17.04.2026

O Barém e a Primavera Árabe

Oriente Médio

Luca Hermes

A luta do povo baremita contra a dinastia al-Khalifa atravessou muitas décadas, teve impulso na Primavera Árabe e segue viva no pequeno país do Golfo Pérsico

Diante da agressão militar conjunta do sionismo e do imperialismo contra o Irã, vem à tona a instabilidade política das monarquias pró-imperialistas no Oriente Médio. Uma dessas monarquias controla o arquipélago do Barém, cuja ilha principal carrega o mesmo nome. Sua área total equivale a cerca de metade da área da cidade de São Paulo. Fazendo fronteiras marítimas com Arábia Saudita, Catar e Irã, possui ligação com a Arábia Saudita através da Ponte Rei Fahd, um sistema de pontes com cerca de 25 quilômetros de comprimento. Com seu pequeno território coberto majoritariamente por desertos, mesmo com fontes naturais, o Barém depende do abastecimento de água potável do aquífero Damman, captada na Arábia Saudita. O Barém possui a terceira menor população dentre os países asiáticos, sendo, ao mesmo tempo, um dos países mais densamente povoados do mundo. Foi um centro importante do comércio marítimo ao longo da milenar história da região e está envolvido na guerra do imperialismo contra o povo iraniano.

Como é comum nos países capachos do imperialismo, o Barém abriga uma base militar dos Estados Unidos. A Base de Apoio Naval do Barém, controlada pela Marinha dos Estados Unidos, ocupa cerca de 40 mil metros quadrados e abriga a Quinta Frota dos Estados Unidos e o Comando Central das Forças Navais dos Estados Unidos. Após os primeiros ataques militares contra o Irã, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) lançou a Operação Promessa Cumprida 4, que teve como alvo diversas bases militares dos Estados Unidos e “Israel”, inclusive a Base de Apoio Naval do Barém logo na primeira onda. A centésima onda da operação militar defensiva foi anunciada no dia 4 de abril e, novamente, instalações do pequeno país insular estiveram na mira dos iranianos.

Diante desse cenário, se faz importante conhecer esse país e sua história, incluindo sua experiência na chamada Primavera Árabe e o que vem acontecendo no Barém desde o início de 2026.

Uma breve história do Barém

Localizado em meio à rota de comércio marítima do sudoeste asiático, o Barém foi o centro da civilização Dilmum na Antiguidade, em torno de 3.000 a.C., sendo um entreposto comercial muito importante e por um longo período de tempo no Golfo Pérsico. O nome Barém vem do árabe al-Bahrayn, que significa “dois mares”, uma referência ao fato geográfico de estar envolto por mar. Na Antiguidade, ficava na rota entre a Mesopotâmia e o Vale do Indo, onde hoje ficam o Paquistão e parte da Índia. Depois da conquista da Pérsia pelos gregos liderados por Alexandre, o Grande, o Barém passou a ser chamado de Tylos, mantendo-se como importante centro de comércio marítimo, com destaque para as pérolas. A coleta e comércio de pérolas foi, por muitos séculos, uma atividade econômica muito importante para a população do Barém. Na Idade Média, o governador da região conhecida como Barém histórico, Al-Mundhir, se converteu ao islamismo, tendo contato com um representante enviado pelo próprio profeta Maomé no ano 628. Atualmente, o islamismo segue sendo a religião oficial do Barém, com uma maioria da população xiita e um governo sunita da dinastia al-Khalifa.

Durante as Grandes Navegações, o Barém foi conquistado pelos portugueses em 1521 na sua campanha para controlar as rotas de comércio no Golfo Pérsico. Uma marca da passagem portuguesa pelo Barém é o Forte do Barém (Qai’at al-Bahrain), construído pelos portugueses, ampliando uma estrutura de defesa árabe já existente. Esse local abriga um sítio arqueológico que acumula muitos séculos de história humana nesse ponto estratégico do comércio entre diferentes civilizações no Golfo. Essa riqueza arqueológica está exposta no Museu Nacional do Barém, inaugurado em 1988 e considerado um dos mais importantes do tipo na região. Alguns achados arqueológicos datam de até seis mil anos. Luís Vaz de Camões cita a “ilha Barém” na magnífica epopeia Os Lusíadas, sendo um registro histórico do termo “Barém” sendo usado para se referir apenas ao arquipélago, e não ao “Barém histórico”, que compreende territórios continentais na região, como partes dos atuais Iraque, Cuaite, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A ocupação portuguesa do Barém foi encerrada em 1621, quando o Império Safávida, dinastia composta por persas e curdos, realizou campanha militar bem-sucedida na ilha. A campanha foi liderada pelo safávida Allahverdi Khan e por Mu’in al-Din Fali, parente do então governador do Barém.

Esse evento é considerado pelos iranianos como a retomada árabe sobre o Barém, como citado pelo historiador Rouholllah K. Ramazani e reproduzido no site Encyclopaedia Iranica: “o Barém sempre e ininterruptamente fez parte da Pérsia nos séculos passados, exceto durante a ocupação portuguesa de 1507 a 1622, em que ano o Governo persa retomou a posse deste território” (Barém III. História das relações políticas com o Irão, Encyclopaedia Iranica). A referência à data de 1507 refere-se à conquista portuguesa da Ilha de Ormuz, que deu início ao controle português sobre o fluxo marinho através do estreito de mesmo nome. A demanda histórica foi abandonada pelo Xá Reza Pahlavi em 1971, numa vergonhosa capitulação diante do imperialismo por parte dessa figura vergonhosa para a história da região. No mesmo ano, a base da Marinha Real Britânica passou para o controle norte-americano e se tornou a Base de Apoio Naval do Barém, como segue sendo até os dias de hoje. Claramente uma jogada casada, na qual o capacho imperialista Reza Pahlavi facilitou o objetivo norte-americano de ampliar sua presença militar no Golfo. Uma traição não apenas ao povo iraniano, mas ao povo árabe que é a maioria da população em toda a região.

Um fator de instabilidade política permanente no Barém é justamente o fato de que a maioria da sua população muçulmana é xiita, enquanto a dinastia que governa desde a expulsão dos persas é sunita. Dados de 2017 da ONG Minority Rights apontam que os xiitas constituíam entre 60 e 65% da população, enquanto os sunitas, entre 30 e 35%. Mesmo uma ONG financiada pela USAID e outras agências imperialistas teve que reconhecer essa prevalência de xiitas no país. A dinastia sunita al-Khalifa tomou controle do Barém em 1783 e segue governando o país, mantendo relações amistosas com o imperialismo, o que significa, na prática, uma relação de submissão. Durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de interromper o fornecimento de petróleo do Barém para a Inglaterra, a Força Aérea Real Italiana bombardeou a refinaria de petróleo da Companhia de Petróleo do Barém, na época controlada diretamente pela Standard Oil da Califórnia e pela Texaco.

A economia em torno do petróleo, realidade há quase um século no Golfo Pérsico, teve seu impulso inicial no Barém. O primeiro poço de petróleo na região foi descoberto em 1931 na ilha do Barém, começando a ser explorado já em 1932. O pioneirismo deu um importante impulso econômico ao Barém, especialmente por coincidir com o declínio da economia baseada na coleta tradicional de pérolas na ilha. O desenvolvimento do cultivo de pérolas tornou a coleta tradicional economicamente desvantajosa. Atualmente, não apenas refina o próprio petróleo, mas importa petróleo da Arábia Saudita para refinar. O país conta com outras indústrias, onde se destacam a produção de fertilizantes e a fundição de alumínio. Por sua relação submissa ao imperialismo, o Barém teve importante inserção no mercado financeiro, com centenas de instituições financeiras operando em seu pequeno território atualmente.

Um dos marcos importantes da dominação britânica durante os governos da dinastia al-Khalifa foi a assinatura do tratado chamado Trégua Perpétua de Paz e Amizade em 1861. Assim como fez com outros países mundo afora, os ingleses prometiam proteção militar em troca do monopólio das relações exteriores do Barém e do direito de estrangeiros de adquirir terras no país. O Barém oficializava sua condição de protetorado britânico. Durante o processo de decadência do Império Britânico após a Segunda Guerra Mundial, o Barém tentou inicialmente aderir a uma união de emirados árabes, que incluiria ainda o Catar e os sete xarifados que acabariam formando os Emirados Árabes Unidos. A união com os outros ex-protetorados britânicos não avançou e o Barém se tornou um Estado independente em 1971. Sua primeira Constituição entrou em vigor em 1973 e trazia o advento de uma Assembleia Nacional com seus 30 membros eleitos pelo voto, mas que não podia propor nem promulgar leis. Mesmo assim, o emir Isa bin Sulman al-Khalifa dissolveu a assembleia e suspendeu a Constituição.

A maioria dos eleitos eram opositores do regime político da dinastia al-Khalifa, esquerdistas ou ao menos os chamados “independentes”. Além de se oporem à Lei de Segurança, esses políticos traziam pelo menos outras três demandas que se opunham aos interesses do emir do Barém. As propostas em torno de uma reforma agrária no país eram muito populares, assim como a demanda pela limitação dos gastos da família real. Mas talvez o questionamento da presença militar dos Estados Unidos fosse o ponto mais sensível das demandas defendidas pelos membros do jovem parlamento baremita. A resposta do emir submisso aos interesses estrangeiros no seu país foi interromper o breve lampejo democrático no Barém. A independência do país em 1971 foi mais formal do que prática e, aos poucos, o controle britânico foi passado para os Estados Unidos. Para manter esses interesses protegidos, a ditadura do emir ampliou a repressão contra seu povo.

Matéria publicada no sítio Declassified UK aborda a participação do policial britânico Ian Henderson na organização da repressão popular no Barém. Sob o mote da decretação da sentença de morte a dois presos políticos em 2020, a reportagem, assinada por um baremita sob o pseudônimo Qays Abdulla, aponta que Henderson assumiu o posto de chefe da inteligência do Barém ainda em 1966. O oficial havia se destacado na atuação contra o povo do Quênia, onde mais de um milhão de quenianos do povo Kikuyu chegou a ser confinado em campos de concentração na década de 1950. Após a independência do Quênia em 1963, Henderson foi deportado pelo novo governo. Ele chegou ao Barém em meio à turbulência política que antecedeu a independência do país, com grande agitação estudantil e movimentos de esquerda como a Frente de Libertação Nacional (FLN). Durante a segunda metade da década de 1960, Henderson organizou todo o aparato de inteligência do Barém para ser usado contra sua população.

Mesmo infiltrando agentes na FLN, Henderson não conseguiu evitar que a oposição ao governo conquistasse 16 dos 30 assentos no parlamento recém-criado pela Constituição. O emir Isa bin Sulman al-Khalifa aprovou no recesso do parlamento a Lei de Segurança que permitia prender pessoas por até três anos sem que fossem ao menos levadas a julgamento. Há relatos de que Henderson esteve envolvido na proposta dessa lei, que serviu para aumentar o poder dos órgãos de repressão estatal. Em seguida, Henderson passou a ampliar o aparato repressivo do Estado, nos moldes do que o imperialismo fez nas ditaduras que ajudou a tomar o poder em muitos países nesse período. Desde os métodos de tortura até a anistia aos torturadores, essa parte da história do Barém lembra muito a ditadura militar no Brasil. A matéria aborda um pouco do legado do policial britânico:

“A tortura no Barém precedeu Henderson. A força policial do Barém foi criada na década de 1920 e a brutalidade foi cometida já naquela época, quando autoridades britânicas se envolveram pessoalmente no que um deles chamou de ‘métodos da leve Inquisição Espanhola’.

Mas após a lei de segurança do Estado de 1974 e sob a vigilância de Henderson, a tortura tornou-se sistêmica, como um método de reprimir a dissidência. Entre 1975 e 1999, pelo menos 37 bareinistas foram mortos pela polícia, 15 deles sob custódia policial, suspeitos de terem sido torturados. Autópsias oficiais atribuíram essas mortes a causas naturais ou até mesmo suicídio.

A reputação implacável de Henderson foi consolidada em meados da década de 1990, quando uma intifada (revolta) estourou à medida que as demandas renovadas para a reintegração do Parlamento foram reprimidas com violência policial.

Somente em 1995, estima-se que 4 mil pessoas foram presas por participação em protestos generalizados, incluindo crianças de até 10 anos — uma forma de punição coletiva que lembra os métodos britânicos de criminalizar a população Kikuyu no Quênia décadas antes.

Muitas famílias foram alvo da polícia secreta de Henderson, incluindo a minha. Líderes que defendiam a oposição pacífica foram presos em 1995 e submetidos a confinamento solitário ou prisão domiciliar. Manifestantes e ativistas foram presos e torturados, e muitos dos que tiveram oportunidade de fugir, foram para o exílio” (Como um policial britânico ajudou a normalizar a tortura em uma monarquia do Golfo, Declassified UK, Qays Abdulla, 14/9/2020).

A ‘teia militar’ dos Estados Unidos no Golfo Pérsico

Um levantamento realizado em 2024 pelo Congresso dos Estados Unidos apontou a existência de 19 bases militares do país no Oriente Médio. Oito controladas diretamente e 11 com presença de tropas e equipamentos militares norte-americanos. Essas bases estão distribuídas em 10 países: Arábia Saudita, Barém, Catar, Cuaite, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Omã e Síria. Só no Cuaite são cinco bases militares com presença dos Estados Unidos. A maior delas, a Base Aérea de Al Udeid, abriga a Força Aérea do Catar, a Força Aérea Real Britânica e a Força Aérea dos Estados Unidos, entre outras forças estrangeiras. Atualmente, cerca de 10 mil militares norte-americanos estão estacionados na base. Reportagem da Al Jazeera apontou que o Catar chegou a investir mais de oito bilhões de dólares ao longo dos anos para modernizar a infraestrutura da base. A reportagem cita indícios de que os Estados Unidos já esperavam uma retaliação iraniana na base quando atacaram o Irã em 2025:

“Antes de atacar as instalações nucleares do Irã, parece que os EUA começaram a tomar medidas preventivas.

Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, considerava o envolvimento direto no conflito Irã-Israel, a agência de notícias AFP informou que dezenas de aeronaves militares americanas não estavam mais na pista da base aérea, baseando sua avaliação em imagens de satélite publicadas pela Planet Labs PBC.

Quase 40 aeronaves militares — incluindo aviões de transporte como o Hércules C-130 e aeronaves de reconhecimento — estavam estacionadas no pátio da base, sede regional do Comando Central do Pentágono, em 5 de junho. Mas em uma imagem tirada em 19 de junho, apenas três aeronaves eram visíveis.

Um oficial norte-americano que falou à Reuters disse que aeronaves que não estavam em hangares reforçados foram removidas da base de Al Udeid. Além disso, ele afirmou que navios da Marinha dos EUA foram removidos de um porto no Barém, onde está localizada a 5ª Frota das Forças Armadas dos EUA.

‘Não é uma prática incomum’, disse o oficial. ‘A proteção da força é a prioridade’” (O que você precisa saber sobre a base aérea americana de Al Udeid, no Catar, após o ataque do Irã, Al Jazeera, 23/6/2025). 

Esse complexo militar do imperialismo tem sido muito utilizado neste século. A chamada “Guerra ao Terror”, quando os Estados Unidos declararam guerra aos países atrasados, mobilizou a máquina de guerra do imperialismo no Oriente Médio. Primeiro, na invasão do Afeganistão e, logo depois, na invasão do Iraque. Ambas as agressões envolveram bombardeios maciços que arrasaram esses países e vitimaram em ampla escala sua população civil. Quando as ações passaram para a invasão terrestre, como os norte-americanos gostam de dizer, com as “botas no chão”, as coisas começaram a dar errado para os invasores. Em 2026, parte desse aparato militar foi usada na covarde agressão militar contra o Irã, que tirou a vida de muitos civis e do Líder da Revolução Islâmica Saied Ali Khamenei. Todos esses são países de população majoritariamente árabe e governados por monarquias que abrem as portas para o imperialismo defender a entidade sionista, um regime supremacista contra o povo árabe. Esse é um fator de crise constante nessas sociedades, e não poderia ser diferente disso.

Seis desses nove países que abrigam tropas dos Estados Unidos fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo, um ensaio de bloco econômico. São eles: Arábia Saudita, Barém, Catar, Cuaite, Emirados Árabes Unidos e Omã. O bloco foi criado em 1981, dois anos após a Revolução Iraniana. Os posicionamentos oficiais emitidos durante a nova etapa de guerra do imperialismo e do sionismo contra o Irã e a resistência árabe em geral mostram que se trata de um bloco organizado para defender os interesses imperialistas no Oriente Médio. Uma das notas emitidas em 10 de abril de 2026 saúda a decisão do Conselho de Ministros do Líbano que pediu o desarmamento do Hesbolá, isso enquanto “Israel” ataca a população civil do país e encontra resistência justamente neste importante partido e seu braço armado. Outra nota emitida no mesmo dia condena a reação iraniana à agressão militar dos Estados Unidos e de “Israel”, um cinismo digno dessas monarquias que só se mantêm de pé por causa do apoio recebido pelos inimigos do seu próprio povo:

“Suas Excelências, os Ministros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), reiteraram sua condenação nos termos mais fortes dos ataques iranianos injustificados e ilegais que deliberadamente visavam infraestrutura civil, incluindo portos, aeroportos, instalações de energia, usinas de dessalinização, áreas residenciais e comerciais e instalações turísticas, incluindo hotéis e outros, em clara violação de sua soberania e integridade territorial e em flagrante violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Suas Excelências pediram ao Irã que cumpra suas obrigações sob a Resolução 2817 do Conselho de Segurança, que exige explicitamente que o Irã cesse imediata e incondicionalmente qualquer agressão ou ameaça aos Estados vizinhos, e também elogiou a resolução unânime do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no A/HRC/RES/61/1 e suas posições e demandas em apoio aos Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)” (Declaração conjunta sobre o reforço da estabilidade do sector do turismo nos países do Conselho de Cooperação do Golfo, Secretariado Geral do Conselho de Cooperação do Golfo, 10/4/2026).

Primavera Árabe

A Revolução Iraniana de 1979, que pôs fim ao governo pró-imperialista no país, estimulou a efervescência de movimentos de libertação nacional em toda a região. Em 1981, a Frente Islâmica para a Libertação do Barém tentou, sem sucesso, tomar o poder no país. Ao longo das décadas seguintes, a repressão política foi constante, sem nem ao menos um texto constitucional para dar um verniz democrático ao regime político. Em dezembro de 1994, o clérigo xiita Ali Salman foi preso e deportado do Barém por participar da distribuição de panfletos que exigiam a restauração da Assembleia Nacional dissolvida em 1975. A população tomou as ruas e a repressão foi generalizada. Centenas de presos, numa contagem que pode chegar até a duas mil pessoas, incluindo clérigos xiitas, com alguns sendo deportados e outros executados. Mesmo tentando se esconder acusando ingerência iraniana, até o New York Times teve que admitir a motivação social dos protestos: “em vilarejos xiitas como Bani Jamra, um dos locais dos distúrbios desta semana, pichações anti-governamentais exigem empregos e a queda da família Khalifa” (Governantes do Barém afirmam estar determinados a acabar com a agitação nas aldeias, New York Times, 28/1/1996). Na época, a Anistia Internacional emitiu nota denunciando a situação no Barém:

“A situação dos direitos humanos no Barém deteriorou-se gravemente desde dezembro de 1994, após manifestações e protestos generalizados que exigiam ao governo a restauração dos direitos democráticos. Milhares de pessoas foram presas, muitas das quais continuam detidas incomunicáveis, sem acusação formal ou julgamento. Pelo menos 150 detidos foram julgados e condenados em processos que ficaram muito aquém dos padrões internacionais para um julgamento justo. A tortura e os maus-tratos a detidos têm sido generalizados e sistemáticos, com duas mortes sob custódia relatadas até o momento. As forças de segurança e a polícia de choque usaram repetidamente munição real para reprimir os manifestantes, e dez civis podem ter sido executados extrajudicialmente dessa forma. Pelo menos 20 cidadãos do Barém foram exilados à força do país ou tiveram a entrada negada ao tentarem retornar. O governo do Barém nega que tenham ocorrido violações generalizadas dos direitos humanos. Não divulgou informações sobre os nomes e o paradeiro dos presos e, até o momento, não instaurou investigações sobre as alegações de tortura ou assassinato de manifestantes. A Anistia Internacional recomenda 13 medidas que poderiam ser tomadas para melhorar a situação dos direitos humanos no Barém” (Barém: Uma crise de direitos humanos, Anistia Internacional, 25/9/1995).

No começo do século, após o falecimento de Isa bin Sulman al-Khalifa, seu filho Hammad bin Isa al-Khalifa assumiu o poder e procurou manobrar para estabilizar a situação no país. Ele estabeleceu uma monarquia constitucional que foi apoiada em referendo por 98% dos eleitores do Barém e revogou a draconiana Lei de Segurança aprovada em 1974. A iniciativa para tentar driblar as insatisfações populares teve sucesso imediato, mas de curtíssima duração. Uma das jogadas do rei do Barém foi prometer que o Conselho Consultivo, espécie de Senado, com todos os seus membros nomeados pelo rei, teria papel apenas consultivo no regime político. Quando o texto oficial da Constituição foi publicado em 2002, os líderes da maioria xiita do país se revoltaram com as funções legislativas atribuídas a esse órgão sem representação popular. Na prática, diminuía a importância da Câmara dos Deputados, único órgão composto por representantes eleitos. Apesar de muitos xiitas terem boicotado as eleições de 2002, nas eleições seguintes, o partido xiita Al Wefaq se consolidou como maior partido na câmara. Porém, devido à estrutura política baremita, essa maioria não se expressou num poder político proporcional. Entre 2010 e 2012, as tensões políticas no Oriente Médio explodiram no que ficou conhecido como a Primavera Árabe. O Barém também foi sacudido por intensas manifestações populares.

No dia 4 de fevereiro de 2011, foi realizado um comício em frente à Embaixada do Egito na capital baremita, Manama. Em 14 de fevereiro, teve início o que se chamou de Primavera Árabe do Barém, com os manifestantes cobrando maior liberdade política, especialmente para a maioria xiita da população, reivindicação levantada há décadas no Barém e que se confronta até hoje com a monarquia al-Khalifa.

Nesta data, o referendo que aprovou a nova Constituição do país completava 10 anos, vindo à tona, por exemplo, que a instituição da Câmara dos Deputados como único órgão legislativo, prometida antes do referendo, não se concretizou no texto final e nem nos anos seguintes. A repressão policial foi digna da ditadura que o Barém ainda é, inicialmente com as chamadas armas “não letais”, como as balas de borracha, que podem ser letais se atiradas de perto. Foi o caso de Ali Abdulhadi Mushaima, de 21 anos. O jornal local Al-Wasat informou no dia seguinte que, além do jovem assassinado, mais de 30 pessoas ficaram feridas pela repressão no dia 14. A edição do Al-Wasat ainda relatou uma escalada dos protestos em resposta à repressão. Em solidariedade aos feridos e ao jovem assassinado, manifestantes se reuniram no Complexo Médico Salmaniya:

“Uma grande multidão de cidadãos se reuniu no Complexo Médico Salmaniya e começou a se mover em uma marcha de protesto no final da noite passada, e as forças de segurança foram para impedi-los de se mover, resultando em um número de cidadãos feridos.

A família de Mushaima não recebeu o corpo de seu filho até tarde depois da meia-noite de ontem, esperando o médico forense e o relatório do Ministério Público.

Os manifestantes marcharam em cerca de 25 áreas, levantando as bandeiras do Barém, cantando gritos de guerra exigindo reformas políticas e a libertação de prisioneiros e outras demandas vivas.

Os protestos foram desprovidos de manifestações anteriores, como queimar pneus e atirar pedras, e mulheres, crianças e idosos participaram de várias áreas.

Em Sanabis, um carro de segurança vazio foi deixado depois que os manifestantes se aproximaram, mas em vez de danificá-lo ou queimá-lo, os manifestantes colocaram a bandeira do Barém sobre ele” (Mais de 30 feridos em marchas de protesto ontem, Al-Wasat, 15/2/2011).

Esse relato produzido no calor do momento mostra que se tratava de manifestações pacíficas e que, mesmo assim, foram esmagadas pelo governo baremita. Vale lembrar que este é um país amigável aos Estados Unidos e ao bloco de países imperialistas, que justificam suas inúmeras agressões a outros países em nome da defesa da “democracia”. A matéria do Al-Wasat cita ainda que pelo menos quatro homens tiveram ferimentos graves no mesmo dia, sendo baleados no rosto, dois deles tendo os olhos atingidos. No dia seguinte, durante a procissão fúnebre da primeira vítima da repressão nesses atos, mais um homem foi assassinado com tiros de bala de borracha. A vítima, Fadel Salman Matrouk, tinha 31 anos e era pai de dois filhos. A reportagem sobre o ocorrido no mesmo jornal aponta que mulheres e crianças também foram feridas na repressão ao funeral.

Um dos episódios mais marcantes da Primavera Árabe no Barém foi o dia 17 de fevereiro de 2011, que ficou conhecido no país como Quinta-feira Sangrenta. No quarto dia de manifestações, a repressão começou já na madrugada. A Praça da Pérola, com um monumento em homenagem ao principal produto dos países do Golfo antes do petróleo, era um ponto de encontro dos manifestantes na capital, Manama. Estima-se que entre 1,5 e três mil pessoas estavam acampadas na praça e foram atacadas pelas forças de repressão enquanto dormiam. Mais de 300 pessoas ficaram feridas e quatro foram assassinadas com tiros de espingarda à queima-roupa. Dois baleados nas costas, um na cabeça e outro, que veio a morrer no complexo médico, foi baleado na perna. Muitos dos feridos tinham graves fraturas ósseas. Centenas de pessoas foram presas ao longo dos primeiros dias de manifestação. O governo tentou esfriar as manifestações libertando alguns deles, mas sem conseguir ludibriar os manifestantes com mais promessas vazias.

Como apontado na análise de Jane Kinninmont em 28 de fevereiro no Foreign Affairs, as demandas iniciais das manifestações pediam a implementação da estrutura política prometida pelo ainda rei do Barém. O título da análise, Movimento de Re-Reformas do Barém, faz alusão a esse possível retorno às reformas que eram dadas como certas 10 anos antes do início dessa etapa de protestos. No entanto, a repressão alimentou o crescimento de demandas mais radicais no país:

“As tensões no Barém vêm se acumulando há anos. Mas a escalada repentina deste mês surpreendeu a maioria dos baremitas. O nível de violência reflete a dinâmica da região: os protestos agora parecem representar uma ameaça maior para o Barém do que há apenas três meses, antes das mudanças de regime impulsionadas por protestos na Tunísia e no Egito. Com a imprensa internacional prestando mais atenção, a imagem cuidadosamente construída do país como um oásis liberal em uma região iliberal foi gravemente prejudicada. A capacidade do Barém de atrair investimentos ocidentais e competir com Dubai como centro financeiro provavelmente será enfraquecida pelas imagens da violência do regime que se espalharam pelo mundo.

A escalada da violência polarizou a opinião política no Barém e parece estar radicalizando muitos jovens cidadãos. Embora o Barém tenha um consenso de longa data a favor de reformas moderadas (como a restauração de uma monarquia constitucional), na última semana três grupos de oposição começaram a exigir uma revolução declarada. Alguns manifestantes dizem estar prontos para morrer, como centenas fizeram no Egito e na Tunísia, para provocar mudanças. Enquanto isso, há milhares que se beneficiam do sistema atual e apoiam sua continuidade, e muitos outros que temem que a mudança traga instabilidade. Embora não haja uma divisão sectária simples, os xiitas do Barém têm demonstrado maior apoio à oposição, enquanto seus compatriotas sunitas têm demonstrado maior apoio ao governo. Existe, portanto, o risco de as tensões sectárias se agravarem com o passar do tempo” (Movimento de Re-Reformas do Barém, Foreign Affairs, 28/2/2011).

As manifestações provocaram o cancelamento do Grande Prêmio do Barém, que abriria a temporada da Fórmula 1 em 13 de março. No dia seguinte, 14 de março de 2011, o rei do Barém deu um golpe de Estado preventivo quando estava prestes a perder o poder para a população. Cerca de dois mil soldados da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos cruzaram a ponte Rei Fahd a convite do rei Hamad bin Isa al-Khalifa para reprimir a população mobilizada do Barém. Demonstração de que o Conselho de Cooperação do Golfo, além de servir para hostilizar os governos independentes da região, também existe para atacar as próprias populações dos países que o integram. As outras monarquias do Golfo temiam, ainda, que um novo governo possivelmente alinhado ao Irã encorajasse revoltas populares nos seus próprios territórios. Um relato publicado no mesmo dia no New York Times descreve um pouco do cenário do dia no Barém:

“Ao meio-dia, cerca de 2.000 soldados — 1.200 da Arábia Saudita e 800 dos Emirados Árabes Unidos — entraram no Barém como parte de uma força que opera sob a égide do Conselho de Cooperação do Golfo, uma coalizão regional de seis nações de governantes sunitas que tem demonstrado crescente preocupação com o desafio contínuo ao rei do Barém, Hamad bin Isa al-Khalifa. ‘Esta é a fase inicial’, disse um oficial saudita. ‘O Barém receberá toda a assistência de que precisar. É algo sem prazo definido’.

As tropas entraram no Barém num momento particularmente explosivo do impasse entre os manifestantes e a monarquia. Nos últimos dias, os manifestantes começaram a deslocar-se do acampamento na Praça da Pérola, o centro simbólico da nação, para a sede real do poder e da influência, a Corte Real e o distrito financeiro. Com a entrada das tropas, os manifestantes controlaram a principal rodovia e afirmaram estar determinados a não sair” (Tropas sauditas entram no Barém para ajudar a conter os distúrbios, New York Times, 14/3/2011).

Em julho, um relatório da Comissão Independente de Inquérito do Barém registrou terem ocorrido 46 assassinatos, 559 relatos de tortura e mais de quatro mil funcionários demitidos por participação nos protestos. O relatório apontou ainda a prática desenfrada de diversas formas de tortura contra os manifestantes presos no país. Em 18 de março, a ditadura simplesmente demoliu o monumento que decorava a Praça da Pérola, numa demonstração do nível de desespero do regime político. Como o local foi se tornando um importante ponto de encontro, passou a ser um símbolo das manifestações. É como se, em São Paulo, um governo resolvesse demolir a Avenida Paulista para evitar que o local seja usado em manifestações. Como descrito no seguinte trecho de reportagem replicada no sítio O Globo, o monumento, que nem sequer fazia referência a nada popular, foi construído em homenagem à criação do vergonhoso Conselho de Cooperação do Golfo:

“Brocas e escavadeiras foram utilizadas para cortar cada uma das seis bases da estátuas de concreto erguida em 1980 para marcar um encontro de formação do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Cada uma das seis velas da estátua representava um dos membros do CCG, que incluem Barém, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar e Omã. A pérola da estátua representava a herança comum dos países do Golfo, cuja economia se baseava na pesca de pérolas antes da descoberta do petróleo” (Barém derruba estátua simbólica usada por ativistas, O Globo, 18/3/2011, atualizado em 4/11/2011).

O levante popular ainda não foi derrotado

Apesar da vitória temporária da monarquia al-Khalifa, ao custo de um estado de repressão constante, o povo do Barém não está quieto. Um ano após o início do levante de 2011, a polícia reprimiu uma multidão que se concentrava na Praça da Pérola, cercando o local de modo que os manifestantes só conseguiam ficar a 500 metros do local. O rei já havia tentado esfriar a situação ao fazer mais promessas de reformas um mês antes. Porém, o aprendizado coletivo do povo baremita o impediu de acreditar nas palavras vazias do rei que iniciou seu governo prometendo muito e não entregando nada ao longo dos anos. No aniversário de 10 anos do levante de 2011 e 20 anos do golpe do referendo popular, o bloqueio policial na véspera já começou nas estradas e vilas da maioria xiita. Matéria da Agence France-Presse (AFP), reproduzida no sítio Isto É – Dinheiro, traz apontamentos de ONGs estrangeiras sobre a repressão às manifestações em 2021:

“A organização de direitos humanos Instituto Barém para os Direitos e a Democracia (BIRD) disse ter recebido informações de que pelo menos 18 adultos e 11 crianças foram detidos durante uma onda de prisões.

A ONG com sede em Londres afirmou ter verificado que várias das crianças, incluindo uma de apenas 11 anos, tiveram de ser detidas durante sete dias no quadro de uma repressão ‘destinada a dissuadir as manifestações que celebram o décimo aniversário’.

As autoridades do Barém confirmaram à AFP na sexta-feira que dois jovens de 13 anos foram detidos em um ‘centro de assistência juvenil até que eles comparecessem novamente ao tribunal, onde as medidas legais apropriadas serão tomadas’.

‘Eles reprimem a dissidência antes que as pessoas protestem, para enviar um sinal muito claro de que a dissidência não será tolerada’, disse Aya Majzub, da ONG Human Rights Watch” (Dez anos depois, Barém paralisado por uma sangrenta revolução reprimida, Isto É – Dinheiro, 13/2/2021).

Em 2026, após o início da reação iraniana, a situação política no Barém ficou mais uma vez agitada. A Operação Promessa Cumprida 4, lançada pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, já realizou uma centena de ondas de ataques contra alvos do imperialismo e do sionismo na região. Logo no início da resposta iraniana, a Base de Apoio Naval operada pelos Estados Unidos no Barém foi atacada com mísseis. A imprensa respondeu com cinismo, alardeando uma suposta preocupação com os civis baremitas. Mas ficou bastante claro que os ataques só atingiram alvos militares dos Estados Unidos.

Além da razão óbvia de atacar objetivos militares de um país que acabou de iniciar uma agressão contra o Irã, essa resposta iraniana levantou novamente a discussão no Barém sobre abrigar tropas e equipamentos militares hostis aos povos da região. A demanda pela expulsão das tropas norte-americanas ganhou novo impulso com a retaliação iraniana, com o CGRI apoiando agora abertamente os baremitas que desejam se libertar da dinastia al-Khalifa e integrar o Barém à República Islâmica do Irã, como explicitada na seguinte mensagem publicada em seu canal oficial:

“Chegou a hora do retorno do Barém aos braços do pai

Com o acolhimento do povo do Barém aos mísseis iranianos que penetram nas bases americanas, acreditamos que chegou o momento de retomar o Barém; uma terra que foi ‘entregue em casamento’ [perdida] durante o período do xá sem honra, Mohammad Reza Pahlavi.

Agora, com a mudança no equilíbrio de poder e a popularidade do Irã, chegou a hora deste filho pequeno retornar aos braços do pai verdadeiro” (A revolução está a caminho no Barém?, Diário Causa Operária, 4/3/2026).

A demonstração de força militar pelo Irã, ao não se dobrar diante das agressões estrangeiras, é um fator de esperança para os povos da região. Como potência militar dominante no mundo, os Estados Unidos não podem entrar numa guerra e sair derrotados sem que isso abale essa dominação global. A derrota atual contra o Irã se soma a uma série de fracassos militares norte-americanos, como a incapacidade de controlar Afeganistão e Iraque, além da falida aventura militar na Ucrânia. Essa mudança de perspectiva, onde os Estados Unidos não aparecem mais no cenário como uma máquina de guerra invencível, eleva o moral daqueles que lutam pela autodeterminação dos povos árabes no Oriente Médio. Isso coloca as monarquias alinhadas ao imperialismo numa posição muito delicada e as tensões políticas entre a população tendem a se desenvolver. A inteligência e organização da reação iraniana contribuem para isso. No começo de abril, por exemplo, outro ataque foi realizado no Barém em instalações utilizadas pela multinacional norte-americana de tecnologia Amazon. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica alertou antes do ataque e explicou os motivos em comunicado:

“A ação ocorreu poucos dias depois de o CGRI divulgar uma advertência pública listando várias gigantes da tecnologia dos Estados Unidos como possíveis alvos militares. Segundo a nota, essas empresas cumprem papel decisivo na seleção e no rastreamento de alvos de assassinato e, por isso, as instituições envolvidas nesse tipo de operação seriam tratadas como ‘alvos legítimos’.

O comunicado aconselhou os funcionários dessas empresas a deixarem imediatamente seus locais de trabalho e orientou os moradores de áreas situadas em um raio de um quilômetro dessas instalações, em vários países da região, a procurarem locais seguros. Entre as companhias mencionadas estavam Cisco, HP, Intel, Oracle, Microsoft, Apple, Google, Meta, IBM, Dell, Palantir, Nvidia, J.P. Morgan, Tesla, General Electric, Spire Solutions, G42 e Boeing” (Irã cumpre promessa e atinge complexos da Amazon e da Oracle, Diário Causa Operária, 3/4/2026).

Ainda em abril, o Irã declarou vitória contra os Estados Unidos, com sua população tomando as ruas da capital, Teerã, em comemoração. Além de não conseguir submeter o governo iraniano após o covarde assassinato de Ali Khamenei, os norte-americanos nem ao menos conseguiram desbloquear o Estreito de Hormuz. Por essa passagem marítima passa uma quantidade muito importante do petróleo extraído no Golfo Pérsico, o suficiente para impactar decisivamente o mercado mundial. Com o bloqueio iraniano, as economias dos países imperialistas foram diretamente afetadas. Sua incapacidade de furar o bloqueio à força expôs ainda mais sua decadência. Um verdadeiro alento para os povos da região e para os povos oprimidos de todo o planeta. Como declarado corretamente pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã:

“O inimigo, na sua guerra injusta, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora” (VÍDEOS: população sai às ruas em comemoração à vitória iraniana, Diário Causa Operária, 8/4/2026).