Recentemente, o Partido da Causa Operária foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Como tem se tornado padrão, os policiais atuaram de maneira espalhafatosa. Fazendo escândalo sem qualquer justificativa às seis horas da manhã na casa do presidente do partido e atualmente candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta. Outra característica que já se tornou recorrente nessas ações policiais motivadas politicamente também apareceu no caso. Poucas horas após a invasão da casa, onde o dirigente partidário mora de aluguel, a notícia ressoou na imprensa burguesa. G1, Uol, Folha de S. Paulo e Poder 360, entre outros, publicaram matérias com a mesma abordagem. O escândalo fabricado se insere na campanha de ataques políticos ao partido e aos direitos democráticos da população brasileira em geral.
Nesse contexto, o jornal O Estado de S. Paulo se deu ao trabalho de publicar um editorial onde busca sustentar a tese de que o PCO receberia muito dinheiro público. Sob o título “Partido político é negócio da China”, o editorial sugere que o presidente do partido operaria um esquema para drenar recursos públicos para seu uso pessoal. O que deveria resultar numa vida luxuosa, bens materiais, viagens a passeio. No entanto, como testemunharam os políciais federais no dia 11 de agosto, as condições de vida de Pimenta são de classe média baixa. E, como sabem os militantes do partido, a rotina de trabalho do dirigente passa muito longe do que seria esperado de alguém que goza de mordomias. O cenário pintado, não por algum colunista, mas pelo próprio editorial, que reflete a opinião do órgão de imprensa, é de que as atividades do partido não apenas dão lucro, como que esse lucro é exorbitante: “Quem abre uma firma precisa investir, pagar impostos, contratar funcionários e disputar mercado com a concorrência – e mesmo assim não sabe se terá algum lucro. Já quem abre um partido político – seja ele comunista revolucionário ou capitalista selvagem – não precisa nem ganhar eleição para garantir sua prosperidade. É um negócio da China” (Partido político é negócio da China, Estado de S. Paulo, Editorial, 17/08/2026).
Além dos fatos concretos em torno das atividades do PCO serem públicos e jogarem por terra qualquer insinuação de que alguém esteja ganhando dinheiro com a dura vida de militante, dados públicos expõem que, na verdade, a própria imprensa burguesa tem um apetite insaciável, tanto por verbas públicas quanto privadas. O jornalista Paulo Henrique Amorim populariou a expressão Partido da Imprensa Golpista (PIG) para se referir às grandes empresas de comunicação no Brasil. A sigla PIG ainda brinca com a palavra inglesa “porco”, associada popularmente, entre outras coisas, à ganância. Além de um ataque político coordenado contra o único partido político que bate de frente com a política imperialista, seria uma demonstração do “apetite” dessas empresas pelas verbas públicas?
Dados da Secretaria de Comunicação Social (Secom), órgão da Presidência da República responsável pela publicidade, divulgação de atos oficiais e relacionamento com a imprensa do Governo Federal, dão conta de que só no último governo Lula o jornal O Estado de S. Paulo recebeu cerca de R$ 3,9 milhões da verba pública. Mais que a Folha de S. Paulo, com cerca e R$ 3 milhões, e menos do que O Globo, que recebeu cerca de R$ 9,4 milhões. A página da Secom, onde é possível fazer esse tipo de pesquisa, ainda faz a ressalva de que os dados informados não incluem dados das empresas públicas e sociedades de economia mista, o que deixa de fora, por exemplo, os enormes gastos com publicidade feitos por Banco do Brasil, Caixa e Petrobrás. E quando se inclui na equação, por exemplo, o Grupo Globo como um todo, apenas nos primeiros seis meses de governo em 2023 foram abocanhados pelo menos R$ 54,4 milhões em verbas publicitárias federais. A TV Record ficou com R$13 milhões e o SBT, com R$ 12 milhões (Globo desbanca Record e, sob Lula, volta a liderar verbas de publicidade do governo, Folha de S. Paulo, Mateus Vargas e Ranier Bragon, 24/07/2023). Outro exemplo, citado em matéria no Diário Causa Operária aponta outro caminho por onde os jornalões drenam o dinheiro público:
“Por falar em situações difíceis de explicar aos contribuintes e em irrelevâncias, em 23 de junho de 2014, de acordo com o sítio Portal da Transparência, o Estadão recebeu do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação a bagatela de R$555.000,00 como patrocínio de um mísero seminário. Esse valor equivale, corrigido, a aproximadamente R$1,074 milhão em julho de 2026” (Jornalão que mama no governo acusa falsamente o PCO, Diário Causa Operária, 18/08/2026).
Vamos procurar relacionar algumas das informações sobre o financiamento das empresas do PIG para tentar entender a dimensão do mercado da comunicação no Brasil. Comparado ao magro fundo eleitoral recebido pelo PCO, que não cobre os custos da campanha realizada Brasil afora, o mercado bilionário da publicidade é gigantesco. Não é tarefa simples encontrar as informações desejadas, pois existe todo um labirinto burocrático, que parece servir aos interesses de quem prefere que o assunto não faça parte do debate público no país. No entanto, é razoável considerar que quem paga a conta da imprensa golpista, incluindo os órgãos públicos, tem algum poder de influência no conteúdo veiculado. Especialmente quando levamos em conta que esses veículos não são guiados por valores éticos, nem são reconhecidos como detentores de qualquer senso de moral elevado. Apesar da relativa precariedade de dados, o levantamento aqui realizado ajuda a entender o funcionamento dessa estrutura.
O Estado de S. Paulo
Ao protestar oficialmente contra o pagamento do fundo eleitoral aos partidos sem representação parlamentar, o jornal da família Mesquita faz questão de ignorar como ele próprio recorre à verba pública para sustentar sua atividade. Com a óbvia diferença que, ao contrário dos partidos políticos, O Estado de S. Paulo é um empreendimento capitalista e deveria, supostamente, se sustentar com as próprias pernas no “livre mercado”. Levantamento publicado na Folha de S. Paulo indica que do começo do atual governo até março de 2026 o jornal recebeu R$ 3,9 milhões em verbas publicitárias federais (Lula amplia verbas de propaganda de big techs, que superam SBT e Band pela primeira vez, Folha de S. Paulo, Mateus Vargas, 03/04/2026). Esse valor não inclui verbas destinadas a outros veículos do Grupo Estado, como Agência Estado. Além de não contabilizar contratos feitos por empresas estatais ou com participação estatal. Pesquisando no site Censo Empresarial, é possível constatar a existência de contratos do Grupo Estado como: São Paulo Previdência (SP PREV), SP Casa Civil, Comando do Exército, UNESP, Justiça Federal, Secretaria de Estado da Fazenda, Secretaria da Administração Peitenciária, Tribunal Superior Eleitora (S/A o Estado de S.Paulo — CNPJ 61.533.949/0001-41, Censo Empresarial, consultado em 29/08/2026).
Esses contratos dizem respeito tanto a compra de espaço para publicidade quanto assinaturas do jornal. Esse é um mecanismo conhecido de sustentação da imprensa burguesa. Um caso muito denunciado durante um dos governos de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo ocorreu em 2013. Em meio às muitas denúncias de corrupção contra as seguidas gestões tucanas no estado, veio a tona que o governo gastava milhões em assinaturas da Revista Veja e dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo com verba da educação. Matéria assinada pelo jornalista Paulo Nogueira, nos bons tempos do Diário do Centro do Mundo, expôs a partir de publicações no Diário Oficial de São Paulo dois desses contratos. Num deles, o estado adquiria 5.200 assinaturas semestrais do jornal O Estado de S. Paulo para o projeto Sala de Leitura em escolas da Rede Estadual de Ensino por R$ 1.554.800,00. Em outro contrato, o estado adquire 5.200 assinaturas semestrais do jornal Folha de S. Paulo, com a mesma destinação e pelo mesmo valor. Mais de três milhões de reais numa tacada só para os jornalões paulistanos (Por que Alckmin não deveria comprar lotes de revistas e jornais amigos, Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, 26/08/2013). O jornalista, que trabalhou por muito tempo nos grandes veículos da imprensa burguesa relata uma experiência desse tipo de relação obcena que vivenciou:
“O que ocorreu é a chamada ação entre amigos, em que as partes – empresas jornalísticas e políticos — trocam favores usando o dinheiro do contribuinte.
É uma prática velha, e que graças à internet vai sendo cada vez mais exposta aos brasileiros.
Vivi, na editora Globo, uma situação exemplar.
Era 2007, e eu acabara de ser contratado para ser diretor editorial das revistas da Globo.
A principal delas, a Época, era singularmente gentil com um governador da região norte.
Esse governador, fiquei sabendo depois, comprava grandes lotes de livros da Globo, o que vinha ajudando substancialmente a editora a dar lucros.
Demos, na revista, uma denúncia contra ele. Instalou-se uma confusão. Ele foi a São Paulo para falar comigo e com o então diretor geral da editora, Juan Ocerin.
A conversa não poderia ter sido pior. Ele foi grosseiro, e eu disse que não admitia que uma visita falasse naquele tom ali, numa sala ao lado da redação da Época.
Ele saiu da sala com uma ameaça. “Vou conversar com o João Roberto”. João Roberto era e é João Roberto Marinho, o filho do meio de Roberto Marinho, aquele que é o editor de fato das Organizações Globo.
Não sei se falou.
Antes de ir embora, ele se avistou com o diretor de publicidade da editora, que era seu interlocutor nas negociações de compras de lotes de livros.
Nova confusão. Desta vez, o resultado foi uma conversa a três: Ocerin, eu e o diretor de publicidade.
Em alguns minutos, depois de palavras ríspidas, eu disse ao diretor de publicidade que jamais voltaria a falar com ele.
E de fato não voltei.
Foi contratado um novo diretor de publicidade, e ele me disse que várias vezes Ocerin se queixou dele por não ter o acesso mágico àquele governador para que aportasse dinheiro na editora em momentos de seca” (Por que Alckmin não deveria comprar lotes de revistas e jornais amigos, Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, 26/08/2013).
No informe oficial da Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo sobre os pagamentos com publicidade em 2024, a S/A O Estado de S. Paulo aparece em diversos dos empenhos ao lado de outras empresas. O valor total dos empenhos onde a empresa figura ao lado de outras é de R$ 12.392.798,76. Mesmo não sendo possível, com os dados oficiais, precisar quanto o jornal recebeu do governo estadual nesse ano, é importante constatar que os sucessivos governos seguem ajudando a financiar O Estado de S. Paulo. Outro demonstrativo oficial da Subsecretaria de Comunicação de 2011 também mostra a empresa em listas de beneficiários de investimentos de R$ 4.829.530,31. A Folha de S. Paulo aparece nos mesmos balanços governamentais através da empresa Folha da Manhã S/A. A opção por esse financiamento é claramente político. Uma demonstração disso foi que ambos os jornais ficaram sem investimentos em publicidade do governo federal durante parte do governo Bolsonaro. Para fazer frente à propaganda contra seu governo, Bolsonaro zerou a verba federal para publicidade nos três jornais. O investimento em publicidade na Jovem Pan, por outro lado, sofreu redução de 99% após a volta de Lula ao governo (“Carta Capital” ganha anúncios sob Lula; Jovem Pan perde 99%, Poder 360, Mateus Maia, 07/04/2024).
Outro aspecto importante do financiamento da imprensa golpista que merece atenção são os investimentos privados, que ajudam a explicitar a quem servem esses veículos de comunicação. Em abril, o Poder 360 publicou uma matéria sobre a captação de R$ 142,5 milhões pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2024. Apenas dois anos após a operação financeira, foram divulgados os investidores. Do valor total, R$ 45 milhões foram investidos pelos três maiores bancos privados do país em cotas iguais: Itaú, Bradesco e Santander (12 empresas investiram R$ 142,5 milhões no “Estadão”, Poder 360, 20/04/2026). Também participaram com cotas de R$ 15 milhões as empresas Cosan, conglomerado que atua nos setores de açúcar, álcool, energia, lubrificantes e logística, Hapvida, operadora de planos de saúde e administração hospitalar, e Votorantim, que atua nos setores de mineração, cimento, energia, finanças, investimentos imobiliários e produção de suco de laranja concentrado. Com metade dessa cota participaram: Ultra (energia, infraestrutura logística e mobilidade), Unipar (indústria química e petroquímica), Patria Investimentos (gestora de ativos), Galápagos Capital (gestora de ativos) e JHSF (setor imobiliário de alto luxo).
O site também publicou relatório de auditor independente da S.A. “O Estado de S. Paulo” de 31/12/2025. Esse balanço expõe seguidos prejuízos financeiros da empresa. Em 2024, o saldo negativo foi de R$ 15,34 milhões. Em 2025, R$ 16,87 milhões. Uma demonstração da falta de dinamismo econômico real do jornal e uma explicação para a captação de recursos em 2024. Mesmo com o apoio estatal, o jornal não se sustenta em pé. As injeções artificiais de dinheiro não conseguem gerar interesse suficiente do público. A reportagem do Poder 360 informa que, questionados, os bancos procuraram dizer que as operações de crédito não implicam em interferência na linha editorial do jornal. Pode até ser. Até porque os grandes veículos da imprensa burguesa já defendem os interesses dos bancos por padrão. Lembrando que apesar de denominados como bancos nacionais, o sistema financeiro está amarrado em nível mundial na fase atual do capitalismo.
Bradesco, Itaú e Santander também figuram entre os principais anunciantes no jornal, ao lado de empresas como Volkswagen, Samsung e Magazine Luiza. O grupo tem apostado há alguns anos num modelo de publicidade que prioriza o meio digital, através do Estadão Blue Studio. Matéria publicada no site Meio & Mensagem em 2023 coloca que na época mais de 40% da receita publicitária do Grupo Estado já vinha dessa estrutura (Estadão Blue Studio centraliza liderança e cria área de estratégia, Meio & Mensagem, Giovanna Oréfice, 05/09/2023). É interessante perceber o ritmo seguido por essa empresa gigantesca de imprensa. Como integrante de um consórcio monopolista, o dinamismo passa bem longe da rotina da empresa. Como exposto em matéria publicada no site da Associação Nacional de Jornais em 2019, o jornal só iniciou sua transição para o meio digital em 2017, um atraso monumental diante da disseminação do uso da internet no Brasil e ainda fez isso junto com uma empresa estrangeira:
“O projeto de transição do jornal paulista da lógica de prioridade do meio impresso para o digital envolve várias iniciativas, equipes e consultores em um ciclo de três anos de planejamento e preparação da empresa, iniciado em 2017” (Parceria com Google qualifica assinaturas digitais, produção de conteúdo e publicidade dirigida de O Estado de S.Paulo, Associação Nacional de Jornais, 25/10/2019).
Folha de S. Paulo
Vamos agora conhecer um pouco do financiamento do jornal da família Frias. Em seu site, o jornal afirma que apenas 8,3% do seu faturamento vem de origem estatal. Em abril de 2024, uma matéria no Poder 360 destacava a retomada dos anúncios do governo federal nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Em 2023, teriam recebido, respectivamente em em valores corrigidos pela inflação até a data da publicação da matéria, R$ 694 mil e R$ 207 mil. No mesmo levantamento, o jornal O Globo, da família Marinho, recebeu R$ 909 mil. O próprio Poder 360 teria recebido quase R$ 435mil em 2023 (“Carta Capital” ganha anúncios sob Lula; Jovem Pan perde 99%, Poder 360, Mateus Maia, 07/04/2024). Nesse ano, o Intercept Brasil publicou a denúncia do gasto de quase R$ 3 milhões feito pela prefeitura de São Paulo em publicações do Estúdio Folha, um braço da Folha de S. Paulo dedicado à publicidade em forma de conteúdo jornalístico. Como explicado na matéria:
“Exceto pelo logo do Estúdio Folha na parte superior, as notícias elogiosas sobre a gestão do prefeito Nunes não apresentam qualquer mensagem de “conteúdo publicitário” ou similar. A aparência é de uma matéria jornalística convencional. O jornal alega que “todo produto realizado é identificado com a assinatura Estúdio Folha e o nome do patrocinador, com um tratamento gráfico distinto daquele do jornal”.
Mas, em seu site, diz usar as técnicas jornalísticas para oferecer um serviço “sob medida”: “Com o rigor e a qualidade da marca da Folha da Manhã, o Estúdio Folha utiliza as ferramentas do jornalismo para oferecer conteúdo feito sob medida para marcas, em diferentes plataformas”. Ou seja, o objetivo é induzir a audiência a acreditar que propaganda é jornalismo” (Ricardo Nunes já gastou quase R$ 3 milhões com propagandas disfarçadas de jornalismo na Folha, Intercept Brasil, Paulo Motoryn, 23/08/2023).
Ao contrário de outras denúncias do Intercept, essa foi reconhecida pelo jornal envolvido em matéria da ombudsman do jornal, Alexandra Moraes, em maio deste ano. O termo ombudsman se refere ao profissional contratado pelo jornal para ser uma espécie de porta-voz de reclamações contra o próprio jornal. No texto “Quando a ‘publi’ contamina o jornalismo”, Moraes cita os dados da denúncia, reconhecendo que mesmo que a transação não tenha sido irregular, gera questionamentos éticos. Ela ainda cita a contratação do instituto Datafolha, empresa do Grupo Folha, com objetivos publicitários. Dois exemplos citados dizem respeito à aprovação quase absoluta da população em relação a dois eventos organizados pela prefeitura, a Virada Cultural e o Carnaval. Segundo a ombudsman, o truque foi que “como as pesquisas ocorriam nos próprios eventos, refletiam a opinião de gente já inclinada a gostar deles” (Quando a ‘publi’ contamina o jornalismo, Folha de S. Paulo, Alexandra Moraes – Ombudsman, 09/05/2026).
Outro exemplo interessante desse uso enviesado do instituto de pesquisas da Folha que a jornalista da casa cita é a pesquisa sobre a aprovação popular de obras do Complexo Viário Sena Madureira. Outra pesquisa encomendada pelo prefeito Ricardo Nunes. Depois de reclamações de leitores do jornal, a ombudsman trouxe a formulação da pergunta, da forma como foi feita às pessoas:
“A cidade de São Paulo vai ganhar o novo Complexo Viário Sena Madureira, que prevê a construção de dois túneis que ligarão a rua Sena Madureira à avenida Ricardo Jafet, na zona sul. A obra deve beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia. Hoje, o trajeto entre a Chácara Klabin e a avenida Ibirapuera demora cerca de 20 minutos. Com o novo túnel, o mesmo trajeto poderá ser feito em até três minutos. Também haverá melhoria do tráfego para 45 linhas de ônibus da região. Você aprova ou desaprova a obra?” (Quando a ‘publi’ contamina o jornalismo, Folha de S. Paulo, Alexandra Moraes – Ombudsman, 09/05/2026).
Ainda em 2023, o então ombudsman do jornal abordou a polêmica relação comercial com a prefeitura de Nunes ao ser provocado por leitor. É interessante o fato dele justificar o vale tudo do seu empregador com a justificativa econômica:
“É evidente que o problema está no cliente se chamar Prefeitura de São Paulo. Para muitos leitores, a Folha deveria se recusar a abrigar, ainda que em forma de anúncio, peça de promoção do prefeito candidato. Ótimo, mas aí seria preciso, por isonomia e por equilíbrio jornalístico, recusar comerciais de entes públicos em geral, governos e estatais. Ótimo em dobro, mas algum órgão da imprensa nacional tem assinantes suficientes para sustentar tamanho prurido? Jornais não andam recusando recursos, pelo contrário. Este diário, em plena pandemia, publicou anúncio de médicos defendendo tratamento alternativo à Covid. Um escândalo, do qual não cogitou recuar” (Isto não é um anúncio, Folha de S. Paulo, José Henrique Mariante – Ombudsman, 26/08/2023).
O Globo
Ao passo que o jornal da família Marinho divide com os outros dois jornalões já citados a primeira prateleira no que diz respeito ao recebimento de dinheiro público, esses valores parecem pequenos quando entra em cena a TV Globo. Em agosto de 2018, o Poder 360 repercutiu uma polêmica entre o então candidato a presidente Jair Bolsonaro e a rede de televisão. Durante entrevista no Jornal Nacional, ele disparou: “Podem ter certeza, vocês [apresentadores do Jornal Nacional e a própria TV Globo] vivem em grande parte de recursos da União. São bilhões em recursos da propaganda oficial do governo” (Grupo Globo recebeu R$ 10,2 bilhões em publicidade federal de 2000 a 2016, Poder 360, 30/08/2018). A declaração foi tratada como bravata pela emissora, porém a reportagem foi atrás dos valores para averiguar.
Baseando-se nos dados levantados pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), o veículo resgatou reportagem de 2017, que contabilizou nada menos do que R$ 10,2 bilhões recebidos pelo Grupo Globo em publicidade estatal federal de 2000 a 2016. Quase 30% dos gastos federais com publicidade. Esse valor não inclui a publicidade nas rádios nem canais de televisão por assinatura do grupo. Nos cálculos do IAP entravam valores das grandes empresas estatais, como a Petrobrás e o Banco do Brasil. Ironicamente, Bolsonaro acusou corretamente a Globo de receber bilhões em verba estatal. A resposta oficial da Rede Globo, o farol da humanidade contra as “fake news” foi uma mentira: “A propaganda oficial do governo federal e de suas empresas estatais corresponde a menos de 4% das receitas publicitárias e nem remotamente chega à casa do bilhão” (Grupo Globo recebeu R$ 10,2 bilhões em publicidade federal de 2000 a 2016, Poder 360, 30/08/2018).
Ainda em 2015, a Carta Capital publicou a matéria “Publicidade federal: Globo recebeu R$ 6,2 bilhões dos governos Lula e Dilma”. Partindo de uma publicação de esquerda, se trata de uma denúncia. Justamente o principal veículo de imprensa do PIG, que atuou para criar o clima político para o golpe de Estado em 2016, seguiu sendo privilegiado nas gestões do PT. O governo da oposição política aos governos anteriores não ousou mexer nos privilégios da Globo. Analisando o período entre 2003 e 2014, que cobre os dois primeiros governos Lula e o primeiro governo Dilma, a reportagem aponta para um gasto de R$ 2,1 bilhões em jornais impressos. O Globo, Valor Econômico (também do Grupo Globo), O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo ficaram com R$ 730,3 desse total. Só o jornal O Globo abocanhou R$ 21,5 milhões (Publicidade federal: Globo recebeu R$ 6,2 bilhões dos governos Lula e Dilma, Carta Capital, 29/06/2015).
Os bancos privados
Assim como é difícil acessar os dados detalhados do Estado com publicidade, quando miramos nos grandes bancos privados como Itaú, Bradesco e Santander a coisa não fica mais fácil. Uma estimativa feita pela plataforma Tunad e repercutida em matéria na Folha de S. Paulo dá conta de que em 2024 o investimento de bancos digitais em publicidade fora da internet poderia chegar a quase R$ 3 bilhões. De janeiro a março de 2024, a plataforma identificou gastos em publicidade na televisão de R$ 125 milhões pelo Itaú, R$ 93 milhões pelo Banco do Brasil, R$ 48 milhões pelo Nubank, R$ 47 milhões pelo Bradesco e R$ 35 milhões pelo C6 Bank (Bancos digitais duplicaram publicidade na TV, Folha de S. Paulo, Painel S.A., 03/07/2024). Além de limitada ao período analisado, a pesquisa deixou de fora o investimento na internet, que também beneficia os jornais tradicionais, que mantém versões digitais das suas publicações.
Verificando a Análise Gerencial da Operação e Demonstrações Contábeis Condensadas do segundo trimestre de 2026 disponível no sítio do banco Itaú, podemos verificar que os gastos com “Propaganda, Promoções e Publicidade” foram de R$ 897 milhões no primeiro semestre de 2026 e de R$ 882 milhões no primeiro semestre de 2025. O documento referente ao quarto trimestre de 2025 indica gastos anuais de R$ 1,996 bilhão em 2023, R$ 1,976 bilhão em 2024 e R$ 1,74 bilhão em 2025. Esses balanços não mostram para quais veículos esses bilhões foram, mas é bastante óbvio que parte substancial vai para os mesmos de sempre. Quase dois bilhões de reais por ano.
Sobre os gastos do Bradesco, é possível verificar que no primeiro semestre de 2025 foram de R$ 502,137 milhões e de R$ 650,249 milhões no primeiro semestre de 2026. Inferindo gastos parecidos nos segundos semestres, a quantia anual oscilaria em torno de um bilhão de reais. As informações constam em demonstração financeira publicada no sítio Financial Filings. Outro documento, intitulado “Demonstrações Financeiras Consolidadas do Banco Bradesco S.A. relativas a 2023” e disponível no site do banco, aponta gastos com “Propaganda, promoções e publicidade” de R$ 1,34 bilhão em 2021, R$ 1,704 bilhão em 2022 e R$ 1,904 bilhão em 2023. As cifras do Santander giram anualmente na casa dos R$ 500 milhões.
Cabe lembrar aqui que uma das pautas mais arduamente defendidas pela imprensa burguesa é a redução dos gastos públicos com serviços à população. Seja na forma de auxílios financeiros como o Bolsa Família ou investimentos no Sistema Único de Saúde ou na educação pública. O que nunca criticam é a gorda fatia do orçamento federal que vai direto para os bancos. Segundo levantamento do grupo Auditoria Cidadã da Dívida, em 2025 foram repassados R$ 2,135 trilhões do orçamento para “juros e amortizações da dívida”, uma sangria desatada. Cerca de 42% do total gasto pelo governo. Para efeito de comparação, Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, comenta sobre a distribuição desse orçamento:
“O gasto com essa chamada dívida sem contrapartida consumiu mais de R$ 2 trilhões em 2025, ou 42,24% dos recursos do orçamento federal, sendo que a maior parte desse gasto corresponde aos juros nominais.
Enquanto isso, a área vital da Saúde ficou com cerca de um décimo (1/10) do que o Sistema da Dívida consumiu; a Educação ficou com menos ainda, apenas 3,18%, e a Gestão Ambiental, em ano de COP 30, míseros 0,39%, menos de um centésimo do que o gasto estéril com a dívida levou.
É incontestável a centralidade do Sistema da Dívida no modelo econômico que atua no Brasil, pois esse sistema tem sido a justificativa para todas as privatizações de patrimônio estratégico e lucrativo; todas as contrarreformas (como as da Previdência e a Administrativa), e está por trás do arcabouço fiscal (que existe para limitar a destinação de recursos para todas as demais pastas orçamentárias, apesar do significativo recorde de arrecadação tributária, para que sobre mais dinheiro para os juros da dívida)” (O privilégio do Sistema da Dívida no Orçamento Federal pago em 2025 e o Raio-X das emendas parlamentares, Extra Classe, Maria Lucia Fattorelli, 26/01/2026).
A publicidade das empresas estatais ou mistas
Como já apontado anteriormente, é difícil mapear exatamente a destinação das verbas públicas para a imprensa burguesa. Em julho deste ano, por exemplo, a Petrobrás anunciou um edital de nada menos do que R$ 910 milhões para contratar agências de publicidade entre 2027 e 2029. Essas agências posteriormente compram espaço em órgãos de imprensa. A página de “transparência” da estatal cita até 31/07 um gasto de R$ 1.340.038,84 em publicidade em jornais. Na internet, o investimento foi de R$ 32.985.611,17. Na televisão aberta, R$ 42.146.278,33. Para dar um panorama mais geral do nível de dinheiro envolvido ao longo de um ano completo, em 2025, os gastos com publicidade em “jornal”, “internet” e “tv aberta” foram, respectivamente, R$ 6.838.926,11, 101.597.964,45 e R$ 120.974.791,72. Isso dentro de um gasto total de pouco mais de R$ 372 milhões.
Matéria publicada no final de 2025 pelo Poder 360 lembra que no governo do golpista Michel Temer foi fechado o Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), que coletava e organizava os dados sobre a destinação de verbas públicas para publicidade, incluindo fundações e empresas estatais. A matéria aponta que o custeio do instituto era feito a partir de “um percentual do faturamento das agências de publicidade com contratos federais”. Em março de 2017, elas interromperam esse financiamento e o governo deixou o IAP fechar (Verba publicitária de estatais segue sem transparência há 8 anos, Poder 360, Rafael Barbosa e Lara Brito, 31/12/2025). A debandada foi puxada prra agência Propeg, que no ano anterior havia vencido um edital de R$ 550 milhões para publicidade da Petrobrás.
O Poder 360 parece ter sido uma exceção na denúncia desse ocorrido. Em outra matéria publicada em julho de 2017, disponibiliza um link para uma tabela onde contabiliza os gastos públicos federais de 2000 a 2016, incluindo o montante gasto por empresas como Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa. A tabela está dividida por ano e meio da propaganda (televisão, jornal, rádio, revista, internet, cinema e mídia exterior). Os valores totais oscilam entre pouco mais de R$ 1,268 bilhão (2003) e R$ 2,888 bilhões (2013), um bolo bastante apetitoso para os veículos da imprensa burguesa. Ao longo desses 16 anos, foram mais de R$ 34,6 bilhões, sendo pouco mais de R$ 21,5 bilhões apenas para a publicidade na televisão. Os jornais, categoria dominada por Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo abocanhou no período pouco mais de R$ 3,4 bilhões (União gasta R$ 1,5 bi com propaganda em 2016; estatais puxam queda de 27%, Poder 360, Mateus Netzel e Luiz Felipe Barbiéri, 04/07/2017). A falta de informações claras sobre onde essa verba reflete o nível de precariedade do chamado Estado democrático de direito que vigora no Brasil.
Em 2024 a Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI) negou um pedido de informações acerca dos valores gastos pela Petrobrás com publicidade e patrocínio entre 2015 e 2022, indicando ainda os veículos das publicidades e CPFs e CNPJs dos patrocinados. A CMRI é um órgão colegiado que funciona como última instância para recorrer a pedidos de acesso à informações que já tenham sido negados pelo Poder Executivo Federal. A decisão CMRI nº 96/2024/CMRI/CC/PR conclui que “a divulgação das informações solicitadas representa risco real de impacto na estratégia de comunicação e, por conseguinte, no desempenho empresarial e na competitividade da Requerida (Petrobrás)” (disponível no sítio da Casa Civil do Governo Federal). Ou seja, é como se saber quanto dinheiro foi publicidade para O Estado de S. Paulo ou para a Rede Globo fosse prejudicar a Petrobrás na sua concorrência… com quem?
O blog de Fernando Rodrigues, que ficava hospedado no Uol, publicou em julho de 2015 uma resposta da Secom a questionamento relativo ao investimento estatal em propaganda em veículos de imprensa pequenos. Aparentemente uma tentativa de minguar o pequeno financiamento público aos blogs de esquerda durante o processo de golpe de Estado que culminou no ano seguinte. Porém, ao responder um questionamento em relação aos valores investidos no jornal Brasil Econômico, a Secom admitiu um aumento nos valores vindos da Petrobrás para jornais tradicionais da burguesia:
“Conforme controle de planejamento de ações desta Secom, a partir de dados enviados pelos órgãos, foi verificado significativo aumento no investimento do meio jornal pela empresa Petrobras no ano de 2014, beneficiando o jornal citado e também os principais títulos tradicionais de capitais e de economia, tais como “Folha de SP”, “O Estado de SP”, “O Globo” e “Valor Econômico”. Estes segmentos obtiveram crescimento de investimento do Governo Federal, em contraponto aos demais títulos do país que registraram queda significativa” (“Dados técnicos” justificam investir em mídia alternativa, diz Secom, Uol Notícias Política, Fernando Rodrigues, 02/07/2015).
No sítio do Banco do Brasil não são apresentados os valores a cada um, porém é possível conferir uma listagem de veículos que receberam repasses das agências de publicidade contratadas pelo banco. Numa rápida busca pela planilha de janeiro a junho de 2026, podemos encontrar: O Estado de S. Paulo, Folha da Manhã (Folha de S. Paulo na internet e Folha Top of Mind), diversos veículos do grupo Globo (Globo News, TV Globo, Globo.com, Globoplay e etc), SBT, Record, Bandeirantes, Rede TV, TV Aparecida, Google, Meta, Uber, entre muitos outros. Para se ter ideia do volume desses investimentos, apenas em junho de 2026, o Banco do Brasil gastou quase R$ 11 milhões com publicidade na internet e pouco mais de R$ 19 milhões com publicidade na TV Aberta (Serviços de Publicidade e Patrocínio, Banco do Brasil).
O exemplo do montante gasto por essas gigantes estatais deixa claro que as informações disponibilizadas pela Secom são apenas a raspa do tacho do dinheiro público que abastece a imprensa. O mínimo que uma democracia deveria se prestar nesse sentido é tornar essas informações públicas. Centenas de milhões de reais estão sendo distribuídos e as maiores beneficiadas são as empresas que já monopolizam o mercado das comunicações. Distribuídas de maneira mais pulverizada, abrangendo pequenos veículos de imprensa, como publicações de sindicatos, universidades e movimentos populares, essas verbas teriam um potencial enorme para democratizar a comunicação no Brasil. Em entrevista ao Observatório da Imprensa, Idelber Avelar repercutiu essa crítica ao financiamento público das grandes empresas de comunicação:
“Se for para ser capitalista, vamos ser capitalistas de verdade. Que a dona Veja, que a dona Folha de S.Paulo renunciem à verba pública e se banquem com anúncios privados e com as assinaturas. (…) Acho que, se for para usar verba pública para mídia, que se estabeleçam critérios. Interesse público? Definido de que forma? Quem vai ser o comitê gestor disso? Que seja claro. Do jeito que está é muito fácil para os grandes veículos de mídia usar isso como chantagem. ‘Não tira o anúncio da Petrobras não, senão vamos cair de pau’” (As novas mídias e o jornalismo, Observatório da Imprensa, Victor Barone, 07/07/2009).
A televisão
Outro fato importante de ser destacado é o lugar que ainda ocupam as redes de televisão aberta no alcance do público. Enquanto muito se fala sobre a queda da audiência nesse meio e como as redes sociais ganharam muita evidência nos últimos anos, o investimento massivo na publicidade na televisão indica um cenário diferente. Por mais que, de fato, as redes de televisão venham perdendo a importância que já tiveram, são exageradamente precoces os diagnósticos que secundarizam o alcance dessa mídia. O hábito de assistir os canais abertos na televisão ainda faz parte da rotina de uma parte muito expressiva da população brasileira. A persistência desse hábito ganha maior importância quando levamos em consideração os ataques sistemáticos ao uso da internet. De repente, as redes sociais passaram a ser consideradas por essa imprensa, pelos juízes e políticos profissionais como um dos espaços mais perigosos do país.
Ao consumir o material produzido pela imprensa burguesa, parece mais perigoso mexer num celular ou computador do que andar nas ruas de uma grande cidade à noite. Leis repressivas nas escolas, censura a usuários e até a plataformas inteiras, restrição do acesso dos jovens à internet e alertas emocionados sobre saúde mental já fazem parte da nossa rotina. Ao mesmo tempo, os veículos de comunicação das mesmas famílias ficam com a maior parte dos investimentos públicos em publicidade também na internet. Contra as “fake news” e outros perigos da internet, a receita seria replicar na internet o monopólio que essa imprensa sempre teve com televisão, rádio e jornais impressos. Como colocado em matéria do Diário da Causa Operária:
“As redes sociais quebraram parte desse monopólio. Uma denúncia que seria ignorada pelos grandes jornais pode circular para milhões de pessoas. Uma greve pode ser filmada pelos próprios trabalhadores. Uma manifestação pode ser convocada sem aparecer na televisão. Partidos, sindicatos e organizações populares podem falar diretamente com seus apoiadores sem depender do espaço concedido pelos monopólios de comunicação” (Censura às redes sociais serve para manter a ditadura do PIG, Diário Causa Operária, 29/08/2026).
Painel publicado pelo Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário, levando em conta dados de 330 agências no Brasil, aponta que o mercado brasileiro no setor movimentou quase R$ 29 bilhões em 2025. Desse montante, cerca de R$ 9,7 bilhões foram para a televisão aberta e cerca de R$ 2,3 bilhões para a televisão por assinatura. Cerca de R$ 11,747 foram para publicidade na internet, o que, como já indicamos, também alcança os jornalões e das redes de televisão (Painel Cenp-Meios: investimento publicitário no mercado brasileiro cresce 10% em 2025 e atinge R$ 28,9 bilhões de reais, Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário, 11/03/2026).
Um mercado financeiramente gigantesco, mas que não produz nada. Uma estrutura armada para manter a comunicação do jeito que está e, sempre que possível, retroceder para os tempos onde o monopólio das comunicações se impunha com maior facilidade. A alternativa democrática ao modelo atual implica necessariamente na expropriação desse monopólio e no uso de sua estrutura de acordo com os interesses populares. Além de garantir a liberdade mais ampla o possível na internet, democratizar o acesso à televisão é fundamental. Como expresso nessa outra matéria do Diário Causa Operária em 2021:
“A imprensa, tanto escrita, falada e televisada, bem como as plataformas de tipo Facebook, YouTube etc. estão nas mãos de meia dúzia de pessoas que detém o poder da comunicação e fazem o que quiserem. Eles mesmos fazem suas próprias legislações, impulsionam guerras, interferem diretamente nos países, em relação aos chefes de estado etc..
No Brasil, onde o principal veículo de comunicação é dominado pela família do falecido Roberto Marinho, a Globo apoiou todos os golpes de estado que ocorreram no país, desde a aquisição da concessão, praticamente domina, bem como, interfere em toda a sua situação política e social.
(…)
Não ao controle dos meios de comunicação nas mãos dos monopólios privados, sob o controle de punhadinho de pessoas! É preciso expropriar esses monopólios, confiscar essas empresas e estilizá-las para colocá-las a serviço da população” (É preciso estatizar os monopólios da comunicação e da tecnologia, Diário Causa Operária, 07/10/2021).