenagem que poderia ser feita a al-Qassam foi realizada pelo Hamas, que nomeou seu braço armado como Brigadas do Mártir Izedine al-Qassam. O Hamas, assim como o ex-revolucionário muçulmano, usa o Islã como doutrina para a libertação da Palestina e representa o setor mais oprimido das massas palestinas.